Capítulo 14
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- Capítulo 14 - Adquirindo o Ginseng do Sangue Dourado
— Esse Demônio Ósseo…
Yu Su falou sem parar por mais de duas horas, fazendo pausas ocasionais para beber água. Sempre que cogitava descansar um pouco, Qingze o cutucava com o casco, deixando Yu Su hesitante em interromper.
Por fim, sua voz ficou rouca, forçando-o a parar temporariamente.
— Meu senhor, podemos fazer uma pausa e continuar depois? Minha voz está quase falhando — a voz de Yu Su saiu áspera.
Só então Qingze parou de empurrá-lo. Sua expressão era de desdém, e Yu Su suspeitou fortemente que a criatura o considerava inútil.
Yu Su se sentiu injustiçado.
O olhar desprezível de um ser superior era, sem dúvida, desanimador.
Enquanto Yu Su descansava, Qingze permaneceu no mesmo lugar. Ajoelhou-se e deitou-se sobre uma grande rocha em um ponto elevado, inclinando levemente a cabeça e fechando os olhos para descansar. Sob a luz do sol, sua aparência era extraordinariamente bela, completamente diferente de qualquer criatura comum.
A essência viva da Madeira o envolvia, demonstrando uma natureza íntima e dócil.
Percebendo que aquela entidade sagrada não pretendia incomodá-lo, um mero mortal, e sentindo a abundante essência da Montanha do Deus Cervo, Yu Su decidiu meditar. Enquanto recuperava a voz, também aproveitaria para absorver a essência e impactar seus outros meridianos.
Durante sua meditação, a essência da Madeira foi se reunindo ao seu redor, entrelaçando-se e penetrando nos meridianos que já havia desbloqueado.
Qingze, que permaneceu deitado de olhos fechados o tempo todo, parecia silenciosamente aprovar a tentativa de Yu Su de competir pela essência da Madeira.
**
O tempo seguinte seguiu um padrão: Yu Su contava histórias para Qingze, fazia pausas para descansar e depois continuava com mais histórias. Sem perceber, já haviam se passado dois dias na Montanha do Deus Cervo.
— Meu senhor, preciso voltar para casa agora.
Yu Su refletiu sobre como pedir o Ginseng do Sangue Dourado de uma forma que agradasse a Qingze.
Qingze compreendia as histórias e, naturalmente, entendeu o que Yu Su queria dizer. Sabia que o contador de histórias de duas pernas pretendia partir.
Ainda assim, desejava continuar ouvindo as histórias desse ser bípede e queria que ele ficasse.
Após pensar por um momento, retirou de seu espaço de elixires uma conta brilhante e a colocou diante de Yu Su.
Embora Yu Su não soubesse exatamente o que era aquela conta, sua luminosidade indicava que não era um objeto comum. Para falar a verdade, ele ficou tentado a aceitá-la. No entanto, ao lembrar-se de Jian Yunchuan, recuperou a razão.
— Meu senhor, sou muito grato pelo presente, mas não posso aceitá-lo. Vim à Montanha do Deus Cervo porque meu pai está doente e precisa do Ginseng do Sangue Dourado para o tratamento. Poderia me conceder um? Apenas um já seria o suficiente.
Os olhos límpidos de Qingze fixaram-se em Yu Su, e a criatura percebeu que o humano não estava mentindo.
Vendo que Qingze não demonstrava irritação, Yu Su apressou-se em acrescentar:
— Se não for incômodo para o senhor, voltarei à Montanha do Deus Cervo no futuro para compartilhar mais histórias com você.
Um traço de decepção brilhou nos olhos de Qingze. Percebeu que o humano estava decidido a ir embora.
No entanto, como o humano buscava um remédio para seu pai, Qingze poderia conceder-lhe esse pequeno favor.
Guardou a conta brilhante e ergueu a cabeça, soltando um mugido suave.
A essência no ar começou a se agitar.
Pouco depois, um Ginseng do Sangue Dourado, emitindo um leve brilho dourado, materializou-se diante de Yu Su.
Yu Su ficou radiante e o aceitou prontamente.
— Obrigado, meu senhor!
Não havia sido em vão passar dois dias inteiros contando histórias ali. Parecia que o cervo divino realmente era leal.
Yu Su passou dois dias na Montanha do Deus Cervo. Preocupado com a situação em casa, preparou-se para partir assim que conseguiu o Ginseng do Sangue Dourado.
Mas antes de ir, Yu Su perguntou a Qingze:
— Meu senhor, posso lhe fazer mais uma pergunta?
