Capítulo 24
Toneria convidou Jill para ir a seu escritório três dias após ele ter tomado chá com Diego.
“Quero organizar os potes de ervas. Estão espalhados tanto por esta estante quanto por aquela que está ali atrás. É necessário olhar com cuidado para encontrar todos. Ervas são muito usadas neste negócio, sabe? É algo que todos os nobres do país apreciam. Tenho também, uma caixa grande cheia de erva medicinais. Este vai ser meu presente pra você quando terminar”.
“Muitíssimo obrigado”
Jill sorriu tocando o cabelo. Observou Toneria deixando as estantes para trás e dizendo o quanto gostava do cheiro daquele cômodo e das ervas nos frascos.
Jill estava feliz em exibir seu lindo adorno prateado que levava em um coque, segurando seu penteado. Diego lhe havia entregue na noite anterior.
“Eu disse que você não precisava comprar nada. Vou voltar para a família Müller e não poderei levar o enfeite comigo”.
“Não existe nenhuma regra que o proíba”.
“Eu… não quero que eles vejam”.
“Então, você apenas tem que usá-lo enquanto estiver aqui”.
Enquanto arrumava o cabelo de Jill para colocar o enfeite, Diego disse:
“É um presente… Eu ficaria feliz se você pudesse aceitá-lo. Sim, realmente fica lindo em você”.
Quando Jill era elogiado no passado, se sentia envergonhado ou bravo. Mas a voz do lobo o fez suspirar e corar um pouco. Parado frente ao espelho, Jill tocava o acessório de cabelo com os dedos um pouco tensos. A peça tinha desenho de pássaros e flores encrustadas com pequenos diamantes. Certamente, Diego escolheu o enfeite pensando nas coisas favoritas de Jill.
Entretanto, a alegria do ômega, por alguma razão, era superada pela dor. Tocando suavemente seu acessório de cabelo, Jill se perguntava a causa daquela angustia. Não entendia o motivo de se sentir desta forma justamente quando estava ajudando Toneria e precisava estar completamente concentrado.
Enquanto subia pela escada para alcançar a prateleira mais alta da estante, escutou a voz de Toneria.
“Como está indo? Encontrou as ervas?”
“Não. Ainda não”.
“Estão em frascos com tampa verde, você pode usar isso como referência para encontrá-los com mais facilidade. Comprei ervas, livros e mapas, também fiz desenhos para chegar até a localização delas. Claro, há vários livros valiosos que a família Siegfried adquiriu pouco a pouco mas as ervas, principalmente as medicinais, costumam ser mais valiosas que outros cultivos. Por esta razão é mais difícil obter informações sobre elas. Acredito que estou fazendo um bom trabalho com tudo isso”.
Toneria costumava ser falante quando se tratava de seu trabalho e os conhecimentos que adquiriu.
“Nossa empresa detém a maior parte do mercado de ervas de Bernerud, porque eu me inteirei do valor delas antes da concorrência. A chave para o comércio é o talento de prestar atenção nas coisas antes dos outros. Lembre-se disso”.
“Sim, senhor”.
Jill retirou o livro e os frascos. Desceu pela escada e colocou tudo em uma escrivaninha ali perto, depois, voltou a subir. A história de Toneria estava muito interessante, porém Jill desejava voltar logo para o seu quarto. Não sentia muita vontade de ter uma conversa sobre ervas ou ler sobre elas.
(De alguma forma, me sinto incômodo…)
Jill ficou feliz em tomar chá com Diego mas, aparentemente, ainda havia resquícios do cio. Lógico que ele nunca tinha ouvido falar de nenhum desconforto pós cio mas, não consegui pensar em nenhuma outra razão para estar ansioso e desejar desesperadamente estar com aquele homem. O que deveria fazer a respeito? Pedir a Norn para falar com o médico? Definitivamente não.
“Quando eu recém estava começando a trabalhar com ervas, alguns dos meus companheiros riram porque pensaram que vender chá não daria lucro. Para eles, os únicos que usavam ervas era o povo do campo para algum remédio caseiro ou como tempero. É evidente que esta não é a única forma de se utilizar ervas. O medicamento dos ômegas, por exemplo, é feito a partir de algumas flores. E agora estão desenvolvendo novos medicamentos, dessa forma, precisam das minhas plantas. Isso quer dizer que seu valor de mercado vai aumentar”.
Enquanto escutava, Jill passo os olhos pela capa de um livro. O livro era grosso e provavelmente se tratava de um dicionário. Teve dificuldades para retirá-lo da estante, girou para descer da escada e acabou tropeçando.
Antes que percebesse, Toneria estava ali para evitar sua queda. A expressão dele enquanto encarava Jill era infinitamente tensa. Até mesmo seus olhos brilhavam. Diferente de quando estava com Diego, Jill ficou nervoso ao estar tão perto de Toneria. Se apressou em ficar de pé, enquanto isso o lobo acariciou seu cabelo.
“Este adorno de cabelo é novo”
“Toneria-sama, isso é…”
Sem perceber, Jill tocou o acessório de cabelo. Toneria parecia indignado.
“Você pediu para o meu irmão lhe comprar isso?”
“Não. Eu não pedi, mas…”
“Ele te deu de presente”.
Toneria arrancou o acessório.
