Capítulo 86: Perto
— A guerra começou? — Wei Chi Die sussurrou. — Por que aconteceu tão de repente? Isso é ruim, será problemático atravessarmos a fronteira.
Wei Chi Li balançou a cabeça em silêncio. Franziu a testa ao ouvir a conversa das pessoas ao redor e largou os hashis, perdendo a vontade de continuar comendo.
— Vamos nos apressar primeiro. Ainda há uma certa distância até a verdadeira fronteira. Daremos uma olhada na situação antes de discutir. — Wei Chi Li colocou os hashis sobre a mesa, pegou rapidamente sua bagagem e estendeu a mão por hábito para puxar Liu Luo Yi, mas foi interrompida por Wei Chi Die.
— Curve-se um pouco, agora você é uma velha. — Wei Chi Die disse enquanto segurava naturalmente a mão de Liu Luo Yi e saía em direção à porta. Liu Luo Yi lançou um olhar para Wei Chi Li antes de seguir adiante.
Wei Chi Li rangeu os dentes. Balançou a cabeça, se curvou e apoiou-se na mão estendida de Xin Ran.
A carruagem seguiu viagem novamente, mas desta vez ninguém mais conversava ou ria. Todos estavam sérios e preocupados. À medida que se aproximavam da fronteira, Wei Chi Li, por ter uma audição aguçada, conseguia ouvir de tempos em tempos o barulho desordenado de cascos de cavalos e o choque de espadas e alabardas.
Wei Chi Li gritou para que a carruagem parasse. Xin Ran puxou as rédeas com força e disse:
— Princesa, parece que não podemos passar por aqui. Há uma vila ali, por que não damos uma olhada?
Wei Chi Li assentiu. Trocaram olhares e ambas viram a preocupação nos olhos uma da outra.
De longe, a vila parecia normal, mas ao se aproximarem, perceberam que estava arruinada. Havia destroços espalhados pelo chão, e os aldeões haviam trancado portas e janelas ou simplesmente deixado as casas abertas, pois não havia ninguém dentro.
Wei Chi Li bateu em várias portas consecutivamente, mas ninguém respondeu. Não teve escolha a não ser entrar aleatoriamente em uma casa. O lugar estava limpo, mas vazio; todos os objetos de valor e comida haviam sido levados, restando apenas mesas, cadeiras e bancos.
— Não há ninguém aqui. Pelo estado das coisas, eles provavelmente fugiram. — Wei Chi Li pegou as bagagens de todos e as empilhou sobre a mesa. — Vamos usar este lugar por enquanto. Organizem tudo enquanto eu saio um pouco.
Liu Luo Yi, que estava em silêncio até então, de repente a segurou e ergueu os olhos, dizendo:
— Princesa, para onde você vai?
Wei Chi Li sorriu e respondeu:
— Não se preocupe. Só vou dar uma olhada na situação à frente e ver se há um jeito de contornar a fronteira.
Liu Luo Yi assentiu, mas continuou segurando a manga de Wei Chi Li, se recusando a soltar. Seus olhos límpidos pareciam ligeiramente úmidos e fixavam os de Wei Chi Li com insistência.
— Não posso levar você. É muito perigoso. — Wei Chi Li segurou as mãos dela com um suspiro. Vendo que Liu Luo Yi não se movia, abaixou a cabeça e sussurrou em seu ouvido: — Pequena Liu’er, seja boazinha. Juro que voltarei em uma hora.
Ao ouvir isso, Liu Luo Yi assentiu levemente e, só então, soltou as mãos. Wei Chi Li ergueu as sobrancelhas para Xin Ran e disse:
— Xin Ran, proteja a Pequena Liu’er.
Wei Chi Die, ao lado, revirou os olhos. Continuou acariciando a barba falsa em seu rosto enquanto observava Wei Chi Li caminhar até a porta. Depois de hesitar por um longo tempo, deu grandes passos à frente e deu um tapinha no ombro dela.
— Irmã? — Wei Chi Li virou-se e sorriu.
— Você nunca soube se orientar desde criança. E não conhece este lugar tão bem quanto eu. Vou com você. Vamos e voltamos rápido. — Wei Chi Die disse apressadamente, tomando a dianteira.
Wei Chi Li olhou para as costas da irmã, que escondia deliberadamente sua feminilidade, e sorriu, impotente. Estava prestes a segui-la quando, de repente, sentiu alguém se agarrar às suas costas. Um par de pulsos esguios a envolveu pela frente, prendendo-a pela cintura. Um perfume familiar e encantador a envolveu.
