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Octavian abre seus olhos devagar e pisca lentamente, se sentindo um pouco atordoado, como se tivesse acabado de acordar de um sonho estranho. Ele olha ao redor e percebe que a cama estava vazia, mas logo sente o cheiro de comida fresca que se espalha pela casa.
O vampiro se levanta e desce as escadas, indo em direção a cozinha. Ao chegar, encontra Henry cozinhando, enquanto cantarola uma música que não consegue reconhecer.
– Henry ? – ele o chama, ainda meio confuso. Tudo parecia igual, mas sentia que algo não se encaixava.
– Ah! Bom dia! – Henry fala da forma alegre de sempre e se vira em sua direção. Ao vê-lo, Octavian logo percebe que há algo errado.
– Seus olhos… – o vampiro balbucia, com os olhos arregalados, e se aproxima. Ele segura seu rosto com as duas mãos e o encara fixamente.
– Octavian, o que foi ? – Henry questiona e franze o cenho.
– Você consegue me ver ?! – o vampiro pergunta surpreso.
– Claro que consigo, do que está falando ? Você bateu a cabeça ? – ele ri e leva sua mão em direção ao rosto de Octavian.
– N-não, eu… – Octavian murmura e de repente sente seu peito apertado. Por alguma razão, sentia que antes estava imerso em uma profunda tristeza, mas agora que podia tocá-lo e ouvir sua voz, se sentia aliviado.
– Como isso aconteceu ?
– Octavian, depois que fui abraçado, Percival e Bartolomeu trocaram meus olhos. Não se lembra disso ?
– Eu abracei você ?! – o vampiro questiona um pouco alto e usa seu polegar esquerdo para levantar o lábio superior de Henry, mostrando seus dentes.
– O que diabos está acontecendo com você, Octavian ? Se estiver brincando, eu não gostei! – Henry se afasta assustado.
– Se eu te contasse, diria que estou louco… – ele sorri, mas com uma expressão triste.
– Tente, eu vou ouvir tudo.
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– Então eu morri ? – Henry murmura surpreso, ainda tentando digerir todas as informações.
– Sim… – Octavian se encolhe na cadeira e de repente é levado de volta para o seu passado, quando ele ainda era uma criança e seu estômago se revirava de medo do seu pai agressivo.
– Sei que é absurdo, mas eu…
– Octavian. – ele o interrompe e segura sua mão direita.
– Sei que está assustado e confuso, mas eu estou aqui. Prometo que não vou a lugar nenhum. – Henry acaricia o dorso da sua mão e sorri.
– Mesmo que você vá, eu te seguiria até o inferno… – o vampiro se inclina para frente, se aproximando dele, e sussurra com um sorrisinho travesso em seus lábios. Henry dá risada e o puxa pela nuca, beijando-o.
Octavian se surpreende, porém não o evita. Aquela sensação familiar de excitação que percorre seu corpo, misturado ao gosto de Henry, só o deixam mais emocionado. Sentia muita falta disso.
– Podemos subir ? – o vampiro murmura logo após o beijo e segura sua mão com força, um pouco ansioso com a situação.
– Octavian, eu ainda… – Henry para de repente e desvia seu olhar para a entrada da cozinha.
– Ah! Desculpe, não queria atrapalhar. – a voz feminina fala envergonhada.
– Tudo bem, não se preocupe. – ele a tranquiliza e se levanta.
– Adelea ? – o vampiro sussurra para si mesmo e também se levanta, mas ao se virar em direção a moça, é pego de surpresa ao ver um bebê nos braços de Henry.
– De quem é esse bebê ? – Octavian o encara atônito.
– Alice, você pode ir agora. – Henry o ignora e fala com a moça com um sorriso gentil em seu rosto. Alice concorda com a cabeça e sai rapidamente, os deixando sozinhos.
– Henry! – o vampiro tenta chamar sua atenção. Sabia que por meios naturais, nenhum dos dois poderia engravidar uma mulher, então de onde diabos saiu aquele bebê ?
– Ele se chama Damien, nós o adotamos há quatro meses. – Henry aconchega o bebê próximo ao seu corpo e beija a palma da sua mãozinha.
– Nosso…? – Octavian balbucia com os olhos brilhando. Havia renunciado ao sonho de ter uma família há muito tempo e pensava que era impossível, mas Henry tornou isso possível.
– Quer segurar ? – ele questiona e se aproxima.
– Eu posso ?
– É claro! – Henry ri e entrega a criança. Octavian o segura meio desajeitado, porém logo o aconchega próximo ao seu peito.
– Oi, Damien. – ele sussurra e beija o topo da sua cabeça. Ao sentir o calor do seu corpo e o cheirinho característico de bebê, seus olhos ficam marejados e um nó se forma em sua garganta.
– É incrível como vocês se dão tão bem. Me sinto de lado! – Henry sorri e beija a bochecha do bebê.
– Henry, obrigado… – Octavian murmura com a voz embargada e o encara com um olhar cheio de gratidão e amor.
– Acho que sou eu quem deveria te agradecer. – ele se inclina para frente, ficando na ponta dos pés, e o beija novamente.
– Eu te amo, Octavian.
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Nosso Amor Manchado por Sangue
Octavian, um vampiro centenário e de uma das famílias mais influentes no meio político da sociedade vampírica, se recusa a beber sangue humano após um incidente...