Capítulo 19: Divórcio
Wei Chi Li já havia previsto que ela diria isso, então não se surpreendeu e respondeu com gentileza:
— Vovó está brincando. Lu Yun Kui cometeu um erro e ainda tentou armar um esquema para incriminar o secretário. De qualquer forma, ele é um oficial de quarto escalão, como poderia permitir que alguém o incriminasse? Não digo apenas que eu não deveria ir, mas mesmo que meu pai fosse, temo que seria impossível.
— Não me importa, Kui’er e você são marido e mulher, então estão ligados para o bem ou para o mal. Deve lidar bem com este assunto — a velha bateu na mesa e falou com firmeza.
Wei Chi Li franziu as sobrancelhas, pensando que aquela velha era realmente a avó de Lu Yun Kui e muito sem vergonha.
— A vovó tem razão. No entanto, quanto a este assunto, estou impotente. Dizem que esse homem tem um temperamento estranho, então será preciso enviar alguns objetos valiosos ou coisas de que ele goste… — disse Wei Chi Li, com uma expressão constrangida.
— Então leve o dinheiro para resolver, você não carece de ouro nem de tesouros — disse a velha.
Wei Chi Li quase riu de irritação com aquela atitude de “é o mínimo que você pode fazer”. Não bastava ter tomado todos os seus bens, agora ainda queria espremê-la até secar?
Ela se esforçou ao máximo para conter a raiva em seu coração e respondeu com calma:
— Mas, vovó, como poderia haver algum dinheiro comigo, se não foi a senhora quem levou tudo? Além disso, Li Shang sempre viveu de forma extravagante, acredito que não lhe falta dinheiro, mas ele de fato aprecia pinturas e caligrafias famosas. Acabo de me lembrar de que, entre as coisas que trouxe naquele dia, havia uma Pintura de Lótus, feita por um famoso pintor da dinastia anterior. Se levar isso, então este assunto se resolverá facilmente.
A velha arregalou seus pequenos olhos para ela, sem dizer nada, sem que se soubesse o que estava tramando em seu coração.
Wei Chi Li também estava ansiosa. Se o quarto príncipe não vier logo, não conseguirei manter esse disfarce por muito tempo.
Falando em Cao Cao… e eis que Cao Cao chegou(!). Do lado de fora ecoaram algumas vozes: “Saudações ao Quarto Príncipe”. Logo depois, a porta foi empurrada. Chen Chu, vestido com uma túnica azul-clara, entrou a passos largos, trazendo consigo um sopro fresco do ar exterior.
(!) Cao Cao refere-se ao senhor da guerra do período dos Três Reinos. A expressão “falando em Cao Cao e eis que ele chegou” equivale ao nosso “falando no diabo, ele aparece”.
Foi uma boa coisa, pois dissipou o ar carregado e rançoso daquele quarto. Wei Chi Li conseguiu soltar um suspiro de alívio. Felizmente, este irmão cumpriu sua promessa.
A velha se assustou com a chegada repentina e, ao ver que era mesmo o Quarto Príncipe, quase desmaiou de susto, tropeçando antes de se ajoelhar rapidamente:
— Saudações ao Quarto Príncipe!
— Não é preciso tanta cortesia — Chen Chu estendeu a mão fingindo ajudar, enquanto lançava um olhar enviesado para Liu Luo Yi.
Wei Chi Li tossiu de leve e empurrou Liu Luo Yi para trás de si. Só então Chen Chu a viu e lhe sorriu.
— Vovó não precisa fazer uma saudação tão grandiosa. O Quarto Príncipe veio originalmente me procurar para tratar de assuntos entre os dois países. Mas, no meio do caminho, fui chamada pela senhora, então ele teve que me acompanhar. Não é verdade, Quarto Príncipe?
Chen Chu ficou surpreso por um instante, mas logo abriu um largo sorriso:
— Sim, sim, sim. Não consegui encontrar a princesa Wei Chi em lugar algum, por isso vim até aqui. Agradeço pela hospitalidade.
