Capítulo 1
Primeiro Arco – Em busca de tratamento, ele parte da montanha.
Capítulo 1: A seita dos loucos
O Imperador Zhou era um cachorro bastardo.
Seu pai era um bastardo.
Sua mãe era uma bastarda.
Seu pai era o grandíssimo Imperador Tang do império de Chang’an. Um homem nojento e sem escrúpulos que dormia com centenas de empregadas do seu palácio Brovatura.
Um dia, ele encontrou uma lindíssima mulher que se recusava até a morte dormir com ele. Essa mulher era apenas uma simples servente, como essa bastarda se negava a se entregar de corpo e alma para o imperador? Não aceitando, ele induziu a lindíssima mulher chamada Lun Pi, até ela consentir as mãos do Imperador Tang para agarrá-la.
Lun Pi, uma simples servente engravidou de um imperador que tinha mais de duzentas mulheres em seu harém. Sua gestação foi de pura humilhação, e o Imperador Tang nunca assumiu a criança. Assim, um garoto de cabelos de cor de pétalas de girassol brilhoso nasceu, ele era tão pequeno e magro, seu corpo macio e seu rostinho com grandes bochechas rosadas.
Esse era o Imperador Zhou, o cachorro bastardo.
Uma criança que fora concebida através de dois bastardo não seria muito diferente de seus pais.
Aos sete anos de idade, ele roubava comida do palácio de seu pai para sua mãe, que acabou ficando doente e acamada. Ele apanhava constantemente dos soldados e dos serventes do palácio Brovatura; todos sabiam de quem ele era filho e, mesmo assim, o maltratavam.
O garoto de cabelos de cor de pétalas de girassol brilhoso adentrou em um cômodo escuro e fedido. Era uma cela na masmorra do palácio Brovatura, onde ele e sua mãe moravam. Ele roubou comida suficiente apenas para Lun Pi. Seu estômago doía intensamente de fome, e com a falta de água, ele tinha perdido um de seus rins. Mas ele sempre daria seus alimentos roubados e água para a sua mãe, e apenas observaria ela comer.
Ela era a única pessoa que ele tinha.
Lun Pi nem ao menos conseguiu engolir a sopa de carne fria sem sentir dor intensa, e vomitou. Era como se o intestino dela estivesse passando por sua garganta. A dor persistente, o choro dela, os gritos, era intenso demais!
O garoto começou a chorar chacoalhando o corpo de sua mãe. Seus gritos infantis ecoaram pela masmorra e os presos que estavam ali gritaram para ele fazer silêncio.
Era muito tarde, os olhos da mulher olhavam seu filho sem foco, ela morreu, mas antes jogou dezenas de pragas no Imperador Tang! Aquele bastardo a usou e depois abandonou ela com um filho extremamente feio e grudento! Esse garoto era tão irritante quanto o pai nojento dele, toda a linhagem desse homem merecia morrer.
O garoto de cabelos volumosos chorou baixinho para não incomodar os presos da masmorra. Ele desejou morrer com a sua mãe e abraçou o corpo dela, que estava ficando frio. Não interessa o quanto essa mulher tenha espancado ele, ela era a única pessoa que ele tinha para conversar. Foi ela quem deu à luz a ele, ela era a sua mãe.
De repente, um intenso brilho apareceu nos olhos negros dele. Ele enterrou sua mãe em uma vala qualquer e se infiltrou como um soldado no palácio Brovatura.
Isso era tudo culpa daquele homem, se ao menos ele nunca tivesse cogitado dar em cima de Lun Pi, então a mulher poderia ter vivido uma vida normal e sem um filho. Ele deixou a mulher de lado assim que descobriu a gravidez, permitiu que seus serventes tirassem sarro dela e a humilhassem. Seu psicológico ficou horrível e ela não conseguia mais trabalhar no palácio Brovatura. Não tinha onde ficar e não tinha o que comer. Restou apenas o seu filho para roubar comida para ela, e agora ela estava morta.
Se ao menos o Imperador Tang não existisse neste mundo…
Então o garoto ficaria grato.
Com dez anos, ele se tornou um soldado do ministro de guerra do palácio Brovatura. O ministro se chamava Yin Yan. Ele trabalhava como estrategista de guerra para o Imperador Tang, e liderava várias guerras em nome de seu imperador bastardo.
Obviamente, Yin Yan sabia a identidade do garoto de cabelos loiros e não perdia a chance de brincar com ele. Na verdade, o garoto era a diversão central de vários soldados no deserto do Sul.
