Capítulo 3: Voo rumo à Seita Liu Yun
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— Irmão Yun?
O olhar de Ming He vacilou, uma centelha de surpresa cruzando sua expressão. O tal “Irmão Yun” mencionado pela garota não era outro senão Yun Zhao Feng, o principal discípulo do núcleo interno e discípulo chefe da Seita Liu Yun, amplamente conhecido por sua força formidável.
Com vinte e oito anos, sua cultivação já havia atingido o oitavo nível do reino Menor Misterioso.
Para colocar em perspectiva, até mesmo os anciãos do núcleo interno da Seita Liu Yun mal chegavam ao estágio de Dispersão de Poeira — um reino que levava décadas para se alcançar. A diferença entre eles e Yun Zhao Feng era imensa, tanto em tempo quanto em poder.
Yun Zhao Feng não era apenas o discípulo chefe — era o discípulo direto do líder da seita, o sucessor escolhido para liderar a Seita Liu Yun no futuro.
A seita inteira depositava suas esperanças nele, aguardando ansiosamente o dia em que ele ergueria a seita rumo a um futuro mais brilhante e amplo.
E agora, aquela garota lhe dizia que ele havia sido derrotado — por alguém que usou apenas um único golpe para fazê-lo.
— Quem derrotou o Irmão Yun? — perguntou Ming He, a curiosidade despertando.
A pessoa devia ter superado Yun Zhao Feng em cultivo — e talvez também em idade.
Será que era muito mais velha?
— Foi Qin Chu Yi — respondeu a garota, os olhos brilhando de admiração. — Uma jovem mulher de vinte anos, incrivelmente bela. Dizem que, além de deslumbrante, ela possui um cultivo e força extraordinários.
Ela agora se tornou uma discípula do núcleo da Seita Liu Yun e carrega o título de Irmã Sênior Chefe.
Qin Chu Yi? O nome lhe pareceu familiar. Será que a dona original do corpo a conhecia?
Ming He sentiu uma sensação estranha crescer em seu peito quando o nome ecoou em sua mente. Vasculhou as memórias da dona original, mas a vida de Su Ming He havia sido entediante e monótona durante os primeiros dezessete anos — e não havia menção alguma dessa mulher.
Mas então—
O irmão mais velho da dona original não se chamava Su Cheng Feng?
Su Cheng Feng e Qin Chu Yi!
O coração de Ming He deu um salto quando a realização surgiu. Aquela estranheza familiar… tudo fazia sentido agora.
Aquela era a mesma história que ela havia lido antes de transmigrar, um conto de herói do tipo Dragão Protagonista, em que o protagonista masculino lutava contra monstros, desafiava o céu e reescrevia seu destino.
Aqueles dois nomes não eram apenas personagens — eram os pais do Dragão Protagonista, Su Yu.
Su Cheng Feng, o Jovem Mestre da família Su da Cidade Qing Shi, havia entrado na Seita Liu Yun como discípulo interno ainda jovem, conquistando fama como prodígio.
Qin Chu Yi, descendente de uma grande família, apareceu na Seita Liu Yun por razões desconhecidas, tornando-se discípula do núcleo. Porém, acabou vítima de uma armadilha que a colocou em perigo — e foi isso que a levou a se envolver com Su Cheng Feng.
Com o tempo, Qin Chu Yi e Su Cheng Feng se aproximaram, o vínculo entre eles se aprofundou até o nascimento do filho, Su Yu — o futuro Dragão Protagonista.
Mas a felicidade deles foi curta. A família de Qin Chu Yi descobriu seu relacionamento com um jovem humilde de cultivo modesto e a forçou a aceitar um casamento arranjado.
Orgulhosa e determinada, a jovem se recusou com todas as forças.
A consequência de sua rebeldia foi severa — foi aprisionada por sua própria família, sofrendo por duas décadas até que seu filho, já adulto, partisse em uma jornada para resgatá-la.
A história era grandiosa, repleta de momentos de partir o coração e emoções arrebatadoras. Se ao menos Ming He não fosse apenas uma figurante nesse épico…
Um sorriso irônico surgiu nos lábios de Ming He quando finalmente entendeu o papel de Su Ming He na saga do Dragão Protagonista.
