Capítulo 65: Porque Alguém Já Está Me Protegendo
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Boom!
A explosão violenta fez Su Youwei instintivamente cobrir a cabeça.
Acabou.
Seu “Eu Perfeito” havia se desintegrado completamente no mar da sua percepção divina, sem deixar nenhum vestígio. O esforço para visualizar seu eu ideal tinha falhado por completo.
O que deixou Su Youwei ainda pior foi que, mesmo desviando o olhar, a imagem aterrorizante de seu demônio interior permanecia em sua mente.
Era monstruoso.
O demônio era feito de carne e sangue cru, seu corpo grotesco adornado com esporões ósseos vermelhos.
As “asas” que se estendiam de suas costas não passavam de um amontoado de lâminas quebradas.
Metade delas era branca como a neve.
Metade negra como tinta.
Metade cheia de vazio.
Metade transbordando de intenção assassina.
Era difícil descrever a loucura do demônio com precisão. Talvez essa fosse a essência de um demônio interior — o caos tomando forma.
Su Youwei começou a relembrar seu passado.
Quando foi que encontrei essa entidade monstruosa pela primeira vez?
A resposta estava em sua vida anterior.
No momento em que fugiu da família Su, após perder seus parentes mais próximos, um vazio oco se formou em seu coração.
Ela acordava abruptamente do sono, arfando como se estivesse sufocando.
Ao despertar, suas bochechas estavam molhadas de lágrimas.
Para preencher aquele vazio, ela se entregou ao ódio sem limites.
Ainda se lembrava vividamente da primeira vez que cravou uma lâmina no coração de um inimigo.
O sangue jorrava da ferida como uma fonte, encharcando as vestes brancas do inimigo de carmesim.
O inimigo desabava, tremendo enquanto a vida escapava.
Uma estocada seguia outra. A carne se rasgava. Mais e mais sangue escorria.
Não era essa cena assustadoramente parecida com o monstro horrível que está diante de mim agora?
Mas naquele momento, enquanto olhava para o *machete ensanguentado com gotas escorrendo pela lâmina, sentia uma estranha calma e segurança. Pela primeira vez, acreditava ter o poder de se proteger.
E então…
Conforme sua força crescia, a dos inimigos também aumentava.
Ela não tinha mais o luxo de pensar no futuro. O mundo que tanto queria proteger já havia sido destruído por outros. Tudo o que podia fazer era fazer com que eles sentissem a mesma dor que ela suportava.
Ela continuou matando.
Usava a morte para afogar seu ódio e o sangue para *afastar o medo que consumia seu coração.
Mas matar só gerava mais ódio.
Para reprimir esse ódio, tinha que matar ainda mais inimigos.
Deve ser isso que chamam de beber veneno para saciar a sede.
Se tivesse conseguido matar todos os inimigos em sua vida passada e depois morrido, talvez seu demônio interior nunca tivesse se tornado tão feroz.
Su Youwei levantou o olhar.
Seu demônio interior não atacou novamente após despedaçar seu eu imaginário.
Os dois se encaravam, separados pela vasta extensão do mar da sua percepção divina.
Pareciam estar a milhares de quilômetros de distância, mas Su Youwei sentia como se o demônio interior estivesse enraizado profundamente dentro dela. A forma monstruosa que via agora nada mais era que seu verdadeiro eu refletido num espelho.
Um monstro feito para matar.
— É isso mesmo.
A voz subiu de repente — era a própria de Su Youwei, ecoando do fundo do coração.
— Quer você admita ou não, eu sou você. Você é eu. Somos o mesmo.
— Não. — Su Youwei balançou a cabeça. — Você nem é humano!
Nenhum humano poderia ser tão grotesco!
— O que você vê aqui é seu próprio coração.
— Meu… coração?
— Um coração feio.
— Impossível!
— Nada é impossível.
Enquanto a voz falava, o enorme corpo do monstro começou a encolher. Seus espinhos ofuscantes se dissolveram até desaparecerem rapidamente.
Diante de Su Youwei, agora estava uma garota pequena, de cabelos brancos e pupilas vermelhas.
Ela usava um vestido delicado, vívido como sangue fresco.
O vermelho intenso ardia nos olhos de Su Youwei.
— Sei que prefere que eu seja assim — disse a garota, com voz calma, mas inquietante. — Mas ainda é só uma fachada. Olhe bem — não importa como a aparência mude, a essência permanece a mesma. Esse vestido é tingido de sangue.
Su Youwei fechou os punhos com força.
— Na verdade, você sabe — disse seu demônio interior, com voz que ecoava como um sussurro sinistro —, mesmo que pudesse voltar ao passado antes de tudo acontecer, não poderia negar o que já ocorreu. Caso contrário, eu não existiria.
— E se eu escolher esquecer? — Su Youwei perguntou.
— Você não pode esquecer!
— …
— Talvez ainda não tenha percebido — continuou o demônio —, mas você possui um par de olhos que podem ver tanto o passado quanto o futuro. Mesmo se selar essas memórias temporariamente, não vai demorar para que voltem à tona.
A voz de Su Youwei baixou:
— Então, se eu quiser esquecer tudo isso, quer dizer que só posso escolher a morte?