No acampamento do exército, os soldados mandavam ele buscar água no rio várias vezes e jogava ele na água logo em seguida. Ele cozinhava para todos do exército e nunca comia. Não tomava banho, pois não era permitido. Ele dormia fora das barracas do acampamento, e ficava com medo de ser atacado por algum animal selvagem.
Seu ódio pelo Imperador Tang e pelo ministro Yin Yan ficou desenfreado e ele matou esses dois homens milhares de vezes em sua mente.
Aos dezessete anos, esse garoto participou de uma guerra. Com o seu ódio, ele acabou entregando o ministro Yin Yan para o lado inimigo e, com isso, o exército com mais de cem mil soldados foi destruído. O garoto, com sua aliança com o inimigo, conseguiu destruir e matar todos aqueles que o maltrataram. Apenas faltava seu pai bastardo, o Imperador Tang.
Ele voltou para Chang’an desesperadamente, com o seu corpo coberto de sangue. Seu belo rosto era realmente idêntico ao do Imperador Tang, que estava tranquilamente sentado em um trono de jade esverdeado.
O Imperador Tang tinha conhecimento de que aquele bastardo ensanguentado e ajoelhado em sua frente era seu filho. Ele contorceu a boca em desgosto e perguntou o que tinha acontecido.
O garoto fingiu lágrimas de dor enquanto anunciava que o exército do ministro Yin Yan fora completamente destruído pelo inimigo!
O Imperador Tang arregalou os olhos e ficou pálido. Ele chutou o garoto no abdômen e gritou para ele parar de brincar com coisa séria. O homem bastardo estava entrando em desespero quando viu o garoto soltar uma gargalhada, enquanto do lado de fora, vários gritos horripilantes foram acionados.
O garoto fez uma aliança com o inimigo, passou todas as passagens secretas desse palácio. Logo, Chang’an seria uma cidade de caos e destruição, mas sua vingança não seria saciada apenas com isso.
Ele tirou uma adaga prateada de suas mangas ensanguentadas e gargalhou. Sob o olhar aterrorizado do Imperador Tang, o garoto alvejou a lâmina em um de seus olhos.
Os servos que estavam presentes ficaram assustados e saíram correndo por todos os lados. O Imperador Tang cambaleou para trás, gritando de dor. Era um caos! E iria piorar. O garoto não esperou mais nenhum segundo e perfurou o abdômen de seu pai. Com a voz trêmula, ele disse:
“Eu senti tanta dor aqui.”
A lâmina alvejou o rim do Imperador Tang.
Nem ao menos água o pai dele ofereceu a ele. Seus rins colapsaram quando ele era apenas uma criança de cinco anos! O que uma criança tinha feito para nem ao menos ter água para beber?
Ele era tão pequeno e aquela dor o fazia perder o fôlego, enquanto ele tentava dormir na masmorra fria. Sua mãe se incomodava com os gemidos dele, e sempre chutava o estômago dele para intensificar a sua dor como punição.
O Imperador Tang estava agonizando de dor como uma minhoca sob o sol, e não conseguiu desviar das sete punhaladas do garoto. A lâmina entrava e saia com tudo, no final, seus olhos tremeram e ele perdeu o ar.
Não era suficiente! Por que diabos ele está morrendo? Não é suficiente! Ele deve sofrer mais, como sete punhaladas compensam o meu sofrimento?!
O garoto correu pelo palácio em busca dos outros filhos de seu pai, e os assassinaram sem hesitar. No final, a adaga foi trocada por uma espada e ele matou as concubinas e a imperatriz do imperador.
Essa linhagem teria um fim.
Chang’an foi invadida por inimigos.
O imperador foi morto junto com a imperatriz e seus filhos.
O garoto loiro banhado de sangue sentou-se calmamente no trono que antes pertencia ao seu pai bastardo. Sua mãe deve estar sorrindo de orgulho no inferno! O filho dela matou o próprio pai, matou a madrasta e seus meios irmãos! Os olhos negros do garoto brilharam.
Ele se tornou o Imperador Zhou.
Um cachorro bastardo.
Ninguém ousava ir contra ele.
Chang’an foi reconstruída sob as novas ordens do Imperador Zhou.
Os inimigos viraram aliados.
O Imperador Zhou sorriu com seu novo império. Aliados fortes, súditos obedientes, e várias mulheres em seu harém. Ele finalmente tinha tudo! Beleza, riqueza, poder! Sua vida finalmente era próspera.