Ele retirou a prescrição e a desdobrou diante de Qingze.
— Veja, esta é a prescrição que estou usando para tratar a doença do meu pai. Atualmente, só me falta esta erva medicinal. Não sei onde encontrá-la. Poderia me dar alguma orientação?
Qingze olhou para a prescrição e depois para Yu Su. Seus olhos transmitiam claramente que o humano era descarado, pedindo um favor atrás do outro. Assim, decidiu não responder.
Yu Su reuniu coragem, forçou um sorriso e implorou:
— Por favor, meu senhor.
Qingze inclinou levemente a cabeça, encarando-o com arrogância, inabalável.
De repente, uma ideia surgiu na mente de Yu Su.
— Se o senhor tiver alguma condição, sinta-se à vontade para dizê-la.
Só então Qingze abaixou ligeiramente a cabeça e tocou Yu Su com seus chifres.
— Dez dias… histórias…
Yu Su compreendeu sem que precisasse de mais explicações.
— O senhor quer que eu venha a cada dez dias contar uma história?
Qingze assentiu.
Yu Su amaldiçoou internamente. Dez dias era um prazo absurdo. Afinal, a viagem de ida e volta já consumiria muito tempo. Mas, se quisesse algo, teria que fazer sacrifícios primeiro. Isso era justo.
Ainda assim, queria negociar.
— Vamos fazer um trato. Podemos fazer a cada vinte dias?
Qingze permaneceu imóvel, rejeitando a proposta com seu olhar altivo.
Yu Su insistiu:
— Então, que tal dezoito dias? Levo dois dias só para ir e voltar. Mas se passar mais um ou dois dias contando histórias, meu irmão mais novo e meu pai vão passar fome na minha ausência.
Qingze continuou impassível, como se dissesse: “Você quer negociar ou não?”
Yu Su implorou:
— Por favor, meu senhor, dez dias é muito pouco tempo.
Com relutância, Qingze cedeu um pouco e exigiu que Yu Su retornasse para contar uma história a cada quinze dias.
— Muito bem, quinze dias então.
Yu Su calculou mentalmente que visitar a Montanha do Deus Cervo a cada quinzena era algo viável. Assim que o cervo terminasse de ouvir as histórias do monge e seus três discípulos, provavelmente não exigiria mais que ele retornasse.
Após estabelecerem os termos do acordo, Qingze tocou levemente o canto superior direito da prescrição, deixando uma marca no formato de uma chama negra.
Yu Su ficou perplexo. O que aquilo significava?
A chama negra simbolizava algo?
— Chama Negra? Esse é o totem guardião da Vila do Sal. Você não se lembra? — perguntou You Yu, lançando um olhar curioso para Yu Su.
Vila do Sal?
Yu Su achou bastante coincidência que estivessem prestes a visitar a Vila do Sal em breve.
— Eu esqueci — admitiu, entendendo por que You Yu pensaria dessa forma.
Afinal, ele nunca tinha estado na Vila do Sal antes, então não era surpreendente que não se lembrasse desses detalhes.
— Irmã, você pode explicar o significado desse totem guardião na Vila do Sal? — perguntou Yu Su, buscando mais informações.
— Você realmente não se lembra, não é? — You Yu respondeu. — Então deixe-me esclarecer. Quando visitarmos a Vila do Sal com a equipe, não podemos errar, ou isso pode causar conflitos entre as duas vilas.
You Yu explicou a Yu Su que o totem da Chama Negra na Vila do Sal simbolizava sua divindade guardiã, assim como a Montanha do Deus-Cervo representava o Deus das Montanhas na Vila Yu. A divindade guardiã da Vila do Sal residia no Vale da Chama Negra.
— Você sabe o que é o Deus das Montanhas deles? — perguntou Yu Su.
Abaixando a voz, You Yu sussurrou:
— Ouvi dizer que é uma píton negra. O Deus das Montanhas deles é bem diferente do nosso. Ele exige sacrifícios humanos anuais.
Yu Su ficou surpreso. Sacrifícios humanos?
Um Deus das Montanhas que exigia vidas humanas ainda era digno desse título?
Se ele acabasse encontrando essa píton negra no Vale da Chama Negra durante sua busca por ervas medicinais, isso não seria nada bom.
O Gênio da Enciclopédia interveio:
— Talvez devêssemos esperar um pouco mais. Esta terra é vasta, e com certeza há outros lugares onde podemos encontrar as ervas medicinais de que precisamos. Não é necessário entrar no Vale da Chama Negra.
