Laços

Laços em Carmesim

Capítulo 12

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🟡 Em breve

A luz tênue da manhã filtrava-se pelas cortinas de tecido leve, banhando o quarto em um brilho dourado e cálido. O ar tinha um frescor suave, o tipo que precede os primeiros ruídos da cidade despertando. Akihiro abriu os olhos lentamente, e pela primeira vez em muito tempo, não sentiu o peso opressivo de uma noite mal dormida. O sono tinha sido profundo, contínuo — uma trégua inesperada da insônia que há anos o acompanhava.
Seu corpo estava relaxado, envolvido pelo calor discreto do outro corpo ao seu lado. Os músculos, geralmente tensos pela vigília constante, agora se rendiam à quietude de um despertar sem pressa.

O braço de Akihiro repousava sobre Jun, como se, inconscientemente, tivesse buscado envolvê-lo durante a noite. A palma de sua mão estava sobre a cintura exposta de Jun, a pele lisa sob seus dedos ainda morna do calor compartilhado. Não lembrava quando o havia puxado para mais perto — talvez em algum instante entre sonhos indistintos — mas agora, ali estavam, entrelaçados como se aquilo fosse a única maneira possível de acordar.

Jun se moveu vagarosamente, a respiração oscilando enquanto retornava da leveza do sono. Seus olhos se abriram com dificuldade, ainda meio perdidos no torpor da madrugada. Um sorriso preguiçoso se formou em seus lábios ao encontrar o olhar de Akihiro.

— Bom dia — murmurou, a voz rouca e arrastada pelo cansaço.

Akihiro esboçou um sorriso, o som grave de sua resposta mal ultrapassando o sussurro:

— Bom dia…

Ergueu-se levemente sobre um dos cotovelos, observando Jun com atenção serena. Em outros tempos, já estaria de pé, pronto para dar início ao dia — mas ali, com Jun ainda aninhado ao seu lado, tudo parecia… suspenso. Como se o tempo decidisse ceder, por um breve instante, à intimidade entre eles.

Jun espreguiçou-se com languidez, e nesse movimento os corpos se tocaram mais uma vez — e Akihiro sentiu. A tensão repentina e involuntária de seu próprio corpo se manifestando, o desejo despertando sob a pele. Ele sorriu, ciente da situação, especialmente quando viu o rubor intenso subir pelas bochechas de Jun.

— Akihiro… você está… — Jun hesitou, os olhos arregalados desviando involuntariamente para o volume agora evidente entre eles.

Akihiro soltou uma risada baixa, abafada pelo travesseiro.

— É fisiológico — respondeu com leveza, tentando parecer casual. — Acontece.

Mas ele sabia que não era apenas reflexo. Era a presença de Jun, o modo como seu corpo se moldava ao dele, a naturalidade daquele momento partilhado — era impossível fingir que não o afetava.

Jun não recuou. Ao contrário, mordeu discretamente o lábio inferior, lançando-lhe um olhar que oscilava entre curiosidade e timidez.

— Quer que eu… cuide disso?

A pergunta veio suave, quase inocente, mas carregada de intenção. Akihiro ergueu uma sobrancelha, o sorriso tornando-se levemente provocador.

— Você está se oferecendo?

Jun assentiu, os olhos brilhando com um misto de nervosismo e desejo contido.

— Se você quiser.

Akihiro não precisou de mais palavras. Inclinou-se, tocando os lábios de Jun com os seus, num beijo que começou calmo, exploratório, mas logo ganhou intensidade. Seus dedos deslizaram pelas laterais do corpo de Jun, mapeando a pele com toques preguiçosos e cheios de propósito.

— Você quer que eu… chupe? (No sentido de fazer um boquete) — perguntou Jun, após se afastar, a respiração entrecortada.

Akihiro soltou um murmúrio rouco, negando com um leve movimento de cabeça.

— Não. Tive uma ideia melhor.

Sem dar margem para hesitações, deixou que seus dedos traçassem o contorno da cintura de Jun, explorando a pele exposta com deliberada lentidão. Subiu e desceu pelas linhas suaves das coxas, pelas curvas do quadril, pelo vale da clavícula, até sentir o outro se contorcer levemente sob seu toque.

— O que você está fazendo? — sussurrou Jun, com a voz embargada de expectativa.

Akihiro não respondeu com palavras. Moveu-se sobre ele, posicionando-se entre suas pernas, deixando que seu sexo escorregasse entre as coxas de Jun com precisão controlada. A lubrificação recém-aplicada ajudava no deslizar, tornando cada movimento mais fluido e quente.

Os olhos de Jun se arregalaram ao sentir a pressão, a fricção ritmada. Suas mãos apertaram os lençóis, surpresas pela intensidade daquela sensação.

— Está tudo bem? — murmurou Akihiro, a voz tensa de contenção.

Jun assentiu, embora o rubor intenso denunciasse sua vulnerabilidade.

— Sim… só é… diferente.

— Diferente pode ser bom — replicou Akihiro, com um beijo leve no ombro do outro.