“Que coisa triste. Ele acha que por ter trazido um ômega por conta própria está livre para te escolher”.
Jill ficou surpreso. O pesado livro que segurava nas mão caiu ao chão, mas ele nem percebeu. A mão de Toneria repousou sobre um dos ombros de Jill e a garras afundaram em sua carne a ponto de sentir dor. Os olhos do lobo ficaram escuros enquanto encarava o ômega.
“Toneria-sama…”
“Você está de olho em mim desde o dia que chegou”. Disse Toneria aproximando o rosto até Jill sentir seu hálito quente em sua orelha. “Você sabe o que é. Parece inocente, mas, na verdade, está interessado”.
“Por favor… Por favor me deixe ir”.
Toneria não se moveu quando Jill luto para tentar escapar. Também era um homem-fera lobo, mesmo que seu físico não fosse tão bom quanto o dos irmãos. Toneria também era alto e tinha músculos fortes, dessa forma, conseguiu segurar cada movimento de Jill com bastante facilidade. Um focinho úmido lhe toco o pescoço.
“Por favor…”
“Por que? Eu também sou membro da família Siegfried. Você é um ômega, então eu devo ser tão útil pra você quanto o meu irmão”.
Jill não conseguia se mover, mesmo empurrando o peito de Toneria com as mãos. O lobo começou a acariciar suavemente a cintura de Jill.
“Eu posso te dar um filho perfeito”.
“Não… Toneria-sama”.
“Não precisa ser com o Diego. Eu sou gentil, sou inteligente, tenho um barco, tenho… Eu posso te dar o que quiser, Jill”.
Toneria sorriu e depois o lambeu.
“Ah… por favor…”
“Está gostando tanto a ponto de tremer?”
A língua pegajosa de Toneria o lambia repetidamente.
“Te amo, Jill. Estou apaixonado por você. Você não pode… engravidar do Diego porque ele é um inútil e não tem nenhum senso de responsabilidade. Mas, se ficar comigo, vou te fazer sentir bem o suficiente. Farei você ver como um ômega é precioso. Tenha um filho meu. É só isso que você precisa fazer”.
A ofegante voz de Toneria que vinha em sua direção era terrivelmente desagradável. Jill sentia muito desconforto na parte do pescoço que o lobo havia lambido e detestou todas aquelas carícias. Quando se contorceu novamente para tentar escapar o alfa sorriu e disse:
“Se acalme”.
Toneria continuava ofegante. Aproximou o focinho da nuca de Jill tocando-o com as presas. Justo em cima do colar. Como o lobo tentava morder o colar para tentar rasgá-lo, Jill instintivamente lhe deu uma joelhada no estômago.
“Argh… Espera!!”
A voz que gritava para que esperasse se rompeu em ira no momento em que Jill saiu correndo como um louco.
“Espere, Jill!”
Não havia tido tempo de recompor suas roupas então, enquanto fugia correndo, escutou um enorme ruido de tecido se rasgando e a seda que vestia de repente tinha uma enorme fenda. Jill empurrou a porta da biblioteca para abri-la e saltou no corredor, sem diminuir a velocidade. Toneria estava em seu encalço correndo a velocidade de uma ferra. Jill não podia se dar ao luxo de subir as escadas até seu quarto sem que fosse apanhado. Não podia escapar para ala oeste, assim, só conhecia outro lugar que poderia estar mais ou menos a salvo. “O segundo quarto da esquerda” lembro de Diego dizendo. Era o quarto dele.
Jill correu, subiu, abriu a porta e saltou para dentro sem qualquer sombra de dúvidas. Não havia tempo para olhar ao redor e procurar um bom lugar para se esconder, então simplesmente correu para trás da cama e se encolheu como uma criança. A colcha da cama era o suficientemente grande para que ele pudesse se ocultar. Mesmo que Toneria entrasse ao quarto, estava seguro que não o encontraria de imediato. Mas claro, se o lobo procurasse um pouco poderia achá-lo.
“Deus, por favor. Por favor, por favor… Me ajude. Não deixe ele me encontrar. Me ajude, me ajude, me ajude”.
Não teve outra opção a não ser juntar as mãos e rezar fervorosamente. Não queria sentir medo, mas estava terrivelmente assustado. Por isso, os temores não pararam nem por um minuto. Sentia o pescoço ardendo e ainda que esfregasse várias vezes, a sensação do hálito quente, a língua pegajosa e o toque das presas de Toneria não iam embora. Jill mordeu o lábio. Mesmo que detestasse as regras impostas aos ômegas se sentia imensamente aliviado por usar um colar naquele momento.
“Se não fosse por isso…” Tocou o colar. “Se não fosse por isso ele…”
(Ele tentou me morder. Tentou me morder! Ele queria se enlaçar comigo… Queria formar um vínculo… Queria… Queria…)
Toneria não só não pensou nos sentimentos de Jill, como também tentou trair seu irmão tomando-o para si. Pensava que o irmão de Diego era amável e gentil, então as ações repentinas do lobo foram terrivelmente tristes para ele.
Capítulo 24
Fonts
Text size
Background
Garland Jujin Omegaverse
A família Müller treina Ômegas de alta qualidade para dar a luz a filhos de aristocratas. Ao crescer ali, Jill não consegue aceitar o cruel destino que todas as pessoas da sua condição...