Capítulo 8: Encontro Novamente
- Home
- All Mangas
- After Becoming the Aunt of the Dragon Hero
- Capítulo 8: Encontro Novamente
A garota de azul abriu os olhos curiosa e voltou o olhar para baixo, avistando uma mulher tomando banho na névoa da fonte termal abaixo.
Ela estava sentada serenamente no centro da água, seus longos cabelos pretos flutuando na superfície, misturando-se ao vapor que subia. Com uma mão delicada, ela jogava água sobre o ombro, e as gotículas escorriam por sua pele.
Pela primeira vez, Ming He considerou sua visão de cultivadora um fardo. Empoleirada na árvore, conseguia ver nitidamente as feições da mulher, apesar da distância.
Sua beleza era de tirar o fôlego — olhos frios, lábios levemente franzidos e sobrancelhas como montanhas distantes.
Por entre a névoa que rodopiava, Ming He vislumbrou a pele impecável e a clavícula delicada da mulher. Gotas d’água deslizavam pelo pescoço pálido, insinuando a forma por trás do véu de vapor — etérea e sedutora.
Enquanto a mulher jogava água no ombro, sua expressão suavizou-se na fonte quente, tornando-se vibrante e cativante.
Com um leve toque na superfície da água, ela começou a se levantar, o vapor rodopiando ao seu redor, criando uma visão sobrenatural que deixou Ming He hipnotizada.
A respiração de Ming He falhou, seu coração acelerou. Qualquer um teria dificuldade em manter a compostura diante de tal cena.
A garota de azul sentiu suas bochechas corarem e rapidamente desviou o olhar, preparando-se para partir.
— Quem está aí? — A voz gelada da mulher quebrou a tranquilidade, acompanhada por um sussurro no ar.
— Ah, não! — Ming He entrou em pânico, reunindo sua energia espiritual para escapar.
— Whoosh—
Uma gota d’água cortou o ar e atingiu com precisão o tornozelo direito de Ming He, fazendo cair várias folhas.
Surpresa, Ming He despencou da árvore, aterrissando no chão com um grimace dolorido.
— Quem está aí? — Uma voz fria chamou de perto.
Ming He ouviu passos se aproximando, o estômago apertou de medo. Seu tornozelo ferido latejava, tornando a fuga impossível.
— Quem é você? — A voz calma veio por trás, enviando arrepios perigosos pela espinha de Ming He.
Devagar, relutante, Ming He se virou.
— Jovem Mestre — disse, forçando um sorriso tenso. — É… bom vê-la novamente.
— É você. — Os olhos da mulher mostraram um lampejo de surpresa, embora a voz permanecesse fria. — Explique-se. Certamente não é outra coincidência.
Apesar das palavras parecerem brincalhonas, o tom não tinha humor — era a imagem da beleza fria.
Ming He piscou, observando a mulher. Agora ela vestia uma túnica branca, o tecido fino grudado ao corpo úmido, acentuando suas curvas.
Ainda molhada, os cabelos pretos estavam desalinhados, mas ela mantinha uma aura de elegância, com o vapor da fonte subindo atrás dela — uma visão impressionante.
O olhar de Ming He vacilou. Tossiu de maneira constrangida, voltando-se para a alta árvore ao lado.
— Você está absolutamente certa, Jovem Mestre. Eu apenas passava por aqui.
A Mulher de Branco observou os movimentos evasivos de Ming He, uma faísca de irritação cruzou suas feições antes que ela recuperasse a compostura.
Aproximou-se com passos medidos, um leve sorriso brincando nos lábios.
— Você espera que eu acredite nisso?
Ming He ficou rígida, dividida entre a presença gelada da mulher e o aroma quente de sândalo. Sua respiração ficou irregular, presa entre tensão e desconforto.
— Jovem Mestre, admito que minha explicação soa… conveniente.
A garota de azul ofereceu um sorriso irônico.
— Mas é verdade. Talvez o destino nos tenha unido novamente.
Ming He achava a situação confusa. Por que a estimada Jovem Mestre visitaria a remota Seita Liu Yun, ainda por cima sua seita externa?
A paisagem da seita externa era agradável, mas desfrutar de um banho na fonte termal assim, tão imediatamente? Parecia muito estranho.
Seria isso parte da história oculta de Su Cheng Feng? Ming He pensou silenciosamente, imaginando se havia tomado o lugar de seu irmão mais velho em algum drama que se desenrolava.
