Laços

Laços em Carmesim

Capítulo 3

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🟡 Em breve

Um dos clubes mais exclusivos de Tóquio pertencia aos Hanamura — um refúgio luxuoso escondido sob o verniz do entretenimento, frequentado apenas por aqueles com dinheiro suficiente para comprar silêncio, companhia e discrição. Um verdadeiro paraíso para os ricos e perigosos.

Jun estava lá havia pouco tempo e ainda se perguntava como, entre tantos candidatos, havia sido escolhido. Tinha todos os atributos que os proprietários costumavam valorizar: beleza incomum, postura refinada e aquele tipo de presença silenciosa que prendia a atenção. O fato de ser um dos raríssimos ômegas masculinos do lugar apenas o tornava mais desejável — um atrativo que o colocava automaticamente em uma vitrine diferente.

Trabalhar ali, embora não fosse isento de riscos, oferecia algo que os outros empregos nunca haviam lhe dado: escolha. Ele podia se recusar, podia sair de uma sala, podia, ao menos em teoria, traçar os próprios limites. O salário era generoso, as gratificações melhores ainda, e alguns clientes faziam propostas que muitos considerariam indecorosas — mas que para Jun eram apenas negócios. E ele sabia fazer negócios.

Já estava habituado a vestir máscaras. Sorrisos delicadamente esculpidos, gestos controlados, palavras que flutuavam entre a doçura e a submissão. Aquilo, para ele, era apenas mais uma camada. E com o tempo aprendeu a reconhecer os sinais — os olhares que duravam um pouco demais, as mãos que pareciam pesar mais que o necessário, o tipo de atenção que não se limitava à noite paga.

Entre os corredores e bastidores, as conversas sobre o chefe do lugar eram inevitáveis. Hanamura — sempre assim chamado, como se o nome próprio não fosse de uso comum — era uma figura envolta em um certo mistério. Alguns colegas diziam já tê-lo visto de perto; dois garantiam ter dormido com ele. Implacável quando aparecia, não tolerava desrespeito com os funcionários e fazia questão de intervir pessoalmente quando algum cliente ultrapassava os limites.

Como amante, diziam, era exigente. Selecionava com precisão, testava os limites, não era de se apegar com facilidade. Mas havia uma história antiga, repetida pelas veteranas com um misto de ironia e reverência: diziam que, anos atrás, ele se envolveu com um funcionário ômega — alguém que conheceu ali mesmo, no clube.

Não apenas dormia com o rapaz com frequência, como chegaram a se encontrar fora do expediente, algo praticamente inédito para alguém como Hanamura. Um dia, o ômega deixou o clube sem explicações, e ninguém soube dizer o que aconteceu depois.

Jun lembrava-se de um comentário que ouvira logo nos primeiros dias, quando ainda era só mais um rosto ansioso entre tantos no camarim. A frase foi dita com um sorrisinho enviesado, como se carregasse veneno e desejo na mesma medida:

“Ficar com o Hanamura pode ser um inferno, mas, se ele gostar de você, sua vida muda pra sempre.”

Como dançar à beira de uma lâmina: perigoso, sedutor, imprevisível. Havia riscos — sempre havia —, mas também a promessa implícita de segurança para quem soubesse agradar. Aqueles que caíssem em seu gosto poderiam, ao menos por um tempo, ter a vida garantida: proteção, estabilidade e o privilégio raro de ser notado. Mas bastava um deslize para que tudo escorresse pelos dedos, como fumaça diante de um sopro impiedoso.

Agora, diante do homem cuja simples presença impunha silêncio, ele começava a entender que “se ele gostar de você, sua vida muda pra sempre” talvez não tivesse relação com dinheiro — mas com pertencer.

E ele ainda não sabia se isso era um aviso… ou uma promessa.

—–

Akihiro estava em casa quando recebeu o convite — uma notificação no e-mail marcada como prioritária, destacando-se entre as dezenas de mensagens que sua assistente filtrava diariamente. Era comum que convites para eventos em propriedades dos Hanamura chegassem até ele, assim como solicitações de presença em compromissos sociais organizados por aliados, que viam na sua imagem um símbolo de prestígio. A maioria sequer recebia sua atenção. Raros eram os casos em que abria o conteúdo.

Mas aquele, por algum motivo, o fez parar.

O título do e-mail era sóbrio, mas direto. Dentro, um convite formal para uma apresentação privada ainda naquela noite, em um dos clubes mais discretos sob a bandeira dos Hanamura — um estabelecimento gerenciado por um homem de sua total confiança, conhecido por administrar com discrição e rigor.

O que prendeu sua atenção, porém, não foi o tom do convite ou a natureza do evento, mas um nome impresso com elegância na lista de atrações principais: KwonJun Olivine.

