Capítulo 2 – Distância
O relógio marcava o fim das aulas.
Os estudantes deixavam o prédio em grupos, conversando e rindo.
Levi permaneceu sentado por alguns minutos, fingindo organizar seus materiais.
Seu olhar, porém, estava voltado para uma única pessoa.
Demon.
Ele caminhava pelo corredor sorrindo, cumprimentando colegas e professores.
Professor: Até amanhã, Demon.
Demon: Até amanhã, professor.
Colega: Não esquece da festa no sábado!
Demon: Se eu puder, apareço.
Assim que Demon desapareceu pelo portão da faculdade, Levi soltou um longo suspiro.
Levi (pensamento): Como alguém consegue ser tão… perfeito?
…
Naquela noite, Levi estava em seu pequeno apartamento.
As paredes eram simples.
O silêncio era constante.
Ele preparou um macarrão instantâneo, mas mal conseguiu comer.
Sua mente voltava sempre ao mesmo rosto.
Pegou o celular.
Encontrou mais uma foto de Demon publicada por um colega da faculdade.
A imagem mostrava vários estudantes reunidos após uma aula.
Levi ampliou a foto até que apenas Demon ocupasse a tela.
Ficou observando por vários minutos.
Levi (pensamento): Você sempre parece feliz…
Ele fechou os olhos.
Tentou imaginar como seria conversar com Demon sem sentir vergonha.
Como seria ter um amigo.
Ou alguém que realmente se importasse com ele.
Mas a lembrança dos insultos que ouviu durante a infância logo voltou.
“Você não serve para nada.”
“Ninguém gosta de você.”
Levi abaixou a cabeça.
Levi: Talvez… eu esteja sonhando alto demais…
…
No dia seguinte, Demon entrou na sala de aula.
Ao passar pela carteira de Levi, fez um breve aceno de cabeça.
Demon: Bom dia.
Levi demorou alguns segundos para responder.
Levi: B-bom dia…
Demon continuou andando, sem imaginar o impacto que aquelas duas palavras tinham causado.
Para ele, era apenas educação.
Para Levi, era algo que aquecia um coração acostumado à rejeição.
…
Durante o intervalo, Levi observava Demon conversar com os colegas no pátio.
Ele ria.
Fazia piadas.
Parecia querido por todos.
Levi (pensamento): Eu queria ser como ele…
Pela primeira vez em muito tempo, Levi criou coragem.
Deu um passo em direção ao grupo.
Depois outro.
Mas, antes que pudesse dizer qualquer coisa, viu Demon ser cercado por outros estudantes.
Todos falavam ao mesmo tempo.
Levi parou.
Abaixou a cabeça.
Deu meia-volta em silêncio.
Ninguém percebeu que ele havia tentado se aproximar.
Enquanto caminhava sozinho pelo corredor vazio, um sentimento estranho crescia dentro dele.
Não era apenas admiração.
Também não era amor.
Era uma necessidade intensa de fazer parte do mundo daquela pessoa.
Sem perceber, Levi começava a construir uma imagem perfeita de Demon em sua própria mente.
Uma imagem que estava muito distante da realidade.
Capítulo 2 – Distância
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A Morte do Demônio
Levi é um jovem tímido, solitário e marcado por um passado de abusos, perdas e humilhações. Na faculdade, a única pessoa que demonstra um gesto de gentileza com ele é o belo e popular Demon,...