Capítulo 03
“Olá”
Cumprimenta em inglês, sorrindo gentilmente. A jovem modelo retribui com um sorriso sem jeito.
Hana termina de beber o chá gaseificado e mira rapidamente, notando que estavam semelhantes, porém Latifah tem uma elegância inegável.
Tão igual, aprendeu a se portar na sociedade.
Claro, quando era cogitada como pretendente para ser a futura esposa de Mohammad, teve um ensinamento rigoroso enquanto sua irmã estava na França estudando moda.
Mas não adiantou, diante dela, aparentava apenas um projeto de uma tentativa falhada, visto ter que se esforçar em algo que fazia naturalmente.
E esse era um dos motivos de sua ira.
A modelo, que usava algo modesto, estava espetacularmente linda, seus cabelos dourados caindo em cachos grossos até abaixo da cintura revelavam seu talento para moda.
Só tinha 19 anos e no início da vida adulta, todavia para a profissão, era considerada um pouco ‘velha’.
Em 2024, seria seu primeiro desfile oficial e estava pedindo conselhos a Latifah, que, apesar da beleza, não era da área.
No entanto, é importante na indústria da moda porque é fashionista, fazendo presença em alguns desfiles e cotada para participar do time de avaliação que antecede o show.
“Qual é o seu nome, mocinha?”
Perguntou Hana.
“Katya Andrichuk.”
Katya nesse momento, estende a mão, retribuída positivamente pela outra, que cumprimenta.
“Seu nome é tão bonito, tem algum significado?”
“Ah, sim. Significa pureza.”
Os lábios formam uma linha fina, e sua figura, apesar de mascarada, é de total desprezo.
Apesar disso, era uma jovem um tanto tola quanto aos sinais sutis.
Hana percebeu que, apesar da profissão, não conviveu tempo suficiente entre a sociedade mais proeminente, sendo assim, um cervo.
De alguma forma, tenta ganhar mais espaço na conversa e a inocência da garota facilita o trabalho dessa cobra.
A jovem vê que a caçula Khalid era tudo o que apresentava nas suas redes sociais.
A confiança e a ambição da ucraniana eram tantas que estavam fazendo reels no perfil uma da outra, mostrando um novo círculo de amizades.
Katya confia que essa aproximação de forma superficial pode ampliar a janela de novos trabalhos futuros.
Latifah apenas observa essa interação e sabe do plano da irmã.
Essa jovem modelo não só perdeu a chance no desfile em Paris, mas vários patrocínios.
Consequentemente, sua imagem será arranhada, pois espalhará seu caso de uma noite com um homem casado.
Claro, não irá expor o marido, a fim de que sua vida ‘perfeita’ não seja arruinada.
Mas usará seu perfil falso para disseminar essa fofoca para veículos de imprensa.
Não irá se intrometer, não pelo ato acometido, mas pelo fato que não interessa.
Não se responsabiliza pelas atitudes infantis da caçula, e essa menina não pode lhe trazer benefícios.
A especialista em moda sabe que esse período é relativo, visto que está apenas no começo e hoje as coisas são um pouco mais ‘fáceis’ de conquistar, inclusive uma imagem manchada.
Se agir com inteligência, usará essa situação negativa para se autopromover e poderá ter um retorno maior que atualmente, e destruir consequentemente o plano de vingança da caçula.
Para ela, tudo era questão de um bom gerenciamento de crises por parte da gestão de carreira da modelo.
Caso o empresário aja rápido, pode entrar em contato com vários peixes grandes e sacrificar a ‘pureza’ para que a fama em ascensão não caia em esquecimento.
Eles precisam fazer o capital girar enquanto a ucraniana estava rentável, e farão de tudo para que isso aconteça.
Nem que precise viver se esfregando na virilha de vários homens desagradáveis para não deixar de ser útil.
Já está condenada e refém das suas próprias escolhas.
“Que mundo interessante.”
Com um sorriso brilhante, rapidamente as outras espalhadas pelo salão se reuniram e o clima ficou mais ameno.
Cada uma era considerada uma acompanhante de luxo desses ricos, e teriam de concluir seu serviço oferecendo uma noite de prazer, e isso é um método bem comum e muito usual.
