Capítulo 3
– O que achou ? – Vicenzo questiona, confiante de que Eugene havia gostado.
– Está realmente delicioso… – ele responde, com a boca ainda um pouco cheia.
– Coma o quanto quiser. Fiz bastante comida. – o alfa fala sorridente.
– Eu agradeço, mas você não precisava ter todo esse trabalho.
– Não foi trabalho nenhum. Poderia fazer essa receita de olhos fechados!
– Como aprendeu a cozinhar ? – Eugene questiona e dá outra garfada no macarrão.
– Meus avós paternos eram muito tradicionais. – Vicenzo fala com um sorrisinho de canto, lembrando dos velhos tempos.
– E você ? Como é com sua família ?
– Ah… – Eugene hesita e usa o garfo para mexer o macarrão, enquanto pensa em alguma resposta.
– Não é nada de mais.
– Se não quiser me contar, tudo bem… – o alfa desliza sua mão até a de Eugene, que puxa a mão de repente, evitando seu toque.
– Ainda está desconfortável comigo ? – Vicenzo franze o cenho, tentando parecer triste.
– Eu prefiro que não me toquem… – Eugene gira o rosto para o lado, evitando seus olhos. Não conseguia se manter tranquilo com a sensação constante de estar sendo devorado com os olhos.
– Você também sentiu, não é ? Naquela noite, quando eu te toquei… – o alfa o encara e libera um pouco de feromônios, se divertindo ao vê-lo corar e se encolher na cadeira.
– Eu não senti nada. – Eugene fala em um tom indiferente e o encara de volta. Não se deixaria intimidar por alguém como ele.
Vicenzo se surpreende com sua atitude e sorri. Adorava tudo sobre aquele ômega, mas principalmente sua teimosia.
– Sério ? Naquela noite eu tive um rut repentino, pensei que tinha acontecido o mesmo com você.
– Já disse que não senti nada. – o ômega repete em tom firme.
– Certo, tudo bem. – Vicenzo ergue as mãos, mostrando as palmas, e se recosta na cadeira. Sabia que se insistisse demais, acabaria afastando aquele ômega.
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Após algumas horas de conversa fiada e um delicioso jantar, Eugene parecia mais solto e confiante.
– Ah! Olha a hora! – o ômega fala de repente ao ver as horas no celular. Sem perceber, havia acabado ficando relaxado demais com aquele alfa.
– Já é tão tarde assim ? – Vicenzo questiona e confere as horas em seu relógio. Quando foi a última vez que passou tanto tempo apenas conversando com um ômega que não fosse da sua família ? Naquela altura, já estaria indo para o terceiro round.
– Eu preciso ir. Tenho um compromisso amanhã. – Eugene se levanta e pega seu blazer, que estava sobre o assento da cadeira ao seu lado.
– Espera! – o alfa também se levanta e tenta pará-lo, mas hesita antes de conseguir tocá-lo.
– Vicenzo, eu agradeço pelo jantar. Mas realmente preciso ir. – Eugene se despede, com um sorriso gentil e o rosto levemente corado. O alfa se surpreende ao ver aquela expressão e por alguma razão, sente que não pode deixá-lo ir ainda.
– Eu posso pelo menos te acompanhar até o seu quarto ? – ele se aproxima, deixando seu rosto bem próximo ao do ômega. Eugene abaixa a cabeça e se encolhe, o cheiro dos seus feromônios estava impregnado por toda parte e senti-lo tão de perto não ajudava em nada.
– Prometo que é apenas isso. – Vicenzo sussurra.
– Tudo bem… – o ômega também sussurra e ergue a cabeça, o encarando com um olhar inocente e tímido. O alfa sente um arrepio percorrer sua espinha e acaba perdendo o controle, agarrando Eugene pela nuca e dando-lhe um beijo.
A princípio, o ômega fica surpreso e sem reação, no entanto, seu corpo reage por instinto e logo ele acaba correspondendo ao beijo. Seus feromônios são lançados ao ar e se misturam aos de Vicenzo, que o segura com força, sem dar brecha para que Eugene possa fugir.
De repente uma sensação de calor e excitação se espalha por seus corpos, como animais no cio, agindo apenas por impulso e desejo. Vicenzo, ansioso para devorá-lo, o agarra pela cintura e o puxa para mais perto do seu corpo, roçando sua ereção contra a virilha do ômega. Eugene se assusta e tenta empurrá-lo para longe, sabia que não podia continuar com aquilo.
– Eugene, eu… – Vicenzo tenta se desculpar, ofegante e desorientado.
– I-isso não devia ter acontecido… – Eugene murmura e corre para fora do apartamento. O alfa tenta ir atrás dele, mas logo para em frente a porta, vendo que era inútil persegui-lo.
– Porra…!
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Eugene entra no quarto apressado e corre em direção ao banheiro, trancando a porta. Ele se senta no chão e se encolhe. Estava ofegante e agitado, mas além disso, a ereção em sua calça e o líquido que insistia em escorrer por suas pernas, o deixava assustado.
– De novo… por quê ? – ele murmura e esconde o rosto entre as pernas.
– Ugh… droga… – Eugene encara a sua ereção e percebe que o tecido da sua calça está encharcado. Era inegável, aquele homem, de alguma forma provocou seu cio.
O ômega tira sua calça junto da cueca e o líquido do seu ânus escorre até o chão, formando uma pequena poça embaixo dele. Ele desliza a ponta dos seus dedos, espalhando o líquido, e logo depois enfia um deles, tentando chegar até sua próstata.
– Haa…! – ele geme e inclina a cabeça para trás. Enquanto se toca, percebe que o cheiro do alfa ficou impregnado em sua camisa. Eugene leva o tecido em direção ao nariz e respira fundo, se embriagando com seu cheiro.
– Vicenzo… – o ômega choraminga e sente uma sensação estranha em seu ventre, ao mesmo tempo que seu pau palpita e fica cada vez mais molhado. Estava quase chegando ao limite.
– Droga… ah! – ele resmunga ofegante e logo depois goza, usando a camisa para conter seus gemidos, envergonhado de si mesmo. Eugene suspira e encara o sêmen no chão, meio atônito.
– O que diabos estou fazendo ? – o ômega se questiona, sentindo-se péssimo.
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– Porra! – Vicenzo joga o copo de vidro em direção a parede, que se estilhaça no mesmo instante. O alfa estava furioso e inquieto, tudo graças ao rut repentino que aquele ômega causou. Sentia-se como uma criança que havia acabado de perder seu doce favorito antes mesmo de conseguir comer.
– Aquele ômega… está brincando comigo! – ele resmunga e pega o frasco de inibidor, tomando uma quantidade perigosa de remédio de uma só vez. Seu apartamento estava impregnado com rastros do seu aroma e por isso não conseguia se acalmar. Aquela seria mais uma noite longa.
Capítulo 3
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Abismo
Vicenzo DiNozzo, o jovem chefe da máfia local, se vê inesperadamente obcecado por Eugene. Um ômega de personalidade difícil e cercado por mistérios.
A princípio, Vicenzo acreditava que...