E era. O ritmo se intensificou, e a atmosfera do quarto se transformou. Não havia pressa ou brutalidade, apenas uma intimidade crua, física, quase silenciosa. O corpo de Jun reagia com crescente sensibilidade, enquanto Akihiro se entregava ao movimento, à fricção, ao calor.

Quando chegou ao clímax, o fez com um gemido abafado contra a curva do pescoço de Jun, seu corpo inteiro tremendo com o prazer contido. Permaneceu ali por alguns segundos, o rosto oculto no travesseiro, os músculos relaxando aos poucos.

— Você é um pervertido — murmurou Jun, com um sorriso contido, apesar da timidez evidente. — Gozando só com minhas coxas…

Akihiro pegou um lenço da mesa de cabeceira, limpando-os com cuidado, o toque gentil.

— Eu poderia gozar com qualquer parte do seu corpo — disse com simplicidade. — E se quisesse, poderia fazer você gozar só de beijá-lo.

Jun arregalou os olhos, descrente.

— Você… não faria isso.

Akihiro inclinou-se novamente, os lábios roçando a orelha de Jun, a voz baixa, envolvente:

— Quer apostar?

Sua mão percorreu o peito do outro, os dedos leves roçando a pele sensível da virilha.

— Você é tão receptivo, Jun. Eu poderia provocá-lo até que você implorasse. E sei que adoraria cada segundo disso.

Jun gemeu baixinho, o corpo reagindo por reflexo ao toque de Akihiro, seus quadris arqueando em um impulso involuntário.

— Para com isso… — murmurou, abafando o rosto sob um travesseiro, como se tentasse esconder não só a vergonha, mas o calor que se espalhava por sua pele.

— Tudo bem, tudo bem — respondeu Akihiro, a voz carregada de um humor contido, enquanto descartava o lenço usado sobre a cabeceira da cama com um gesto displicente. — Não gosta de uma conversa suja?

— Não gosto… Claro que me acostumei a ouvir — disse Jun, com a voz abafada pelo travesseiro —, mas me faz sentir tão… pequeno. Vulgar. É horrível.

Akihiro se deteve por um instante, o sorriso desaparecendo dos lábios.

— Entendo… — Ele estendeu a mão, afastando delicadamente o travesseiro do rosto de Jun. As bochechas do outro estavam coradas, os olhos marejados por lágrimas silenciosas. — Eu não vou repetir isso, tá? — disse com ternura, inclinando-se para beijar-lhe o rosto.

Jun hesitou, depois desviou o olhar.

— Você ainda está…

— Sim — interrompeu Akihiro, com um tom tranquilo —, mas não se preocupe com isso.

O olhar de Jun o acompanhou enquanto ele se afastava da cama, movendo-se pelo quarto com passos calmos. Akihiro começou a abotoar a camisa, seus gestos lentos, quase ritualísticos. O silêncio se instalou entre os dois, denso e estranho, como uma neblina carregada de palavras não ditas.

As mãos de Akihiro pararam sobre os punhos da camisa. Estava de costas para Jun, e o espaço entre eles parecia ter dobrado de tamanho.

Jun se ergueu devagar, os lençóis deslizando até sua cintura.

— Akihiro… — Sua voz saiu baixa, hesitante. — Por que você está me evitando?

Akihiro se virou, e sua expressão parecia indecifrável. Os olhos, antes calorosos, agora guardavam uma distância que doía.

— Eu não estou te evitando — respondeu, com a voz firme, embora baixa.

Jun apertou os lençóis entre os dedos, o olhar inseguro.

— Mas você tem estado… distante. Até ontem à noite, quando assistimos aquele programa, você não me tocou como costuma fazer. E agora, você preferiu ignorar sua ereção a me deixar tocá-lo… a fazer sexo comigo. Eu fiz algo errado?

As sobrancelhas de Akihiro se uniram brevemente, antes que ele cruzasse o quarto num impulso contido e se sentasse à beira da cama. Estendeu a mão, como se fosse tocá-lo, mas a deixou pairar no ar antes de recolhê-la.

— Você não fez nada errado — disse, com a voz mais suave. — Não é sobre você, Jun. É sobre mim.

O coração de Jun apertou, o estômago revirando. “É sobre mim.” Palavras conhecidas, cicatrizes antigas.

— O que isso quer dizer? — sussurrou.

Akihiro passou a mão pelos cabelos, exalando lentamente.

— Quer dizer que… eu não quero que você pense que toda vez que eu te toco, isso tem que levar a alguma coisa. Que eu só estou aqui por isso. Eu não sou um cliente, Jun. Eu quero cuidar de você. Quero aprender a dividir uma cama de verdade, a tomar banho juntos, segurar sua mão… sem que isso precise acabar em sexo. Eu não quero que você se sinta usado.

O quarto mergulhou em um silêncio frágil, como se o próprio ar esperasse a resposta de Jun. A sinceridade daquelas palavras flutuava ali, entre eles, densa e vulnerável.

Jun piscou, confuso, tentando absorver o que acabara de ouvir. Ele sentia o coração bater rápido demais, como se seu corpo inteiro não soubesse como reagir.

— Mas… por que faria isso? — perguntou, finalmente, a voz quase trêmula.