Cada uma precisava atrair e aumentar o maior número de seguidores no seu perfil, como resultado, adquirir mais patrocínios.
Tudo é questão de ter poder monetário para criar uma utopia para seu público-alvo.
Elas viviam para alimentar o sonho da massa e ganhar muita grana com isso.
Mohammad continuou até engolir o último gole do espumante e olhou em direção a seu pulso direito, onde estava seu relógio feito totalmente de platina e pedras de diamantes, que lembram um céu noturno.
Faltavam apenas cinco minutos para o show de fogos de artifício.
Como todos os anos, esperava até o fim, só que dessa vez sairia antes quando os dez minutos de apresentação no céu terminassem.
Sua esposa sabe da decisão, ao levantar-se com uma expressão achando tudo um tédio, movimenta-se para a área.
Percebido por seus seguranças, se preparou para iniciar a parte mais chata da noite: acompanhar até o jardim onde haverá o show.
A parte em si é o percurso de cinco minutos, em razão de usarem essa chance para se aproximar do presidente.
Homens corpulentos e fortes tinham que fazer movimentos de contenção para que ninguém chegasse no raio de dois metros. Caso ultrapassassem, eram eles que sofreriam as consequências.
A linha atravessada é reta, sem curva, não havia nada no meio que impedisse de desviar.
Enquanto os cinco seguiam em direção ao jardim, passos de outras partes do recinto tentavam se aproximar e os homens impediam a ultrapassagem invisível.
Enquanto isso, fêmeas e machos clamavam por Mohammad.
No entanto, são ignorados e seguiam até o seu destino.
Nesse meio tempo, a reaproximação gerava defesas bruscas, e barulhos de taças caindo no chão ecoavam à medida que desfilava.
Não passando despercebido pelos olhares luxuriosos das damas.
Quando chegou ao jardim, faltavam poucos segundos, risos e conversas preenchiam o espaço aberto, gradualmente o ambiente ficava cheio até que…
Pow… Pow…. Pow!
Dezenas de feixes de luz sobem ao céu, estourando no ar, formando cores diversas e vibrantes, se desmanchando, caindo em cascalhos como purpurinas douradas.
Era meia-noite, um novo ano.
O público ao redor se encantava com os desenhos formados no céu, eram muitos, a aglomeração disputava para mostrar quem brilha mais no céu noturno.
Parecia a explosão de supernovas, um show galáctico artificial. Além do barulho, também é audível de outros pontos da cidade.
Nesta noite, o país estava vivo.
Sons de garrafas de champanhe sendo estouradas e gritos eufóricos rodeando cada ponto pareciam sentir a mesma sintonia da população inteira em um único lugar.
Idêntico a uma árvore que balança ao som do mesmo vento.
Ligavam os celulares fazendo live, exibindo a bela apresentação, mostrando o glamour de estar em uma ocasião singular.
Outros notificavam seus parentes e amigos, desejando votos de felicidades.
Para o poderoso, não era nada; só mais um dia como outro qualquer.
Desde a consciência e o conhecimento das regras sociais, comemorações criadas por seres humanos só têm o intuito de agregar sua posição.
Uma boa família, dinheiro, sucesso, beleza… Tudo é para alimentar o ego, não é à toa que, com melhores condições financeiras, melhor a vivência.
A felicidade não é genuína, na verdade, é criada como qualquer produto artificial.
Basta oferecer algo que supra a necessidade, que terá o subproduto que é a felicidade. Se tirar, há uma experimentação do antônimo.
O espetáculo de luzes quentes no céu chegava ao fim, só faltava um minuto.
No entanto, todos estavam incansáveis e cheios de adrenalina, misturado com altas doses de álcool.
Os jovens pegarão suas parceiras e curtirão a noite em alguma casa noturna, e os mais velhos terão uma noite quente com suas acompanhantes.
Mesmo com a regra, estão tendo contatos íntimos deliberadamente e sem vergonha.
Machos enroscam suas mãos ao redor das cinturas das fêmeas e seus rostos estão vermelhos devido ao clima quente e à dose alcoólica de várias rodadas de champanhe ininterruptamente.
Assim que terminou, Mohammad estava pronto para sair dali, é insuportável desde o início.