O nome lhe pareceu familiar de imediato.

Sem hesitação, abriu o notebook, até agora deixado de lado, e digitou uma mensagem breve, endereçada ao gerente responsável pelo clube — um homem de confiança que cuidava de toda a operação em sua ausência com discrição e competência.

“Quero o dossiê completo de KwonJun Olivine. Envie por e-mail até o final da tarde.”

A resposta foi quase imediata:

“Entendido, senhor Hanamura.”

Pouco depois, o arquivo chegou. Akihiro abriu o anexo com a mesma calma metódica de sempre, mas seus olhos fixaram-se com intensidade crescente nas informações que deslizavam pela tela.

Nome: KwonJun Olivine.

Idade: 24 anos.

Origem: Estrangeiro (País não especificado)

Status de residência: Permanente (Visto de residência)

Função no clube: Acompanhante de luxo e performer ocasional.

Data de admissão: 4 meses atrás.

Histórico: Nenhum registro criminal, antecedentes verificados.

Idiomas falados: Japonês (fluente), outro idioma não identificado.

Habilidades destacadas: Dança e etiqueta refinada.

Profissões relacionadas: Barista, garçom e acompanhante de luxo.

Havia uma foto anexada — um retrato de identificação com fundo neutro, e mesmo assim, o rapaz exalava uma elegância instintiva. Olhos expressivos, traços suaves, mas firmes. A pose sutilmente contida, como quem carrega muito mais sob a superfície do que ousa mostrar. Um rosto que Akihiro lembrava perfeitamente, embora apenas de relance, naquela ocasião breve em que o vira ao lado de outro homem.

“Acompanhante de luxo…”, repetiu em voz baixa, intrigado.

Isso explicava muito.

—–

Na noite do evento o clube privado estava vivo.

Luzes difusas serpenteavam pelo ambiente, criando uma atmosfera quase etérea, refletindo-se nos lustres de cristal suspensos como joias, e nas superfícies reluzentes das taças de champanhe que reluziam sob mãos cobertas por luvas de seda. O ar, denso e carregado, exalava o perfume entorpecente de fragrâncias luxuosas, mescladas ao sutil almíscar da antecipação. Máscaras cuidadosamente esculpidas ocultavam os rostos da elite ali presente, preservando segredos sob uma camada de verniz e mistério.

Akihiro adentrou o recinto com a mesma compostura com que se cruza uma sala que se conhece bem — sem pressa, mas com domínio inquestionável. Vestia um traje de corte impecável, ajustado ao corpo com precisão artesanal. A máscara negra de linhas austeras cobria parte de seu rosto, acentuando-lhe os traços marcantes e realçando a aura de presença inabalável que o acompanhava como uma sombra.

Deslizava entre os grupos com a facilidade de quem conhece os nomes que importam e os silêncios que pesam mais do que palavras. Trocou cumprimentos com figuras conhecidas — rivais, aliados ocasionais, peões úteis —, mas seu olhar, embora educado, estava distante. Sua atenção não era deles. Ele havia comparecido por um único motivo.

O palco, elevado e envolto por cortinas pesadas, aguardava o início da apresentação principal. Era um espetáculo reservado apenas à nata de uma sociedade que preferia seus desejos envoltos em sutileza. Akihiro acomodou-se próximo à frente, seus olhos âmbar varrendo o ambiente com precisão predatória, como quem antecipa o primeiro movimento de uma partida estratégica.

As luzes baixaram, mergulhando a sala num silêncio carregado de expectativa.

Os primeiros artistas surgiram sob feixes de luz suaves, iniciando uma dança envolvente ao redor do pole. Os corpos se moviam com domínio técnico, seus movimentos fluídos e sensuais, arrancando murmúrios entusiasmados da plateia. Mas Akihiro mal desviou o olhar. Aquilo era apenas o prólogo.

Quando o nome da próxima atração foi anunciado, sua atenção se acendeu com súbita intensidade.

E então Jun surgiu.

A aparição do jovem foi como um golpe inesperado. A figura que se movia sob os holofotes exibia uma beleza de tirar o fôlego. Vestia-se com ousadia calculada: um traje que beirava a lingerie, revelando mais do que ocultava, delineando a silhueta esguia com uma precisão quase cruel. As botas de cano longo com saltos realçavam as linhas das pernas e conferiam ao caminhar um compasso hipnotizante. Os cabelos dourados caíam em ondas pelas costas, capturando e devolvendo a luz em reflexos suaves a cada movimento.

Jun hesitou nos primeiros compassos, os passos carregados de um pudor tênue. Mas logo esse pudor se desdobrou em uma provocação silenciosa. Havia uma beleza crua e não domesticada em sua performance, uma contradição entre vulnerabilidade e domínio que tornava impossível desviar os olhos.

