Capítulo 3 — Uma Oportunidade
A faculdade está movimentada naquela manhã. Topázio atravessa o corredor com seus livros nos braços e avista Carlos conversando com alguns professores.
Ele para por alguns segundos.
TOPÁZIO: Carlos…
Topázio observa atentamente. Não é apenas o homem que chama sua atenção. É tudo o que ele representa: formação, respeito, estabilidade e, principalmente, portas que poderiam levá-lo para lugares onde nunca conseguiu chegar.
TOPÁZIO: Eu poderia simplesmente me apaixonar por ele. Seria fácil. Mas não sou tão ingênuo.
Alice aparece ao lado dele.
ALICE: Está olhando para quem?
TOPÁZIO: Para ninguém.
ALICE: Você está olhando para o Carlos.
TOPÁZIO: E daí?
ALICE: Nada. Só achei curioso.
TOPÁZIO: Ele é inteligente, respeitado e conhece pessoas importantes. Isso é interessante.
Alice percebe o tom diferente na voz dele.
ALICE: Você está falando dele como se estivesse avaliando um currículo.
TOPÁZIO: Talvez eu esteja.
ALICE: Topázio…
TOPÁZIO: O quê? Você acha errado pensar no próprio futuro?
ALICE: Não. Mas pessoas não são oportunidades.
Topázio olha para ela.
TOPÁZIO: Você pensa assim porque nunca precisou lutar para conseguir as coisas.
Alice fica séria.
ALICE: Eu sei que tive uma vida diferente da sua. Mas isso não significa que você precise usar as pessoas.
TOPÁZIO: Eu não estou usando ninguém.
ALICE: Ainda.
Topázio não responde.
Carlos se aproxima.
CARLOS: Bom dia.
ALICE: Bom dia, Carlos.
TOPÁZIO: Bom dia.
CARLOS: Topázio, você vai assistir à palestra de hoje?
TOPÁZIO: Claro. Não perderia.
CARLOS: É sobre ética profissional.
TOPÁZIO: Parece interessante.
CARLOS: Você gosta mesmo de Direito, não é?
TOPÁZIO: Muito. Quero construir uma carreira importante.
CARLOS: Então você está no caminho certo. Você é um dos alunos que mais se destaca aqui.
Topázio sorri.
TOPÁZIO: É bom ouvir isso de alguém como você.
Carlos se despede e continua pelo corredor.
Alice olha para Topázio.
ALICE: Você mudou completamente quando ele apareceu.
TOPÁZIO: Eu apenas sei reconhecer uma boa oportunidade.
ALICE: Você está fazendo isso de novo.
TOPÁZIO: Fazendo o quê?
ALICE: Transformando uma pessoa em uma oportunidade.
Topázio fecha o livro que estava segurando.
TOPÁZIO: Alice, eu cresci vendo minha mãe trabalhar todos os dias para conseguir o básico. Eu sei exatamente o que significa não ter dinheiro. Não vou passar a vida inteira aceitando o lugar que decidiram para mim.
ALICE: Mas você pode vencer sem destruir ninguém.
TOPÁZIO: Talvez.
ALICE: “Talvez” não é uma resposta muito tranquilizadora.
Topázio sorri discretamente.
TOPÁZIO: Você se preocupa demais comigo.
Mais tarde, Topázio está na biblioteca estudando. Carlos entra para procurar alguns livros.
CARLOS: Você está aqui de novo?
TOPÁZIO: Eu poderia perguntar o mesmo.
CARLOS: Estou procurando material para uma pesquisa.
TOPÁZIO: Posso ajudar.
CARLOS: Você nem sabe o que estou procurando.
TOPÁZIO: Ainda não. Mas posso descobrir.
Carlos ri.
CARLOS: Você sempre é tão determinado?
TOPÁZIO: Quando quero alguma coisa, sim.
Carlos encontra o livro que procurava.
CARLOS: Obrigado pela ajuda.
TOPÁZIO: Disponha.
Carlos se afasta.
Topázio acompanha Carlos com os olhos.
TOPÁZIO: Ele confia facilmente. É gentil. E parece acreditar que as pessoas são sinceras como ele. Isso pode ser útil.
Ele volta aos estudos, mas sua expressão mudou.
TOPÁZIO: Carlos pode ser mais do que alguém interessado em mim. Pode ser uma ponte.
Topázio fecha o livro.
TOPÁZIO: Uma ponte para a vida que eu quero.
Naquele momento, ele toma uma decisão: vai se aproximar de Carlos.
Não porque esteja disposto a abandonar seus sonhos.
Mas porque acredita que Carlos pode ajudá-lo a alcançá-los.
E Topázio está começando a descobrir que, para subir socialmente, talvez precise aprender a transformar sentimentos em estratégia.
Capítulo 3 — Uma Oportunidade
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TOPÁZIO
Em um mundo dividido entre Alfas, Ômegas e Betas, os ômegas são criados para seguir um destino considerado tradicional: cuidar da casa, formar uma família e viver ao lado de seus alfas. Mas...