Capítulo 4
Alguns dias depois.
Eugene suspira e toma mais um gole de café. Estava ocupado trabalhando em um grande projeto para a construtora do seu pai e por isso mal tinha tempo de sair do quarto de hotel.
– Haa… que dor de cabeça. – ele murmura e esfrega a testa. Se sentia realmente cansado e pressionado, não queria decepcionar seu pai.
– Sr. Salvatore ? – uma voz masculina o chama ao bater à porta. Eugene gira o rosto em direção a entrada e logo depois se levanta.
Ao abrir a porta, o ômega é surpreendido por um grande buquê de rosas vermelhas.
Ele deixa mais um longo suspiro sair e sente que sua dor de cabeça está piorando.
– O seu chefe não tem nada melhor para fazer ? – Eugene questiona irritado.
– Na verdade, ele está mandando essas rosas por estar ocupado demais para vê-lo agora, senhor. – o rapaz força um sorriso gentil. Odiava fazer esse tipo de trabalho, mas não podia desobedecer.
– Tudo bem, deixe as rosas ali. – ele aponta em direção a mesa. O rapaz concorda com a cabeça e põe o buquê no lugar, saindo logo em seguida.
– Me pergunto o que um idiota rico como você deve estar fazendo para estar tão ocupado… – Eugene encara as rosas e sorri.
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– N-não, por favor! – o homem implora ao ver Vicenzo pegar um martelo. O alfa sorri, sentindo seu sangue ferver e desfere o primeiro golpe com um largo sorriso em seu rosto. Para ele, a violência e o sangue quente respingando em seu rosto, eram realmente satisfatórios.
Vicenzo continua golpeando o crânio do homem, mesmo sabendo que ele já havia morrido. A cada martelada, seu rosto fica mais desfigurado e o sangue se espalha pelo chão. Os homens ao redor, mesmo acostumados com o trabalho sujo, se sentem incomodados com a cena, mas ninguém tem coragem de interferir. Ninguém conseguia pará-lo quando ele começava um serviço.
– Senhor. – seu secretário o chama e se aproxima. Vicenzo para por um instante e ergue a cabeça. Seu rosto, mão, antebraço e camisa estavam cobertos por respingos de sangue. Em seus olhos, era possível ver toda a excitação, como de alguém sob efeito de entorpecentes.
O homem engole seco e pode sentir o cheiro sufocante de sangue se espalhando pelo ar.
– Trago notícias do Senhor…. – ele se inclina para frente, se aproximando do ouvido de Vicenzo e sussurra. No mesmo instante, o alfa larga o martelo e se levanta, em seguida tira a carteira de cigarro do bolso da sua calça e acende um.
– Se livrem dele. – Vicenzo ordena e sai, deixando para trás a bagunça.
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– Aqui está seu pedido. – a moça de cabelo curto fala sorridente ao pôr o prato sobre a mesa. Eugene agradece com um sorriso tímido, deixando a garçonete corada.
O ômega pega uma colherada da torta de chocolate, seguido do sorvete de baunilha e leva tudo à boca. Ao sentir o sabor delicioso da torta, que parece derreter em sua boca de tão macia, Eugene deixa um longo suspiro sair e sente que finalmente recuperou um pouco de energia.
– Delicioso… – ele murmura e desliza a língua pelo lábio inferior, garantindo que não deixou passar nenhuma migalha.
– Pelo jeito que está lambendo os lábios, isso parece mesmo delicioso. Posso provar ? – Vicenzo aparece de repente e se inclina para frente. O ômega se assusta, mas logo revira os olhos e bufa.
– O que você quer ?
– Te ver. – ele responde sorridente.
– Não seja ridículo.
– Recebeu minhas flores ? – o alfa puxa a cadeira e se senta de frente para ele.
– Recebi.
– Gostou ?
– Joguei todas no lixo. – Eugene fala em um tom ríspido e força um sorriso.
– Desse jeito vai me deixar realmente chateado… – Vicenzo o encara com um olhar triste.
– Sr. DiNozzo, o que você quer ? – Eugene vai direto ao ponto, estava cansado de ser perseguido por um alfa.
– Já não ficou óbvio ? Eu quero você! – ele responde com um sorrisinho astuto. O ômega o encara com os olhos arregalados, surpreendido com sua resposta. Um alfa de elite interessado nele ? Impossível.
– Sr. DiNozzo, eu não gosto desse tipo de brincadeira.
– Por que acha que eu estou brincando ? Fui sincero desde o início. – ele fala em um tom tranquilo e pega a colher que Eugene usou antes, dando uma colherada da torta.
– Hm, é doce demais…
– Não acredito em você. – o ômega se irrita e puxa a colher da sua mão. Além de persegui-lo e atrapalhar sua refeição, ainda tinha a audácia de falar mal da sobremesa que escolheu.
– Haa… Eugene. – Vicenzo deixa um longo suspiro sair e desliza os dedos entre seus cabelos, jogando os fios para trás. Ele o encara fixamente, com um olhar determinado e ao mesmo tempo cheio de luxúria. Estava começando a perder a paciência.
– O que mais eu preciso fazer para que você acredite em mim ? Te foder em cima dessa maldita mesa ? – o alfa estreita os olhos e libera um pouco de feromônios, que acertam em cheio o seu alvo. Eugene se encolhe na cadeira e seu rosto ganha um leve tom avermelhado.
– Não seja ridículo! – o ômega se levanta de repente, batendo na mesa. Com o barulho, todos olham em direção a eles, o que só o deixa ainda mais envergonhado.
O alfa também se levanta e o segura pelo antebraço, impedindo uma possível fuga.
– Eugene, tenho certeza de que você não quer fazer uma cena aqui. Vamos para um lugar mais reservado. – Vicenzo murmura próximo ao seu ouvido. Eugene suspira e apenas concorda com a cabeça. Satisfeito, o alfa o guia para fora, até o carro estacionado em frente a cafeteria, que já estava pronto para partir.
– Você primeiro. – ele fala em um tom gentil e abre a porta de trás. Eugene hesita por um momento e o encara irritado.
– Você planejou tudo isso, não é ? – o ômega questiona, mesmo já sabendo a resposta.
– Talvez. – Vicenzo sorri e dá de ombros.
– Para onde vamos ?
– Um lugar especial.
– E o que me garante que você não vai me sequestrar ? – Eugene o provoca e cruza os braços.
– Sinceramente ? Nada! – o alfa sorri novamente e o encara com um olhar astuto.
– Na verdade, pensei nisso algumas vezes desde que você fugiu de mim, mas não quero te assustar. – ele se aproxima, falando bem perto do seu rosto.
– Se está com medo ou inseguro, essa é sua hora de fugir, Eugene. – Vicenzo murmura. O ômega sente seu corpo estremecer e um arrepio percorre sua espinha. Seu instinto gritava para que ele corresse para o mais longe possível, mas por alguma razão, seu coração e sua mente não obedeciam. Sabia que era perigoso, no entanto, queria correr esse risco.
– Vamos logo. – Eugene entra no carro sem hesitar. Pensaria nas consequências depois.
Capítulo 4
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Abismo
Vicenzo DiNozzo, o jovem chefe da máfia local, se vê inesperadamente obcecado por Eugene. Um ômega de personalidade difícil e cercado por mistérios.
A princípio, Vicenzo acreditava que...