Akihiro manteve-se imóvel, mas dentro dele algo se acendia — uma centelha incômoda de posse, de fascínio, de inquietude. Seu olhar seguia cada giro dos quadris de Jun, cada inclinação de ombros, cada instante em que o jovem fitava a plateia com aquele brilho contido, como se testasse os limites do próprio poder.

Jun dançava como quem sabia exatamente o efeito que causava.

Não era apenas técnica — era presença. Controle. Uma sedução tecida em silêncio, com os olhos, com a respiração, com o simples gesto de inclinar a cabeça no momento certo. Os convivas estavam visivelmente encantados. Mas Akihiro, diferente deles, não assistia apenas. Estudava.

Lembrava-se do Jun que conhecera no clube semanas antes — retraído, quase frágil. Lembrava-se do Jun da cafeteria, sorridente, receptivo ao toque de um outro homem, vestindo roupas provocativas e aceitando presentes com naturalidade inquietante. E agora, esse terceiro Jun, feito de luz e sombra, de desejo e performance. Cada um deles era o mesmo corpo, mas diferentes máscaras.

O restante da apresentação se dissipou em sua mente, um borrão indistinto. Seus sentidos estavam absorvidos apenas por Jun.

Quando os artistas finalmente foram liberados para circular entre os convidados, Akihiro não hesitou. Seus olhos encontraram Jun, e com eles, o reconhecimento imediato de que algo se aproximava. Observou quando outro homem o interceptou — alguém que Akihiro identificou de imediato como um nome influente nos bastidores obscuros da cidade. O modo como o sujeito se aproximou, o olhar direto, a curvatura do corpo em direção ao de Jun, falavam mais do que qualquer palavra.

E foi suficiente.

Akihiro atravessou o salão com passos calmos, mas carregados por uma firmeza latente, como o prenúncio de uma tempestade. O outro homem virou-se ao perceber a aproximação e recuou instintivamente sob o peso daquele olhar âmbar frio como aço.

— Você está no meu caminho. — Disse Akihiro, a voz baixa, mas firme como aço temperado.

Jun voltou-se ao ouvir, e mesmo com a máscara, a identidade era inconfundível. Reconheceu-o não com surpresa, mas com um espasmo de emoção que lhe aqueceu as bochechas. O homem ao lado gaguejou um pedido de desculpas e desapareceu no meio da multidão, deixando Jun e Akihiro frente a frente.

— Você estava deslumbrante lá em cima. — Murmurou Akihiro, agora em tom mais brando.

Jun pareceu prender a respiração, os olhos se fixando nos dele, intensos. Havia ali algo mais do que nervosismo — uma fagulha sutil que Akihiro notou com interesse.

— Obrigado, Hanamura-sama. — Disse Jun, os lábios curvando-se levemente. Sua expressão oscilava entre surpresa e curiosidade. — Não esperava encontrá-lo aqui — acrescentou, a voz baixa, como se testasse a razão daquela presença. — Ouvi dizer que é raro o senhor se dar ao trabalho de aparecer em eventos assim.

Akihiro arqueou uma sobrancelha, divertido com a observação.

— Talvez eu só tivesse um motivo melhor desta vez. — Seu olhar desceu até os lábios de Jun por um instante antes de retornar aos olhos dele. — E devo admitir… o motivo é bastante convincente.

Jun desviou os olhos por um segundo, mas a cor que lhe subia ao rosto o traía. Akihiro inclinou-se ligeiramente, afastando uma mecha de cabelo do rosto dele com a ponta dos dedos.

— Venha. Tenho uma mesa reservada.

Jun hesitou, lançando um olhar ao redor da sala.

— Devo me misturar com os convidados…

— Ninguém vai te repreender se estiver sentado comigo, e se repreenderem eu cuido deles — disse Akihiro, com a firmeza gentil que não deixava margem para objeções —, mas se preferir, você pode ir.

— Se é assim eu posso me sentar com você.

Caminharam até um canto reservado, onde uma mesa privativa os aguardava. Akihiro puxou a cadeira para Jun com uma cortesia refinada, mas deliberada. Um gesto pequeno, e ainda assim carregado de significado.

A conversa ao redor parecia ecoar ao longe. O burburinho indistinto, os risos abafados, o som da música envolvente — tudo dissolvia-se diante da presença silenciosa que se formava entre os dois. Akihiro observava Jun com atenção meticulosa, como se tentasse decifrá-lo por completo.

Jun, no entanto, parecia confortável. Como se lidasse com uma situação corriqueira.

— Parece pensativo. — Comentou, inclinando levemente a cabeça.

— Talvez — respondeu Akihiro, com um sorriso enviesado. — Ou talvez esteja apenas apreciando a companhia.

Jun arqueou uma sobrancelha, os lábios se curvando num meio sorriso.