Ela era a irmã ilegítima de Su Cheng Feng, chefe da família Su. Como o irmão, havia entrado na Seita Liu Yun na juventude, mas seu talento era inferior — permaneceu como discípula do setor externo. Sem conseguir atingir o estágio de Guiamento Espiritual antes dos vinte anos, foi mandada de volta para casa, em desgraça.
Ambiciosa, mas sem habilidade, alimentava uma inveja profunda do irmão legítimo, Su Cheng Feng. No entanto, o cultivo avassalador dele a mantinha contida, incapaz de agir conforme seu ressentimento.
Alguém assim está claramente fadado a ser apenas um personagem secundário.
Mais tarde, quando Su Yu — inevitavelmente — caiu em desgraça em sua trajetória de herói, Su Ming He, que mal havia alcançado o reino Xuan Wei, foi a que mais o pisoteou.
Ela não apenas incitou jovens talentos — que haviam sido derrotados anteriormente por Su Yu — a importuná-lo, como também conspirou com outros anciãos da família para depor Su Cheng Feng, que havia se ferido gravemente em busca de remédio espiritual para o filho. Sua arrogância não conhecia limites.
Isso, claro, era o cenário perfeito para uma queda humilhante — não usá-lo para impulsionar o Dragão Protagonista teria sido um desperdício.
Assim, a dona original teve um fim trágico nas mãos do ascendente Su Yu, que destruiu sua cultivação e quebrou seus membros. Apenas por ser sua meia-irmã, Su Cheng Feng poupou-lhe a vida, deixando-a viver… confortavelmente.
Um destino pior do que a morte! Ming He pensou que, para a dona original, tal fim devia ser ainda mais agonizante do que morrer de vez.
Então ela não havia sido apenas transportada para um mundo comum de cultivação — estava presa dentro da história do Dragão Protagonista?
Como a dona original havia morrido por desvio de cultivo, o mundo perdera sua vilã descartável… e ela, que havia morrido abruptamente, fora arrastada para ocupar esse papel?
A imaginação de Ming He corria solta, mas não conseguia evitar um leve toque de melancolia. Será que estava fadada a seguir o mesmo caminho da original, apenas para cumprir o roteiro?
— Ei, você soube? — A garota sussurrou, baixando a voz como quem prepara o terreno para fofoca de primeira.
— Não, não soube! O quê? Conta! — Ming He entrou no jogo, sua voz abafada e os Olhos de Flor de Pessegueiro brilhando de curiosidade.
A garota olhou para o olhar cativante de Ming He e sentiu as bochechas esquentarem, mas fofoca era mais importante do que vergonha.
— Mesmo depois de ser derrotado pela Irmã Qin com um único golpe… o Irmão Yun se apaixonou por ela!
Oh ho! Agora sim, isso era fofoca de qualidade.
Obviamente, isso não estava no livro, já que o Dragão Protagonista era o foco, e seus pais mal eram mencionados.
Mas, pensando bem, fazia sentido. Uma beleza deslumbrante, cultivação formidável, antecedentes impecáveis… qual homem não se encantaria?
Yun Zhao Feng era mesmo impressionante! Mas ele era rival de Su Cheng Feng — o que não tinha nada a ver com ela.
Pelas memórias fragmentadas, Ming He sabia que Su Cheng Feng tinha agora vinte e três anos e já estava no quinto nível do estágio de Guiamento Espiritual.
Que rival formidável! Ming He apertou os olhos, com um toque de prazer malicioso na expressão. Pelo visto, a vida não seria nada entediante — um grande drama estava prestes a começar.
— O grande torneio do setor externo é daqui a dois meses. Você não vai treinar? — perguntou Ming He, percebendo que a garota ainda segurava sua mão, como se quisesse continuar a conversa. Sentindo-se um pouco incomodada, decidiu soltar uma bomba.
— O torneio do setor externo é pros dez ou vinte primeiros. O que isso tem a ver com a gente, que mal consegue entrar no top 100?
A garota fez um biquinho e soltou a mão de Ming He com um tom indiferente.