Seus cabelos loiros batiam em sua cintura, seu olhar negro era perspicaz como o de uma fênix. Ele era tão belo que os céus, se pudessem, relatariam aos deuses. Sua inteligência era admirável, seu poder de dedução surpreendente.
Ele conspirou com inimigos.
Entregou seu ministro de guerra.
Exterminou o exército de soldados.
Matou o seu pai e os seus irmãos.
Usurpou o trono.
O Imperador Zhou conseguiu tudo o que queria.
Mas ele queria mais.
Muito mais.
O Imperador Zhou nasceu em um mundo com cinco continentes: Norte Alquimista, Sul Élfico, Oeste Demoníaco, Centro Humanoide, e Leste Celeste.
E o Imperador Zhou governava a capital chamada Chang’an, que ficava no Centro Humanoide.
Havia cinco raças: Alquimistas com inteligência anormal, Elfos que eram belos e bons de luta, Demônios que moravam no submundo; conhecido como inferno também, Humanos que eram governados pelo Imperador Zhou e Deuses que representavam diversos fenômenos.
O Imperador Zhou era astuto e inteligente. Ele era como o rei do xadrez, ou o próprio jogador racional que manipula as peças. Seu exército de cem mil Chang’anos sujavam as mãos pelos objetivos do imperador: unificar os quatro continentes em Chang’an. Anos após anos, o Imperador Zhou se envolveu em lutas e guerras para ter territórios cada vez mais perto do Norte, Sul, Leste e Oeste.
Esse era seu maior objetivo: ser o imperador das cinco raças.
Após um tempo, o Imperador Zhou, com suas estratégias inteligentes, conseguiu o Sul Élfico e o Leste Celeste. Dizimou milhões de Elfos e Deuses, enquanto escravizou outros milhões no Oeste Demoníaco. Com isso, apenas o Norte Alquimista era de seu interesse agora.
Mas o Norte Alquimista absolutamente não seria fácil de conquistar.
Então, foi onde começou o declínio do império.
Ele estava atrás do Norte Alquimista há mais de vinte anos! Minerbei era a alquimista mais forte e a líder desse continente. Uma mulher extremamente sábia e forte, capaz de ir contra o Imperador Zhou.
O Centro Humanoide e o Norte Alquimista travaram uma guerra por sete anos, mas nenhum continente cedeu ao inimigo.
Minerbai enviou uma mulher conhecida como Raposa Rubra para o exército do Imperador Zhou. Em uma única noite, aquela raposa conseguiu destruir metade do exército, mas acabou sendo capturada por um ministro de guerra chamado Yin Lu, que era filho bastardo do ex-ministro de guerra, Yin Yan.
A Raposa Rubra era uma mulher ruiva, chamada Mei Zi. O Imperador Zhou se apaixonou perdidamente por ela e a pediu em casamento, e prometeu deixar o Norte Alquimista em paz se Mei Zi ficasse com ele.
Assim como Lun Pi, aquela mulher ruiva se negou a entregar-se para o imperador.
Então, o Imperador Zhou se sentiu um pouco como o seu pai bastardo.
Mei Zi ficou presa dentro do Palácio Brovatura, e não demorou muito para que ela se apaixonasse por um homem, mas esse homem não era o Imperador Zhou. Ela se apaixonou pelo ministro de guerra Yin Lu, e ele correspondia ao sentimento, os dois então fugiram juntos.
O Imperador Zhou sorriu. Yin Yan era um vadio e seu filho não era muito diferente! O imperador se apaixonou por Mei Zi e até cogitou a ideia de desistir do continente dela, apenas para alegrar a sua mulher amada.
O casal sempre conseguia fugir do imperador, ele ficou fodidamente puto com isso! A mulher acabou engravidando de gêmeos e logo depois deu à luz a uma garota. Era verdadeiramente uma família feliz e linda. Eles moravam em uma vila chamada Qin, que tinha mais de dois mil residentes. O Imperador Zhou mandou um pequeno exército para a região após receber essas informações valiosas.
Duas mil pessoas foram mortas naquela noite.
Yin Lu foi pisoteado por cavalos, enquanto tentava proteger sua filha caçula, Yin Zi. Mei Zi teve um lança alvejada em seu peito na frente de seus filhos gêmeos. Os garotos ficaram em choque e esperaram por suas mortes também, quando um cara pulou entre os telhados das casas em chamas e agarrou os dois garotos, fugindo para longe.
Um soldado agarrou o corpo da filha caçula de Yin Lu e a levou.
