Capítulo 7
Naquele dia, quando Yan Hang se aproximou com o celular e até colocou ele num suporte embaixo da árvore, Chu Yi já tinha imaginado que ele estava fazendo uma transmissão ao vivo. Mas só hoje percebeu que as lives de Yan Hang eram tão sem graça.
E ele era tão casual com aquilo, começava quando queria e encerrava sem nem se despedir quando perdia a vontade.
Também não mostrava o rosto e, quando talvez mostrasse, usava máscara.
Não era surpresa ninguém assistir.
Se Yan Hang estivesse disposto a mostrar o rosto, com certeza atrairia muitas garotas como a colega de mesa dele para lhe mandar presentes… mas Chu Yi gostava bastante desse tipo de live entediante.
Dava a ele uma sensação de experimentar uma “vida diferente”. Talvez igualmente comum, talvez absurdamente monótona, mas diferente da dele.
Era bem interessante.
Embora ele só tivesse assistido às lives algumas poucas vezes.
Seu celular velho não conseguia lidar com coisas novas como transmissões ao vivo. Toda vez que entrava, travava como se estivesse usando internet 2G, depois congelava completamente e só voltava ao normal se ele tirasse a bateria.
Hoje ele originalmente queria assistir à live de Yan Hang ali mesmo por mais tempo, mas realmente não tinha tempo suficiente. Ele tinha saído para comprar óleo.
A mãe dele não comprava óleo no supermercado, mas sim na feira, daqueles galões grandes divididos e vendidos em partes menores, porque era mais barato.
A feira ficava longe, então ele já demoraria mais tempo. Mas tinha ido procurar a caneta e acabou passando bastante tempo com Yan Hang. Se não corresse para a feira agora, voltaria muito tarde.
Embora a mãe não batesse nele, ele também não queria encarar as broncas sombrias dela.
“Comprar óleo?” Yan Hang olhou para ele. “Você não pode simplesmente comprar em qualquer supermercado?”
“É caro.” Disse Chu Yi.
“Então você tem que ir até a feira?” Perguntou Yan Hang.
Chu Yi assentiu.
“Então vai logo.” Yan Hang olhou as horas.
Chu Yi se levantou e olhou para ele, parecendo querer dizer mais alguma coisa, mas depois de encarar o vazio por um tempo, não conseguiu encontrar as palavras certas.
“Hm?” Yan Hang provavelmente achou estranho ser encarado daquele jeito. “Não me diz que tem outra caneta no rio.”
“Não.” Chu Yi sorriu e saiu correndo pela trilha.
A caneta tinteiro tinha sido dada a ele pela tia muito tempo atrás. Ele não tinha coragem de usá-la. A mãe sempre trazia canetas da estação de entrega de água — azuis, vermelhas, pretas, de todos os tipos. Eram aquelas que ele precisava usar.
Então tinha escondido aquela caneta tinteiro o tempo todo. Se não fosse para agradecer Yan Hang, talvez já tivesse até esquecido dela. Talvez no futuro também esquecesse daquele celular.
Era melhor esquecer as coisas que não podia ter. Caso contrário, pensar nelas machucava. Essa era a experiência dele.
Chu Yi correu o caminho inteiro até a feira. Normalmente correr até lá era cansativo, mas dessa vez não pareceu tão longe.
Provavelmente porque tinha dado a caneta de presente.
Ele não tinha muitas oportunidades de dar presentes às pessoas. Aniversários de colegas e coisas assim nunca o incluíam. Quanto a dar presentes para os pais… ele já tinha feito isso antes.
Quando estava no ensino fundamental, economizou a mesada por muito tempo, até recolheu papel velho e garrafas para vender. Juntou dinheiro suficiente para comprar um cachecol para a mãe, querendo fazê-la feliz.
Do mesmo jeito que ele ficava extremamente feliz quando a tia lhe dava presentes.