— Não. Você pode escolher aceitar tudo. O que precisa não é negar — é se tornar inteira!
Um traço de confusão passou pelos olhos de Su Youwei.
As palavras do demônio tocaram seu âmago.
O demônio interior existia porque havia um buraco em seu coração.
Se ela aceitasse tudo sobre o demônio, aquele vazio não seria preenchido?
Mas…
Su Youwei balançou a cabeça.
Se abraçasse o monstro, perderia sua humanidade. Não mereceria mais estar ao lado da Irmã Marcial Bai Lian.
A outra Su Youwei continuou:
— Não é tão difícil aceitar, não é? Você nunca deveria esquecer o que te protegeu naqueles momentos desesperados. Se abandonar até essa última camada de defesa, o que vai sobrar?
Solidão.
A palavra surgiu sem convite na mente de Su Youwei.
Sob o céu iluminado pelo sol, ela caminharia sozinha, despercebida e sem cuidados.
Era assim que deveria ser — ou pelo menos era o que seu demônio interior acreditava.
Mas…
— O que me restará — Su Youwei disse com firmeza, interrompendo seu outro eu — é uma vida que eu nunca vivi!
Não era educado interromper alguém, mas seu tom firme, o ritmo deliberado e os gestos precisos transmitiam sua ideia com clareza.
— Entendo — murmurou o demônio interior. — Você compreende…
Os olhos de Su Youwei brilharam.
— Agora eu entendo por que o “Eu Perfeito” que imaginei não deixou nem rastro quando você o despedaçou. Não foi porque você o destruiu — você simplesmente sequestrou minha falsa percepção para assumir o controle! Este corpo não é seu. Não era, não é, e nunca será. Sua feiura é sua, e eu ainda tenho o direito de escolher meu próprio futuro.
— O que você quer dizer…?
— Quero dizer que sua existência pode ter me protegido no passado, mas eu não preciso mais de você.
O demônio interior ficou em silêncio.
Após uma longa pausa, perguntou:
— Por quê?
— Porque alguém já está me protegendo!
Enquanto Su Youwei dizia essas palavras, a tristeza em seu rosto desapareceu. Em seu lugar, floresceu um sorriso radiante — tão brilhante e hipnotizante quanto flores de primavera.
Nem mesmo o demônio interior estava imune. Seu coração distorcido pulsava como um tambor de guerra.
Ele ergueu sua cabeça monstruosa das bordas do mar da sua percepção divina, observando enquanto o outro eu que havia conjurado desmoronava como uma escultura de areia sob a maré.
— Quem? — o demônio exigiu, rouco.
Su Youwei sorriu timidamente.
— Você já sabe quem é.
— Então ela se tornará seu novo demônio interior.
— Acho que não — respondeu Su Youwei. — Prefiro preencher o buraco no meu coração com calor do que com um monstro frio e sedento de sangue como você.
Que declaração ousada.
O demônio interior mergulhou em outro silêncio.
— Deixe-me ver, então — rosnou.
De repente, uma explosão de luz negra irrompeu como uma enchente, ameaçando engolir o mar da percepção divina de Su Youwei.
Mas ela não vacilou.
Em vez disso, fechou os olhos lentamente.
Em sua mente, a voz e o sorriso da Irmã Marcial Anciã Bai Lian ganharam vida — cada detalhe, desde seus cabelos esvoaçantes até os dedos dos pés arredondados.
Quando Su Youwei abriu os olhos novamente, a imagem da “Irmã Marcial Bai Lian” estava diante dela, brilhando com uma força silenciosa.
Diante da presença avassaladora do demônio interior, a “Irmã Marcial Bai Lian” avançou sem hesitar.
Boom!
Luz ofuscante se espalhou pelo mar da percepção divina.
Quando o caos cessou, o mar retornara ao seu estado tranquilo.
A “Irmã Marcial Bai Lian” imaginada desaparecera, assim como a luz negra pulsante.
A voz do demônio interior rompeu o silêncio.
— Essa é a pessoa que te protege? Não vejo nada de especial nela.
Su Youwei balançou a cabeça.
— Você entenderá um dia.
A razão pela qual a “Bai Lian” que ela imaginara não conseguiu derrotar completamente o demônio não era porque Bai Lian não a protegia — era porque Su Youwei ainda não compreendia Bai Lian plenamente.
Sua falta de clareza tornava a “Bai Lian” em seu coração incompleta.
Por exemplo, ela só havia conseguido recriar o pé direito de Bai Lian.
Demônio interior, é melhor você se preparar. Quando eu entender completamente a Irmã Marcial Bai Lian, você não terá chance!
Quanto a saber se Bai Lian algum dia se tornaria seu novo demônio interior…
Ela riu baixinho.
Sou irmã marcial da Bai Lian agora. Que mais importa?
Capítulo 65: Porque Alguém Já Está Me Protegendo
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The Eldest Martial Sister Gave Up Treatment
Bai Lian, a irmã sênior do Pico Qiongming da Seita Duxian, é pura como o jade e incomparável em beleza. Conhecida como uma Santa Natural, é admirada e...