Capítulo 04 - Villa - 02
Ye Huairui nunca imaginou que descobriria um quarto secreto em sua casa nova.
Este era um espaço que não existia nos planos arquitetônicos.
Nem o corretor imobiliário nem a equipe de reforma descobriram.
Ye Huairui engoliu em seco instintivamente.
Ele sentiu o coração bater mais rápido.
Se fosse qualquer outra pessoa nessa situação, provavelmente pegaria o telefone e discaria 999 para chamar a polícia.
Mas Ye Huairui tinha uma sensação inexplicável – uma estranha sensação de que alguma ‘pessoa’ ou algum tipo de força o estava guiando para encontrar este quarto secreto.
Para alguém que nunca acreditou em fantasmas ou espíritos, Ye Huairui sentiu um arrepio percorrer sua espinha no momento em que viu a entrada da sala secreta – uma mistura de choque, medo, curiosidade e excitação incontrolável.
Ele respirou fundo, ligou a lanterna do celular e se abaixou para rastejar até a entrada escura.
Atrás da ‘porta’ havia uma escada que levava para baixo.
Ye Huairui desceu cuidadosamente enquanto contava os degraus.
Havia treze degraus no total, aproximadamente a altura de um andar.
Depois de descer os treze degraus, Ye Huairui confirmou que seus pés estavam em terra firme. Então, levantou o celular e iluminou a área com a lanterna.
O porão não era grande, pouco mais de dez metros quadrados, e o fundo podia ser visto de relance.
Havia poucos itens lá dentro.
Da posição atual de Ye Huairui, ele podia ver uma única cama dobrável encostada na parede em frente à escada. À sua esquerda, havia uma escrivaninha com gavetas e uma cadeira, enquanto a parede direita tinha duas prateleiras de alturas diferentes, com várias caixas de papelão ondulado empilhadas ao lado.
Perto da cabeceira do berço, havia uma janela de ventilação que se projetava acima do nível do solo. Quer o vidro estivesse quebrado ou a moldura da janela deformada, a água da chuva escorria pela parede, manchando o papel de parede e o piso com marcas escuras e úmidas.
Ye Huairui: “!!”
De repente, ele percebeu que alguém havia vivido naquele quarto secreto.
Então é por isso que a polícia encontrou Yin Jiaming nesta área!
Então, quando Yin Jiaming fugiu para esta villa depois de ser baleado, não foi uma escolha desesperada e aleatória!
Este lugar era o seu esconderijo!
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Durante os cinco dias seguintes, Ye Huairui limpou completamente o pequeno porão, por dentro e por fora.
Ele encontrou vestígios de que alguém tinha vivido lá.
O berço dobrável era um modelo pesado de trinta ou quarenta anos atrás, e o colchão fino havia sido danificado pela água da chuva, expondo as molas enferrujadas de dentro.
Nas prateleiras, havia algumas peças de roupa. A julgar pelo material, estilo e grau de deterioração, eram peças antigas, de cerca de trinta ou quarenta anos atrás.
Ye Huairui as ergueu e comparou com seu próprio tamanho – elas eram um tamanho maiores, indicando que a pessoa era um homem alto e robusto.
Sobre a mesa havia uma lamparina a óleo, cujo combustível havia secado há muito tempo, a cúpula enegrecida pela fuligem e coberta de poeira.
Uma caneta-tinteiro havia rolado para a beirada da mesa. Era de uma marca importada e bem cara, mas, infelizmente, a ponta estava torta e inutilizável.
Na parede em frente à mesa havia um calendário antigo, branco com caracteres vermelhos, do tipo que você arranca uma página por dia.
Embora as páginas estivessem mofadas e deterioradas, a escrita ainda estava clara. No topo, lia-se ‘SET 1982 Setembro’, e abaixo havia um brilhante ‘18’ – o dia exato em que Yin Jiaming foi baleado e caiu no mar.
Quanto às gavetas da mesa, elas estavam abarrotadas de jornais velhos, semanários e revistas.
Ye Huairui os examinou um por um. A data mais antiga era 22 de julho de 1982, um dia após o incidente, com a primeira página exibindo uma grande manchete sobre o Grande Roubo de Jincheng, juntamente com cartazes de procurados para Yin Jiaming e o motorista.
Algumas páginas do jornal tinham marcações.
