Capítulo 5
Alguns dias depois.
– Aqui estão os papéis que me pediu, senhor. – Sekani fala em um tom indiferente e deixa uma pequena pilha de papéis sobre a mesa de Fenrir.
– Precisa de mais alguma coisa ? – ele questiona, mas evita olhá-lo diretamente nos olhos.
– Não, vá descansar. Está tarde. – o lobo responde sem desviar sua atenção do documento em suas mãos.
– Sim, senhor. – Sekani acena com a cabeça e sai rapidamente do escritório. Ao ouvir a porta se fechar, Fenrir deixa um longo suspiro sair e se recosta na cadeira, se sentindo frustrado e cansado. Queria se desculpar e conversar com ele, mas ainda estava atolado de trabalho.
– Sinto que vou enlouquecer… – ele murmura para si mesmo e fecha os olhos por um instante. Não queria lidar com nada problemático naquele momento.
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Alaric, que estava descansando em um dos raros momentos de folga, desvia seu olhar em direção a porta ao ouvir alguém bater e mesmo contra a sua vontade, se levanta e caminha em direção a entrada. Ao abrir a porta, se depara com Conan parado do outro lado, o encarando com um sorrisinho em seus lábios.
– Você não parece surpreso em me ver. – ele o provoca.
– Sabia que mais cedo ou mais tarde você viria. – Alaric suspira e dá espaço para que ele entre. Sabia que tentar expulsá-lo só causaria mais problemas e atrairia uma atenção desnecessária.
– Seu cheiro está impregnado por toda parte… – Conan murmura enquanto olha ao redor do pequeno alojamento.
– Bom, eu vivo aqui. – Alaric responde de forma fria e se mantém distante.
– Você não foi para o campo de treinamento hoje. – Conan se senta na cama e percebe o cheiro do lobo misturado a outros. Ele se encolhe e sente seu pesado, odiava que Alaric se deitasse com outros lobos, mas não havia nada que pudesse fazer.
– O que você quer, Conan ? – o lobo vai direto ao ponto, sem paciência para joguinhos.
– Agora eu sou só Conan ? – ele sorri.
– Se não tem nada a dizer, saia. – Alaric se aproxima da entrada e abre a porta. Conan agarra os lençóis com força e sente uma onda de ansiedade percorrer seu corpo. sentia que se saísse agora, perderia a oportunidade de ficar mais próximo dele.
– E-eu posso dormir aqui…? – ele questiona em voz baixa, quase implorando.
– Por que quer dormir em um lugar como este, Conan ? Tenho certeza de que seu quarto é grande e confortável.
– Eu só não queria dormir sozinho hoje… – Conan sussurra e seu rosto ganha um leve tom avermelhado.
– O que diabos você é ? Uma criança ? – Alaric resmunga e fica irritado com sua atitude. Não queria ter que lidar com as birras do Príncipe.
– Certo, você tem razão. – ele se levanta de repente e segue em direção a saída.
– Boa noite, Alaric. – Conan o encara com um olhar triste, mas sorri e fala de forma gentil. Ele acena com a cabeça e sai, caminhando pelo corredor que leva para fora dos alojamentos.
Alaric se surpreende com sua reação e se sente um pouco culpado ao vê-lo tão triste. Não queria ser o culpado por partir o coração do Príncipe.
– Conan! – ele o chama.
– Sim ? – o Príncipe para e se vira.
– Entra.
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Fenrir deixa um longo suspiro sair e se recosta na cadeira, finalmente conseguiu terminar todo o trabalho pendente do dia e agora podia ir. Ele fecha os olhos e tenta esvaziar sua mente, mas logo ela é tomada por Sekani.
– Droga… – ele resmunga e abre os olhos, se levantando logo depois. O lobo caminha apressado pelos corredores, indo em direção ao quarto de Sekani. Não sabia o que diria, mas precisava vê-lo.
Ao se aproximar do quarto, Fenrir pode ouvir o som de vozes conversando. No mesmo instante, seu corpo paralisa e uma onda de ansiedade revira seu estômago. Ele fica parado em frente a porta, decidindo se deveria entrar ou não, mas de repente um gemido ecoa, fazendo-o agir por impulso.
– Sekani! – o lobo abre a porta de forma brusca, chocando o objeto contra a parede.
– Fenrir ? – Shahid, que estava sentado na cama ao lado de Sekani, enquanto o ajudava a cuidar de um pequeno corte na palma da sua mão, o encara confuso.
– Ah… eu… – Fenrir murmura, envergonhado de como agiu e recua.
– Precisa de alguma coisa ? – Sekani questiona e o encara irritado.
– Não, eu só… – ele hesita por um instante, tentando pensar em alguma desculpa.
– Shahid, a Galena está te procurando. – o lobo tenta disfarçar.
– Obrigado por me avisar. Quando terminar aqui, irei vê-la.
– Você pode ir, Shahid. Estou bem. – Sekani puxa sua mão e encara o pequeno corte sobre em sua palma.
– Está ferido ?! – Fenrir questiona, visivelmente preocupado. Estava tão envergonhado que não havia reparado nisso.
– Foi só um corte bobo.
– Me deixe ver. – o lobo se aproxima e agarra seu pulso com força, puxando sua mão para perto.
– Precisa cuidar disso, ou vai infeccionar. – Fenrir resmunga e pega o pano úmido que Shahid estava usando, limpando ao redor do corte.
– Eu avisei, mas ele é teimoso!
– Eu estou bem! – Sekani fala um pouco alto, se sentindo sufocado com os lobos ao seu redor.
– Não, você precisa cuidar desse corte. – Fenrir segura sua mão com força e usa um tom firme.
– Shahid, você pode ir. Eu termino aqui. – ele
– Bom, tudo bem. Até amanhã! – Shahid se despede rapidamente e sai do quarto, os deixando sozinhos.
– Vou aplicar um pouco de remédio. – Fenrir se senta ao seu lado e espalha um pouco da mistura pastosa que Sahid havia feito sobre o corte. Sekani deixa um gemido baixo escapar e se encolhe.
– Não se preocupe, vai melhorar em alguns dias. – o lobo o tranquiliza, enquanto enrola o curativo ao redor da palma da sua mão.
– Pronto. – ele sorri, feliz em poder ajudar, e acaricia o dorso da sua mão.
– Por que veio aqui ?
– Eu não sei… – Fenrir sussurra.
– Acho que é melhor você ir. – Sekani afasta sua mão e gira o rosto para o outro lado, evitando contato visual.
– Boa noite, Sekani. – o lobo se levanta e segue em direção a porta, saindo em silêncio. Mais uma vez, não conseguiu dizer o que realmente queria.
Capítulo 5
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O Lobo e o Ladrão
Após um longo e próspero reinado, Desmond e Ambrose deixam Neverhand nas mãos de Fenrir, seu primogênito, e partem para a sua tão esperada aposentadoria.
Enquanto Fenrir tenta se...