A velha vinha de uma pequena cidade próxima à fronteira e era a primeira vez que via alguém da família imperial do País Yan. Estava tão nervosa que suava em bicas, e em seu olhar para Wei Chi Li já se percebia um traço de temor.
— Sobre o que estávamos falando mesmo? Ah, sim. Vovó, por favor, me leve até aquela pintura que estava na caixa que eu costumava carregar comigo.
A velha olhou para Chen Chu, depois para Wei Chi Li. Seus pequenos olhos se moviam rapidamente, temendo que Wei Chi Li estivesse tramando algo.
— Se não encontrar nada adequado, então Lu Yun Kui terá que esperar mais três anos — disse Wei Chi Li em voz baixa, carregada de uma pitada de ameaça.
— Eu vou buscá-la — a velha acabou cedendo, arrastando seus pequenos pés em direção à porta.
Ela havia escondido aquelas coisas com segurança e sempre mantinha as chaves consigo, justamente para evitar que outros cobiçassem. Como poderia simplesmente deixar aquela Mandi saber a localização?
Com um simples olhar, Wei Chi Li já havia visto através de seus pensamentos e, rindo por dentro, disse:
— Então peço à vovó que traga essa caixa diretamente para cá, já que está trancada e só eu posso abri-la. Se não conseguir carregá-la sozinha, chame alguns pajens para ajudá-la.
A velha parou de repente e começou a entrar em pânico. Ela valorizava o dinheiro como se fosse sua própria vida; como poderia permitir que os criados da casa soubessem onde estavam os tesouros?
E se Kui’er demorasse para voltar? O que deveria fazer?
A velha não pôde evitar de amaldiçoar Wei Chi Li em seu coração. Se não fosse por ela insistir naquela pintura de lótus e ainda ter trazido o Quarto Príncipe, como poderia estar tão nervosa agora?!
— O Quarto Príncipe ainda está me esperando. Vovó não deveria deixá-lo esperando por muito tempo. A lista de recomendações precisa ser entregue ao Imperador para revisão dentro de dois dias. Se perder o prazo hoje, não haverá mais chances — disse Wei Chi Li.
A velha entrou em pânico imediatamente. Nunca havia lidado com assuntos tão importantes e, pressionada por Wei Chi Li, acabou cedendo:
— Sigam-me.
Wei Chi Li virou a cabeça e piscou para Liu Luo Yi. A respiração de Liu Luo Yi vacilou de novo e ela desviou o olhar.
Um grupo de pessoas seguiu a velha por um longo tempo, atravessando os pequenos e tortuosos caminhos da propriedade. Só então chegaram a um barracão sujo. Com a ajuda de sua velha criada de confiança, a velha se agachou, entrou e acendeu uma vela.
Por medo de que outros criados descobrissem, trouxera apenas sua serva mais próxima.
Wei Chi Li entrou em seguida e logo viu a velha ofegante, puxando um grande jarro de barro que escondia um buraco redondo.
O canto dos lábios de Wei Chi Li se contraiu. Aquela era a primeira vez que via ouro e tesouros escondidos em um lugar assim. Realmente são de uma família pequena — sem coragem de gastar, só sabem esconder as coisas por toda parte como ratos.
Mas, felizmente, havia guardado tudo, o que tornava muito mais fácil recuperar.
Chen Chu também nunca tinha visto tal cena. Permaneceu parado na entrada da cova, observando a velha descer lentamente, com uma expressão bastante constrangida.
— Quarto Príncipe, cuide bem dela para mim — disse Wei Chi Li, juntando os punhos em saudação para Chen Chu, e em seguida, apoiando-se com uma mão, pulou lá dentro com leveza.
Ao ouvir isso, Chen Chu assentiu alegremente, corando enquanto se inclinava para o lado de Liu Luo Yi. No entanto, Liu Luo Yi nem sequer olhou para ele, mantendo o olhar fixo no local por onde Wei Chi Li havia descido, sem dizer uma palavra.