Mas a mãe não valorizou o gesto.
No final, a avó pegou o cachecol e levou ele até a loja para fazer um escândalo e devolver o produto. Depois usou o dinheiro do reembolso para comprar cigarros. Quando chegaram em casa, a mãe brigou de novo com a avó porque ela não tinha recebido o dinheiro da devolução.
Depois disso, ele nunca mais pensou em dar presentes para ninguém.
Dessa vez, dar um presente para Yan Hang tinha exigido muita coragem.
Li Zihao jogar a caneta fora, ele procurando no meio da lama e do lixo — nada disso importava muito para ele. O que realmente o preocupava o tempo todo era Yan Hang não aceitar.
Mas Yan Hang aceitou. Mesmo depois de ver com os próprios olhos a caneta sendo tirada daquela lama fedorenta sem nem ter sido lavada, apenas limpa com um pedaço de papel.
Chu Yi sorriu.
Yan Hang era realmente uma pessoa muito boa.
Depois de comprar o óleo especificado pela mãe na feira, Chu Yi carregou o galão e correu de volta.
Quando passou pelo prédio onde Yan Hang morava, olhou naquela direção. A janela da sala de Yan Hang dava para a rua, separada apenas por um canteiro de flores e três árvores, mas as cortinas estavam fechadas.
Talvez Yan Hang ainda não tivesse voltado.
Chu Yi diminuiu o passo. O óleo era bem pesado e ele estava cansado de correr tanto.
A mãe ainda não tinha ligado apressando ele, o que significava que ainda estava dentro do tempo tolerável… Mas quando virou a esquina e conseguiu enxergar o prédio onde morava, entendeu por que a mãe não tinha ligado.
Ela provavelmente não tinha atenção sobrando.
Ele conseguia ouvir a voz da avó de longe.
Xingando com toda força, embora o conteúdo não estivesse claro, Chu Yi conseguia imaginar mais ou menos.
O corpo inteiro dele imediatamente ficou tomado por uma sensação sufocante e seus passos ficaram cada vez mais lentos.
Andou devagar ao longo da parede, rezando o tempo todo: acaba logo, termina antes de eu chegar no prédio.
Mas, assim como os pequenos desejos que fazia para os buracos de árvore nunca se realizavam, suas orações silenciosas também jamais tinham funcionado.
E hoje, a realidade estava ainda mais distante das expectativas do que o normal.
A avó não estava embaixo do prédio, mas ao lado da rua.
A blusa dela já tinha sido tirada, e ela estava parada de mãos na cintura usando apenas a camiseta de baixo, uma faixa branca chamativa visível para toda a multidão ao redor.
Chu Yi parou e se encostou na parede.
Mas não conseguia escapar dos olhares das pessoas.
“Chu Yi!” Alguém chamou seu nome rindo. “Você não vai levar sua avó pra casa?”
“Se demorar mais um pouco ela tira as calças também!” Outra pessoa comentou dando risada.
Chu Yi manteve a cabeça abaixada e não disse nada.
Ele não sabia sobre o que a avó estava brigando hoje, nem com quem ela tinha discutido a esse ponto. Só sabia que, aos olhos daqueles vizinhos, aquela cena era uma piada que se repetia a cada poucos meses.
Todo mundo sabia que a avó dele era uma velha barraqueira capaz de arrancar a roupa e começar uma briga em qualquer lugar, a qualquer hora.
E esse “qualquer lugar” incluía até a escola dele.
Quando Yan Hang abriu a porta e entrou em casa, o pai perguntou:
“Que cheiro é esse?”
“…Você ainda consegue sentir?” Yan Hang levantou o pé e olhou para a sola do sapato.
“Consigo.” Disse o pai. “Você brigou com alguém dentro de uma fossa?”
“Tá quase na hora da comida, não estraga o apetite.” Yan Hang tirou os sapatos e colocou ao lado da lata de lixo perto da porta. Ele tinha notado um velho que aparecia duas vezes por dia para revirar o lixo.