— Tá bom, então. Vai lá. Eu vou treinar — disse Ming He com um leve sorriso, seu tom calmo e indiferente enquanto se virava e entrava no pequeno pátio.
Saiu andando após ouvir a fofoca, totalmente despreocupada.
Mas e daí?
Se era para viver como personagem secundária, esperando que sua cultivação fosse destruída e os membros quebrados… definitivamente não aceitaria esse destino.
E se fosse uma coadjuvante? Até uma coadjuvante podia viver uma vida extraordinária!
Agora que sabia o quão empolgante era a história do Dragão Protagonista, qual o problema de ser apenas uma discípula do setor externo? Su Yu também começou do nada e ascendeu à grandeza — por que ela não poderia?
Se aceitasse o final pré-determinado do livro sem nem tentar mudar, qual o sentido de cultivar, afinal?
Ela, Ming He, almejava alcançar os céus!
A garota de azul cerrou os punhos. Já que estava ali, se esforçaria para alcançar a grandeza.
Com sua lâmina azul de três pés em mãos, ela caminhou pelo curto caminho até o pátio, fechando o portão atrás de si. Os nomes “Montanha Espiritual das Mil Camadas”, “Ranking do Dragão e do Tigre” e “Serpente Gigante do Mar do Leste” ecoavam em sua mente, enchendo-a de excitação.
Um dia, deixarei minha marca nesses lugares!
— Cultivar? Seu talento nem é melhor que o meu! — zombou a garota do lado de fora do pátio.
— Hipócrita! Se não quer ouvir, não vou mais falar! Hmph, vou procurar outra pessoa. — A garota de azul bateu o pé e saiu pisando duro.
— Ei, você soube? O Irmão Yun foi derrotado com um único golpe!
No pequeno pátio,
Ming He pousou sua espada longa e sentou-se de pernas cruzadas no centro do quarto, com a bolsa de armazenamento repousando ao lado da cama.
Com cuidado, retirou as roupas azuis que marcavam sua posição de discípula do setor externo e fez uma careta ao examinar o ferimento em seu ombro direito.
Quase quatro dias haviam se passado desde que a garra da besta a atingira, e a ferida permanecia sem tratamento. O sangue havia escurecido, mas felizmente era apenas um hematoma — não havia veneno.
O corte era largo e assustador, e Ming He mal conseguia sentir o ombro direito.
Ter escapado da perseguição incansável de uma besta por três dias e três noites, e ainda evitar o rapaz de cinza — talvez sua força de vontade fosse realmente extraordinária.
Ming He não hesitou em reconhecer sua própria resiliência, um brilho de orgulho passando por seus olhos. Estendeu a mão sob o travesseiro e retirou uma pequena caixa, destrancando-a com um clique suave para revelar um frasco branco de remédio — uma pomada de ervas.
Era a pomada que a dona original havia trocado por dez pontos de contribuição no salão de tarefas.
Diferente da pílula hemostática que ela engolira nas montanhas, essa pomada não apenas estancava o sangue, como também curava feridas e eliminava lesões ocultas sem deixar cicatrizes.
Ming He pensou na cicatriz irregular no rosto do Homem da Cicatriz e finalmente entendeu a decisão da dona original.
Mas de que servia uma tranca? Se alguém realmente a encontrasse, um cultivador com alguma habilidade não seria impedido por uma barreira tão frágil.
Ming He duvidava da inteligência da dona original — embora, considerando seu destino, também não parecia ter sido muito brilhante.
Talvez a tranca desse a ela uma falsa sensação de segurança. E esse quartinho pobre… não era de se espantar que a dona original tivesse medo de levar a pomada para fora, receando que a roubassem.
A garota pegou uma adaga limpa e cuidadosamente cortou a carne morta ao redor da ferida. Lavou o sangue escurecido com água e depois aplicou um pouco da pomada com a ponta dos dedos. Lançando a caixinha de lado, examinou o ombro.
No instante em que a pomada tocou a pele, uma sensação fresca e suave se espalhou pelo ombro direito — formigava, mas não doía.
Diziam que aquela pomada de ervas era até considerada uma meia-etapa de medicina espiritual pós-natal.