Akihiro desviou o olhar, os olhos fixos no chão. Quando falou novamente, foi apenas após virar parcialmente o rosto, o suficiente para Jun vislumbrar o contorno de seu perfil.

— Porque eu gosto de você de verdade.

As palavras caíram com uma suavidade que contrastava com o peso que carregavam. Em seguida, Akihiro virou-se por completo, o rosto voltado para o lado oposto, como se o ocultar fosse uma forma de se proteger.

Jun o observava, calado, como se tentasse compreender um idioma que lhe era estranho.

— Você… gosta de mim?

Akihiro soltou um som baixo, quase um grunhido desconfortável, afundando o rosto nos ombros largos.

— Sim. Quer dizer… Merda. Falei isso alto?

— Sim… — Jun respondeu, a voz mansa. — Só não achei que você… nunca imaginei que você—

— É, eu sei. Eu nunca. Eu também tô meio… sei lá. Tentando não ferrar tudo.

Ele passou a mão pelo rosto, visivelmente desconcertado, e continuou:

— E eu não faço ideia de como lidar com isso de gostar de alguém. — Continuou, a voz mais abafada, como se estivesse falando consigo mesmo. — Pesquisei na internet, mas só encontrei umas bobagens: “dez sinais de que ele está apaixonado”, “é amor ou carência?”, essas coisas…

— Você pesquisou isso? — Jun perguntou, um sorriso quase escapando por entre os lábios.

— Pesquisei. — Akihiro deu de ombros, tentando parecer casual, mas o rubor em sua nuca o entregava. — Antes era mais fácil. Eu transava com quem chamava atenção, sem perguntar nome, sem querer conversar depois. Agora eu tô te dando flores, te levando pra sair, dormindo com você… e falando como um idiota.

Jun segurou o riso, pressionando os lábios, enquanto o calor lhe subia às bochechas. Permaneceu quieto por um momento, os olhos fixos nos de Akihiro.

— Você não é idiota — disse, com doçura. — Só é péssimo com palavras.

— Eu sei — ele respondeu, resignado.

Seguiu-se um momento de silêncio, mas agora ele era diferente. Já não pesava entre eles como um abismo, e sim como um véu sutil de intimidade — algo a ser respeitado, tocado com cuidado.

— E o que mais você pesquisou? — Jun perguntou, arqueando uma sobrancelha com leveza, um toque de malícia tentando suavizar o clima.

Akihiro riu, baixinho.

— Coisas idiotas. Tipo… como não parecer carente demais. Como dizer “eu gosto de você” sem soar desesperado. Qual o momento certo pra dar um presente… Como saber se o outro gosta também…

— Por que não me disse isso antes?

— Porque eu queria entender o que estava sentindo. Achei que estava confundindo tudo… Mas aí você começou a rir comigo. A se irritar com meus comentários. A dividir comida… e eu percebi que não queria que você fosse embora depois da próxima vez que transássemos. Eu queria que você ficasse.

Jun mordeu o lábio inferior, a respiração irregular. Seu peito apertava, e havia algo ali, entre medo e ternura, que o fazia querer fugir e se aninhar nos braços de Akihiro ao mesmo tempo.

— Você é um desastre.

— Eu sei.

— Mas está tentando.

Akihiro assentiu, enfim encarando Jun com firmeza. Havia ali uma vulnerabilidade crua, mas também uma convicção nova.

— Estou tentando, sim. Porque eu gosto de você. E se isso significa aprender essas coisas… errar, passar vergonha, pesquisar coisas idiotas… então que seja.

Jun sentiu o peito apertar. Havia algo doloroso e terno naquele sentimento exposto, nu. Ele se inclinou devagar e tocou os dedos de Akihiro com a ponta dos seus.

— Faz muito tempo que ninguém tenta por mim — murmurou. — Akihiro fechou a mão em torno da dele, com firmeza contida. — Obrigado… Mas sabe… isso ainda é estranho.

— O que é estranho? — perguntou Akihiro, os olhos fixos no rosto dele.

— Você aqui. Se confessando para mim. Quero dizer… você tem uma reputação. Eu ouvi coisas. Histórias.

Akihiro soltou um suspiro entediado, deitando-se de costas sobre a cama.

— As pessoas falam demais. Inventam quando não têm do que falar. Aquele clube é uma usina de fofocas.

Jun permaneceu sentado na cama, com os joelhos dobrados e o corpo ainda levemente curvado sobre o colchão, observando Akihiro com os olhos semicerrados, como se ponderasse algo. Então, quase casual, deixou escapar:

— E aquela história do ômega? — sua voz era baixa, mas continha uma curiosidade latente. — Aquele de anos atrás… Dizem que você se envolveu com ele enquanto ele ainda trabalhava no clube.

Akihiro soltou um som abafado, entre o resmungo e o suspiro.

— Ah, droga… — murmurou, virando-se de lado e enfiando o rosto no travesseiro como se quisesse se enterrar ali. A voz saiu abafada e carregada de exasperação. — Boato ridículo do caralho…

Jun arqueou uma sobrancelha, um sorriso brincando nos lábios.