“Alguns dos seus colegas são bem despreocupados.” Disse o pai.
“Fui demitido.” Yan Hang foi até a cozinha lavar as mãos. Quando saiu, sentiu a caneta tinteiro no bolso. Hesitou por um momento, depois levou ela até o nariz para cheirar. Em seguida virou e foi lavar a caneta mais algumas vezes.
“Nem vão te pagar pelo dia trabalhado?” O pai não perguntou o motivo do desemprego.
“Mesmo que pagassem, não daria nem pra uma tigela de macarrão.” Yan Hang sentou-se olhando para a caneta na mão.
Era uma caneta Parker prateada, com um estilo antiquado, mas muito delicada.
Yan Hang normalmente não se interessava muito por canetas. Nem usava muito, já que só tinha frequentado o ensino fundamental. Geralmente preferia lápis.
Mas como presente, parecia diferente.
“O que é essa coisa?” Perguntou o pai.
“Você não consegue ver o que é?” Yan Hang balançou a caneta na direção dele.
“Mesmo que conseguisse, não acreditaria nos meus próprios olhos.” O pai acendeu um cigarro.
“Foi um presente.” Disse Yan Hang.
“Um presente?” O pai pareceu surpreso. “Daquele garoto que você mencionou?”
“É.” Yan Hang assentiu. “O que você quer comer no almoço?”
“Pizza.” Disse o pai.
Yan Hang lançou um olhar para ele.
“Vi que o forno da cozinha funcionava, então comprei ingredientes.” O pai apontou para a geladeira. “Ia deixar pra você fazer no jantar, mas já que está desempregado, vamos comer no almoço mesmo.”
Yan Hang abriu a geladeira. A massa, o queijo e o molho estavam lá.
“Tá bom.” Disse Yan Hang. “Vou comprar pimentão, bacon e essas coisas.”
“E traz uma garrafa de vinho tinto.” Acrescentou o pai.
“Comemorando meu desemprego, é?” Disse Yan Hang.
“Comemorando você ter feito um amigo e recebido um presente.” Disse o pai, feliz.
Yan Hang não respondeu e saiu de casa.
Ele realmente tinha recebido um presente.
Mas um amigo?
Chu Yi?
O conceito de amizade de Yan Hang era vago. Que tipo de relação, que nível de proximidade, podia ser considerado amizade, ele não sabia direito.
Mas Chu Yi provavelmente não contava como amigo.
Eles mal conversavam. Amigos deveriam pelo menos conseguir bater papo. Se ele tivesse que conversar com Chu Yi, provavelmente morreria de tédio.
Virando à esquerda ao sair do prédio, havia um supermercado na rua. Yan Hang vinha comprando mantimentos ali nos últimos dias. Era bem abastecido e não era caro. Os moradores da região faziam compras ali. Parecia que a renda de todos era mais ou menos a mesma. Ele realmente não entendia por que a mãe de Chu Yi insistia tanto que ele fosse até a feira comprar óleo.
Chu Yi era mesmo muito obediente, correndo até a feira para carregar um galão enorme de óleo de volta…
E realmente era um galão gigantesco.
Yan Hang parou na entrada do supermercado, olhando Chu Yi vindo em sua direção carregando aquele galão de óleo quase do tamanho de um bebedouro.
Mas a direção em que Chu Yi vinha claramente era o lado oposto da casa dele.
Yan Hang não se moveu, observando Chu Yi caminhar lentamente de cabeça baixa, parecendo abatido. Normalmente, quando sofria bullying, ele não demonstrava expressão alguma, mas agora suas sobrancelhas estavam franzidas.
Chu Yi não percebeu Yan Hang em nenhum momento. Apenas continuou andando de cabeça baixa. Quando passou por ele, Yan Hang não conseguiu evitar e estalou os dedos na cabeça dele.