O porão era estreito, mas bem limpo. Baús de mogno estavam empilhados e organizados de forma ordenada.
Wei Chi Li abriu um dos baús de qualquer jeito e o brilho intenso dos lingotes de ouro quase a cegou. Surpresa, pegou um deles e o acariciou. A sensação era maravilhosa.
Tanto dinheiro! Wei Chi Li ficou boquiaberta.
Ao vê-la assim, a velha correu desajeitada, tomou o lingote de suas mãos e o protegeu contra o peito, olhando para ela com desconfiança:
— Onde está a pintura?
Wei Chi Li deu de ombros, indiferente, e de repente levantou a cabeça, gritando em direção à entrada da cova:
— Xin Ran, chame algumas pessoas para descer e mover essas coisas rápido!
Passos apressados ecoaram do lado de fora, quando Xin Ran desceu animada com um grupo de guardas do palácio. Com o rosto cheio de empolgação, saltou para dentro, arregaçou as mangas e levantou um dos baús.
A velha quase desmaiou de raiva novamente. Com uma mão sobre o peito e a outra estendida, avançou para agarrar Wei Chi Li:
— Sua vadia, Mandi! Roubando em plena luz do dia e ainda tramando contra mim, você! Você!
Wei Chi Li deu um passo para trás, fazendo com que a velha avançasse no ar em vão. Ela cambaleou, caiu no chão e se encolheu em uma bola.
— Não me toque, eu não levanto a mão contra idosos. Você caiu sozinha — Wei Chi Li ergueu rapidamente a mão e, num piscar, foi para o canto.
As pessoas trazidas por Chen Chu eram guardas do palácio e tinham habilidades marciais elevadas, por isso mover alguns baús foi tarefa fácil. Em pouco tempo, todo o porão estava vazio, restando apenas uma pequena caixa de sândalo em um canto silencioso.
Wei Chi Li avançou, pegou a caixa e a abriu. Dentro havia uma grossa pilha de escrituras de terras e propriedades. Ela pegou uma para olhar e então riu, feliz. Realmente não exigiu esforço algum. Lu Yun Kui e aquela velha eram tão cautelosos que até mesmo coisas pequenas, como escrituras, estavam escondidas ali.
Isso realmente reduziu muito seu trabalho.
Wei Chi Li carregou a caixinha e saiu dali saltitando de alegria. Ao ver que todas as propriedades que guardara com tanto zelo haviam sido perdidas, a velha foi dominada pela raiva e desmaiou direto no chão.
— Tudo isso… é seu? — Chen Chu arregalou os olhos de surpresa, vendo baú após baú passar diante dele.
— Claro. Finalmente voltou ao verdadeiro dono. Tudo graças à ajuda do Quarto Príncipe hoje. Depois que eu me estabelecer, vou convidá-lo para um drink e espero que o Quarto Príncipe aceite com gentileza — disse Wei Chi Li, sorrindo.
— Devo, devo sim — Chen Chu coçou a cabeça.
Nesse momento, a porta foi arrombada com um chute. Lu Yun Kui entrou, ofegante. Ao lançar um olhar, viu a entrada do porão e cerrou os punhos, fulminando Wei Chi Li com os olhos.
— Wei Chi Li, como ousa!
Wei Chi Li não pôde conter uma gargalhada. Sacudiu a poeira das mangas e se acomodou casualmente em um assento:
— Estou apenas pegando de volta o que é meu, tem algum problema? No País Yan não existe essa lógica de que o dote da mulher pertence ao homem, muito menos no meu Território do Norte. Afinal, nem todos os homens do mundo são tão sem vergonha quanto você.
Lu Yun Kui a apontou, o rosto vermelho de raiva, mas sem conseguir refutar.
— Ah, e já que o Quarto Príncipe está aqui, vamos resolver tudo de uma vez — Wei Chi Li tirou um livreto das mangas e o colocou sobre a mesa, de forma firme: — Divórcio.