Em uma edição especial da Zhengbao sobre o assalto, alguém sublinhou à força o título «Assalto à Mão Armada e Assassinato de Yin Jiaming» com uma caneta, pressionando com tanta força que rasgou o papel. Ao lado, em caligrafia ousada e extravagante, havia cinco caracteres chineses tradicionais: “Eu não sou o assassino!!” (NT: 我唔係兇手 – Wǒ wú xì xiōngshǒu)
Vendo tudo isso, Ye Huairui estava agora cem por cento certo de sua hipótese.
A pessoa que vivia secretamente neste porão escondido era ninguém menos que Yin Jiaming, a quem a polícia de Jincheng estava procurando desesperadamente há mais de dois meses.
O mecanismo do quarto secreto estava tão bem escondido que, nem mesmo quando a polícia vasculhou a casa inteira depois, conseguiu encontrar a porta escondida e a escada de entrada escondida no canto do armário antigo.
Embora Ye Huairui não soubesse como Yin Jiaming descobriu sobre este quarto secreto, estava claro que alguém o estava ajudando.
A quantidade de restos de comida, água e lixo doméstico no quarto secreto era mínima.
No chão havia dois sacos de papel manchados de gordura, presos ao chão por água suja, provavelmente usados para guardar comida.
A chaleira na prateleira tinha apenas um pouco de água, e a xícara de esmalte estava coberta de poeira.
No canto da sala havia uma escarradeira com algumas manchas secas e não identificadas, mas estava limpa no geral.
Esses suprimentos estavam longe de ser suficientes para sustentar um homem adulto escondido em um quarto secreto apertado por dois meses.
Então, Yin Jiaming teve que sair escondido para encontrar comida ou esperar que alguém lhe levasse comida e água.
Dada a localização remota e o fato de que um homem procurado com características distintas não podia sair com frequência, Ye Huairui se inclinou mais para a última possibilidade.
Ye Huairui coletou cuidadosamente os itens antigos deixados por Yin Jiaming.
Ele não moveu os outros móveis, mas mandou alguém consertar o vidro quebrado da janela de ventilação, repintar as paredes, consertar o piso e instalar a fiação elétrica, transformando o porão em um cômodo independente e escondido.
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23 de julho, sexta-feira, 22h25
Ye Huairui abriu o mecanismo do armário antigo e, carregando um livro, uma xícara de chá e um pequeno prato de biscoitos amanteigados, rastejou pela porta escondida até o porão.
Embora o porão agora tivesse eletricidade e luz no teto, ele não tinha ar condicionado, apenas um ventilador de pé, o que o tornava um pouco abafado no auge do verão.
Mas quando Ye Huairui não tinha mais nada para fazer, ele gostava de passar algum tempo lá.
Por alguma razão, esse lugar exercia uma atração inexplicável sobre ele.
O quarto secreto era silencioso, escondido e fechado.
Era como se, ao ficar ali, ele pudesse sentir de alguma forma os sentimentos daquele homem que havia sido duvidado e isolado pelo mundo inteiro anos atrás.
Claro, isso não significava que Ye Huairui acreditava nas palavras que Yin Jiaming havia escrito no Zhengbao, alegando sua inocência.
Acontece que as palavras que Yin Jiaming deixou nos jornais e semanários pareciam escritas casualmente, como reflexões ou entradas de diário, geralmente inspiradas por seus sentimentos no momento. Não eram destinadas a outros e não podiam servir como prova em tribunal.
Na verdade, Yin Jiaming simplesmente os colocou aleatoriamente na gaveta da escrivaninha e nunca os tirou do quarto secreto até sua morte.
Se isso não foi uma armação de Yin Jiaming para se exonerar, então Ye Huairui teve que considerar a autenticidade dessas ‘confissões’.
Seria possível, como nos filmes, que Yin Jiaming tenha sido incriminado e assumido a culpa por outra pessoa?
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Ye Huairui estava imerso em pensamentos, levando sua caneca aos lábios e tomando um gole superficial.
Naquele momento, um relâmpago iluminou a janela de ventilação, seguido por um estrondo profundo de trovão e, então, o som de gotas de chuva batendo contra o vidro da janela.
Ye Huairui de repente voltou à realidade, percebendo que estava chovendo lá fora.
“Bum!”
Outro trovão.
Quase no mesmo momento em que o trovão soou, a luz do teto recém-instalada no porão se apagou sem aviso e depois voltou.
Assustado, a mão de Ye Huairui tremeu, derramando um pouco do chá Pu’er de sua caneca.
