Capítulo 114: Raiva
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Os dois estavam separados por uma camada de grade de segurança e outra de tela de proteção.
Eles se entreolhavam em silêncio.
Ji Min achou que ou estava com algum problema na cabeça ou então com algum problema de visão.
Caso contrário, por que ele estaria vendo Lu Ran pendurado na grade de segurança do segundo andar?
Isso era alguma sequela da cirurgia?
Ainda por cima, Ji Min viu claramente.
A pessoa do lado de fora da janela estava olhando para ele por um bom tempo, fez uma expressão de alívio e, calmamente e como se nada estivesse fora do comum, acenou com a cabeça e disse: “Agora que vejo que você ainda está vivo, fico mais tranquilo.”
“Já que você está bem, vou voltar para fazer meu dever de casa.”
Ao dizer isso, o rapaz tinha uma expressão completamente serena.
Como se ele não tivesse escalado a tubulação de água até a janela do segundo andar, mas sim estivesse voltando da escola e simplesmente tivesse dado uma olhada nele por acaso.
Assim que terminou de falar, o garoto olhou para baixo e se preparou para descer.
Quando ele se moveu, Ji Min finalmente se libertou daquela cena surreal, quase como um delírio.
Percebeu que do lado de fora estava realmente Lu Ran.
E pensou também em onde exatamente o garoto estava posicionado agora.
Em um instante, o coração de Ji Min quase saltou pela garganta.
“Lu Ran!”
Foi a primeira vez que Ji Min gritou o nome de Lu Ran.
“O que você está fazendo aí?”
O homem praticamente saltou da cadeira, equilibrando-se em uma perna só.
Esqueceu-se até da muleta ao lado e se segurou na mesa para ir até a janela.
Ao dar dois passos, temeu que sua aproximação repentina assustasse o rapaz, então parou rapidamente.
Sem saber o que fazer, ele apontou para o garoto do lado de fora e, sem conseguir se expressar direito, disse: “Desça daí agora!”
Logo em seguida, o homem passou a mão pela testa, e quase gritou: “Não, não, não, não se mexa! Segure-se firme!”
“Estou bem.”
Do lado de fora, o jovem, ainda pendurado, com a mesma expressão serena, disse:
“Eu só vim dar uma olhada, vou voltar pelo mesmo caminho.”
Está bem?
Como é que isso pode estar bem?
Voltar pelo mesmo caminho?
Que caminho?!
Ji Min ficou tão irritado que a visão quase escureceu.
Seu peito quase explodiu ali mesmo.
E, justo agora que Lu Ran estava pendurado na janela do segundo andar, ele não se atrevia a demonstrar nenhum sinal de raiva.
Temia que um tom de voz mais áspero fizesse o garoto escorregar e cair.
Só de imaginar essa cena, até o último fio de cabelo de Ji Min tremia.
O homem apenas respirou fundo, tentando se acalmar à força.
A garganta apertava e relaxava nervosamente, enquanto ele se aproximava lentamente da janela.
Dava cada passo com calma, falando baixo como se estivesse tentando acalmar uma criança assustada, com uma voz suave:
“Segure-se firme e não se mova.”
Mas Lu Ran, do lado de fora, olhou para ele e disse apenas:
“Não, eu vou voltar. Ainda tenho que ir trabalhar.”
E mais uma vez se preparou para descer.
Ji Min quase ficou sem fôlego de tanto segurar o ar.
Trabalho, trabalho, é hora de pensar em trabalho agora?
As veias na têmpora de Ji Min pulsavam intensamente.
Mas ele não se atreveu a soltar sequer um resmungo.
Apenas disse: “Espere! Você fez tanto esforço para vir até aqui, não quer conversar comigo?”
Lu Ran o olhou friamente: “Não quero.”
Ji Min: “…”
Com a voz ainda baixa e gentil, ele rangeu os dentes ao dizer: “Eu quero. Eu quero tanto que estou quase morrendo de vontade!”
O garoto, que estava prestes a descer, finalmente virou a cabeça para ele e respondeu:
“Oh, não parecia.”
Ji Min: “…”
Ele respirou fundo novamente, lembrando a si mesmo para não perder a calma.
Este definitivamente não era o momento para perder a paciência.
Aproveitando o tempo que o jovem gastava falando, Ji Min finalmente chegou à janela.