“Ei.”
Chu Yi virou a cabeça.
“Você não vai pra casa?” Yan Hang perguntou.
“Vou dar uma volta primeiro.” Disse Chu Yi.
“Dar uma volta carregando óleo?” Yan Hang perguntou.
“É.” Chu Yi assentiu. “Fortalece o corpo.”
Às vezes Yan Hang realmente não entendia em que estado mental Chu Yi ainda conseguia brincar numa hora em que claramente estava desanimado daquele jeito.
“Tem alguém bloqueando o caminho lá na frente?” Yan Hang perguntou.
“Não.” Chu Yi balançou a cabeça. “Eles saem nos fins de semana.”
“Então vai dar sua volta.” Yan Hang não sabia mais o que dizer e virou para entrar no supermercado.
Havia bastante gente no supermercado. Yan Hang pegou alguns pimentões no meio da multidão e também um pacote de alga marinha.
Enquanto ia até a seção refrigerada procurar bacon, de repente percebeu que Chu Yi estava seguindo atrás dele, carregando aquele barril de óleo de oitocentos quilos.
“Que porra…” Yan Hang se assustou. “O que você tá fazendo?”
“Dando uma volta.” Disse Chu Yi.
“Você entrou com isso sem passar no caixa de conferência?” Yan Hang olhou para o óleo na mão dele. “Aqui também vende óleo. Talvez não deixem você sair depois.”
“Esse aqui não tem marca nenhuma.” Chu Yi virou o galão. Realmente não havia rótulo algum. “Sem problema.”
Yan Hang suspirou e puxou um carrinho com rodas ao lado.
“Coloca aqui dentro. Só de olhar você carregando isso eu já fico cansado.”
Chu Yi colocou o galão no carrinho e continuou seguindo Yan Hang de longe, puxando-o.
Depois de pegar o vinho tinto, Yan Hang continuou procurando bacon. Se não tivesse bacon, pretendia substituir por outra coisa, como linguiça, presunto ou carne defumada.
Chu Yi devia ter passado por alguma coisa, mas Yan Hang não tinha o hábito de ficar cavando a vida dos outros. No máximo fazia duas perguntas; se não recebesse resposta, não insistia mais. Se fosse o pai dele, nem uma pergunta faria.
Depois de comprar tudo e sair, lançou um olhar para Chu Yi. Carregando o óleo, Chu Yi também parecia não ter intenção de voltar para casa, apenas caminhava sozinho para frente.
“Chu Yi.” Chamou Yan Hang.
Chu Yi virou a cabeça.
“Você já comeu?” Yan Hang fez uma pergunta inútil.
“Daqui a pouco vou be-ber óleo.” Disse Chu Yi.
“Vem beber lá em casa.” Disse Yan Hang. “Eu arrumo um copo pra você.”
“É con-veniente?” Perguntou Chu Yi.
Yan Hang percebeu que Chu Yi era muito direto em certos aspectos. Como agora, ele nem fingiu recusar por educação.
Muito bom.
O pai ficou um pouco surpreso quando Yan Hang saiu para comprar ingredientes e voltou acompanhado de alguém carregando óleo.
“Chu Yi.” Yan Hang apresentou. “O garoto que me deu a caneta. Convidei ele pra comer.”
“Bem-vindo, bem-vindo. Eu sou o pai do Yan Hang, Yan Shu.” O pai estendeu a mão entusiasmado para Chu Yi. “Que educado, ainda trouxe… óleo?”
Chu Yi ficou parado por um instante antes de apertar a mão dele.
“Olá, tio.”
“O óleo é o que ele comprou pra levar pra casa.” Disse Yan Hang. “Chu Yi, vem aqui ajudar.”
Na verdade nem havia muito o que ajudar. Ele só tinha medo de Chu Yi não conseguir lidar com as besteiras de Yan Shu.