— Em geral, costumam apreciar minha companhia sem pensar tanto.

Akihiro não respondeu de imediato. Limitou-se a encará-lo, como quem mede as palavras antes de entregá-las. Em sua mente, ainda ecoavam imagens da noite anterior. O Jun na cafeteria. O Jun no palco. O Jun agora.

Três versões, três máscaras. Todas reais. Todas são parte dele.

E todas, de alguma forma, despertando nele algo que ainda não sabia nomear.

— Você se diverte nesse palco? — indagou Akihiro, em um tom que parecia casual, mas cuja sutileza revelava algo mais profundo. — Você certamente dança com uma paixão cativante.

Jun piscou, como se a pergunta o tivesse surpreendido por um breve instante. Em seguida, seus lábios se curvaram em um sorriso leve, quase indulgente.

— Fico feliz que tenha gostado. Acho que se tornou tão natural para mim que não percebo o efeito que causo nos outros.

Jun inclinou o rosto, observando Akihiro com olhos que escondiam mais do que revelavam.

— Algumas noites são mais intensas do que outras — disse por fim, com evasiva elegância. — Jun respondeu.

O sorriso de Akihiro surgiu de forma comedida, mas seus olhos permaneceram atentos, sondando as entrelinhas com precisão quase clínica.

— E esta noite?

Jun ergueu os olhos devagar, seu rosto banhado pela luz suave do salão.

— Esta noite… ainda está em andamento.

Instalou-se entre eles um silêncio carregado de significado. Havia ali algo mais do que palavras poderiam expressar — um jogo sutil, de olhares e intenções, onde os dois pareciam dispostos a testar os limites um do outro.

Akihiro, por um instante, ponderou até onde poderia ir. Desejava perguntar mais, tocar nos detalhes que lhe atiçavam a curiosidade — os presentes, o homem mais velho, os sorrisos que pareciam ter raízes mais profundas do que a simples encenação profissional. Mas conteve-se. Não era o momento. Ainda não.

— Suponho, então, que cabe a mim garantir que esta noite seja uma das… intensas.

Jun arqueou as sobrancelhas, como se desafiasse a proposta com um toque de ironia.

— Você consegue?

Akihiro retribuiu com aquele sorriso lento, carregado de uma confiança que não precisava de afirmações.

— Duvida?

Jun manteve o olhar firme por um longo momento, antes de rir baixinho — um riso denso, sutil, cheio de nuances.

— Claro que não. Estou apenas curioso.

“Curioso”. A palavra ressoou na mente de Akihiro como um eco prolongado. Ele sabia que não era o único naquele jogo de descobertas.

Foi então que o sentiu novamente. Aquele cheiro. O perfume de Jun — inebriante, envolvente, mais presente agora do que antes. Sem se dar conta, Akihiro se aproximou demais, atraído por um instinto quase primitivo.

— Hanamura-sama? — Jun o chamou, notando a aproximação. A voz era baixa, quase sussurrada.

Akihiro recuou com rapidez, retomando o controle de si mesmo.

— Pode me chamar de Akihiro, se quiser. Posso levar você para um lugar mais particular?

Por um instante, Jun hesitou.

Ainda era cedo. Estavam no meio do evento, e desaparecer antes do fim poderia lhe custar mais do que uma simples advertência. Ele sabia disso. Tinha plena consciência dos riscos.

Mas, então, lembrou-se da frase ouvida meses atrás, dita por um dos rapazes veteranos, entre cigarros furtivos e risadas abafadas no camarim:

“Ficar com o Hanamura pode ser um inferno… mas, se ele gostar de você, sua vida muda pra sempre.”

Jun respirou fundo. Bastava encarar aquilo como qualquer outro cliente — ainda que esse fosse o mais importante de todos.

— Claro. — disse, a voz firme, o olhar atento. — Eu adoraria.

—–

A viagem de carro seguiu em silêncio confortável, interrompida apenas pelo zumbido constante do motor. Jun estava no banco do passageiro, seus dedos inquietos brincando com a bainha da camisa, revelando um nervosismo discreto. Seus olhos desviavam com frequência para o homem ao volante — Akihiro dirigia com uma calma meticulosa, a mão repousando suavemente sobre o câmbio, os olhos fixos na estrada.

Jun desviou o olhar para a janela, observando as luzes da cidade se tornarem menos frequentes à medida que avançavam.

— Onde estamos indo? — a pergunta veio minutos depois, num tom leve, mas com a contenção típica de quem se proíbe de esperar demais.

— A um restaurante. Estou com fome — respondeu Akihiro, direto. — E a comida do evento… bem, não é suficiente.

Jun piscou, surpreso com a resposta direta. Esperava outra coisa. Virou-se um pouco em seu assento, encarando o perfil sereno do alfa, buscando uma leitura mais clara da situação.

