Capítulo 53 - Segredo Revelado
A dança nunca terminou. Lu Kongyun se sentou novamente, em silêncio, servindo-se de mais uma bebida. Yu Xiaowen fez o mesmo, tomando um gole do seu próprio copo.
Lu Kongyun continuou bebendo, copo após copo. Quando a festa começou com as brincadeiras e o anfitrião interagiu com os convidados, Yu Xiaowen percebeu que seus olhos começaram a ficar vidrados e ele tapou a orelha mais próxima do palco, parecendo impaciente.
Yu Xiaowen se aproximou. “Quer ir embora? Está muito barulhento aqui.”
Lu Kongyun assentiu.
Eles saíram juntos do jardim no terraço.
A tolerância do Dr. Lu era péssima. Ele tentava andar ereto, com as costas eretas.
Cada vez que Yu Xiaowen o tentava ajudar, Lu Kongyun o ignorava. “Eu consigo andar sozinho.”
Isso só fez Yu Xiaowen sorrir ainda mais.
Ele deu um tapinha no nariz de Lu Kongyun com um dedo. “Eu sei, eu sei. Alfa grande e forte, não precisa de ajuda.”
Lu Kongyun piscou, assustado, e reflexivamente tocou seu próprio nariz.
Yu Xiaowen sabia que a maioria das pessoas odiava que mexessem no nariz, mas não conseguia evitar. Havia algo naquele homem frio e tenso que implorava para ser provocado. Olhe para ele, rígido como uma pedra, mas ainda assim tão fofo.
Então ele começou a causar problemas novamente, com a intenção de fazer um movimento. Mas, nesse momento, o navio se inclinou. O chão balançou. Ele viu Lu Kongyun tropeçar dois passos e, instintivamente, estendeu a mão. A próxima coisa que percebeu foi que todo o peso de Lu Kongyun o atingiu.
Yu Xiaowen cambaleou para trás, batendo no corrimão com um estrondo surdo.
Lu Kongyun congelou por um segundo, depois se endireitou rapidamente, tentando recuperar o equilíbrio.
“Você esbarrou em alguma coisa?”
“Estou bem.” Disse Yu Xiaowen suavemente, recuperando o fôlego. Mesmo assim, estendeu a mão para segurar o braço de Lu Kongyun.
Lu Kongyun o encarou por alguns segundos antes de o empurrar. “Eu consigo andar sozinho.”
“Por que você está sendo tão teimoso? Veja como você está se desequilibrando. Se as pessoas virem isso, vai arruinar a reputação dos nossos navios de cruzeiro.” Brincou Yu Xiaowen, aproximando-se novamente para ajudar.
“Não, solte, eu, urgh…”
Um som horrível o interrompeu. O estômago de Yu Xiaowen se contraiu. Ele olhou para baixo no momento em que Lu Kongyun vomitava em seu peito.
“….”
Ambos olharam para a bagunça em silêncio e atordoados.
Pela primeira vez, o sempre calmo e elegante Lu Kongyun pareceu genuinamente mortificado. “Desculpe.”
Yu Xiaowen suspirou. “Vou levar você de volta para o seu quarto.”
Tanto para ficarmos espertos esta noite.
Ele seguiu atrás, observando Lu Kongyun se arrastar teimosamente pelo corredor, às vezes até se apoiando na parede. A visão, orgulhoso, solitário, recusando ajuda, o fez sentir compaixão.
De volta ao quarto, Lu Kongyun se sentou no sofá, apoiando a testa na mão, com o rosto contorcido de dor.
Yu Xiaowen ferveu um pouco de chá, sentou-se ao lado dele e colocou a xícara na mesa. “O que houve? Bebeu demais? Está se sentindo mal? Já se arrependendo?”
Os olhos de Lu Kongyun se voltaram para a mancha na camisa de Yu Xiaowen, e a culpa tomou conta de sua expressão. “Desculpe por ter estragado suas roupas.”
“Está tudo bem. Vou enxaguar.” Yu Xiaowen se levantou e foi em direção ao banheiro.
Ele abriu a torneira, lavando a maior parte da sujeira. Felizmente, não estava tão ruim, apenas a área abaixo da gola. Limpou-a rapidamente, desabotoou os dois botões de cima, enrolou a gola para cima para que o tecido úmido não grudasse na pele e saiu.
Encostado casualmente na mesa, com os braços cruzados, ele sorriu para o agora meio inconsciente Lu Kongyun.
O rosto do homem estava rosado, seu corpo estava esparramado de bruços na cama, ainda completamente vestido, mas ele pelo menos teve o bom senso de colocar um lençol entre si e as cobertas.