— Então é mentira?

Akihiro virou o rosto, expondo apenas um dos olhos, semicerrado, lançando-lhe um olhar acusatório.

— É… em partes. — Ele inspirou lentamente antes de continuar. — Sim, existia um ômega. Sim, ele trabalhava no clube. Sim, nós transamos. Várias vezes.

— E? — Jun instigou, inclinando-se levemente, o tom descontraído contrastando com o brilho de provocação em seu olhar.

— E não, não era um relacionamento. Não houve envolvimento emocional. Ele só… apareceu.

— Isso não explica por que se viam fora do clube — insistiu Jun, agora quase se divertindo com o desconforto do outro.

Akihiro fez uma careta de resignação.

— Tá bom. Você quer mesmo saber? É meio ridículo.

— Quero — confirmou Jun, com um sorriso que era metade desafio, metade diversão.

Akihiro soltou o ar pelos lábios, vencido.

— Foi por causa da minha irmã.

Jun piscou, confuso.

— Como é?

— Ela estava interessada nele — disse Akihiro, enfim. — Ou pelo menos curiosa. Ele era novo, bonitinho, e tinha aquele jeito exibido demais que ela achava charmoso. Eu achei que seria divertido. Um desafio. Então, meio que… virou uma aposta.

Jun levou uma das mãos aos lábios, tentando conter o riso.

— Você dormiu com ele por ciúmes da sua irmã?

— Não! — Akihiro se sentou, indignado. — Ela disse que ele era o tipo dela, impossível de se conquistar, e eu apostei que conseguiria levá-lo pra cama em três dias.

Dessa vez, Jun não conseguiu mais conter a risada. Uma risada aberta, leve, como se algo dentro dele tivesse finalmente se soltado. O som preencheu o quarto, e, constrangido, Akihiro acabou rindo também, balançando a cabeça.

— Vocês dois são um desastre — disse Jun, limpando discretamente uma lágrima do canto do olho. — Isso é completamente insano.

— É… eu sei — Akihiro murmurou, deitando-se de novo, os braços cruzados atrás da cabeça. — Mas funcionou. Eu ganhei a aposta.

— E o que aconteceu com ele depois?

— Sumiu. — Akihiro deu de ombros. — Disseram que arrumou um sugar daddy e foi embora. Sem drama, sem coração partido. Só mais uma história mal contada que virou lenda.

Apesar do tom despreocupado, sua expressão suavizou por um momento, e Jun o acompanhou no gesto, deitando-se ao seu lado, virando-se de lado para encará-lo de perto.

— E você?

— Hm?

— Ficou com raiva?

— Não. — Akihiro fitava o teto. — Na verdade, me senti aliviado. Já estava ficando cansativo, principalmente quando virou esse boato ridículo.

O silêncio que seguiu não era desconfortável. Pelo contrário. Havia ali uma espécie de compreensão mútua, um espaço compartilhado onde as palavras eram menos necessárias.

— Eu não sabia que você carregava esse tipo de preocupação… — disse Jun, por fim, em voz baixa. — Sobre nos tocarmos, ficarmos íntimos… sem que pareça que estou de volta ao trabalho como um acompanhante.

— Agora eu me preocupo — respondeu Akihiro, voltando lentamente o rosto em sua direção. — Porque você não é mais um acompanhante. É meu parceiro.

A frase soou simples, mas havia nela um peso inegável. Por um instante, tudo ao redor pareceu suspenso, como se o tempo se recusasse a avançar até que aquelas palavras encontrassem seu lugar no coração de quem as ouviu.

Akihiro se virou, buscando o olhar de Jun com uma seriedade que não deixava espaço para dúvidas.

— Você é meu parceiro, certo?

Não era uma pergunta feita por insegurança, mas uma confirmação serena — dita com convicção, como quem enfim compreendia, com plena consciência, a natureza do laço que os unia.

Jun desviou o olhar, não por vergonha, mas como quem precisa de um instante para absorver algo que ressoa mais fundo do que estava preparado para admitir. Continuava sentado sobre a cama, com os joelhos flexionados sob o tecido folgado da calça — uma peça emprestada, como praticamente tudo que vestia naquela noite —, e havia um leve sorriso no canto dos lábios.

— É… acho que sim — murmurou, num tom mais macio que o habitual. — Você nunca me pediu isso de forma direta, então… não tenho certeza se posso afirmar com toda convicção.

Akihiro soltou um riso suave, levando a mão aos cabelos ainda desalinhados pelo sono.

— De forma direta? Quer dizer… de joelhos com um anel? — perguntou, arqueando uma sobrancelha com falsa solenidade.

— Também não precisa exagerar — retrucou Jun, rindo e levando a mão ao rosto por um instante, como quem tenta esconder o rubor. — Só estou dizendo que tudo foi acontecendo. Sem avisos, sem grandes declarações. Quando percebi, você já estava me oferecendo sua casa… enquanto tentava lidar com Choi.

— Isso foi charme — disse Akihiro, meio rindo — não um pedido de casamento.