— Claro que não, eu só… não esperava isso. Pensei que iríamos a outro lugar. Algo… mais privado, como você disse.

O sorriso de Akihiro alargou-se, carregado de diversão contida.

— Privado, não é? Pensou que eu estava levando você para algum lugar só para transar com você?

O rubor tingiu as bochechas de Jun com intensidade súbita.

— Bem… sim. É isso que costuma acontecer quando me convidam para um lugar mais privado.

Akihiro riu, desta vez mais solto, como se a sinceridade da pergunta o tivesse desarmado. Jun sorriu também, relutante, mas contagiado.

— É justo. Mas nem sempre sou tão previsível assim. Às vezes, eu realmente aprecio uma boa refeição. E este lugar tem a melhor comida da cidade. — O tom de Akihiro era provocativo, mas havia um calor discreto em sua voz que Jun ainda não havia presenciado. — Relaxe. Não vou morder. A menos que você peça com jeitinho.

Jun engoliu em seco, desviando o olhar rapidamente para a janela. Não sabia ao certo se sentia nervoso ou… intrigado. Esse Akihiro, com humor afiado e gentileza velada, era diferente do homem de presença dominante que ele conhecia até então.

Logo chegaram. O restaurante parecia discreto, quase escondido em uma ruela tranquila da cidade. A fachada era modesta, com uma placa simples, desgastada pelo tempo. Nada ali gritava “luxo”, mas havia uma autenticidade difícil de ignorar.

Akihiro estacionou com precisão, contornando o carro para abrir a porta de Jun antes mesmo que ele pensasse em fazê-lo.

— Depois de você. — Disse ele, com uma gentileza serena.

Jun hesitou brevemente, o coração acelerado por razões que ele mesmo não sabia explicar, antes de descer e seguir ao lado de Akihiro. Assim que entraram, o cheiro acolhedor da comida o envolveu, criando um contraste com o requinte calculado do clube.

O ambiente era caloroso. Mesas de madeira, iluminação suave, decoração simples mas aconchegante. Os funcionários reconheceram Akihiro de imediato, inclinando as cabeças com respeito contido. Nenhum exagero, apenas a reverência natural a alguém habitual e claramente influente.

Conduzidos a uma mesa em um canto tranquilo, eles se acomodaram. Akihiro recostou-se, os olhos fixos em Jun.

— E então? — perguntou, com um tom casual. — O que achou?

Jun olhou ao redor, ainda se sentindo levemente deslocado.

— É… acolhedor. Não é o que eu esperava.

— E o que você esperava? Um beco escuro, talvez?

Jun soltou uma risada nervosa.

— Talvez… ou uma cobertura. Algo mais… você.

Os lábios de Akihiro se curvaram em um sorriso contido.

— Isto sou eu. Ou, ao menos, uma parte. Não preciso estar cercado de luxo para aproveitar algo bom.

Jun assentiu, sem responder. Aquela faceta de Akihiro ainda era um enigma — não menos fascinante, apenas mais difícil de decifrar.

O garçom aproximou-se sem alarde, depositando sobre a mesa uma garrafa de saquê e dois copos. Silencioso, eficiente, quase invisível. Akihiro serviu a bebida com familiaridade e ofereceu um dos copos a Jun.

Beberam em silêncio. O saquê, morno e suave, ajudou a dissolver a tensão inicial. Ainda assim, havia perguntas não feitas, intenções veladas, e um jogo de aproximação que mal havia começado.

— Descobri mais sobre você no trabalho — disse ele, encarando o próprio copo. — Você é um assunto recorrente… espero que não se importe.

Akihiro deu de ombros, um sorriso de canto surgindo em seus lábios.

— Não ligo para fofocas. A não ser que digam que eu sou melhor ao vivo do que de longe — murmurou, com uma ponta de deboche nos olhos.

Jun conteve o riso, sacudindo a cabeça levemente.

— Eu não fazia ideia da verdade sobre os Hanamura, yakuza… eu pensei que vocês eram só uma família de empresários ricos.

Akihiro riu, inclinando-se um pouco sobre a mesa.

— A reação das pessoas varia, mas nunca são calmas como a sua agora.

— Não é a minha primeira vez… — Ele admitiu. — Também ouvi dizer que você tem uma irmã.

— Himeko. Sim.

Jun inclinou ligeiramente a cabeça, intrigado.

— Vocês são próximos?

— Somos — respondeu Akihiro, a voz descendo num tom mais brando. — Ela é minha irmã gêmea. Sempre cuidamos um do outro.

Houve uma pausa, sutil, quase imperceptível, antes que ele completasse, como se algo precisasse ser arrancado da garganta:

— Quer dizer… até ela me trair.

— O que ela fez?