“Dormir assim vai fazer doer suas costas.” Disse Yu Xiaowen. “Quer que eu ajude você a se despir?”
Lu Kongyun imediatamente virou o rosto.
“…” Sim. Continua o mesmo bastardo antissocial.
Yu Xiaowen riu, olhou para a mesa e parou de se mover.
Ao lado do laptop e de alguns documentos, havia várias pequenas formas prateadas, brilhando sob a luz. Havia também uma caixinha, uma pinça e um fio fino, como um kit de artesanato em miniatura.
Ele se inclinou para olhar. As coisas prateadas… pareciam pássaros. Ou patos.
Ele pegou um, segurando-o na palma da mão. O pescoço longo o denunciou, um cisne.
O Dr. Lu Kongyun consegue até fazer cisnes de origami?
Acho que ele realmente gosta de cisnes. Então, escolhi o presente perfeito, afinal.
A ideia deixou Yu Xiaowen orgulhoso. Ele pegou outro, admirando as curvas delicadas. Então, notou três bolinhas de arame ao lado. Não eram cisnes. Ovos. Ovos de cisne.
“Pfft, hehe.” Ele não conseguiu conter o riso.
Ele se virou, imaginando se havia perturbado Lu Kongyun, e, de fato, Lu Kongyun estava olhando diretamente para ele, com os olhos arregalados.
“…Pensei que você estivesse dormindo.”
Yu Xiaowen se aproximou e mostrou a ele as pequenas figuras que estavam em sua palma. “Você faz isso?”
Dois cisnes branco-prateados, um um pouco maior, outro menor. Estavam graciosamente em sua palma, perfeitamente alinhados, como um casal deslizando lado a lado em um lago ondulante. Três ovinhos rolavam ao lado deles.
“Coordenação olho-mão. Treinamento de precisão.” Murmurou Lu Kongyun, com o olhar desfocado. Então, fechou os olhos e pressionou os dedos na têmpora.
“Posso ficar com eles?” Perguntou Yu Xiaowen. “São lindos.”
Lembranças perfeitas para devaneios futuros, ele pensou.
Mas Lu Kongyun não mordeu a isca. “Não.”
Yu Xiaowen piscou. Tão mesquinho? Agachou-se, ficando com o rosto na altura do de Lu Kongyun. “São tão difíceis de fazer? Então pelo menos me dê um.”
Lu Kongyun ainda se recusou. “Não estes. Posso fazer outra coisa para você.”
Ele esfregou o rosto, com a voz rouca. “Mas preciso descansar primeiro. Volte para o seu quarto… Falo com você mais tarde, quando eu…”
Ele parou de repente no meio da frase. Seu olhar se fixou na gola entreaberta de Yu Xiaowen.
Yu Xiaowen não percebeu. “Então, tudo bem, vou embora. Descanse. Ligue-me mais tarde quando estiver pronto para conversar.”
Ele se virou para sair, mas uma mão agarrou seu pulso.
“Hm?” Yu Xiaowen olhou para baixo. “O que houve? Está se sentindo mal de novo? Tome, tome um chá primeiro.”
Lu Kongyun não respondeu.
“…”
Ele não se mexia, apenas o encarava como uma estátua de mármore da Renascença, com os olhos arregalados, fixos nele. A intensidade fez a pele de Yu Xiaowen se arrepiar. Ele tentou soltar a mão. “Lu Kongyun? Você está bem? Você não se sente bem?”
Depois de alguns segundos, Lu Kongyun o soltou.
Yu Xiaowen observou o homem, seus lábios, antes vermelhos, estavam pálidos. Não era um bom sinal.
“Lu Kongyun? Como você está se sentindo?”
Silêncio.
Após uma longa pausa, Lu Kongyun finalmente disse: “Sinto muito por ter estragado sua camisa.”
Yu Xiaowen soltou um suspiro. “Ha, não me assuste assim. Achei que você estivesse tendo algum tipo de reação. Você realmente não aguenta beber, né?”
Ele ergueu a xícara de chá e a entregou. “Aqui, beba um pouco.”
Os olhos de Lu Kongyun permaneceram nele por um longo momento antes que ele se sentasse, pegasse a xícara e soprasse suavemente sobre a superfície.
“Capitão Hao,” disse ele suavemente, “suas roupas também devem estar imundas. Use meu chuveiro. Tenho uma secadora de roupas de lavagem rápida aqui, você as pode jogar lá dentro enquanto toma banho. Elas vão secar rapidinho.”
