Capítulo 10
– Galena! – Conan abre a porta do quarto de repente e se depara com Shahid ajoelhado em frente a Princesa, enfaixando seu tornozelo. No mesmo instante, ambos giram a cabeça em direção a entrada, Shahid o encara surpreendido e Galena está a ponto de matá-lo.
– E-eu volto depois… – ele recua devagarzinho e vai fechando a porta.
– Príncipe, pode ficar. Já terminei aqui. – o lobo fala ao se levantar.
– Me chame se precisar de alguma coisa. – ele acena com a cabeça, se despedindo rapidamente, e sai do quarto. Conan, que ainda estava parado na porta, observa enquanto Shahid caminha pelo corredor e ao vê-lo sumir, gira o rosto em direção a Galena e a encara com um sorrisinho.
– O que aconteceu ? – Conan entra e fecha a porta.
– Graças a você, nada! – Galena revira os olhos e se levanta, indo para trás do biombo.
– Espera! você não machucou o tornozelo ? – ele se aproxima da cama e se senta de frente para o biombo.
– Nós somos lobos de uma raça superior, mesmo que uma espada atravesse meu corpo, ainda poderia caminhar sem problemas. – Galena fala enquanto sai de trás do biombo, prendendo o cabelo.
– Pela deusa, que fingida! – Conan dá risada.
– E você ? Onde estava ontem a noite ?
– Adivinha! – ele fala com um sorrisinho.
– Fala logo. – Galena cruza os braços e revira os olhos.
– Dormi no alojamento dos cavaleiros, com o Alaric.
– O quê ? Mentira! – ela fala alto, surpresa com o que havia acabado de ouvir.
– Mas infelizmente não rolou nada, só dormimos. – Conan franze o cenho, forçando uma expressão triste e deixa um longo suspiro sair.
– Pelo menos você faz algum progresso. – a Princesa revira os olhos novamente e se aproxima da cama, sentando-se ao lado de Conan.
– Ele continua te tratando como uma criança ? Que idiota. – ele ri.
– Sim! Eu odeio isso!
– Pela deusa, que bando de homem burro. Isso me cansa, sério! – Conan joga o corpo para trás, deitando na cama.
– Nem me fale! – Galena suspira e se levanta, indo em direção ao banheiro. Nenhum dos dois parecia ter sorte no amor.
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– Vamos terminar aqui por hoje. – Fenrir se levanta e em seguida os outros lobos, que estavam presentes na reunião, também se levantam. Eles acenam com a cabeça, um de cada vez, e saem do escritório. Aproveitando a situação, Sekani tenta sair de fininho, sem coragem para encará-lo.
– Você fica, Sekani. – o lobo o chama antes de que ele consiga sair. Sekani suspira e se vira em sua direção, mas mantém a cabeça baixa.
– Está me evitando ? – Fenrir se aproxima, parando em próximo ao seu corpo.
– N-não, eu só… – ele balbucia nervoso.
– Eu passei dos limites ontem ? – o lobo leva a mão esquerda até o rosto dele e acaricia gentilmente sua bochecha.
– Se foi demais para você, sinto muito. Mas eu gostei… – ele se aproxima do seu rosto, apoiando a testa sobre a dele. Só precisava de uma resposta clara.
– Fenrir, aquilo não deveria ter acontecido. – Sekani se afasta e o encara com um olhar tristonho. Sentia que não era certo.
– Por que ? – ele questiona, sem entender. Pensava que talvez Sekani se sentisse da mesma forma.
– Me desculpa… – Sekani murmura com a voz embargada e sai apressado do escritório. Não queria ter aquele tipo de conversa, pelo menos não agora.
Fenrir apenas observa enquanto ele foge e ao vê-lo cruzar a porta, deixa um longo suspiro sair. Não queria terminar as coisas daquele jeito.
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Ao anoitecer, após cumprir com seus últimos deveres do dia, Sekani se tranca em seu quarto, pulando o jantar daquela noite. Ele se senta na janela e observa a lua, enquanto sua mente pensa em milhares de coisas ao mesmo tempo.
Não é que não gostasse de Fenrir, mas as circunstâncias o afastavam. Depois de perder tudo, incluindo seu reino e seu título, Sekani era apenas mais um plebeu em sua corte, mesmo que o Rei não o visse assim. Para os demais, casar-se com Sekani, seria como um suicídio político. Todos esperavam ansiosos por uma bela Rainha.
– Eu queria que fosse diferente… – Sekani sussurra tristonho, mas logo acaba se distraindo ao ouvir alguém bater à porta. Seu coração acelera, pensando na possibilidade de que seja Fenrir, então ele se levanta rapidamente e vai até a porta, apenas para se decepcionar ao ver Shahid do outro lado.
– Ah… – ele balbucia, sentindo-se traído por si mesmo.
– Estava esperando alguém ? – Shahid questiona ao notar sua reação.
– N-não! Eu só…
– Tudo bem, só vim para conferir se estava bem. – o lobo o interrompe, sabia bem quem ele esperava.
– Você não foi jantar, então todos ficaram preocupados.
– Eu não estava com fome. Sinto muito por ter deixado todos preocupados!
– Está tudo bem ?
– Sim, só estou um pouco cansado. – Sekani força um sorriso, tentando convencê-lo.
– Certo, descanse. Te vejo amanhã. – Shahid acena com a cabeça e sai. Sekani fecha a porta e deixa um longo suspiro sair.
– Porra…
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Enquanto Sekani sente-se culpado de um lado, do outro Fenrir tenta entender o que fez de errado. Sabia que os sentimentos dele não eram tão profundos quanto os seus, mas ainda tinha um pouco de esperança. Desde aquela noite no baile, o lobo jamais esqueceu sua figura, sendo atormentado pela lembrança constante do seu sorriso e do seu cheiro.
Sentindo-se ansioso, Fenrir decide sair e caminhar pelo palácio. À noite, tudo era tão quieto, como se fosse um lugar completamente diferente, o que lhe trazia uma sensação de paz e o ajudava a pensar. Seguindo pelos corredores, ele chega até um dos jardins e para um momento para observar a lua.
Enquanto se distraia com seus próprios pensamentos, o lobo ouve um barulho vindo da floresta ao redor do palácio. A princípio, ele olha desconfiado e se preparando para uma possível invasão, mas quando a figura deslumbra de um tigre branco sai de dentro da floresta, seus olhos brilham. Seu corpo fica paralisado e nenhum som sai da sua boca, como se o tempo tivesse parado. O tigre o encara por alguns instantes e logo se aproxima, parando em frente a ele.
Fenrir hesita, mas em seguida estende a mão direita e acaricia gentilmente seu pelo. Era macio e brilhante.
– Sekani. – o nome dele sai da sua boca de forma inconsciente. O tigre responde se esfregando contra a palma da sua mão e o lobo sorri.
– Que magnífico…
Capítulo 10
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O Lobo e o Ladrão
Após um longo e próspero reinado, Desmond e Ambrose deixam Neverhand nas mãos de Fenrir, seu primogênito, e partem para a sua tão esperada aposentadoria.
Enquanto Fenrir tenta se...