Havia algo mais no olhar de Akihiro. Uma luz discreta, serena, satisfeita — como se ouvir aquilo, perceber que Jun reparava, notava os gestos silenciosos, fosse mais reconfortante do que ele se permitia mostrar.

Jun se deitou de lado, apoiando a cabeça no travesseiro, soltando um suspiro que parecia carregar o peso de um fardo antigo, agora enfim depositado sobre o colchão.

— Eu gosto de você também — disse, sem olhá-lo diretamente, os olhos fixos nos vincos da roupa de cama. — Mesmo que tenha demorado pra aceitar isso. Mesmo que eu tenha passado anos me ensinando a não gostar de ninguém.

Akihiro não respondeu de imediato. Apenas o observou em silêncio, atento aos contornos da expressão de Jun, àquela vulnerabilidade que ele só deixava escapar nas bordas da exaustão — quando o corpo cedia e o coração falava mais baixo. Aquilo, para Akihiro, já era mais do que o suficiente.

— Eu… nunca me senti usado por você. — A voz de Jun era calma, firme, mas havia um calor ali, uma ternura contida. — Você me toca com gentileza. Me beija. Segura minha mão. E isso… sempre foi importante pra mim. — Suas bochechas ganharam um tom suave de rubor. — Eu sinto falta do seu toque.

Akihiro ergueu uma sobrancelha, visivelmente surpreso.

— Sério? Não imaginei que isso tivesse tanto peso pra você.

— É que… você não é como as pessoas com quem estive. — Jun virou o rosto levemente em sua direção. — Você é meu parceiro. E eu nunca tive um. Acho que é natural sentir falta do toque de quem se ama. Ainda mais agora… que faz algum tempo.

Akihiro sorriu, um sorriso breve, quase tímido.

— Nunca teve um namorado?

Jun negou com a cabeça.

— Nunca…

— Nem eu — respondeu Akihiro, após uma breve pausa.

Jun piscou, surpreso. A expressão de Akihiro suavizou, como se algo em seu interior finalmente relaxasse. Ele estendeu a mão, e desta vez, quando seus dedos alcançaram o rosto de Jun, não houve hesitação. Apenas um gesto calmo, cuidadoso. O polegar deslizou de leve sobre a pele salpicada de sardas, e Jun prendeu a respiração diante daquela ternura silenciosa.

— Não quero que você se afaste de mim — disse ele, baixinho — agora que sei como se sente.

O sorriso que brotou em seus lábios era real, sincero, e tocava seus olhos. Ele se inclinou, os lábios encontrando os de Jun num beijo contido, que cresceu com lentidão e intimidade. Não havia urgência ali — apenas a tranquilidade de algo que se reconhece, que se permite. Algo que, mesmo ainda em construção, já podia ser chamado de lar.

Quando se afastaram, Akihiro manteve a testa encostada na de Jun por um momento. Depois, ergueu-se, terminando de ajeitar a camisa. Jun o acompanhou com o olhar, atento, silencioso, observando cada pequeno movimento até vê-lo parado junto à porta.

Mas Akihiro hesitou. Voltou o rosto por sobre o ombro, e por um instante seus olhos se encontraram de novo.

Jun vestiu a camisa de Akihiro, alisando o tecido sobre o peito, e calçou as pantufas que lhe haviam sido deixadas. A luz da manhã invadia o cômodo com suavidade, mas havia algo distinto no ar — uma densidade discreta, carregada de sentido, como se cada gesto naquela manhã tivesse um peso novo.

Akihiro se aproximou outra vez, estendendo a mão aberta.

Na palma, repousava uma chave.

Jun franziu levemente o cenho, os olhos âmbar buscando o rosto do outro com surpresa.

— O que é isso?

— A chave da casa — respondeu Akihiro, como se fosse óbvio. — Espere por mim hoje. Ou… a qualquer momento a partir de hoje.

Jun permaneceu em silêncio por alguns segundos. O metal em sua mão parecia mais frio do que deveria — mais denso. Era mais do que um objeto: era um gesto, uma promessa não dita, um símbolo silencioso de confiança.

— Obrigado — disse, enfim, a voz mais baixa do que pretendia.

Akihiro manteve a mão junto à dele por um instante além do necessário, depois se virou e deixou o quarto, sem olhar para trás.

Jun voltou a se deitar, os dedos deslizando com delicadeza pelo rosto, tocando o lugar onde a mão de Akihiro repousara segundos antes. O calor ainda estava ali. O beijo também. E as palavras.

“Espere por mim”, ele havia dito.

E Jun esperaria.

 

—–

 

Akihiro cruzou a soleira do apartamento de Himeko, acolhido de imediato pelo perfume familiar de jasmim, mesclado ao leve aroma do incenso que queimava discretamente num suporte de cerâmica junto à janela. O ambiente exalava o mesmo aconchego silencioso de sempre — um refúgio tecido em lembranças antigas e seguras.

No sofá da sala, Himeko repousava com tranquilidade, os dedos acariciando com leveza os fios macios dos cabelos de Rurihito, que dormia com a cabeça em seu colo. A respiração do menino era ritmada e serena, como se nada no mundo pudesse perturbá-lo naquele instante. Ao notar a presença do irmão, ela ergueu os olhos, e sua expressão suavizou-se.