Yu Xiaowen acenou com a mão. “Está tudo bem. Vou enxaguar eu mesmo. Elas vão secar durante a noite.”
“O ar aqui é úmido.” Disse Lu Kongyun pacientemente. “E atracamos amanhã de manhã. Se continuarem úmidas, vão mofar. Quer que eu continue me sentindo culpado?” Seu tom carregava aquela autoridade de alguém acostumado a ser obedecido.
“…Droga.”
Yu Xiaowen coçou a cabeça. “Tudo bem. Vou lavar aqui e depois volto para tomar um banho.”
“Você planeja voltar seminu?” Perguntou Lu Kongyun. “Você me detesta assim tanto?”
“…Hã? Não.” Murmurou Yu Xiaowen, percebendo que seu ‘amor perfeito’ talvez não fosse tão inabalavelmente calmo quanto ele pensava. O orgulho do homem era insano. Um único vômito e ele se transformaria em outra pessoa.
Mas….
Ele era meio fofo, sinceramente.
Yu Xiaowen sorriu com indulgência. “Tudo bem, tudo bem. Eu limpo aqui, prometo. Não espie, ok?”
“Certifique-se de se lavar direito.” Murmurou Lu Kongyun. “Eu saberei se não o fez. Vou sentir o cheiro.”
Yu Xiaowen congelou, seu pulso disparou, antes de se lembrar de que o cara era apenas um Alfa excessivamente sensível com um forte olfato.
“Não se preocupe, eu lavo três vezes. Satisfação garantida.”
Ele fez um sinal de “ok” atrevido e foi até o banheiro.
Enquanto o som da água corrente enchia o quarto, Lu Kongyun se sentou e bebeu o chá de um só gole. Então, foi até sua mala, abriu uma caixinha e tirou dois comprimidos brancos.
Engoliu-os, pegou uma seringa e a injetou no braço. Sua mão tremia enquanto ele agarrava a caixa, com a respiração entrecortada.
Quando ouviu o chuveiro ainda ligado, ele se virou abruptamente e saiu do quarto.
Yu Xiaowen está morto, ele pensou.
Antes disso, Lu Kongyun já estava convencido. Agora, porém…
Ele hesitou. Havia registros mostrando que gêmeos podiam ter ferimentos idênticos nos mesmos lugares. Mas padrões de ferimentos completamente idênticos? E como um segurança de boate qualquer poderia ser atingido por tiros de arma de fogo?
Nos tranquilos aposentos da tripulação, enquanto os outros guardas ainda estavam de serviço, o Coronel Lu Kongyun estava destruindo o quarto de Hao Dali como um homem possuído.
Havia cheiro de Alfa em todo lugar.
Aquele Alfa havia afirmado anteriormente que eles tinham dormitórios mistos de ABO nesta nave, bobagem.
Uma pequena quantidade de feromônio Alfa não significava nada para Lu Kongyun, mas para um Ômega tolerar viver naquele cheiro por dias? Impossível.
Isso o fez querer matar.
A princípio, ele não encontrou nada. Então, sua mão apertou o forro da mala de Hao Dali e sentiu algo redondo e sólido no compartimento escondido.
Ele abriu o zíper, tirou e segurou contra a luz.
Uma pulseira preta. Exatamente o mesmo modelo que ele tinha anos atrás.
Lu Kongyun se acalmou, guardou-a no lugar e restaurou meticulosamente cada detalhe do quarto antes de sair. Alguns minutos depois, voltou com um telefone antigo. Ligou-o, retirou a pulseira e a colocou em um carregador sem fio que havia levado.
Ele abriu um aplicativo pareado no telefone.
Habilitar permissões de monitoramento? Sim.
Conectando…
Conectado. Bem-vindo de volta, Policial Yu Xiaowen.
Lu Kongyun congelou. Suas mãos tremiam tanto que ele mal conseguia ler a tela. Ele colocou o telefone no chão e se agachou, olhando atentamente, confirmando cada palavra com o olhar.
Elas eram reais. Cada pixel. Cada traço.
Seu pulso batia tão violentamente que parecia que seu coração iria explodir.
Seu corpo inteiro queimava. Se ele não tivesse tomado os remédios e a injeção antes, poderia ter explodido ali mesmo.
Com os dentes cerrados, ele sussurrou o nome, cada sílaba pronunciada como uma ferida se reabrindo.
“Yu. Xiao. Wen.”
(҂` ロ ´)︻デ═一 \(º □ º l|l)/
Quando Yu Xiaowen terminou o banho, suas roupas não estavam completamente secas, mas ele não se importou. Secou o cabelo com a toalha, vestiu o tecido úmido e saiu.