Com um movimento rápido, ele abriu a tela de proteção, estendendo os braços e, através da grade de segurança, segurou firmemente a cintura do garoto do lado de fora.
Ao senti-lo em seus braços, a temperatura do corpo de Lu Ran trouxe uma sensação de alívio a Ji Min, e o coração, que estava na garganta, começou a se acalmar.
Ele voltou para o peito e pulsava acelerado.
“Você me deu um susto daqueles!”
O homem não pôde evitar e gritou.
Só naquele curto espaço de tempo, o suor já escorria por sua testa.
As costas de sua camisa estavam completamente encharcadas.
Lu Ran, nos braços dele, olhou para baixo e disse friamente: “Estou bem. Não foi nada.”
Ji Min: “…”
Ótimo, até numa hora dessas ele ainda conseguia usar as palavras dele contra ele.
Ele suspirou.
Finalmente, desviou o olhar para o mordomo Chen, que estava logo atrás, e disse:
“Vá chamar alguém para trazê-lo para baixo!”
O mordomo Chen, completamente perplexo com a ousadia de Lu Ran, só então voltou a si e imediatamente ligou para o hospital.
Lu Ran olhou para ele e disse: “Não precisa. Fazer tanto estardalhaço assim só vai espalhar para o mundo inteiro onde você está internado. Pra quê manter segredo, então?”
“Eu desço sozinho.”
“Agora é hora de pensar nisso?”
A mão de Ji Min, ainda segurando firmemente a cintura dele, mexeu um pouco, com vontade de dar um leve tapa ali. Mas, receoso de que o jovem pudesse cair, ele o segurou ainda mais forte.
Só segurá-lo ainda não o deixava completamente tranquilo. Afinal, havia uma grade de segurança entre eles; e se acontecesse algum acidente, ele não teria como evitar.
“Traga uma corda!” pediu Ji Min, tentando acalmar-se.
O mordomo Chen desligou a ligação e rapidamente trouxe uma corda de segurança.
Ji Min a pegou e fez um nó ao redor da cintura de Lu Ran, prendendo-a também na grade em duas voltas.
Mesmo assim, ainda estava preocupado.
E se a grade de segurança estivesse enferrujada e não aguentasse o peso?
Então, Ji Min deu mais duas voltas da corda em sua própria cintura, amarrando Lu Ran firmemente a si mesmo. Somente então suspirou aliviado.
O mordomo Chen percebeu e rapidamente puxou uma cadeira, colocando-a atrás de Ji Min:
“Senhor, o senhor ainda não pode ficar em pé por muito tempo!”
Ji Min fez um gesto com a mão, prestes a dizer que não era por tanto tempo assim.
Lu Ran olhou para baixo e falou: “Se você não se sentar, eu vou descer agora.”
Ji Min imediatamente ajustou a postura e sentou-se.
Uma vez acomodado, a irritação cresceu dentro dele e finalmente começou a repreender:
“Lu Ran, você realmente se superou, não é?”
“Quem te ensinou a escalar janelas? Você ainda é tão jovem e já aprendeu a se pendurar em paredes?”
Quanto mais Ji Min falava, mais bravo ele ficava.
O jovem do outro lado não demonstrava nem um pingo de medo. Com um olhar desafiador, ele rebateu: “E você? Não é um exemplo de responsabilidade também, não é? Como assim passou por uma segunda cirurgia e não me contou?”
“Com uma perna ainda debilitada e insiste em dizer que está tudo bem, tudo tranquilo!”
“Então eu também posso escalar uma janela e ficar bem!”
Ji Min ficou calado por um segundo, mas logo retrucou:
“E você acha que agindo assim eu vou me sentir seguro quanto a você?”
“Esconder as coisas de mim e até mesmo deixar um testamento pronto… você ao menos pediu minha opinião antes de decidir algo assim?”
Lu Ran não se rendeu nem um centímetro.
“Era só por precaução!” respondeu Ji Min, fechando os olhos por um momento. “Você realmente vai acabar me matando de preocupação.”
“Pois saiba que eu também estou com raiva!” Lu Ran respondeu em voz alta.
Naquele momento, o diretor do hospital chegou ao local, passou a mão pelos fios ralos de cabelo e, em um tom de desespero, pediu:
“Senhores, será que poderiam evitar discutir no segundo andar, através da grade de segurança?”
Que perigo.