“Tá bom.” Chu Yi imediatamente colocou o galão no chão. Depois de trocar de chinelos, organizou cuidadosamente os poucos pares de sapato espalhados pelo chão.
Yan Hang olhou para o pai. O pai também estava olhando para ele. Claramente, aquela atitude cuidadosa de Chu Yi o tinha surpreendido.
“Vamos fazer live.” Yan Hang pegou o celular e colocou num suporte sobre o balcão, colocando a máscara.
“Vai… ter alguém assistindo?” Perguntou Chu Yi.
“Você não vai largar isso, né?” Yan Hang olhou para ele.
“Largando.” Chu Yi respondeu imediatamente.
Yan Hang o ignorou e ajustou o celular, apontando para os ingredientes sobre o balcão.
Chu Yi observava as mãos de Yan Hang.
Depois que algumas pessoas entraram na live, a tela começou a encher de emojis de mãos.
As mãos de Yan Hang realmente eram muito bonitas, especialmente quando estavam em movimento.
Lavando os pimentões, abrindo a embalagem da linguiça, pegando a faca…
Chu Yi ficou olhando distraidamente, não só pelas mãos de Yan Hang, mas também pelas habilidades dele com a faca.
Ele cortava os pimentões em tiras e a linguiça em cubos com destreza. Todos os movimentos eram suaves e fluidos, sem pausas desnecessárias nem hesitação.
A tela estava bastante animada. Chu Yi tirou um momento para olhar.
— Irmão Xiao Tian, não seja tão frio, pelo menos explica os passos e os pontos importantes
— Série culinária silenciosa
— Série encerrando a live do nada
— Acho que tem outra pessoa aí?
— Eu também vi
— Tem alguém aí
Chu Yi rapidamente saiu do enquadramento.
Yan Hang lançou um olhar para ele, estendeu a mão e pegou o celular, virando a câmera para ele:
“É essa pessoa.”
— Garoto bonito
— Eles realmente estão cozinhando juntos!!!
— De repente tive pensamentos impróprios…
Antes que Chu Yi pudesse ajustar a expressão chocada, Yan Hang já tinha colocado o celular de volta e continuado a preparar os ingredientes.
“Me passa a assadeira.”
Chu Yi rapidamente entregou a assadeira ao lado dele.
“Não tem muito o que fazer com esse tipo de pizza semipronta.” Disse Yan Hang. “Só corta o que quiser colocar por cima, rala queijo e coloca pra assar.”
Depois de falar, colocou a assadeira no forno e ajustou o temporizador.
“Pronto, daqui a pouco já dá pra comer.”
Chu Yi ainda nem tinha recuperado os sentidos quando Yan Hang já encerrou a live.
“Acabou?” Perguntou Chu Yi.
“Não acabou, ainda tem mais uma.” Yan Hang virou e continuou trabalhando. “O conteúdo é tudo igual, então não vou transmitir.”
“Ninguém assiste mesmo.” O pai veio até a porta da cozinha e se encostou ali. “Xingtian, o blogueiro culinário menos popular da história. Até os fãs têm preguiça de mandar presentes.”
“Quem disse?” Yan Hang falou enquanto cortava pimentão. “Agora mesmo alguém mandou um avião.”
“Por quê?” Disse o pai. “Clicou errado?”
Yan Hang olhou para Chu Yi:
“Provavelmente porque… Chu Yi apareceu.”
O pai imediatamente começou a rir por um bom tempo.
“Então foi pro Chu Yi.”
“Vai esperar lá fora pra comer.” Yan Hang suspirou.
O pai riu e voltou para a sala continuar assistindo o noticiário local.
“Você… quer?” Perguntou Chu Yi baixinho ao lado dele, parecendo um pouco envergonhado.
“Quero o quê?” Yan Hang ficou confuso.
“Rosto.” Disse Chu Yi.
“Você acredita que eu também posso te cortar em cubinhos?” Yan Hang ficou chocado.