No final, o Imperador Zhou ficou extremamente enfurecido, as ordens nunca foram para matar a família do ex-ministro de guerra, Yin Lu. Ele ficou extremamente raivoso olhando para o cadáver de Mei Zi. Ele colocou o corpo dela em um cilindro e a protegeu por um tempo. Quanto à filha, a pequena Yin Zi, era idêntica à mãe. Então o imperador deu o título de Imperatriz MiliYin para ela.
Quanto aos outros dois filhos de Yin Lu e Mei Zi, o Imperador Zhou os encontrou mais tarde.
Um deles morreu em uma guerra e o outro foi levado para a clínica de teste do Imperador Zhou. Esse garoto era magro e deplorável, era muito parecido com Yin Yan, e isso despertava memórias difíceis para o imperador.
Ele nunca se esqueceria da humilhação que o avô daquele menino fez ele passar. O garoto ficou na clínica, onde era o mesmo lugar que o corpo de Mei Zi estava descansando. O imperador, então, removeu sangue e alguns órgãos desse garoto e colocou no cadáver de sua amada e, mesmo assim, os olhos de Mei Zi nunca se abriram novamente.
Tinha uma mulher no continente do Norte Alquimista, ela sabia manipular almas e foi invocada pelo Imperador Zhou para ajudá-lo a ressuscitar Mei Zi. Essa mulher chamada Kelan acabou se tornando concubina do imperador, porém depois de três dias, ela fugiu com o filho de Yin Lu. E nunca ajudou o Imperador Zhou a ressuscitar Mei Zi. O Imperador Zhou ficou extremamente enfurecido e enviou um exército para recuperar o garoto, mas ninguém nunca o achou.
Foi onde o império de Zhou começou a cair velozmente!
Esse garoto se chamava Yin Chang. Ele que perdeu tudo, retornou anos depois. Ele não era mais um garoto frágil e apenas o olhar dele fazia o Imperador Zhou tremer. Já um homem, com uma cimitarra em mãos e um grupo de rebeldes, Yin Chang conseguiu aniquilar completamente a vida do Imperador Zhou.
O Imperador Zhou foi devorado pela lava de um vulcão em erupção!
Yin Chang realmente conseguiu matar o Imperador Zhou.
O império de Zhou finalmente caiu.
Seus anos de tirania chegaram ao fim.
Errado.
Esse era um universo harmonioso e composto por várias dimensões e deuses. A alma do Imperador Zhou era carregada de pecados e ele não poderia ter paz com a morte, nunca, jamais. Ele renasceu em um mundo fodidamente grande, onde seitas poderosas governavam e brigavam entre si.
Dessa vez, ele não era nenhum imperador.
Ele nasceu em uma família pequena, na província de Lanzhou. Sua mãe era um amor de pessoa, e era uma artista que fazia esculturas de gessos. Seu pai era barrigudo e era carpinteiro na pequena cidade que vivia em abundância de neve. Ele também tinha uma irmã mais velha, que era uma artista marcial e líder de uma renomada seita cheia de mulheres.
O Imperador Zhou nasceu novamente, como o filho caçula.
Mas tinha um problema.
O Imperador Zhou, agora renascido em outro mundo e em outra família, quando criança chorava muito por ter pesadelos. Sua mãe ficou até mesmo doente ao ver o sofrimento do seu filho e pediu para o seu mestre, Yue GuenYao, ajudar o seu filho.
Yue GuenYao era líder da seita Leng Zhan, essa seita era a número um do Mundo Marcial e o acolheu. O renascido Imperador Zhou praticou artes marciais e meditação, mas seus pesadelos nunca pararam e ele fugiu desta seita depois de dois anos.
Adulto, ele se mudou para um chalé nas montanhas solitárias. Ele pintava em telas enquanto olhava a paisagem; a brisa fresca e o céu perfeitamente azul, com nuvens fofas como wontons.
Nessa nova vida, seu nome era Shei Zhou.
Sua família era amorosa, e ele até mesmo tinha uma sobrinha gordinha de cinco anos. Ele não era mais o Imperador Zhou.
Mas nunca os seus pecados poderiam ser esquecidos.
Nunca.
Shei Zhou chegou a tentar tirar sua própria vida por conta dos pesadelos. Ao descobrir que eram memórias de sua vida passada, ele ficou em silêncio, claramente abalado com a notícia.