Ming He recordou as classificações das ervas espirituais de suas memórias. A dona original só conhecia a distinção entre pós-natal e inata — nada além disso.
Quanto às classificações detalhadas dos livros… Ming He balançou a cabeça. Era tudo muito fragmentado para se lembrar.
Na época em que leu, parecia apenas informação de fundo — algo para folhear, não memorizar.
Depois de sentar-se de pernas cruzadas por cerca de quinze minutos, Ming He concluiu que a ferida só precisava daquela pequena quantidade de pomada. Vestiu um novo conjunto de roupas azuis, fechou o frasco e o guardou no bolso.
A dona original era cuidadosa demais para carregá-lo consigo, mas Ming He não tinha essas restrições.
Com o ferimento tratado, Ming He fechou os olhos e refletiu sobre os ganhos do último mês.
Os materiais de bestas e as tarefas concluídas haviam sido trocados por pontos de contribuição e pedras espirituais, mas mais importante que isso, ela havia adquirido compreensões profundas sobre cultivação.
Compreensões de cultivação… Ming He murmurou essas palavras suavemente, enquanto sua mente vagava pelos momentos entre a vida e a morte que enfrentara nas Montanhas Liu Yun.
Desde escapar por pouco das garras selvagens da besta até despertar sua energia de espada; de ser cercada até matar o Homem da Cicatriz; de ter sua vida por um fio até retornar à seita…
Ming He pensou em sua figura cambaleante e desesperada, sempre virando o jogo no último segundo. Ao relembrar os golpes ousados e confiantes que dera com a espada, uma clareza repentina floresceu em seu coração. As dúvidas obscuras que a atormentavam durante um mês de treino pareciam, agora, se resolver sozinhas.
Boom!
A energia espiritual girou em um pequeno vórtice e invadiu o corpo de Ming He, carregando com ela a recém-compreendida energia de espada. A barreira do quinto nível de Refinamento de Qi se rompeu com facilidade.
Seus olhos se abriram, cheios de espanto.
Sexto nível do Refinamento de Qi!
Ela achava que levaria pelo menos mais um mês de cultivo recluso para atingir esse nível — e ainda assim, rompera em um instante.
Agora entendo por que os livros sempre dizem que experiência fortalece o cultivo. Não era papo vazio.
Ming He sentia a energia espiritual fluindo por seu corpo, revigorando-a e enchendo-a de determinação.
Agora que havia alcançado o sexto nível do Refinamento de Qi, talvez pudesse chegar ao oitavo antes da competição do setor externo, dali a dois meses.
Oitavo nível do Refinamento de Qi! Os olhos de Ming He brilharam de empolgação ao pensar nisso.
Se conseguisse alcançar o oitavo nível antes do torneio, então sem dúvida visaria o primeiro lugar.
Su Yu conseguia lutar acima de seu nível — por que ela não poderia?
Aura de protagonista? Ela só acreditava no poder do esforço e da determinação.
O coração de Ming He se encheu de antecipação pelas recompensas do torneio do setor externo, mas logo ela se acalmou e começou a planejar.
Sua cultivação havia avançado, agora precisava focar nas habilidades de combate.
Ela de fato havia despertado a energia de espada, mas ainda carecia de técnicas marciais para enfrentar inimigos e matá-los.
Parece que é hora de visitar a biblioteca.
A garota de azul se levantou, pegou a espada longa comum que havia recebido recentemente e se preparou para sair.
Hmm? O que é isso—
Pelo canto do olho, Ming He notou as roupas azuis descartadas, agora manchadas de sangue e lama. Debaixo delas, havia uma erva espiritual.
Era a erva espiritual que ela havia colhido — a mesma que causara a perseguição da besta por três dias e noites — e que o rapaz de cinza procurava.
O que é isso? Ming He se abaixou para pegar a erva espiritual, mas assim que seus dedos a tocaram, uma dor aguda atravessou sua mão direita, como uma corrente elétrica, deixando os dedos dormentes e formigando.
Clinc! A erva caiu no chão.
Ming He encarou a mão direita, onde uma pequena parte da pele havia escurecido e se carbonizado.
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After Becoming the Aunt of the Dragon Hero
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