Lu Kongyun ainda estava sentado exatamente onde o havia deixado, com uma xícara de chá na mão, olhando para o nada.
Yu Xiaowen esfregou o cabelo com a toalha. “Você ficou sentado assim esse tempo todo? Seu pescoço não dói?”
Lu Kongyun finalmente pousou a xícara e virou a cabeça. “Venha aqui.”
Yu Xiaowen se aproximou e se sentou ao lado dele na cama. “Aqui estou.” Disse ele com um sorriso, a toalha ainda pendurada na cabeça.
O olhar de Lu Kongyun permaneceu nele, vagando lentamente em direção à toalha branca, como se estivesse perdido em alguma memória.
“…Isso deve ser um sonho.” Lu Kongyun murmurou.
“Hã?” Yu Xiaowen piscou, sorrindo levemente. “É. Um sonho.”
A voz de Lu Kongyun era baixa. “Outro sonho.”
De novo?
Yu Xiaowen baixou a voz, provocando-o suavemente: “É. Estamos sonhando juntos. Então, o que você quer fazer neste sonho?”
Lu Kongyun pensou um pouco. Então, lentamente, levantou a mão e começou a esfregar a toalha na cabeça de Yu Xiaowen, secando delicadamente seus cabelos.
O toque, quente e terno, fez a garganta de Yu Xiaowen apertar. Seus olhos ardiam. Ele agarrou a mão de Lu Kongyun rapidamente. “Não, não. Você, você tinha algo para me dizer, certo?”
Lu Kongyun fez uma pausa, com os olhos semicerrados, olhando para ele com confusão.
“Você queria falar sobre o meu irmão gêmeo, não é?” Perguntou Yu Xiaowen, acenando com a mão diante dos olhos. “Então, Sr. Lu Kongyun, o senhor era próximo do meu irmão?”
Lu Kongyun ergueu os olhos, parecendo voltar a si. “O que você acha? Que tipo de relacionamento você acha que tínhamos?”
Ele se inclinou, chegando perto demais. Yu Xiaowen passou a mão na nuca nua. Seus dedos congelaram no meio do movimento, então ele fingiu coçar casualmente e abaixou a mão.
Lu Kongyun observou aquele pequeno movimento culpado.
Yu Xiaowen forçou uma risada. “Ouvi do Sr. Dai que ele era policial? Mas você, você está muito acima desse nível. Então, imagino que vocês dois só tinham uma relação profissional, certo?”
Lu Kongyun repetiu para si mesmo: “Um relacionamento profissional.” Então ele deu uma risada silenciosa e sem humor.
Depois de um momento, ele levantou a mão. Yu Xiaowen percebeu o movimento pelo canto do olho. Os dedos do homem engancharam em sua gola, deslizando pela borda para afastar uma gota de água.
“Pelo menos é assim que se pode chamar.” Disse Lu Kongyun calmamente. “Ele deu as ordens. Eu as segui.”
“…”
O movimento fez com que um arrepio percorresse a espinha de Yu Xiaowen, causando uma coceira como se houvesse eletricidade estática sob sua pele.
A voz de Lu Kongyun ficou mais grave. “Quer saber o que ele me ordenou?”
“…Ele, ele lhe deu ordens?” Gaguejou Yu Xiaowen. O carma é real, pensou ele, amargamente.
“Eu realmente não quero saber. Não me diz respeito.” Ele se endireitou, forçando a compostura. “Seja lá o que for, Sr. Lu, não preciso de ajuda. O senhor deveria descansar. Eu vou voltar.”
“Voltar para onde?”
“Meu dormitório.” Respondeu Yu Xiaowen tranquilamente. “Para dormir.”
Os olhos de Lu Kongyun se estreitaram ligeiramente.
E então Yu Xiaowen se viu jogado na cama.
“Ah!”
No instante seguinte, outro peso o pressionou. Lu Kongyun enterrou o rosto no pescoço de Yu Xiaowen, inspirando profundamente.
O calor percorreu o corpo de Yu Xiaowen como uma onda. Ele arqueou o corpo, com um suspiro sufocado preso na garganta.
Que diabos, por que…
A voz baixa e rouca de Lu Kongyun cortou o ar. “Yu Xiaowen.”
!!!
Aquele nome, que ele não ouvia há quase dois anos, o atingiu como um choque elétrico. Todos os pelos do seu corpo se arrepiaram.
A respiração de Lu Kongyun queimava sua pele. “Você está morto.”
Yu Xiaowen se contorceu e entrou em pânico. “Sr. Lu! Você está enganado! Eu sou Hao Dali! Eu sou Hao Dali! Eu sou o segurança!”
