Capítulo 50 - Oportunidade
Na manhã seguinte, Dai Lanshan suportou o sermão pseudocientífico do notório segundo filho da Família Lu, um louco.
“É assim mesmo. Então, gostaria de pedir a sua ajuda.” Disse Lu Kongyun após expor sua teoria.
Desde o distúrbio de feromônios que sofreu há dois anos, o cérebro deste Segundo Jovem Mestre nunca se recuperou totalmente. Veja esta viagem, por exemplo: ele era um cientista biomédico, mas tinha vindo até a Universidade da Ilha de Hong Kong para pesquisar correntes oceânicas tropicais e, além disso, havia roubado a conta de jade que Lanshan havia dito claramente que queria comprar. Só de pensar nisso Lanshan ficou irritado novamente.
“O que se passa nessa sua cabeça?” Perguntou Dai Lanshan. “Você desistiu da ciência e agora está na superstição?”
Lu Kongyun balançou a cabeça. “Se você se concentrar em algo por tempo suficiente, seus detalhes informativos se acumularão subconscientemente em sua mente e, um dia, guiarão seu comportamento pela intuição, aumentando a probabilidade de atingir seu objetivo. Chamar isso de fé cega seria anticientífico.”
“Aham. Então agora você está dizendo que algum taoísta e sua ‘intuição científica’ o guiaram até Hao Dali?” Dai Lanshan tentou soar sério, mas suas narinas se dilataram enquanto ele segurava o riso.
Lu Kongyun olhou para ele uma vez e ignorou a zombaria.
A maior parte do material que ele estudou ao longo dos anos tinha a ver com o País M e o oceano. Quando ele estava procurando pistas em Jiangcheng, um taoísta que passava lhe disse: “Procure no Sul.” Ao ouvir isso, pensou na pessoa que procurava. Então, quando Dai Lanshan mencionou um leilão de contas de jade, pensou em como era ao sul da Jiangcheng e decidiu ir.
A conta de oração o lembrou das palavras daquele taoísta e da fé. Participar do leilão também o levou a embarcar em um cruzeiro pelo País M. Então, sem pensar duas vezes, ele comprou a conta e acabou reencontrando Yu Xiaowen.
Ou melhor, alguém que se parecesse noventa por cento com Yu Xiaowen.
Será que as coisas conectadas por meio do foco e do instinto de longo prazo ainda poderiam ser descartadas como coincidência? Ele havia perdido inúmeras chances, perseguido inúmeras pistas falsas, mas finalmente encontrara uma resposta. Isso era realmente anticientífico?
Se fosse assim, ele não poderia deixar nenhuma possibilidade escapar.
Lu Kongyun olhou para os dados das correntes oceânicas na mesa, decidiu que não eram necessários naquele momento e os colocou no compartimento lateral de sua mala.
“Deixe-me dizer uma coisa: o passado desse Ye Yisan que eu venho monitorando está longe de ser simples; ele definitivamente não é uma boa pessoa.” Dai Lanshan o lembrou novamente: “O mesmo vale para Hao Dali. Não caia na armadilha dele. Eu estava me perguntando por que aquele Ômega estava no seu quarto; talvez tenha sido aquele Sr. Ye do País M que armou para você. Pense na sua própria identidade.”
Os papéis farfalharam nas mãos de Lu Kongyun.
Ele se virou para o encarar. “Alfas são como cães. E eu sou o mais inferior deles. Até eu posso confundir alguém, mas isso só prova que há uma forte conexão entre eles. Ainda não sei como, mas preciso confirmar.”
“Confirmar o quê?” Dai Lanshan deu um tapa na nuca.
Lu Kongyun: “Preciso determinar se Hao Dali pode ser um gêmeo geograficamente separado, entrelaçado com meu falecido amigo em nível quântico, ou pelo menos compartilha algum elo genético. Se for esse o caso, posso o usar para encontrar meu amigo.”
Dai Lanshan olhou para ele, seu rosto parecia muito sério, como se estivesse dando uma palestra. “…Você não me menospreza só porque eu não entendo seu jargão, certo?”
Lu Kongyun fez uma pausa. “Não. Não é a sua área. Mas se tiver curiosidade, pode pesquisar. Existem artigos relevantes.”
“Não estou curioso.” Riu Dai Lanshan. “Só não diga que não avisei. Depois de completar uma missão, desaparecer ou fingir estar morto é trabalho de espionagem padrão para agentes do País M. Aquele tal de Hao Dali é suspeito pra caramba. Talvez ele se pareça com seu ‘falecido amigo’ porque ele é esse homem, só que não como um amor perdido há muito tempo, mas como um vigarista.”
Assim que terminou, sentiu a temperatura cair, a presença assustadora do coronel se espalhando pela sala, mesmo que o homem usasse duas pulseiras de controle.
Lu Kongyun disse friamente: “Você já pensou que está caluniando um policial que morreu em serviço? Não especule sobre o que você não entende.”
Dai Lanshan acenou com a mão. “…Tudo bem. O que fizer você feliz. Só me devolva a conta. Então, o que exatamente você precisa que eu faça? Ligue para ele e marque uma reunião? Mais alguma coisa?”
Lu Kongyun respondeu: “Vocês dois não se dão bem, mas ele sabe que eu conheço você. Então você fará as pazes com ele, agirá amigavelmente, vai o deixar à vontade. Depois, o convencerá a vir comigo para um teste de ADN e, mais tarde, ao laboratório quântico do País S para alguns testes de ressonância. Independentemente de dar certo ou não, eu o recompensarei bem e o tratarei como um irmão.”
“Laboratório quântico? Teste de ressonância?”