Em seu pescoço macio e branco como jade, havia uma pequena linha fina, uma cicatriz do corte. A lâmina era fina e afiada, porém tremeu em sua mão e ele cravou a lâmina em sua pele na hora do desespero. No mesmo instante que o sangue escorreu, ele se arrependeu amargamente de sua decisão.
O Imperador Zhou não era Shei Zhou.
Ele fora gerado por outro útero, ele nasceu em outro mundo, ganhou um nome diferente e uma família diferente. Por que ele tinha que ter as memórias de sua vida passada?
Mesmo assim, ele se nega a perdoar-se.
Nunca!
Shei Zhou não conseguia esquecer a sensação de quando o corpo dele fora mergulhado pela lava do vulcão em erupção.
As pessoas que ele matou.
Em sua adolescência, ele teve tantas crises que não sabia se era o Imperador Zhou ou Shei Zhou. No final, ele se mudou para um chalé tranquilo, que tinha o cheiro da natureza, harmonia e os cantos dos pássaros. E sua sobrinha sempre o visitava, inclusive hoje.
Shei Zhou realmente era diferente do Imperador Zhou.
O clima harmonioso e tranquilo fora quebrado quando a sua sobrinha gritou e correu pelo pequeno chalé de Shei Zhou, dizendo:
“Tio, eu peguei tinta para você!” Ela sorriu, “Tinta marrom.”
Shei Zhou sorriu e encarou a vasilha nas mãos da garota; não era tinta e sim barro misturado com água.
“Obrigada Shei Jin, irei usá-la quando fizer uma pintura.” Shei Zhou disse em um tom calmo.
Ele se levantou e pegou a “tinta”. Quando a garota se distraiu, ele jogou a água barrenta pela janela e sorriu como se nada tivesse acontecido. No mesmo instante, ele acabou batendo a cabeça em uma prateleira suspensa, onde estavam as suas tintas organizadas dentro de vidros. Shei Zhou xingou e fechou os olhos automaticamente, sentindo algo gelado cair em sua cabeça.
Isso era carma.
Shei Jin que estava distraída, escutou um barulho e olhou na direção de Shei Zhou; o tio dela estava cheio de tinta vermelha.
Ela começou a rir até ficar sem fôlego, segurando sua barriga, ela tentou falar, mas nada saiu. Shei Zhou se sentiu muito humilhado e suspirou tentando tirar a tinta vermelha do seu cabelo. A sobrinha dele era uma pirralha e apenas ficou gargalhando. A tinta era muito grudenta e causou muito desconforto nele, não era a primeira vez que isso acontecia, sempre tinha alguma coisa caindo nele ou ele tropeçando em algo.
Uma vez, ele caiu de uma carruagem e foi esmagado e pisado pelos cavalos. Não era irônico? Um tal de Yin Lu também foi pisoteado por cavalos.
Como Shei Zhou, ele iria pagar todos os seus pecados.
Olhando para Shei Jin, ele ficou desesperado.
Sua família não tinha nada haver com isso, ele preza para que os deuses tenham consciência disso.
“Já estou acostumado com tintas caindo em mim.” Shei Zhou disse cabisbaixo, no mesmo momento, ele sorriu olhando para Shei Jin. “Você poderia me ajudar?”
Shei Jin confirmou com a cabeça, parando de rir. Esse tio dela era realmente muito azarado, se ele quisesse, ele poderia ser um bobo da corte ou algo do tipo.
Ela era realmente muito jovem e não percebeu como o homem em sua frente era pequeno e magro, com os olhos fundos e cansados. Mas o sorriso dele deixava ela tranquila e feliz. Shei Jin saiu do pequeno chalé descalça e buscou água em um pequeno rio próximo. Ao voltar, entregou um balde cheio de água para Shei Zhou limpar-se. Ele agradeceu e, ao invés de limpar o cabelo cheio de tinta, ele jogou a água no chão do pequeno chalé.
“Tio, o que você está fazendo?” Ela perguntou confusa. Os olhos claros dela estavam observando o tio dela limpar todo o chalé, não deixando nenhum rastro da tinta vermelha.
Parecia que ele não tinha escutado a pergunta dela, e continuou limpando o chão.
Isso parecia sangue.
Parecia lava.
Vermelho.
A mão dele tremia junto com seus lábios finos e pálidos, seu olhar vago. De repente, algo fofo rodeou ele por trás, o cheirinho suave e floral.
Shei Jin riu, “Tio! você está fazendo aquilo de novo! Você sempre fica com esse olhar de cachorro abandonado que se perdeu de seu dono e nunca escuta o que eu estou dizendo. Vovó e vovô estão cada dia mais preocupados com você e mamãe disse que irá te levar para a seita dos loucos.”