— O quê!? — Ao ouvir isso, Lu Yun Kui correu até ela, tentando agarrar seu braço. Naturalmente, Wei Chi Li não lhe daria essa oportunidade: recuou de imediato, ergueu a perna e o lançou voando para trás.
Lu Yun Kui cambaleou alguns passos e caiu sentado no chão.
Chen Chu afastou a poeira no ar com as mãos, o rosto cheio de repulsa, e se afastou ainda mais.
— Não se agite. Eu já redigi o documento de divórcio, você só precisa pressionar sua mão nele e, com o Quarto Príncipe como testemunha, será muito mais fácil explicar aos outros — disse Wei Chi Li com um sorriso amável, estendendo-lhe a pasta de tinta.
— Wei Chi Li, nem pense nisso! No País Yan, os homens precisam concordar com o divórcio, eu nunca vou deixar você conseguir! — Lu Yun Kui rangeu os dentes enquanto se levantava do chão.
Wei Chi Li o encarou com desdém e inclinou levemente a cabeça para Xin Ran. Com um entendimento tácito, Xin Ran caminhou até a porta, fechou o galpão e trancou-o na mesma hora.
— Wei Chi Li, o que você vai fazer? Você ousa!? Me solte! Solte-me! — Lu Yun Kui se debatia furiosamente, tentando se livrar do aperto de Wei Chi Li.
Wei Chi Li não se deu ao trabalho de continuar aquela conversa inútil. Com um golpe rápido de mão em forma de faca, acertou-lhe o ombro e, em seguida, deu um chute. Lu Yun Kui gritou e caiu de joelhos.
— Hoje, não depende de você. E nem pense em chamar alguém. Os homens do Quarto Príncipe estão de guarda lá fora — Wei Chi Li sorriu, satisfeita.
— Você não segue a virtude feminina e ainda ousa ter um caso com outros, você… — Antes que pudesse terminar, levou outro chute nas costas e tombou para frente, caindo no chão.
— Quarto Príncipe, ele está acusando você de ter um caso — Wei Chi Li levantou a cabeça e olhou para Chen Chu com uma expressão inocente.
Chen Chu, assustado com a sucessão de ações de Wei Chi Li, começou a suar frio. Instintivamente, deu alguns passos para trás, observando-a com cautela.
— Veja só, agora você até ofendeu o Quarto Príncipe — disse Wei Chi Li com um sorriso, antes de agarrar a mão de Lu Yun Kui à força e pressioná-la violentamente contra o documento de divórcio.
— Não, não, Wei Chi Li! Você quer me arruinar! — Lu Yun Kui rugiu, tentando se levantar, mas foi novamente pisoteado por Wei Chi Li.
Tudo o que ele havia planejado com tanto esforço tinha ido por água abaixo: o dinheiro se foi, as pessoas se foram, a oportunidade de promoção desapareceu.
Lu Yun Kui gritou por um tempo, depois parou, ficando apenas a olhar fixamente para a parede com os olhos vazios.
Wei Chi Li o encarou friamente e bufou. Puxou a orelha dele e disse em voz baixa:
— Eu só queria me divorciar, você não precisava passar por essa surra.
— Mas quem mandou você atormentar Liu Luo Yi? Você sabe o que significa amar alguém? Não, você não sabe. Tratar uma pessoa como objeto e querer possuí-la… você merece isso.
Ao ouvir isso, Lu Yun Kui estremeceu e voltou seu olhar para Liu Luo Yi.
Ele ergueu lentamente a mão em direção a ela.
Liu Luo Yi o encarou friamente, os olhos cheios de ódio. Deu um passo para trás. Chen Chu, vendo nisso uma oportunidade, apressou-se em se colocar à frente dela, radiante.
Wei Chi Li revirou os olhos, avançou e o empurrou de lado, segurando Liu Luo Yi suavemente atrás de si.
Capítulo 19: Divórcio
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The Male Lead’s Backyard is on Fire
Sinopse:
A Exploradora, Wei Chi Li acidentalmente caiu do penhasco e quando ela acordou, ela estava...