— Aki… — disse, num tom baixo, carregado de preocupação. — O que aconteceu?

Ele soltou um suspiro cansado, levando os dedos aos cabelos bagunçados antes de se acomodar numa das poltronas diante dela.

— Eu acho que… meu Rut está começando.

Os olhos dela se arregalaram levemente, a surpresa clara no rosto.

— Seu Rut? Mas você nunca… achei que não fosse experienciar isso.

— Nem eu esperava — confessou, a voz rouca, quase constrangida. — Mas toda vez que estou com o Jun, sinto como se perdesse o controle. Minhas presas surgem… é como se algo instintivo tomasse conta e obscurecesse minha razão. E isso me assusta. Tenho medo de machucá-lo.

Himeko pousou com cuidado a xícara de chá sobre a mesa de centro, mantendo o olhar firme no dele.

— O Rut não é apenas uma resposta física, Aki. Ele também é emocional. Você encontrou alguém que, mesmo sem perceber, tocou você num lugar que estava adormecido. É por isso que começou a manifestar.

Akihiro franziu o cenho, o peso no peito crescendo como algo que ameaçava transbordar.

— Eu sei… mas é intenso demais. Estou tomando inibidores, tentando manter tudo sob controle, mas sinto que estou me sufocando. Isso não é sustentável.

— Você tem medo de quebrá-lo — disse ela, com uma firmeza delicada. — Mas já pensou no que está fazendo consigo mesmo? Está se mutilando por dentro ao negar uma parte do que é. Isso não é justo. Nem para você, nem para ele.

Ele cerrou os punhos sobre os joelhos, o maxilar tenso.

— O que você quer que eu faça, Himeko? Que eu simplesmente me entregue a isso? E se eu ultrapassar os limites? E se, em algum momento, eu não conseguir parar?

Himeko estendeu a mão sobre a mesa e a pousou suavemente sobre a dele.

— Você não é como os outros alfas. Sempre teve um domínio excepcional sobre si mesmo. Mas também tem o hábito de engolir tudo até que se transforme em dor. Seu parceiro merece conhecer todas as suas faces — não só aquelas que você considera seguras.

As palavras dela atravessaram a armadura que ele usava havia anos. Havia verdade ali — uma verdade que evitava encarar.

— Himeko… — murmurou, quase num desabafo. — Nós mal começamos algo de verdade. E agora isso. O peso de passar pelo Rut com ele… é demais. É como se estivesse pulando direto para o fim, sem nem saber como é o começo.

O sorriso de Himeko foi brando, compreensivo.

— Então comece do jeito certo. Não escondendo. Não temendo. Fale com ele. Ele precisa saber. E, pelo que vi, Jun confia em você mais do que em qualquer outra pessoa.

Akihiro fechou os olhos, permitindo que o silêncio o envolvesse por alguns segundos. A palavra ecoava dentro de si: confiança. Um conceito que raramente associava a seus próprios relacionamentos… até agora.

— E se eu falhar em me controlar? — sua voz saiu baixa, quase imperceptível, carregada de um temor genuíno.

— Você é teimoso demais para isso — disse Himeko, sem hesitar, mas com ternura. — E Jun te escolheu sabendo com quem estava se envolvendo. Não o trate como frágil, Aki. Ele não é.

Ao abrir os olhos, Akihiro encontrou o olhar firme da irmã. E, pela primeira vez naquela noite, sentiu a tensão em seus ombros começar a ceder.

— Eu não quero perdê-lo — confessou, num raro tom de vulnerabilidade.

— Então, não perca. Fale com ele. Com honestidade. Ele merece isso.

Akihiro assentiu devagar, como quem reconhece uma verdade antiga e, finalmente, aceita ouvi-la.

— Você tem razão.

Himeko recostou-se no sofá, os lábios curvando-se num sorriso tranquilo.

— Quase sempre tenho.

Ele riu, um som breve, mas genuíno. Algo em seu peito, até então comprimido, começava enfim a se desatar. Himeko permaneceu em silêncio por alguns instantes, apenas observando o irmão, como se o estivesse estudando com novo olhar. O peso da conversa anterior ainda pairava no ar.

— Sabe o que é mais engraçado nisso tudo? — começou, com o tom despreocupado de quem prestes a soltar uma bomba.

Akihiro arqueou uma sobrancelha, desconfiado.

— O quê?

— Que você… você, está num relacionamento. Um namoro.

Ele suspirou, jogando a cabeça para trás e cobrindo os olhos com a mão.

— Ah, que merda… Por favor não.

— Não, não — ela prosseguiu, saboreando cada sílaba. — Isso precisa ser dito. Esse é o mesmo homem que, até pouco mesmo de um ano, desaparecia por três dias nas festas de fim de ano do clube. Que dormia com metade dos garotos com quem festejava. E agora está aqui… cheio de preocupação, falando de confiança e parceiros.

— Eu devia ter ficado calado — ele murmurou, afundando ainda mais na poltrona.