Shei Zhou riu também, “Seita dos loucos?”
No mundo do Imperador Zhou, era comandado por imperadores. Havia cinco continentes; Norte Alquimista, Sul Élficos, Leste Celeste, Centro Humanoide, e Oeste Demoníaco. Onde raças e líderes sempre estavam em guerras. Shei Zhou pôde descobrir isso através de seus sonhos e pesadelos.
Nesse novo mundo onde ele nasceu era diferente: as seitas governavam cada território.
A montanha que Shei Zhou morava era da região de Gu. A seita que comandava essa área, era a mais importante do mundo todo, ela era liderada por um artista marcial demoníaco que levava o título de Yue. Shei Zhou não tinha muito interesse nesse tipo de coisa, mas essa seita liderava todas as outras e realmente tinha uma seita de loucos.
Shei Zhou riu amargamente, enquanto Shei Jin se distraía.
Antes, Shei Zhou estava pintando um retrato com traços suaves e elegantes de um garoto. A tinta ainda estava fresca e em cores vivas. As pinceladas eram suaves, principalmente representando os olhos penetrantes e intensos de cor escura.
Os olhos curiosos de Shei Jin olharam profundamente a pintura, dizendo: “Tio, quem é? Ele é pequeno igual eu.”
Shei Zhou parou de tentar limpar o chão e olhou para Shei Jin apontando para a pintura inacabada, “Oh, ele. Ninguém muito importante.”
Ela queria perguntar mais sobre quando escutou passos. Shei Jin de repente saltou feliz, “Mamãe chegou!” Ela correu para fora do chalé.
Shei Zhou se levantou lentamente, limpando as mãos. De longe, ele viu sua irmã mais velha, Shei Huan, abraçando Shei Jin.
Sua irmã mais velha era alguém muito ocupada, ela era líder de uma seita cheia de mulheres guerreiras que mostravam repulsas a assuntos mundanos; e esta seita era bastante isolada do Mundo Marcial. A seita Jade Branco era incrivelmente admirada e Shei Jin seria a próxima líder. Mesmo tendo apenas cinco anos, ela poderia dar uma chave de braço em Shei Zhou; ele chora amargamente, lembrando-se que tal ocorrido já acontecera.
“Você está péssimo, Zhou-Er.” Shei Huan olhou preocupada para ele quando se aproximou.
A mulher era incrivelmente linda, sua seriedade era admirada por todos enquanto Shei Zhou tinha cara de bobo alegre, realmente nada iguais esses dois irmãos.
“Obrigada por notar, jiejie.” Shei Zhou sorriu colocando as mãos em conchas e se curvando educadamente.
Jiejie: irmã mais velha
Neste mundo do qual ele nascera, as pessoas comuns deveriam ser respeitosas com líderes de uma seita, mesmo que eles fossem um parente.
Shei Huan analisou atentamente o seu irmão, não poupando um único desvio de olhar. Seus olhos claros focaram na fita de seda branca como a neve amarrada no pescoço de Shei Zhou — escondendo a cicatriz que causava tanta vergonha nele.
Shei Jin de repente se lembrou de algo, e disse: “Mamãe, tinta caiu no tio, e ele fez aquilo de novo.”
Shei Zhou quase chutou a garota carinhosamente para longe, mas se lembrou que isso era algo que apenas o Imperador Zhou faria. Ele se sentiu extremamente mal com esse pensamento.
Shei Huan viu o seu irmão crescer e sempre notou como ele era chorão e estranho. O garoto sempre gritava dizendo que estava com medo do “imperador”. Ela não necessariamente sabia que o seu irmão tinha conhecimento de sua vida passada, mas ela podia sentir que Shei Zhou realmente estava pagando por algum pecado. Shei Huan tirou algo de suas mangas e entregou para Shei Zhou; um convite vermelho.
“Novamente peço que vá para a seita FengKuang, eles poderão ajudá-lo.” Ela entregou um pequeno papel de seda para Shei Zhou.
“A seita dos loucos!” Shei Jin exclamou apontando o dedo indicador, “O meu pai foi enviado para lá e nunca mais voltou.”
“Jin-Er.” Shei Huan escondeu o rosto entre as mãos, rindo.
Shei Zhou riu também. O pai de Shei Jin, na verdade, era o líder da seita FengKuang, Pei Xin.
Ele guardou o ilustre convite na manga e disse: “Obrigado, irei aceitar ir para as planícies centrais.”