Depois de mais alguns minutos, Lu Ran finalmente estava sentado de maneira segura no quarto 217 do hospital.
O diretor do hospital enxugou o suor da testa e foi embora, seguido pelo mordomo Chen, que sabiamente saiu para “preparar o jantar”, deixando os dois sozinhos no quarto.
Ambos ficaram em silêncio, com expressões carrancudas.
Eventualmente, Ji Min não conseguiu aguentar e quebrou o silêncio.
Ele se inclinou para mais perto de Lu Ran, segurando a manga rasgada dele, franzindo o cenho:
“Não se mexa, quero ver se o arranhão aí dentro está feio.”
Lu Ran tentou puxar o braço, mas ao notar a perna engessada de Ji Min, deixou-o ver.
Ji Min puxou uma cadeira e fez o jovem sentar-se em frente a ele.
Ao levantar a manga de Lu Ran, ele observou algumas marcas vermelhas no braço dele.
A maioria era apenas arranhões, mas algumas tinham rompido a pele, deixando pequenas gotas de sangue.
“Rasgou a pele, acho que você precisa tomar uma antitetânica.” Ji Min fez menção de chamar o médico.
Lu Ran revirou os olhos: “Um corte raso assim? Pra quê?”
Ji Min olhou para ele de relance: “Mesmo assim, é melhor o médico dar uma olhada.”
Sem esperar por objeções, ele pegou o antisséptico e o algodão, começando a limpar os arranhões de Lu Ran.
O quarto ficou silencioso novamente.
Apesar de ambos terem gritado um com o outro há pouco, o ambiente agora estava ligeiramente tenso.
Ji Min terminou de tratar os arranhões no braço de Lu Ran e começou a limpar o ferimento no tornozelo dele.
Após algum tempo, no meio desse silêncio incômodo, Ji Min suspirou e falou baixo:
“Desculpe, eu fui o errado desta vez.”
Lu Ran olhou para ele sem dizer nada.
Ji Min suspirou de novo: “Não devia ter escondido a cirurgia de você, não devia tratá-lo como uma criança, tampouco esconder as coisas ruins.”
“E o que mais?” perguntou Lu Ran.
Ji Min hesitou: “…Não devia ter feito um testamento sem te contar.”
Só então Lu Ran soltou um leve resmungo, parecendo mais conformado.
“Mas você foi longe demais.”
Ji Min ainda se sentia suando frio só de lembrar da cena de minutos atrás. Incapaz de conter-se, ele aplicou um pouco mais de pressão ao passar a pomada.
Contudo, vendo que Lu Ran não demonstrou reação, ele imediatamente afrouxou o toque, com medo de machucá-lo.
“Você teve sorte de eu estar no segundo andar, uma altura não tão alta. E se fosse no quinto ou sexto andar, você teria subido mesmo assim?”
“Eu não sou tão imprudente.”
A voz de Lu Ran vacilou um pouco, mostrando um raro traço de incerteza: “Eu só subi porque eram dois andares.”
“Ah, sim, muito sensato!”
Ji Min deu um leve peteleco na cabeça dele. “As pessoas estavam no andar térreo; era só entrar e ninguém te impediria.”
Lu Ran ficou em silêncio, massageando a testa. Ele ponderou sobre o que Ji Min havia dito e comentou:
“É, faz sentido.”
Ji Min, à beira de perder a paciência, suspirou e jogou os restos de algodão no lixo.
Olhou para o jovem sentado à sua frente.
Depois de quase três meses, era a primeira vez que via Lu Ran.
Dizer que não sentia saudade ou que não estava emocionado seria mentira.
Mas ninguém esperava que ele fosse aprontar uma dessas logo na primeira oportunidade.
Incrível como esse tipo de coisa parecia até plausível vindo de Lu Ran.
Ele lembrou-se da primeira vez que viu o jovem, que havia literalmente parado um carro na frente dele.
Naquele momento, Ji Min apenas ergueu uma sobrancelha, achando a situação um pouco inusitada.
Mas agora, ao lembrar do carro parado quase sobre os joelhos de Lu Ran, sentia uma onda de medo percorrer seu corpo.
“Nunca mais faça algo assim.”
Ji Min segurou a mão de Lu Ran, envolvendo-a nas suas.
Com um suspiro de resignação, disse: “Nada no mundo vale mais do que sua segurança.”
Lu Ran o encarou, sem responder.