Antes de partir, Dai Lanshan foi avisado novamente, pacientemente, quase suplicante, pelo cientista louco Alfa. “Lanshan, esta é a pista mais promissora que encontrei. É melhor você se comportar e não estragar tudo.”
“Sim, sim, tanto faz.”
“Obrigado.” Disse Lu Kongyun enquanto fechava a porta.
Ele tinha falado mais hoje do que nos últimos dois anos juntos. Era evidente que estava animado.
Dai Lanshan pensou consigo mesmo que um cientista enlouquecido era ainda mais assustador do que alguém de um culto.
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Enquanto isso, Yu Xiaowen passou a noite inteira inquieto e meio acordado, com a ansiedade o consumindo. Na manhã seguinte, com olheiras, ele se arrastou para o trabalho, mas Dai Lanshan o chamou do nada.
“Hao Dali, você está livre esta noite?”
Yu Xiaowen ficou tenso instantaneamente. “Por quê?”
“Lu Kongyun quer convidar você para jantar.” A voz de Dai Lanshan estava carregada de zombaria preguiçosa. “Ele tem algumas coisas para conversar. Disse que eu deveria ir junto, para mostrar boa vontade.”
“…Hã?” Yu Xiaowen levou alguns segundos para processar aquilo. Sua mente girava, tentando entender o que estava acontecendo.
“Ele disse, hah, ele disse que talvez você seja o gêmeo perdido de algum amigo dele que morreu.”
Yu Xiaowen:…
Yu Xiaowen: ………
Yu Xiaowen: OO
“…O quê???”
Assim que se acalmou, pensou seriamente no assunto. Talvez essa coisa de ‘gêmeos’ fosse a maneira de Lu Kongyun o testar.
Ontem, ele claramente pensou que era Yu Xiaowen, mas depois de ver seu rosto inteiro, pareceu convencido de que havia cometido um erro. Então, por que de repente o chamar de gêmeo?
Qual era o sentido de tal teste? Se Lu Kongyun realmente acreditasse que era Yu Xiaowen, poderia fazer o que quisesse, não precisava de joguinhos.
Depois de pensar bem, decidiu entrar no jogo. Como o outro lado era ousado o suficiente para tocar no assunto, a única coisa que lhe restava fazer era seguir o exemplo. Não podia arriscar se expor e colocar Ye Yisan ou o irmão de Dai Lanshan em perigo, ambos os quais lhe salvaram a vida.
Tudo bem, pensou ele. Deixe estar. De qualquer forma, não importa. Eles partirão em breve e, quando partirem, tudo isso acabará.
Então, antes do jantar, ele foi cedo e esperou por Lu Kongyun no convés perto da entrada da sala de jantar.
Entediado, ele colheu uma pequena flor perfumada de uma cesta e a mordeu delicadamente, com as mãos nos bolsos e olhando ao redor. Logo viu Lu Kongyun se aproximando, de terno formal, encarando-o com aquela expressão sombria e indecifrável.
Seu coração acelerou. Ele tirou a flor da boca, girou-a entre os dedos e a segurou na palma da mão.
Ele acenou de leve e caminhou até ele. Olhando-o nos olhos, sorriu e disse: “Sr. Lu, isso parece um sonho. Nunca pensei que o conheceria assim. O engraçado é que ouvi dizer que fui encontrado perto da fronteira quando eu era um bebê. Acontece que tenho um irmão gêmeo!”
“….” O Sr. Lu abriu a boca, mas não disse nada. Parecia indisposto.
Yu Xiaowen o estudou, pensando que o desequilíbrio de feromônios ainda não devia estar totalmente curado.
…
O feriado havia terminado. O ex-chantagista que virou capitão da segurança não usava mais máscara e realmente parecia um pouco diferente de Yu Xiaowen. Lu Kongyun ficou inquieto. Talvez, entre bilhões de pessoas na Terra, pudesse realmente haver alguém com o mesmo cheiro, o mesmo olhar. Talvez ele estivesse muito seguro de si.
O homem mordeu a pequena flor e sorriu para ele antes de a colocar na mão. Naquele momento, ele parecia exatamente com ele.
Tão parecido com ele.
O capitão da segurança disse algo enquanto se aproximava, mas Lu Kongyun não entendeu as palavras. Sua cabeça estava tomada por outra voz.
(Eu realmente amo você. Eu nunca tive nada, nenhum apego. Eu não tinha medo de morrer. Mas quando pensei em nunca mais ver você, meu coração se partiu, doeu mais do que meu corpo jamais poderia. Você entende?)
Tão parecidos. Mas Yu Xiaowen estava morto.
Os olhos cor de chá do outro homem, tão parecidos com os dele, piscaram, como se estivessem lhe perguntando algo.
Depois de um tempo, Lu Kongyun franziu a testa e perguntou em voz alta: “Você está bem?”
“Não é nada.” Ele respondeu.
O céu estava escurecendo. Uma leve garoa começou a cair, do tipo comum em mar.
O capitão da segurança olhou ao redor, correu até a entrada do restaurante, pegou um guarda-chuva e voltou. Ele ficou ao lado de Lu Kongyun, abrindo o guarda-chuva sobre as cabeças de ambos. O suave tamborilar da chuva preencheu o silêncio acima deles.
Ele afastou a franja úmida e olhou para ele com os olhos semicerrados.
“Está chovendo. Vamos entrar e esperar.” Seu tom era autoritário, nada parecido com o que um segurança deveria ter com um hóspede.
Lu Kongyun olhou para ele, deu meio passo para trás, deixando um ombro se molhando na chuva.
Depois de alguns segundos, ele murmurou: “Sim.”
Capítulo 50 - Oportunidade
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Shh, Don’t Talk
Traduzido por TashaTrad
Gênero: ABO;...