Bom, o que mais ele podia fazer? Bater sua cabeça na parede até esquecer as memórias era obviamente falho. Se matar, ele foi covarde. Ignorar suas memórias da vida passada era impossível e ele não conseguia viver normalmente. Talvez a seita de loucos realmente pudesse ajudá-lo.
Shei Huan ficou grata, “Fico feliz então, voltaremos para a seita agora.”
Irmã e sobrinha então se despediram dele sorrindo. Shei Jin abanou as mãos gordinhas e mandou dezenas de beijos no ar e Shei Zhou fez o mesmo vendo elas duas sumirem rapidamente. Ele entrou dentro do chalé e suspirou pesadamente.
Muito cansativo.
O Imperador Zhou era um bastardo e Shei Zhou era lamentável.
Ele preferia mil vezes ser apunhalado pelas pessoas que ele machucou, preferia que sua alma fosse triturada no inferno, que arrancassem seus órgãos, mas ele não queria as memórias de sua vida passada.
Ele não conseguia escutar sua mãe dizendo que ele era um bom filho. Imagina ela descobrir o que o seu filho fez? O seu pai teria um infarto e sua jiejie nunca mais deixaria ele ver Shei Jin novamente. Ele não entendia o porquê do Imperador Zhou ter feito tudo aquilo, era tão desumano, tão cruel e horrendo.
Como algum deus pôde permitir que ele nascesse novamente? Era algo tão ilógico que Shei Zhou tinha vontade de se jogar de um penhasco.
Ilógico!
Ilógico!!!
Ele não tinha parado de pensar quando uma batida soou na porta.
“Jiejie, Shei Jin esqueceu algo?” Ele largou a vassoura que tinha pegado para varrer o seu chalé, e caminhou até a porta.
Antes que ele pudesse abrir a mesma, algo se jogou pela janela, causando um baralho de fazer os tímpanos doerem.
Acontece que, o que se jogou pela janela, acabou caindo na área de pinturas de Shei Zhou e quebrou todas as telas e pincéis dele, levando as prateleiras de madeira caírem uma em cima da outra.
“Que.. que diabos?” Shei Zhou empalideceu.
“Que diabos pergunta sou eu! Por que demorar tanto para abrir uma porta?!” Uma voz raivosa saiu dos escombros.
Shei Zhou ficou confuso.
O chalé dele foi invadido, ele pegou a vassoura e foi para cima da pessoa que estava saindo debaixo das prateleiras!
Shei Zhou ficou assustado até a morte quando um homem apareceu, ele parecia muito bravo, com as sobrancelhas franzidas. Shei Zhou segurou o cabo da vassoura fortemente.
“Você vai se defender com isso?” O homem estranho perguntou, seu tom de voz era ameaçador!
Ele agarrou a vassoura e jogou-a longe, com uma força surpreendente e, Shei Zhou que estava agarrado ao objeto, voou longe; chocando-se fortemente contra a parede de madeira do chalé e atravessando para o lado de fora. Ele gemeu de dor e sentiu um gosto metálico invadir a sua boca — ele não iria reclamar, Shei Zhou merecia cada dor que sentia.
O homem caminhou lentamente na direção de Shei Zhou caído no chão. Seu olhar era afiado e púrpuro. As roupas dele se agitavam com o vento. Ele perguntou friamente: “Você ousa guerrear contra este líder?”
Guerrear o caralho! O Imperador Zhou que fazia isso! Shei Zhou era apenas um pintor vagabundo agora, ele não procura problemas contra um líder… um líder? Que diabos! Quem é esse homem fodidamente grande e doido?
Shei Zhou engoliu em seco e tentou se levantar, falhando nisso, disse com serenidade: “Eu não procuro briga, foi você que entrou em minha residência primeiramente. Eu apenas me defendi.”
O homem piscou confuso, “Esse é o caso?
Shei Zhou gritou loucamente em sua mente: seita FengKuang, vocês deixaram um paciente escapar!!!
“Se defender com uma vassoura?” O homem perguntou e, logo em seguida, entrou dentro do chalé, deixando Shei Zhou para fora.
Meu chalé foi tomado?
Isso era carma!
Shei Zhou bateu em sua própria porta, anunciando que iria entrar em sua própria residência. Ele entrou e desviou o olhar rapidamente, encontrando o homem retirando a parte de cima de sua túnica negra.
Que diabos?!