Lu Kongyun o agarrou, puxando-o de volta para baixo, prendendo-o sob si novamente. “Eu vou matar você.”
“Acorde! Você está sonhando!” Gritou Yu Xiaowen, empurrando-o desesperadamente. “Sou eu, o gêmeo! O gêmeo, não ele… uh…”
“Quem é você?” A voz de Lu Kongyun estava calma agora, perturbadoramente gentil, mesmo com seu corpo pressionando com mais força. “Diga-me, quem é você?”
Ele parecia não ouvir as palavras. Seu aperto, sua respiração, seus movimentos, ásperos, implacáveis. Dor misturada a um calor estranho e humilhante que Yu Xiaowen não conseguiu lutar. Seu corpo o traiu, estremecendo com um som que ele não conseguiu conter.
Então ele deixou acontecer. Deixou que aquele Alfa bêbado e sonhador punisse o fantasma de uma pessoa morta através dele. A vergonha queimou suas bochechas, mas ele permaneceu imóvel sob o peso, os dedos se curvando contra os lençóis.
Por muito tempo, o único som no quarto era a respiração descompassada deles.
Então Lu Kongyun emitiu um som grave e gutural, engoliu em seco e, de repente, rolou para longe. Colocou a mão sobre a boca, com os olhos bem fechados.
Yu Xiaowen, atordoado e trêmulo, olhou para ele.
“…”
“Yu Xiaowen.” Lu Kongyun disse rouco, a voz cheia de náusea e raiva. “Você não vai a lugar nenhum. Quando eu acordar, você estará morto.”
Mesmo bêbado, ele era assustador.
Yu Xiaowen acalmou a respiração, ajustou a pulseira e murmurou: “É tão sério assim? Yu Xiaowen fez algo tão horrível?”
Lu Kongyun abriu os olhos, vermelhos como sangue, olhando diretamente para ele.
“Você sabe o que fez.” Disse ele. “Você queria que eu vivesse no inferno.”
Yu Xiaowen mordeu o lábio, com os olhos marejados. “Tão sério assim, hein?” Ele estendeu a mão e deu uma leve batidinha no nariz de Lu Kongyun. “Yu Xiaowen é um mentiroso desgraçado, claro. Mas ele quer que você tenha uma vida longa e feliz.”
”…” Lu Kongyun ficou em silêncio por um tempo. Então, perguntou baixinho: “Você está vivendo bem?”
A pergunta o deixou arrasado. Yu Xiaowen se virou, com os ombros tremendo.
O tom de Lu Kongyun ficou inexpressivo. “Você está bem. Ganhou peso. Parece saudável.”
Ele estendeu a mão, as duas pulseiras em seus pulsos brilhando sob a luz, e segurou o queixo de Yu Xiaowen entre os dedos. “Espere até eu ficar sóbrio. Então eu vou garantir que você nunca se esqueça.”
Yu Xiaowen tentou sorrir. “O Dr. Lu agora sabe punir as pessoas?”
Lu Kongyun apertou o braço levemente, os dedos percorrendo sua garganta. Sua voz soou baixa no ouvido de Yu Xiaowen: “Só você.”
“…Estou honrado.”
Yu Xiaowen se virou, afastou a mão delicadamente, puxou o cobertor sobre si e tentou se levantar, mas não conseguiu. Então, ficou deitado ali.
Eles acabaram cara a cara sob o mesmo cobertor.
“Então, até você ficar sóbrio… você consegue não odiar Yu Xiaowen?” ele perguntou suavemente.
Lu Kongyun não disse nada.
Seus rostos estavam tão próximos que Yu Xiaowen conseguia ver cada mudança na expressão de Lu Kongyun. Ele conseguia até mesmo a acompanhar, com dedos trêmulos, da linha de sua bochecha, passando pelo nariz, até seus lábios macios.
Lu Kongyun apenas o encarou, com os olhos escuros e cheios de ressentimento, mas estranhamente imóveis, como se sua vontade de se mover tivesse se esvaído.
Vivo. Quente. Real.
Seu primeiro amor. Seu sonho tornado realidade.
As pontas dos dedos de Yu Xiaowen deslizaram sobre suas sobrancelhas, alisando o vinco entre elas. “Não force. Se você o quer odiar, então odeie.”
Lu Kongyun segurou sua mão, a pressão era quase dolorosa. Yu Xiaowen não conseguia se soltar.
Lentamente, Lu Kongyun fechou os olhos.
Capítulo 53 - Segredo Revelado
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Traduzido por TashaTrad
Gênero: ABO;...