— Você devia mesmo. Mas não o fez. E agora eu tenho munição para o resto da vida — ela disse, apoiando o queixo na mão e sorrindo com ares de triunfo. — Porque o playboy solitário, o alfa que dizia que “sentimentos são perda de tempo”, virou um devoto namorado que pesquisa no Google “como se confessar”.

Akihiro escondeu o rosto como se isso pudesse impedi-la de continuar. Himeko, claro, estava só começando.

— Aposto que está até pensando em decorar a casa para impressioná-lo. Comprar cortinas novas, trocar as lâmpadas da cozinha…

— Himeko…

— Ele já usou sua camiseta? Ruri fazia isso as vezes, quer dizer… quando estava gravido — (Ela continuava com Ruri apoiando em seu colo, dormindo, enquanto acariciava o cabelo dele) — Aquela camisa que você finge que deixou jogada no quarto por acaso, mas na verdade dobrou direitinho e posicionou como isca de afeto.

— Isso é difamação.

— É a mais pura verdade! — Ela apontou para ele, o tom teatral. — Eu devia chamar o pessoal do clube pra contar. Fazer um boletim especial: “Akihiro Hanamura, domesticado por um ômega”.

— Eu não estou domesticado.

— Claro que não. — Himeko revirou os olhos. — Está só se corroendo de medo de contar sobre seu Rut, porque isso é coisa de machão destemido, obviamente.

Akihiro suspirou, mas não conseguiu conter o sorriso torto que se formava.

— Você acabou de me aconselhar a ser honesto, vulnerável e confiável. E agora está me destruindo?

— Ah, Aki. — Ela se inclinou um pouco à frente, rindo baixo. — Eu disse pra você ser honesto com ele. Comigo, você nunca vai escapar do seu karma.

— Você é cruel.

— É o meu direito sagrado como a irmã que você caçou até fazer bico por ter me casado com meu amor.

Ele bufou, mas o riso já escapava pelos lábios. Rurihito se remexeu no colo de Himeko, murmurando algo incompreensível antes de se aninhar de novo, completamente alheio à conversa.

Por um momento, o ambiente se aquietou outra vez. Himeko olhou para o filho, depois para Akihiro, com aquele brilho raro que ele só via nos olhos dela quando estava verdadeiramente feliz.

Mas essa calmaria foi gentilmente interrompida pelo tilintar das chaves na porta de entrada e o som abafado de passos. Akihiro ergueu o olhar, já antecipando quem seria, e Himeko, num gesto instintivo, voltou o rosto na direção da porta, ainda com um leve sorriso nos lábios.

Tasuo surgiu em seguida, com o pequeno Hikari nos braços, bochechas coradas do passeio, as mãozinhas apertadas em volta do casaco do avô como se segurasse um tesouro. Os olhos do bebê se iluminaram ao ver a mãe e o pai, e ele soltou um gritinho animado, chamando a atenção de todos no cômodo.

— Estávamos dando uma volta pelo quarteirão — disse Tasuo, com a voz sempre firme, mas carregada de uma ternura reservada ao neto. — Ele queria ver os carros. Apontava para cada um como se fosse o maior acontecimento do mundo.

Himeko sorriu e, com delicadeza, despertou Rurihito com um afago carinhoso nos cabelos.

— Ruri… meu pai chegou.

O ômega se remexeu, piscando devagar, a mente ainda turva pelo sono. Quando as palavras fizeram sentido, ele se endireitou, puxando os fios soltos do cabelo para trás da orelha antes de se levantar com Himeko. Caminharam lado a lado até Tasuo, e assim que chegaram perto, Rurihito estendeu os braços com um sorriso sonolento, mas genuíno, recebendo Hikari de volta ao colo.

— Ei, meu amorzinho… — murmurou, o tom quase sagrado, enquanto o bebê o abraçava com um som feliz.

Himeko, por trás, rodeou os braços pela cintura de Ruri, aninhando-se contra ele como se o mundo se encaixasse exatamente naquele ponto. Beijou-lhe a bochecha, e a resposta de Hikari foi imediata: suas mãozinhas pequenas alcançaram o rosto da mãe, apertando as bochechas dela com um entusiasmo infantil que arrancou uma risada dos três.

A cena era singela, mas havia algo profundamente tocante nela — como se o passado conturbado dos dois tivesse sido dissolvido, ao menos por ora, pela simples presença daquela criança. Até Akihiro, que permanecia um pouco afastado, sentiu o peso suave daquela imagem, como se estivesse vendo não apenas sua irmã e seu cunhado, mas uma família inteira que havia renascido de cacos.

Ele se aproximou com passos firmes, os olhos encontrando os de Tasuo com a mesma intensidade contida de sempre. O velho Hanamura o observou por um instante em silêncio, como se já antecipasse o que estava por vir.

— Pai — disse Akihiro, detendo-se a uma distância respeitosa, mas não fria —, tem algo que eu queria conversar com você. É importante. — Tasuo ergueu uma sobrancelha, sem surpresa, apenas aguardando. — Podemos falar a sós? — completou o filho, sem rodeios, mas com um tom mais cuidadoso do que o habitual.

O patriarca assentiu lentamente, o olhar estreitando-se com uma atenção súbita.