Ela não era tola. Ligando o primeiro encontro no vale das Montanhas Liu Yun a esse segundo, não foi difícil deduzir que a Mulher de Branco era Qin Chu Yi, mãe de Su Yu, o Herói Dragão, e bela esposa de Su Cheng Feng.
Qin Chu Yi.
Ming He repetiu o nome baixinho, a mente evocando naturalmente a breve, porém tocante, descrição da vida de Qin Chu Yi no livro. Um leve sentimento de pena surgiu.
Embora nunca tivesse conhecido Su Cheng Feng pessoalmente, conseguia montar uma imagem aproximada a partir das memórias da dona original.
Su Cheng Feng era um jovem talentoso e realizado, gentil mas perspicaz, um gênio reconhecido — embora limitado ao âmbito da Seita Liu Yun.
Mas, ampliando o cenário, Su Cheng Feng seria rapidamente ofuscado pelas correntes da era. Lutaria para sair da sombra da poderosa família de Qin Chu Yi, quanto mais para aventurar-se fora dos mapas da seita.
Para Ming He, um homem assim era totalmente indigno da fria, graciosa e etérea Mulher de Branco diante dela.
Ela acreditava em iguais.
Aos seus olhos, alguém como Qin Chu Yi merecia brilhar em um mundo muito maior — fosse no campo de batalha dos céus ou vagando livre pelo vasto universo. Um destino muito superior ao escrito para ela no livro.
— Destino? — Qin Chu Yi refletia interiormente, divertida com a garota de azul que estivera tão pensativa para, enfim, pronunciar essas duas palavras. Mas ao observar a expressão de Ming He — atrapalhada, porém composta, nervosa, porém resoluta — não pôde evitar um lampejo de curiosidade.
Seria mesmo só coincidência?
O olhar da Mulher de Branco percorreu a garota de azul, demorando-se na pele clara e úmida de suor em seu pescoço. Seus olhos estreitaram levemente, e um sorriso tênue surgiu nos lábios.
— Talvez você e eu sejamos realmente destinadas.
A voz era fria, a expressão inescrutável, enquanto fixava os olhos em Ming He.
— Já que o destino nos uniu, esta irmã júnior estaria disposta a me ajudar em um pequeno assunto?
Ajudá-la?
O alarme interno de Ming He disparou. Mordeu o lábio, esforçando-se para manter a calma, e respondeu com cautela:
— Irmã Qin, você me honra demais.
Rapidamente ajustou o tom, adotando uma postura mais respeitosa.
— Seria um privilégio ajudar Irmã Qin, mas, como pode ver, minha cultivação é lamentavelmente fraca. Temo não ser de muita utilidade.
Ela baixou a cabeça, fingindo humildade, suas palavras carregadas de recusa polida.
Afinal, os pais do Herói Dragão eram, em certo sentido, protagonistas de sua própria história. Estar perto deles traria incontáveis reviravoltas. Talvez ela e Su Cheng Feng sobrevivessem tempo suficiente para ver o nascimento do Herói Dragão, mas ela era diferente.
Nada mais que um coadjuvante no enredo original. Um sopro do Caminho Celestial poderia apagá-la como uma vela. Estaria louca em se jogar voluntariamente em águas tão traiçoeiras?
Não, sua prioridade era clara: cultivar diligentemente, fortalecer-se e sobreviver. Nas horas vagas, poderia observar a trama se desenrolar, fofocar um pouco e viver livre, sem amarras. Um futuro estável, estratégico e perfeito para uma egoísta refinada como ela!
Para Ming He, não havia conflito entre evitar prejudicar outros e buscar seus próprios interesses ao máximo.
Admirava figuras como Su Yu, o Herói Dragão, mas não desejava imitar seu caminho exaustivo.
— A irmã júnior recusa? — Qin Chu Yi se aproximou, sua presença imponente apesar da estatura semelhante. A pressão era palpável, fazendo Ming He sentir o ar rarefeito.
Ming He respirou fundo, percebendo que aquela tarefa desconhecida provavelmente era inevitável. Ainda assim, algumas pessoas não recuam até baterem no muro.
Com uma última tentativa de se esquivar, a garota de azul falou hesitante:
— Irmã Qin, posso saber o que precisa que eu faça? Temo realmente que minhas habilidades sejam insuficientes.