Latifah, que ficou distante a maior parte, se aproximou, os guardas abriram espaço, o homem não moveu para saber quem era.
Sorrindo debochadamente, apesar de serem casados há um longo tempo, não possuem um vínculo amoroso.
A relação era mais fraternal com laços comerciais.
“Já vai para casa?”
“Tem sido insuportável desde o início.”
“Papai vai ficar desapontado.”
“O sanguessuga do seu pai já teve o bastante da minha presença.”
Latifah sorriu da impaciência de seu esposo, amava provocar pequenas reações na estátua de gelo, eram raros momentos que estavam juntos.
Apesar dos defeitos, considera mais íntimo que seus parentes de sangue.
Graças a ele, pode ter autonomia em operar seus negócios e uma maior liberdade num país onde o patriarcado é forte demais.
“Vamos nos mudar depois que voltar de viagem?”
“Sim…”
A expressão, ao saber da pequena viagem, não era nada satisfatória, em razão de não ser importante e sim por realizar um capricho da progenitora.
Apesar de a propriedade em Palm Jumeirah estar pronta após nove anos em construção, vivem em um bairro residencial de classe alta em uma rede de condomínio de luxo fechado.
Sua residência, localizada no último andar, é um duplex relativamente grande.
Bastante popular por ser urbanizado, concentrando o maior número de empresas corporativas.
Latifah amava o ambiente que Jumeirah Lake oferecia, além disso, lembra a beleza da cidade de Nova York perto do famoso Central Park, que mistura o urbano com a paisagem natural.
“Tirando os ratos, claro!”
Apesar de que se mudará para não tão longe e de frente para a praia, não a deixa menos animada, pois esteve à frente de tudo.
Cada canto e detalhe foi pensado para facilitar o dia a dia e promover conforto sem precisar se deslocar para outros pontos.
Fora que seu marido não suporta a ideia de conviver no mesmo bairro que a família dela, porque praticamente são vizinhos e seu quarto fica de frente para a varanda privativa do pai.
Isso também o impediria de encontrar visitas indesejáveis, como a sua irmã.
A nova residência é uma das maiores e mais impressionantes construções do país.
O terreno de 65 mil m² suporta não só a residência principal de mais de quinze mil m², mas também instalações de segurança e lazer recreativo.
É considerado o mais imponente, pois todos os tesouros que a família Haroon acumulou durante o período milenar estarão neste domínio em cofres e um museu particular.
É esperada uma segurança impecável, a propriedade será equipada com monitoramento e alarmes tecnológicos em todos os cantos.
Além de uma equipe gigantesca de 150 guarda-costas treinados e preparados com cães de guarda puro-sangue.
O sistema funcional será feito por meio da inteligência artificial, criada pela empresa de segurança Haroon.
Que detecta inúmeras situações de perigo através da condição física ou do local, acionando imediatamente sistemas próximos de emergência como polícia, bombeiros e ambulâncias.
Também é responsável pela regulação da temperatura e pela pureza do ar no espaço interno, conseguindo adequar a temperatura interna calculando o ambiente externo.
Isso é muito importante, principalmente no período entre abril e outubro, o mais quente e seco do ano.
O sistema inteligente é importante para quem sofre com alergias ou problemas respiratórios, como rinite e asma.
Dado que automaticamente proporciona um espaço ideal, diminuindo em quase 70% o nível de poeira e umidade excessiva provocada pelo exterior.
E o ar-condicionado e umidificador deixam o mais puro.
Prático para donos de pet, havendo uma redução significativa de pelos pela casa.
Desse modo, a propriedade terá vários cômodos luxuosos com objetos decorativos de preço inestimável.
O dono gastou quase um bilhão de dólares para pôr o projeto em prática e centenas de milhões no transporte de todos os itens e relíquias, espalhadas em cofres pela Europa e Ásia.
O intuito da criação é mostrar o seu poder para o mundo, fora que para o patriarca o lar deve representar conforto, mesmo que
não vá usufruir todos os artifícios.
O barulho diminui, enquanto o público do lado de fora continuava a curtir a festa, porém tanto Latifah quanto Mohammad continuaram parados.
“Essa será a última vez que voltarei a essa festa.”
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Capítulo 03
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