A pele cor de trigo daquele homem estava emaranhadas de desenhos pretos, em várias línguas e figuras negras. A árvore de haitang em seu bíceps foi o que mais chamou atenção, era muito realista! Frases em uma língua desconhecida por Shei Zhou no abdômen dele. Que coisa era aquela? Shei Zhou era um pintor, o corpo daquele homem era arte para ele apreciar e ele não conseguia desviar o olhar.
“Que merda você está olhando?” O cara gritou se escondendo em suas roupas, “Você é um corta-manga?!”
Shei Zhou: “….?”
Shei Zhou era um imperador em sua vida passada, como ele não conheceria o que significavam as palavras daquele homem?
Em uma década desconhecida, um imperador tinha um amante que dormia calmamente em cima da manga do seu robe. Para não acordar o seu amado, o imperador cortou a própria manga, assim fazendo os homossexuais serem chamados de cortas-mangas.
Que diabos! Não era mais fácil o imperador tirar o robe dele do que cortar a manga? Não, a pergunta não era essa, por que esse homem estava perguntando isso para ele?
Shei Zhou preferiu ignorar isso.
“O que é isso?” Shei Zhou perguntou apontando para os desenhos pretos na pele do homem.
“Não é óbvio? É uma maldição.” Ele respondeu se jogando na cama pequena de Shei Zhou. Seus olhos púrpuras encarando o teto. “Aliás, eu vim até essa área perseguindo a bastarda que jogou essa maldição em mim, você viu alguém fodidamente forte passar por aqui?”
Shei Zhou pensou por um tempo.
Ele ficou pintando uma paisagem e analisando ela o dia todo, enquanto Shei Jin ficou cantando até a garganta doer. Em nenhum momento os dois notaram alguém fodidamente forte passar perto do pequeno chalé.
Ele negou com a cabeça e começou a arrumar sua casa, enquanto o homem jogava algumas maldições. Ele parecia estar com muita raiva e talvez seu orgulho estivesse ferido. As roupas dele indicavam uma alta posição na sociedade e força. Os cabelos negros e longos amarrados em um rabo de cavalo alto, amarrados por uma coroa de prata pequena e um grampo de jade. Os olhos púrpuras e cerrados. Provavelmente, ele era um estudioso mimado ou algo do tipo.
Shei Zhou não aguentou a curiosidade e tentou manipular ele. O homem parecia ser alguém que contava todos os segredos quando estava com raiva. Shei Zhou disse com rusticidade: “Para cair em uma maldição dessas, então você deve ser fraco.”
Prevendo errado, o homem olhou atentamente para ele com os olhos frios.
Talvez ele não tenha caído em meu plano.
Mas o homem bravejou: “Fraco?”
Ele riu logo depois, “Talvez eu seja mesmo, como eu pude beber um vinho amaldiçoado?”
Shei Zhou sentiu que era inútil e seria mais fácil perguntar diretamente quem era ele: “Quem é você?”
O homem suspirou abanando a mão, “Ninguém muito importante.”
Se esse era o caso, então Shei Zhou iria abaixar a guarda. Esse mundo era assim, uma hora poderia aparecer qualquer pessoa em seu chalé. Ele só não imaginou que seria um homem doido que pulava janelas.
“Aliás, você pode consertar a minha parede?” Shei Zhou pediu educadamente, sorrindo falsamente ao pedir: “Por favor?”
Por favor, minha bunda! Esse idiota quebrou minha parede, eu não sou mais sustentado pelos meus pais e não tenho um real para reformar minha parede!
O homem olhou para a parede quebrada e coçou o próprio pescoço, ele quebrou? Ele se levantou da cama com preguiça e foi para fora do chalé. Shei Zhou observou de longe ele colocar a mão na frente do corpo e uma luz azul apareceu em sua palma da mão, lançado a luz contra uma árvor
e que caiu fazendo o chão tremer!
Que diabos!
Isso é desmatamento.
Chocado, Shei Zhou perguntou: “O que você está fazendo?!”
O homem de olhos púrpuras ficou confuso enquanto carregava o tronco gigante da árvore.
Como isso era possível?!
Ele então jogou a árvore no chão e tampou o buraco do chalé, dizendo: “Pronto.”
Shei Zhou abriu a boca várias vezes, mas nada saiu.
Em sua mente apenas brandia: que idiota!
Capítulo 1
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REDENÇÃO PARA UM TIRANO
- O que vem depois da morte?
Essa era a pergunta que martelou na cabeça do Imperador Zhou quando ele foi banhado por um mar de lava.
O...