— Pequena Liu’er. — Wei Chi Li olhou para as mãos firmemente agarradas às suas e tentou adotar um tom repreensivo, mas o canto de sua boca se ergueu involuntariamente.
Liu Luo Yi estava tão próxima que só conseguia ver as costas retas de Wei Chi Li, exalando um leve aroma de grama. Mas aquele cheiro não era como o da relva comum, parecia misturado com ervas.
Desde o último incidente, se passasse mesmo que um momento sem ver Wei Chi Li, entrava em pânico.
Ela sabia que isso não era certo, mas não sabia como se conter.
Wei Chi Li pousou suas mãos sobre as dela, envolvendo-as completamente, e só então disse:
— Pequena Liu’er, eu preciso ir. Há coisas que não consigo me lembrar direito.
Liu Luo Yi lentamente encostou o rosto nas costas de Wei Chi Li, fechou os olhos e sentiu seu calor.
— É sobre aquele segredo que só nós sabemos? — Liu Luo Yi perguntou suavemente.
— Sim. — Wei Chi Li respondeu. As memórias em sua mente estavam confusas. Não conseguia recordar a causa exata da destruição do Território do Norte. Quando leu o livro, não prestou atenção nos detalhes, e agora era tarde demais para se arrepender.
Liu Luo Yi soltou as mãos, mas, de repente, agarrou o braço de Wei Chi Li e puxou com certa força. Pegando-a desprevenida, Wei Chi Li girou e ficou de frente para ela.
Então, um beijo suave e tímido tocou seu queixo. Era macio, úmido e um pouco seco pela falta de água, mas suficiente para deixá-la imersa em devaneios.
Num instante, o rosto de Liu Luo Yi ficou vermelho. Tentou ao máximo agir com indiferença, recuando dois passos, mas por dentro estava extremamente envergonhada. Seu plano original era beijar Wei Chi Li nos lábios com ousadia, mas não era alta o suficiente para alcançá-los.
Era humilhante demais. Liu Luo Yi não ousava olhar para Wei Chi Li.
Wei Chi Li tocou o próprio queixo com uma expressão confusa, depois riu e provocou:
— Então é assim que a Pequena Liu’er é ansiosa. Espere eu voltar e vou te satisfazer.
Liu Luo Yi ficou olhando para a barra do próprio vestido, sem conseguir dizer uma palavra.
Wei Chi Li ergueu os olhos e viu que An Ge e Xin Ran, que estavam ao lado, já haviam corrido para a casa ao lado com a desculpa de arrumá-la, mas ainda espiavam de tempos em tempos. Não pôde evitar rir. No fim, beliscou o nariz de Liu Luo Yi e saiu.
— Seu rosto ainda parece o mesmo, mas essa expressão apaixonada não combina nada com ele. — Wei Chi Die disse com desdém.
— Será que a irmã está com inveja? — Wei Chi Li não conseguia conter o sorriso.
— Inveja do quê? Quando voltarmos para o Território do Norte, acha que essa princesa terá falta de belas garotas interessadas em mim? — Wei Chi Die zombou.
Wei Chi Li não retrucou. As duas ocultaram sua presença, usaram Qing Gong e logo chegaram ao local de onde vinham os sons de batalha.
A fronteira não era como Wei Chi Li imaginava — uma vastidão plana. Em vez disso, era bloqueada por uma cadeia de colinas irregulares. Eram pequenas, mas se estendiam por uma grande área, cobertas por árvores densas, tornando impossível ver onde terminavam.
— Esta é a fronteira entre os dois países? — Wei Chi Li perguntou, surpresa.
— Sim. É o único caminho para o Território do Norte. Não sei se foi feito pelo homem ou se é uma grande vantagem natural. De qualquer forma, nosso pai sempre disse que o terreno aqui é complicado e, se alguém não souber o caminho, pode se perder.
— Então, como encontramos o caminho?
Wei Chi Die olhou para ela como se fosse uma tola e disse:
— Já esqueceu tudo?
Ouvindo isso, Wei Chi Li olhou com atenção. Wei Chi Die estava certa. O exército vestido com as armaduras do País Yan parecia vasto e poderoso, mas todos estavam apenas de guarda, e o chão estava coberto de cadáveres.
Enquanto Wei Chi Li continuava observando, um arrepio percorreu suas costas de repente. Sua mente trabalhou rapidamente, e finas gotas de suor começaram a escorrer de sua testa.
Wei Chi Die percebeu que havia algo errado com ela e rapidamente estendeu a mão para empurrá-la:
— Wei Chi Li?