Aquela intensidade despreocupada que parecia sempre pronta a arriscar-se estava lá, escondida em seus olhos.
Ji Min estreitou os olhos, ameaçando: “Se fizer isso de novo, eu vou…”
Ele hesitou.
“Vou…”
O poderoso chefe da família Ji hesitou, sem conseguir finalizar a frase.
“Vai o quê?” perguntou Lu Ran.
Ji Min se inclinou, aproximando o rosto e sussurrou entre os dentes: “Vou te vigiar de perto, e não vou deixar você fazer nada.”
Lu Ran sorriu, achando a ideia boa.
“Pode tentar, então, me seguir de perto.”
Ji Min só conseguia decidir que realmente teria de ficar de olho nele o tempo todo.
Ele olhou mais uma vez para o jovem à sua frente.
Depois de meses, parecia que ele havia crescido um pouco.
Mas Lu Ran estava claramente mais magro, com olheiras evidentes e um olhar sombrio.
Ji Min tocou levemente os círculos escuros sob os olhos dele e prometeu:
“Acabou, está bem? Não vai acontecer nada parecido de novo.”
Lu Ran finalmente amoleceu um pouco o semblante e ergueu os olhos para ele.
Os meses de recuperação tinham deixado Ji Min mais frágil.
O jovem, por impulso, inclinou-se como fazia antes da cirurgia, querendo sentar-se no colo dele.
Mas ao notar a perna apoiada pela tala, recuou.
“Está doendo ainda?” perguntou, preocupado.
Ji Min o puxou para um abraço.
“O corte já cicatrizou, posso ficar um tempo assim.”
Na proximidade, a saudade parecia transbordar, aquecendo o peito de Ji Min.
A sensação familiar do corpo do jovem em seus braços quase fazia o coração doer de tanta saudade.
Ele quase se inclinou para beijá-lo, mas ao lembrar das câmeras no quarto, apenas o apertou mais forte.
Depois de um tempo, suspirou e, para desviar o foco, perguntou:
“Não está quase na época das provas finais? Como anda a preparação?”
“Oh.” Lu Ran respondeu honestamente. “Acabei de matar duas aulas.”
Ji Min: “…”
Pronto, toda e qualquer ideia romântica se esvaiu completamente.
Só restou a irritação.
Depois desse incidente, era impossível para Ji Min impedir que Lu Ran viesse ao hospital.
Dias depois, ele tirou a tala da perna direita e começou a fisioterapia.
Lu Ran vinha todos os dias após a aula, passava um tempo no hospital e voltava à noite.
Apesar da presença constante, Ji Min percebeu que algo não estava certo.
Lu Ran, ao chegar, apenas se sentava para estudar ou ler artigos, sempre com uma expressão fria, como se não quisesse falar com ninguém.
Saindo da sessão de fisioterapia, Ji Min sentou-se ao lado dele para descansar.
Observando o jovem, suspirou:
“Ainda está bravo, é isso? Tão difícil de agradar?”
Só agora Ji Min entendia o peso das palavras de Lu Ran quando dissera “Estou com raiva”.
Lu Ran provavelmente não se irritava com facilidade.
Mas quando ficava realmente bravo, não era algo que se resolvia com algumas palavras.
Como agora.
Lu Ran levantou os olhos para ele e disse: “Não estou.”
“Com essa expressão, claramente está.” Ji Min insistiu.
“Não estou, só acho que você é um velho sem graça. Estou pensando em encontrar alguém mais jovem.”
Ji Min riu.
Ele olhou para o jovem com interesse e perguntou:
“E quem chamou sua atenção?”
Lu Ran ergueu os olhos, com um brilho de provocação:
“Ultimamente tenho me divertido bastante com Fang Chen. Sabe, da família Fang. Estou gostando dele.”
Ao ouvir o nome de Fang Chen, Ji Min pensou em seus próprios planos e sentiu um breve momento de culpa.
Parecia que ele havia esquecido de mencionar isso no pedido de desculpas do dia anterior.
Mas Ji Min tinha confiança nesse ponto.
Com segurança, respondeu: “Impossível, ele não faz o seu tipo.”
Ainda assim, ele deu uma olhada de relance para Lu Ran, atento à expressão dele.
“Oh, é mesmo?”
Lu Ran sorriu e mostrou uma foto de Fang Chen no celular. “Pois eu acho ele bem fofo.”
Ji Min: “…”
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