— Claro. Vamos para o escritório.

Akihiro lançou um último olhar ao grupo reunido — Rurihito embalando Hikari, Himeko ainda aninhada a ele, e o som suave do bebê balbuciando palavras sem sentido. Aquela visão aquecia o peito de um jeito perigoso demais para um homem como ele.

Ele desviou os olhos, voltando-se para o pai. O que queria pedir não era simples, nem justo. Mas era necessário. E, por Jun, ele faria o que fosse preciso.

 

——

 

Ao deixar a casa da irmã, o céu já começava a ceder aos tons densos da noite. A conversa com o pai, embora não selada por palavras definitivas, deixara em Akihiro um peso tênue — não incômodo, mas insistente — como se uma engrenagem há muito tempo imobilizada houvesse voltado a girar, rangendo devagar nas profundezas de algo que ele ainda não sabia nomear. O caminho de volta transcorreu em silêncio, os passos marcando o asfalto úmido enquanto os ecos do diálogo continuavam a ressoar dentro dele, dispersos entre o alívio e a incerteza.

Quando girou a chave na fechadura e empurrou a porta do apartamento, esperava encontrar apenas o habitual silêncio acolhedor — aquele tipo de quietude que já se tornara parte da sua rotina. Mas o que o recebeu foi algo inesperado: um aroma quente, adocicado e reconfortante, que se espalhava pelo ambiente como uma memória esquecida. Era um cheiro que reconheceu de imediato, mesmo antes de buscar sua origem — katsudon recém-preparado, o mesmo prato que eles comeram juntos um dia.

No perto da pia da cozinha, Jun o aguardava. Vestia um avental leve sobre roupas domésticas simples, os cabelos presos num coque frouxo, com alguns fios já escapando e caindo pelas laterais do rosto. Havia nele uma serenidade contida, quase cúmplice, como se não quisesse quebrar o encantamento daquele instante. Seu olhar trazia um brilho gentil, que oscilava entre a expectativa e um afeto cuidadosamente resguardado. Quando o viu, sorriu.

— Fiz katsudon — anunciou, enxugando as mãos num pano limpo com um gesto despreocupado. — Talvez não esteja tão bom quanto o do restaurante… mas eu tentei.

Akihiro permaneceu imóvel à soleira, observando-o em silêncio. Seu olhar, embora sereno, parecia carregar um peso de significado que não se traduzia em palavras. Não havia frieza, tampouco surpresa. Era como se algo em seu interior estivesse se rearranjando — não com estrondo, mas com a lentidão inevitável de um sentimento que já existia, apenas aguardando o momento certo para emergir.

Jun inclinou um pouco a cabeça, confuso diante do silêncio prolongado.

— Akihiro? — chamou suavemente. — Está tudo bem?

A voz dele chegou como um sopro, dissolvendo a névoa dos pensamentos de Akihiro. Ele piscou devagar, como quem retorna de um lugar distante, e respirou fundo antes de responder.

— Sim… — disse, num tom baixo, ainda imerso. — Está tudo bem.

Jun não pressionou. Apenas indicou com um gesto discreto a mesa já posta, onde dois pratos fumegantes repousavam lado a lado, com hashis alinhados com delicadeza quase cerimonial.

— Venha comer. Vai esfriar.

Akihiro fechou a porta atrás de si, sentindo que, por mais trivial que aquela noite pudesse parecer, havia nela um significado que fugia à simplicidade da cena. Um lar com alguém o esperando. O cheiro de uma comida feita com carinho. A voz de Jun, suave, chamando-o para jantar. Tudo era novo, mas de um jeito sutilmente familiar — como algo que ele não sabia que desejava, mas que, ao vê-lo diante de si, reconheceu sem hesitação.

Caminhou até a mesa em silêncio e sentou-se diante de Jun, como se aquele gesto — despretensioso, mas íntimo — selasse, sem necessidade de palavras, o início de algo que já existia antes mesmo de ser nomeado.

Capítulo 12
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Laços em Carmesim

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Akihiro Hanamura sempre acreditou que laços afetivos não passavam de ilusões passageiras – convenções sociais frágeis que encobriam a inevitável falência das relações humanas. Como...

Chapters

  • Capítulo 16 FINAL O eterno no cotidiano
  • Capítulo 15 A Vulnerabilidade de um Alfa
  • Capítulo 14 Segredos de Sangue
  • Capítulo 13 Fim das Correntes
  • Capítulo 12 Um lar e o cheiro de comida
  • Capítulo 11 Rastros de Medo
  • Capítulo 10 Mesa para Dois na Sala Reservada
  • Capítulo 9 Rachaduras na muralha
  • Capítulo 8 A Voz de Jun
  • Capítulo 7 O coração exausto de Jun
  • Capítulo 6 O Gosto da Ternura
  • Capítulo 5 Junhos Possíveis
  • Capítulo 4 Proposta Intrigante e Tentadora
  • Capítulo 3 Sedução no Palco, Verdades no Encontro
  • Capítulo 2 - A primeira intersecção
  • Capítulo 1 - Uma Noite ao Acaso

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