Akihiro soltou um suspiro demorado e levou a mão aos cabelos, afagando-os com um gesto carregado de resignação.

— Ela se casou. E, desde então, minha vida se tornou um inferno.

Os olhos de Jun se arregalaram, dividido entre a surpresa e a dúvida.

— Isso é… um bom motivo pra ficar bravo, eu acho.

— Você acha mesmo?

— Não. Não acho.

Dessa vez, riu de verdade — um riso espontâneo, cristalino, provocado pela teatralidade exagerada de Akihiro. Era evidente que aquela “traição” não passava de uma encenação irônica, mas ainda assim havia algo na entrega cômica de Akihiro que tornava impossível resistir.

— Mas você se importa muito com ela.

Havia, na voz de Jun, um timbre indefinido — algo entre empatia e desconforto, uma ponta tênue de sentimento que ele não nomeava. Pensou em sua própria família, em dois rostos infantis que às vezes lhe vinham em sonhos, com mãos pequenas estendidas em sua direção.

— Eu também tenho irmãos. Dois. Um de oito anos, outro de quatro.

Os olhos de Akihiro perderam o brilho zombeteiro e se suavizaram, atentos.

— Você é próximo a eles?

Jun sorriu, e foi um sorriso diferente — pequeno, genuíno, talvez o primeiro que oferecia a Akihiro sem medo ou ironia.

— Sou. Sinto muita falta deles.

Akihiro o observou em silêncio, o olhar fixo em seu rosto como quem desvenda um segredo.

— Você devia visitá-los. Família é importante.

Jun apenas assentiu. Não disse nada. Não queria — ou talvez não pudesse — entrar nas razões que o haviam levado até ali, ao clube e àquela noite.

A chegada da comida suspendeu o momento. Os pratos vinham impecavelmente montados, com aromas quentes e tentadores que envolveram os dois numa bruma sensorial quase reconfortante. Akihiro comeu sem pressa, com a elegância casual de quem está sempre à vontade, enquanto Jun começou com hesitação, apenas para perceber, com surpresa, o quanto estava faminto.

A conversa retomou, mais fluida agora, como um rio que enfim encontrava seu curso. Akihiro fez perguntas — nada invasivo, apenas curiosidade genuína: sobre gostos, pequenas alegrias, ambições sonhadas. E Jun, aos poucos, respondeu.

A cada frase trocada, a cada silêncio compartilhado, sua guarda cedia mais um pouco.

Pela primeira vez, ele viu Akihiro sob uma luz distinta — não o alfa dominante forte e temido, mas um homem feito de muitas camadas, de afetos complexos e cicatrizes mal cicatrizadas. Aquilo o desarmou, de uma maneira silenciosa e funda, que fez seu peito apertar.

Quando terminaram a refeição, o ar entre eles estava diferente — aquecido, carregado de algo que ainda não tinha nome, mas que os dois sentiam.

Akihiro se recostou na cadeira, e seus olhos, intensos e escuros, se demoraram em Jun.

— Então — disse ele, num tom quase íntimo — foi tudo o que você esperava?

Jun hesitou. O coração batia forte, alto demais.

— Não. Foi… melhor.

Os lábios de Akihiro se curvaram num sorriso lento, quase felino — belo e perigoso.

— Ótimo. Porque a noite ainda não acabou.

A respiração de Jun vacilou. Um lampejo de possibilidades percorreu sua mente — imagens, sensações, desejos. Ele não sabia o que viria a seguir. Só sabia que não queria que aquilo — fosse o que fosse — terminasse tão cedo.

Como se captasse esse pensamento, Akihiro estendeu a mão, os dedos roçando os de Jun, num gesto de intimidade deliberada, mas gentil.

— Pronto para ir?

Jun assentiu, sem conseguir falar mais que um sussurro.

— Sim.

—–

O quarto de hotel estava mergulhado numa penumbra dourada, envolto pelo brilho filtrado das luzes da cidade que escapava por entre as cortinas pesadas. A mão de Akihiro repousava na base das costas de Jun enquanto atravessavam o umbral, os corpos ainda entrelaçados num beijo quente e prolongado, cheio de promessas não ditas.

A timidez que costumava envolver Jun como uma segunda pele parecia ter se dissolvido ali, substituída por uma audácia inesperada — algo que Akihiro jamais imaginara encontrar nele.

“Esse garoto… está cheio de surpresas” — pensou, enquanto sentia os lábios de Jun exigentes sobre os seus, e as mãos dele deslizarem por seu peito, roçando a pele onde a tatuagem surgia sob o tecido entreaberto da camisa.

O cheiro de Jun não era apenas o gosto de saquê ainda presente entre as respirações, mas algo mais íntimo: notas delicadas de flor de laranjeira misturadas ao doce do damasco, que se acentuavam a cada movimento. Havia também um corte cítrico, vivo, como a casca fresca de bergamota rompendo no ar — vibrante e inquieto, impregnando-se em sua pele, em seus sentidos.