— Você não precisa saber agora — respondeu a Mulher de Branco, com tom altivo, erguendo o queixo, visivelmente satisfeita com sua própria previsão.
— Quando chegar a hora, naturalmente saberá.
Ela fez uma pausa e acrescentou com um leve sorriso:
— Além disso, mesmo que recuse, não terá escolha. Afinal, certas coisas não podem permanecer ocultas.
Hein?
Ming He quase tropeçou, a mente rodopiando. Teria ouvido errado? Mas a expressão da Mulher de Branco confirmou tudo, deixando-a completamente confusa.
— Irmã Qin, realmente não vi nada — protestou com voz sincera. Na atmosfera enevoada, estava mais atenta à ambiência do que à paisagem. Ahem, não havia quase nada para ver…
E além disso—
— Somos mulheres, então, mesmo que eu tivesse visto algo, não importa, certo?
As palavras morreram sob o olhar gelado da Mulher de Branco. Aos poucos, percebeu que aquele era o mundo da cultivação, onde o Grande Caminho é longo e tortuoso, e a busca por espíritos afins frequentemente transcende detalhes triviais como gênero.
Pois é, que situação embaraçosa.
Ming He, que vivera mais de vinte anos em sua vida passada sem sequer um encontro romântico, e cujo eu atual tinha apenas dezessete anos e nada além da cultivação, era totalmente ignorante em assuntos do coração.
A garota de azul pigarreou, sentindo um incômodo repentino.
— Se Irmã Qin não tem mais nada, vou me retirar.
Vendo a Mulher de Branco ficar em silêncio, hesitou um instante antes de fazer uma reverência profunda no estilo tradicional do mundo da cultivação, e então se virou para partir.
A partir daquele dia, jurou nunca mais tirar uma soneca em uma árvore.
— Espere. — A voz de Qin Chu Yi a parou.
— Deixe seu nome.
Embora não tivesse perguntado antes, Qin Chu Yi poderia facilmente descobrir o nome e a origem de Ming He num simples pensamento. Mas, já que a garota estava ali, para quê esforço desnecessário?
— Irmã Qin, meu nome é Ming He — respondeu, pausando para garantir que suas palavras fossem claras — “brilhante” como a lua, e “he” como em “parabéns”.
— Ming He — repetiu Qin Chu Yi, em tom pensativo — Vou lembrar. Quando chegar a hora, irei procurá-la.
A Mulher de Branco permaneceu de costas, suas vestes brancas esvoaçando suavemente na brisa, exalando uma aura de elegância e distanciamento sobrenaturais.
— Entendido — respondeu Ming He, confirmando que não haveria mais perguntas. Então se apressou para longe do bosque, correndo até seu pequeno pátio, o coração pesado de arrependimento.
Ela deveria ter voltado direto depois da cultivação, em vez de cochilar lá fora!
A garota de azul estava furiosa por dentro, com a mente pesada pelo favor que agora devia. O que Qin Chu Yi poderia querer dela? Se até mesmo a Jovem Mestre de uma família poderosa não conseguia, como ela conseguiria?
Seus pensamentos voltaram à bandeira que vira no vale e à fonte termal na floresta, e um sentimento inquietante tomou conta.
A seita externa da Seita Liu Yun era o nível mais baixo, um lugar para discípulos externos. Como poderia haver uma fonte termal ali?
Aquilo certamente era obra de Qin Chu Yi. Quantos segredos teria a Mulher de Branco?
A curiosidade de Ming He piscou, mas ela logo a reprimiu. Algumas coisas era melhor deixar desconhecidas.
Sacudindo os pensamentos caóticos, a garota de azul pegou sua espada e começou a praticar sob a luz do luar.
Dormir estava fora de questão.
Faltavam apenas três dias para a grande competição da seita externa, e logo teria a chance de avançar para o mapa da seita interna.
O pensamento lhe trouxe uma leve sensação de expectativa.
Então, ela se armou de coragem. Hoje, como sempre, seria dia de muito esforço e longas jornadas.
Comentários no capítulo "Capítulo 8: Encontro Novamente"
COMENTÁRIOS
Capítulo 8: Encontro Novamente
Fonts
Text size
Background
After Becoming the Aunt of the Dragon Hero
Ming He sempre acreditou que havia entrado em um mundo de cultivo, apenas para descobrir que, na verdade, tinha pisado no roteiro do imparável Herói Dragão (Long Aotian,...