“Hiss!”
O chá espirrou na mão de Ye Huairui, queimando-o levemente, mas, felizmente, não estava quente o suficiente para causar ferimentos.
Ye Huairui largou a caneca e percebeu que havia esquecido de colocar uma caixa de lenços ali.
Com preguiça de subir as escadas para resolver um assunto tão pequeno, ele esfregou os dedos molhados e usou a umidade da ponta dos dedos para escrever o caractere ‘殷’ (NT: Yin) na mesa.
Desde a infância, Ye Huairui foi forçado a praticar caligrafia por sua mãe, que era professora. Ele escrevia em letras pequenas, regulares, bonitas e elegantes, e mesmo os caracteres escritos de forma casual eram limpos, finos e graciosos.
No entanto, o caractere ‘殷’ tinha muitos traços e, depois de escrever apenas um caractere, o chá na ponta dos seus dedos secou. Ele então mergulhou os dedos nas gotas de água sobre a mesa e terminou de escrever ‘嘉茗’ (NT: Jiaming).
Olhando para o nome na mesa, ele balançou a cabeça com um sorriso irônico. Ele achou que estava ficando um tanto obcecado por esse caso antigo.
“…Não há nenhuma evidência. Qual o sentido de toda essa especulação inútil?”
Ye Huairui disse para si mesmo.
Ele levantou a mão, com a intenção de apagar o nome na mesa.
Entretanto, antes que sua mão pudesse tocar a mesa, os três caracteres desapareceram de repente.
Não foi a secagem natural das manchas de água – foi mais como se alguém as tivesse limpado com alguma coisa.
Ye Huairui: “!!”
Ele arregalou os olhos, olhando fixamente para a mesa, perguntando-se se tinha apenas imaginado aquilo.
Mas então, algo ainda mais chocante aconteceu.
No local exato onde ele havia escrito, novas manchas de água começaram a aparecer.
Ao contrário do chá Pu’er vermelho brilhante que Ye Huairui havia usado, as manchas de água que surgiram recentemente eram transparentes e incolores, destacando-se claramente na superfície marrom clara da mesa, pincelada por pincelada.
Formou um único caractere: 【你】 (NT: você)
Ye Huairui: “!!?”
Ele empurrou a cadeira e a si mesmo um passo para trás, quase caindo.
A cena diante dele era totalmente desconcertante, tão bizarra que o fez questionar seus próprios olhos.
Mas as manchas de água continuaram a se formar, criando o segundo, terceiro e quarto caracteres.
【係】【邊】【個】
Juntos, em caracteres chineses tradicionais e no dialeto de Jincheng, eles formavam: “你係邊個?” (NT: Nǐ xì biān gè – Quem é você?)
Ye Huairui se levantou de um salto e olhou ao redor.
Como um intelectual bem-educado e um patologista forense dos menos supersticiosos, a primeira reação de Ye Huairui a tal anomalia foi que alguém estava pregando uma peça nele.
No momento em que esse pensamento passou pela sua mente, ele sentiu um arrepio na espinha.
Porque isso significaria que alguém tinha instalado vigilância em sua casa sem seu conhecimento e montou um mecanismo assustador.
Para Ye Huairui, essa hipótese era muito mais assustadora do que ver um fantasma.
Instintivamente, ele pegou o telefone, com a intenção de ligar para a polícia.
No entanto, assim que ele abriu a tela naqueles dois segundos, a escrita na mesa foi apagada por uma mão invisível, e novos caracteres apareceram.
【Responda-me】
(NT: vou optar por colocar apenas a tradução. Só quando necessário, colocarei os caracteres chineses, como no caso deles estarem separados)
Desta vez, ele viu muito claramente.
O desaparecimento e a escrita dos caracteres eram muito naturais, nada como se fossem controlados por um mecanismo. Era mais como se uma pessoa invisível estivesse parada diante de sua mesa, mergulhando o dedo na água para deixar uma mensagem.
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O autor tem algo a dizer
Não se preocupe. Xiao Gong ainda está vivo, e esta história não envolve fantasmas.
Capítulo 04 - Villa - 02
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Beyond Time and Space Detective
ESTA É UMA NOVEL HOMOAFETIVA PARA ADULTOS, COM DESCRIÇÕES DE CASOS POLICIAIS E/OU AUTÓPSIAS, QUE PODEM DESPERTAR ALGUNS GATILHOS. NÃO INFORMO...