Talvez fosse a bebida afrouxando os freios do ômega. Ou talvez não importasse. Não quando ele o beijava daquele jeito.

Akihiro se afastou ligeiramente, os olhos semicerrados, observando o rubor que tingia a face de Jun.

(Considere que o cheiro de Jun é: Flor de laranjeira e néctar de damasco, quase etéreo, mas com uma profundidade que persiste — como se sua presença deixasse no ar um rastro de saudade. Seu cheiro tende a acentuar-se em algo levemente cítrico, como a casca de bergamota sendo rompida entre os dedos — brilhante e inquieta. Sendo assim pode implementa-lo na narrativa)

— Você está cheio de surpresas esta noite. — Murmurou, a voz rouca como veludo rasgado.

Os olhos âmbar de Jun brilharam com uma malícia contida, algo novo e inquietante dançando por trás da timidez habitual.

— Talvez eu só quisesse mostrar que não sou tão frágil quanto você pensa. — Disse ele, em tom baixo, mas firme.

Akihiro riu, o som grave reverberando em seu peito, como um trovão controlado.

— É mesmo? — sussurrou, com as mãos descendo até os quadris do ômega. — Então me mostre.

Jun não hesitou. Guiou Akihiro com gentileza até o sofá, os movimentos mais suaves do que se esperaria de alguém que havia bebido. O alfa sentou-se, os olhos fixos em Jun enquanto ele se acomodava sobre seu colo com uma lentidão quase cerimonial. Quando seus lábios se encontraram outra vez, havia fome no gesto — e entrega.

As mãos de Jun alcançaram os botões da camisa de Akihiro, trêmulas no início, mas decididas, abrindo um a um com reverência. O alfa reclinou-se levemente, permitindo que o ômega tomasse as rédeas, observando-o com intensidade enquanto ele explorava seu torso nu, traçando com os dedos o desenho da tatuagem como quem decifra um mapa sagrado.

Os toques começaram inseguros, mas logo se tornaram mais ousados, mais íntimos. A respiração de Akihiro falhou quando sentiu os lábios de Jun em seu pescoço, os dentes provocando a pele sensível com precisão estudada.

— Você está me provocando. — Rosnou, os dedos cravando-se com mais firmeza na cintura de Jun.

Ele ergueu o olhar, um sorriso insinuante pendendo dos lábios.

— Talvez… — respondeu, a voz tingida de desafio e desejo.

Inclinando-se para a frente, Jun deslizou as mãos pelo abdômen de Akihiro até alcançar o cós da calça. Seus dedos hesitaram brevemente antes de desabotoá-la, baixando o zíper com a respiração suspensa. O volume sob a cueca já denunciava o quanto Akihiro o desejava.

Jun o encarou — olhos arregalados entre o fascínio e o desejo. Akihiro assentiu, quase imperceptivelmente, mantendo o olhar fixo no dele. Com cuidado, Jun puxou a roupa íntima para baixo, libertando-o. A pele pulsava no ar frio, rígida e pesada.

Por um instante, Jun hesitou — o rubor tingindo suas bochechas — antes de se inclinar e roçar os lábios contra a ponta. Seus lábios a envolveram com delicadeza, enquanto a língua girava em espirais tortuosas que arrepiavam a espinha. Um suspiro escapou dos lábios de Akihiro quando sentiu a língua quente percorrer toda a extensão em seguida, numa lambida lenta e provocadora.

— Porra… — murmurou Akihiro, os dedos cravando-se no estofado do sofá.

Jun se movia com lentidão deliberada, a boca quente e úmida o envolvendo num ritmo cuidadoso. Quando os quadris de Akihiro tentaram seguir o movimento, Jun firmou a mão sobre sua coxa, imobilizando-o com autoridade. Um gemido profundo escapou do alfa, a cabeça tombando para trás, entregue.

A língua de Jun explorava cada nervura, brincando com a sensibilidade, enquanto os lábios pressionavam com intensidade contida. A forma como esvaziava as bochechas, mantendo o controle, fez o alfa perder o fôlego. Seus punhos se cerraram, os nós dos dedos pálidos.

Ele voltou a se inclinar, engolindo-o com mais profundidade, a garganta se abrindo num gesto treinado. A respiração de Akihiro vacilou, os quadris se movendo por impulso.

A boca de Jun era exigente, dedicada. Os lábios sugavam com força ritmada, enquanto as mãos firmes apertavam suas coxas. Akihiro arqueava-se sob ele, tomado por um desejo avassalador.