Yu Su respondeu:
— É difícil prever quando poderemos encontrá-las novamente no futuro, mas não se preocupe. Eu farei tudo ao meu alcance.
Ele tomou a decisão de visitar primeiro o Vale da Chama Negra e vê-lo com os próprios olhos. Se a píton provasse ser forte demais para enfrentar, ele teria que esperar até possuir força suficiente para confrontá-la.
Nos dias seguintes, Yu Su se concentrou em reunir suprimentos e trocar mercadorias.
Ele não acompanhava mais a equipe de caçadores, preferindo sair sozinho. Caçava bestas monstruosas e trazia de volta os ossos e peles para si, enquanto dividia a carne com You Yu.
Yu Zhou, sabendo que Yu Su estava indo para a Vila do Sal, ficou abatido.
— Depois que tivermos sal, nem você nem o pai adoecerão, e a carne cozida terá um sabor ainda melhor. Então, os dois devem ficar em casa e esperar pelo meu retorno. Mas se alguém te intimidar, memorize os nomes deles e eu cuidarei disso quando voltar! — garantiu Yu Su ao irmão.
Yu Zhou assentiu, indicando que entendeu.
**
— Yu Su não acompanha mais a equipe de caçadores. Ele caçou várias bestas monstruosas sozinho e guardou um estoque de ossos e peles só para ele.
— Não é à toa que ele não está mais com a equipe. No fim das contas, quer ficar com todas as recompensas da caça para si.
— Bem, ele tem capacidade para isso, então não devemos julgá-lo.
Vários homens se reuniram na vila, discutindo as caçadas de Yu Su. Naturalmente, havia inveja em suas palavras.
Mas quando Yu Feng apareceu, esses homens ficaram em silêncio.
Observando rapidamente a equipe, Yu Feng anunciou:
— Partiremos em alguns dias para trocar mercadorias por sal. Yu Su e eu conversamos, e ele deseja acumular mais itens para obter mais sal. Depois da troca, ele se juntará novamente à equipe de caçadores.
A maioria permaneceu calada.
Yu Da, no entanto, não conseguiu esconder seu descontentamento. Parecia que Yu Feng sempre tomava o lado de Yu Su. Mas por quê?
— Yu Da — alguém o chamou no caminho de volta.
Yu Da olhou para a pessoa e reconheceu Yu Hu, que tinha machucado a mão há algum tempo.
— Sua mão melhorou? — perguntou Yu Da.
O rosto de Yu Hu se contorceu, e ele rangeu os dentes.
— Yu Da, na verdade, minha mão não quebrou por causa de uma queda. Foi esmagada por aquele moleque, Yu Su.
Imediatamente, Yu Da questionou:
— O que aconteceu?
Yu Hu explicou:
— Eu queria que You Yu fosse minha, mas ela me rejeitou e pediu ajuda a Yu Su. Ele me machucou e me fez sofrer. Se não fosse por ele, minha mão não estaria quebrada, e You Yu já seria minha há muito tempo.
Yu Da zombou e comentou:
— Sempre esse Yu Su causando problemas. Ele também feriu meu filho.
Baixando ainda mais a voz, Yu Hu continuou:
— Yu Su diz que ganhou uma força tremenda por causa das bênçãos do Deus das Montanhas. Mas eu não acredito nisso. Acho que ele está adorando um deus maligno!
Yu Da ficou surpreso.
— Você viu algo?
Yu Hu respondeu:
— Eu voltei escondido naquele dia e o vi coletando raízes venenosas. Ele ferveu a água e bebeu, mas nada aconteceu com ele! Se ele não adorasse um demônio, como poderia ter ficado tão forte de repente? E por que beberia água fervida com raízes venenosas sem sofrer nada?
Um brilho malicioso passou pelos olhos de Yu Da. Ele havia encontrado uma fraqueza.
— Você tem razão. Já suspeitava há muito tempo que havia algo errado com Yu Su. Venha, vamos até o Lorde Feiticeiro e contar o que você viu.
O Lorde Feiticeiro tinha uma posição de grande respeito na Vila Yu. Assim, uma vez que buscassem sua ajuda, Yu Su não teria um bom destino.
Yu Hu ficou levemente alarmado. Ele só queria que Yu Da desse uma lição em Yu Su, mas não esperava que o coração de Yu Da fosse ainda mais cruel que o seu próprio.
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Adventure in another World with My Sorcery Encyclopedia
Yu Su, que havia perecido durante a era apocalíptica, encontrou-se transportado de volta a uma era primordial. Ao chegar, descobriu-se completamente arruinado: sua mãe biológica...