“O meu.” Chu Yi apontou para si mesmo. “Rosto.”
“Espera um pouco.” Yan Hang colocou a faca no balcão e se apoiou nele. “Deixa eu entender isso primeiro.”
“Se você… quiser… presentes…” Chu Yi explicou.
“Entendi.” Yan Hang o interrompeu. Ficou olhando para ele em silêncio por um tempo. Só depois de colocar a segunda pizza pronta no forno foi que falou de novo: “Você não tá tentando me retribuir, tá?”
Chu Yi olhou para ele sem dizer nada.
“Você…” Quando Yan Hang quis continuar, Chu Yi o interrompeu.
“Não.”
“Então o que é?” Perguntou Yan Hang.
“Ver você sem… sem presentes…” Disse Chu Yi baixinho. “É triste.”
“…Sai daqui!” Disse Yan Hang, mas depois pensou um pouco e acabou rindo. “Droga.”
Chu Yi se encostou na parede e ficou olhando o forno junto com Yan Hang.
Aquilo não podia exatamente ser chamado de retribuir bondade. Ou talvez fosse apenas vontade de expressar os próprios sentimentos.
Para Yan Hang, algumas coisas não eram feitas de propósito, eram apenas naturais. Mas para ele, a sensação era bem diferente.
Ele só não tinha coragem de admitir esses sentimentos. Tinha medo de Yan Hang achar estranho ou pensar que ele estava procurando proteção.
Ele não precisava da proteção de ninguém. Só queria alguém que pudesse ter interações comuns com ele.
Yan Hang conseguia lhe proporcionar esse tipo de interação. Embora não soubesse quanto tempo aquilo duraria, ainda assim valorizava muito.
As duas pizzas ficaram prontas. Yan Hang também fez uma sopa. Chu Yi agilmente foi até a sala organizar a mesa um pouco, trouxe a pizza e a sopa, e rapidamente pegou os talheres também.
Yan Hang ficou um pouco surpreso com a capacidade de observação de Chu Yi. Onde as coisas estavam guardadas, Chu Yi não perguntou e nem parecia observar deliberadamente, mas já tinha feito tudo antes mesmo que Yan Hang precisasse falar.
Yan Hang não conseguia descrever a sensação. Vagando por tantos lugares com o pai todos esses anos, embora não tivesse amigos, tinha conhecido muita gente e era sensível a várias coisas.
O estado de Chu Yi era diferente da percepção comum. Dava a sensação de alguém cauteloso, se esforçando para não cometer erros, tentando satisfazer todos de maneira séria e natural.
“Chu Yi, quer beber um pouco?” Tio Yan abriu uma garrafa de vinho tinto.
“Não, eu não sei.” Disse Chu Yi.
“Experimenta um pouco.” Tio Yan colocou só um pouquinho na taça dele. “Só uns goles.”
“Tá bom.” Chu Yi sorriu.
Além de ir na casa de parentes durante o Ano-Novo, ele basicamente não tinha lembranças de comer na casa de colegas ou amigos.
Quanto a cozinhar junto na cozinha e depois sentar na mesma mesa para comer e conversar, nunca tinha vivido aquilo antes. Chu Yi deu uma mordida na pizza e sentiu uma sensação muito confortável.
“Você mora por aqui?” Perguntou Tio Yan.
“Mm.” Chu Yi assentiu. “Mais… mais pra frente, no lado sul da rua.”
“Passei por lá hoje quando saí pra caminhar.” Tio Yan sorriu, parecendo lembrar de algo enquanto cutucava Yan Hang com o braço. “Hoje à tarde, quando eu estava voltando, vi uma senhora sem camisa brigando com alguém por lá. Ela era muito feroz. Fiquei até com vergonha de parar pra assistir.”
“Hã?” Yan Hang ficou surpreso.
A mão com que Chu Yi segurava a pizza tremeu.
Capítulo 7
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