— Jun… — gemeu, a voz rouca, tensa. — Estou quase…

Mas Jun não recuou. Levou-o ainda mais fundo, a garganta estreitando-se ao redor de seu membro. Akihiro estremeceu, e o orgasmo veio como uma maré alta, violenta, invadindo cada célula. Gozou fundo, os olhos semicerrados, sentindo Jun engolir tudo com um silêncio reverente.

Quando finalmente se afastou, o membro amolecendo, Jun lambeu os lábios com naturalidade, ainda úmidos de saliva e sêmen. Seus olhos estavam arregalados, com aquela mesma inocência disfarçada de sempre — mas havia algo ali, no fundo, uma sombra que Akihiro ainda não sabia nomear.

Jun se inclinou devagar, repousando a cabeça no colo do alfa. Sua respiração tornou-se lenta, os olhos se fecharam por um breve instante — mas o bastante para que Akihiro percebesse o cansaço ali, embutido entre o desejo e a vertigem.

Ele passou os dedos pelos cabelos de Jun, num gesto instintivo. O toque o fez despertar com um leve sobressalto.

— Me desculpe — murmurou, sem abrir os olhos.

— Você está bem? — perguntou Akihiro, com uma gentileza atípica, mas genuína.

— Estou — respondeu Jun, erguendo-se para sentar-se melhor em seu colo. Ainda parecia zonzo, não a ponto de preocupar, mas o suficiente para que sua cabeça voltasse a tombar sobre o ombro do alfa. Os olhos se fecharam novamente, mais longamente desta vez.

Akihiro riu, um som leve, como se algo o aquecesse por dentro. Passou os braços ao redor do corpo de Jun e o puxou para mais perto. Sabia que era efeito da bebida — e ainda assim havia algo de irresistivelmente adorável em vê-lo assim, entregue, desarmado.

Ajeitou-o melhor no colo, o que fez Jun abrir os olhos outra vez. E então, sem dizer nada, Akihiro o beijou.

— Jun… — rosnou depois, a tensão voltando à voz. — Onde você aprendeu a fazer um boquete tão gostoso? — Seus dedos deslizaram até o lábio inferior de Jun, puxando-o com delicadeza, mas firmeza. — Da primeira vez, você nem sabia beijar direito. Mas sabia usar a boca no meu pau tão bem…

Jun afastou-se um pouco, os olhos baixos. Quando falou, sua voz saiu abafada:

— O homem que está me perseguindo… ele me ensinou.

O olhar de Akihiro se obscureceu num instante, como se uma lâmina cortasse o ar entre os dois. Ele não esperava aquela resposta de um provocação. Demorou um segundo para responder.

— O que quer dizer com “ele ensinou você”?

Jun hesitou. Seus lábios se soltaram num estalo seco antes que ele se reclinasse novamente, voltando a deitar-se no ombro do alfa.

— Ele… estava chantageando minha família — disse, a voz tremendo. — Disse que, se eu não obedecesse, ele os machucaria.

A mandíbula de Akihiro se contraiu, e suas mãos apertaram a cintura de Jun com uma força contida, quase dolorosa.

— Me conte sobre isso — exigiu, a voz grave, cortante.

Mas Jun balançou a cabeça, os olhos suplicantes, a mão repousando sobre sua coxa.

— Estou cansado — sussurrou. — Me desculpa por isso…

Antes que Akihiro pudesse insistir, ele adormeceu de verdade, o corpo amolecendo em seus braços.

E, curiosamente, Akihiro não sentiu raiva nem frustração. O que Jun revelara o incomodara profundamente — como uma farpa cravada sob a pele. Ficou ali, em silêncio, segurando-o, tentando não pensar no nome que ainda não sabia, mas já odiava.

Capítulo 3
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Laços em Carmesim

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Akihiro Hanamura sempre acreditou que laços afetivos não passavam de ilusões passageiras – convenções sociais frágeis que encobriam a inevitável falência das relações humanas. Como...

Chapters

  • Capítulo 16 FINAL O eterno no cotidiano
  • Capítulo 15 A Vulnerabilidade de um Alfa
  • Capítulo 14 Segredos de Sangue
  • Capítulo 13 Fim das Correntes
  • Capítulo 12 Um lar e o cheiro de comida
  • Capítulo 11 Rastros de Medo
  • Capítulo 10 Mesa para Dois na Sala Reservada
  • Capítulo 9 Rachaduras na muralha
  • Capítulo 8 A Voz de Jun
  • Capítulo 7 O coração exausto de Jun
  • Capítulo 6 O Gosto da Ternura
  • Capítulo 5 Junhos Possíveis
  • Capítulo 4 Proposta Intrigante e Tentadora
  • Capítulo 3 Sedução no Palco, Verdades no Encontro
  • Capítulo 2 - A primeira intersecção
  • Capítulo 1 - Uma Noite ao Acaso

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