Wei Chi Li a ignorou enquanto tentava desesperadamente lembrar-se da descrição no livro. Então, murmurou lentamente:
— Alguém revelou as estratégias de defesa do Território do Norte e o mapa da região. Esta guerra não foi um acidente, foi premeditada.
Foi apenas adiantada — disse para si mesma.
Wei Chi Die ficou surpresa:
— Quem? Como você sabe disso?
— Não importa como eu descobri. Aquele que está agora preso naquela floresta densa deve ser o pai real. — A voz de Wei Chi Li estava muito calma, mas seus punhos cerrados denunciavam que, no fundo, ela não estava nada tranquila.
— O quê?! — Ao ouvir isso, Wei Chi Die quase saiu correndo, mas, por sorte, Wei Chi Li a segurou e a pressionou contra o chão.
— Não aja impulsivamente. Vamos voltar primeiro e então encontrar uma maneira de salvar o pai real. — Wei Chi Li falou, mas, de repente, uma premonição ruim tomou conta de seu coração. Ela sentiu uma vontade incontrolável de voltar imediatamente para a vila aparentemente pacífica.
— Mas… se algo acontecer com o pai real, o que vamos fazer? — A voz de Wei Chi Die tremia. Ela encarava a direção da floresta densa, e seus olhos logo se encheram de lágrimas.
Wei Chi Li nunca a vira assim antes. Naquele par de belos olhos, havia apenas medo.
Wei Chi Die não sabia por que estava agindo daquele jeito. Embora o que Wei Chi Li dissesse não tivesse uma base concreta, ela não conseguia evitar acreditar nela. E, consequentemente, acreditava que seu pai real estava preso na floresta naquele momento.
Ela segurou com força a mão de Wei Chi Li, sua mente um verdadeiro turbilhão.
— Vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem. Relaxe, irmã. — Wei Chi Li apertou sua mão em um gesto reconfortante e falou suavemente. Embora a mente de Wei Chi Die fosse clara, ativa e inteligente, ela sempre se desestabilizava quando se tratava de alguém que lhe era querido.
— Confie em mim, está bem? Nada acontecerá com o pai real. Vamos voltar e discutir com An Ge e Xin Ran. Mesmo que queiramos invadir, não podemos agir de maneira imprudente agora. — Wei Chi Li disse, palavra por palavra, de forma firme, enquanto abraçava Wei Chi Die com delicadeza. — Irmã, eu estou aqui.
Os cílios de Wei Chi Die tremularam levemente. Ela expirou e virou o rosto para olhar para Wei Chi Li.
Embora Wei Chi Li também estivesse nervosa, seus olhos permaneciam claros e determinados.
— Certo. — Wei Chi Die disse.
As duas retornaram à vila na velocidade máxima. Há pouco, Wei Chi Li já se sentia desconfortável, mas agora a inquietação dentro dela crescia cada vez mais.
Ela segurou o pingente de jade em seu peito, repetindo mentalmente que tudo ficaria bem. A vila estava segura com An Ge e Xin Ran ao lado de Liu Luo Yi, então nada de ruim aconteceria.
Mas o destino não atende aos desejos de ninguém.
De longe, Wei Chi Li viu que a vila, que antes estava silenciosa e pacífica, agora estava cercada por pessoas. Eles vestiam armaduras diferentes, mas carregavam a bandeira do País Yan.
Era um exército de reforço. O coração de Wei Chi Li afundou no mesmo instante, e ela quis correr imediatamente, mas se conteve no último momento.
Ela se esgueirou até a parte de trás da casa onde estavam descansando e capturou um soldado que estava urinando.
O homem parecia jovem e ficou tão apavorado que suas calças caíram quando Wei Chi Li o agarrou. Sem perder tempo, ela estrangulou levemente o pescoço dele e perguntou:
— Onde estão as três mulheres que estavam aqui?
O soldado apontou com a mão trêmula na direção da fronteira:
— Para lá… elas correram naquela direção… eles perseguiram, perseguiram…
Ao ouvir isso, uma onda avassaladora de intenção assassina explodiu dentro de Wei Chi Li. Com um único golpe, ela fez o soldado desmaiar. Então, saltou para fora do pátio e correu em direção ao lado norte, com Wei Chi Die logo atrás.
Capítulo 86: Perto
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The Male Lead’s Backyard is on Fire
Sinopse:
A Exploradora, Wei Chi Li acidentalmente caiu do penhasco e quando ela acordou, ela estava...