Capítulo 26: Eu te odeio
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— Não esperava que você soubesse cozinhar — Sheng Heng perguntou, surpreso, ao saírem do refeitório.
— Estudei por um tempo, mas sempre sigo a receita. Por isso, o sabor pode não ser tão bom — Yan Hao disse, modesto.
— O sabor está ótimo — Sheng Heng disse na hora.
— Sério? — Yan Hao não estava muito confiante.
— Claro. Se não acredita, pergunte a eles — Sheng Heng disse.
Os dois, que foram chamados de repente, primeiro ficaram surpresos, mas logo acenaram com a cabeça rapidamente:
— Está bom, está bom! Muito melhor do que o que o chefe do refeitório faz!
— É, está tão bom que a gente até quer montar uma cozinha pequena no nosso dormitório — He Shao também disse.
Cozinha pequena?! Esse garoto, depois de comer um prato de frango com peixe aromatizado, ainda quer montar uma cozinha?! Sheng Heng lançou um olhar afiado na direção de He Shao.
He Shao sentiu como se tivesse uma faca nas costas e, em voz baixa, disse: Isso não é bom.
—
— Vocês estão exagerando. Na verdade, a comida que faço só tem um sabor — Yan Hao olhou para He Shao e disse: — Se você gosta, pode comprar um robô doméstico. Eu posso inserir a receita nele, e você pode fazer quando quiser.
— Ah, eu só estava brincando. Não pensei em montar uma cozinha de verdade. Nossos estudos são muito pesados, não temos tempo para cozinhar — He Shao acenou com a mão. — Além disso, a comida feita por robôs não têm alma. É melhor comer no refeitório, quem dirá comparar com a sua.
Na verdade, com o nível tecnológico atual, a maioria das tarefas domésticas poderia ser feita por robôs, inclusive cozinhar. Mas, mesmo com a tecnologia tão avançada, as pessoas ainda preferem fazer as coisas manualmente quando podiam. Sempre achavam que as coisas feitas por máquinas sem sentimentos também eram frias e sem alma.
— Vocês acham que a comida que faço é melhor do que a feita por robôs? — Os olhos de Yan Hao brilharam levemente.
— Yan Hao, por que você sempre pergunta isso? Você realmente está com dúvidas sobre si mesmo ou está tentando que a gente te elogie mais? — He Shao perguntou.
— Não, não é nada — Yan Hao balançou a cabeça rapidamente e sorriu. — Se vocês acham que está bom, da próxima vez eu faço de novo.
— Isso é o que você disse. Da próxima vez, eu quero costela — He Shao logo fez um pedido.
— Sem problema — Yan Hao aceitou na hora.
— Calouro, posso fazer um pedido? — Cheng Wen Kang, que estava ao lado, também se aproximou.
— Claro, sênior. O que você quer comer? — Yan Hao perguntou.
— Ainda não decidi. Quando decidir, te aviso — Cheng Wen Kang só estava fazendo parte da conversa e não tinha nada específico em mente.
— Ok. E o senior Sheng Heng? — Yan Hao olhou para Sheng Heng e perguntou: — Você tem alguma comida favorita?
Sheng Heng olhou para Yan Hao, que estava feliz, e não entendeu. Desde que conhecera Yan Hao, Sheng Heng notara um problema: Yan Hao era inteligente, cumpria promessas, era independente, rigoroso, gostava de Fabricação de Mechas e tinha uma personalidade simples, mas tinha um defeito de personalidade que ele não entendia: sensível e inseguro.
Uma pessoa bonita, com notas excelentes, que entrou no curso de Pilotagem de Mechas da Universidade Federal com a primeira colocação do Planeta Z, e até conseguia resolver modelos de dados que o professor Sun publicou há três anos… por que uma pessoa assim teria uma personalidade sensível e insegura? Alguém como ele não deveria estar orgulhoso e confiante?
Por que só um elogio sobre a comida o fazia querer confirmar repetidamente?
—
— Alguém já disse que a comida que você faz não é boa? — Sheng Heng perguntou, com voz séria.
Yan Hao ficou surpreso.
— Ou… alguém já disse que a comida que você faz é igual à feita por robôs? — Sheng Heng, lembrando do que Yan Hao dissera antes, extraiu a informação.
O sorriso no rosto de Yan Hao desapareceu completamente, como se tivesse se lembrado de algo ruim. Ele tentou mudar de assunto, gaguejando:
— Eí… da próxima vez que eu cozinhar, eu chamo vocês, ok? Tenho que revisar a aula da tarde. He Shao, vamos.
Dito isso, Yan Hao puxou He Shao, que estava confuso, e saiu rapidamente por outro caminho.
— Chefão, acho que você acertou — Cheng Wen Kang, olhando para as costas de Yan Hao fugindo, disse com certeza. Se não fosse um ponto sensível, o calouro não teria reagido tão forte.
Se até Cheng Wen Kang conseguia ver, Yan Hao com certeza também via. Ele quase conseguia imaginar a cena: em algum momento do passado, o calouro inocente fizera uma mesa cheia de comida para alguém, com a intenção de se aproximar, mas receberá como resposta que a comida estava ruim. Só de pensar nisso, Sheng Heng sentia um nó no peito, frustrado pela injustiça sofrida pelo calouro.
Com uma personalidade como a de Yan Hao, que não gostava de interações sociais, a única pessoa que o faria estudar culinária e cozinhar seria alguém muito próximo, possivelmente um familiar. Agora, Sheng Heng finalmente entendia por que uma pessoa tão excelente como Yan Hao tinha uma personalidade tão sensível. Se fosse tratado assim pela família, não era de se estranhar.
—
Yan Hao continuou puxando He Shao até chegarem ao prédio do dormitório e só então parou, olhando nervoso para trás.
— Você me puxou por dez minutos. Eles já estão longe — He Shao suspirou.
Yan Hao sorriu, constrangido, para He Shao. Na verdade, ele sabia que sua reação tinha sido exagerada, mas não conseguia controlar. Quando Sheng Heng perguntou com tanta certeza, lembrou de uma memória distante, e, embora tivesse sido há muito tempo, toda vez que se lembrava, sentia uma sensação de asfixia. Ele não conseguia lidar com essa emoção, então tentava evitar pensar nisso.
Na verdade, bastaria sorrir e dizer que não, e Sheng Heng com certeza não insistiria. Mas ele ainda se importava demais.
— Fala. Quem disse que sua comida não era boa? — He Shao continuou perguntando.
— Ah… ninguém — Como já estava preparado, desta vez, a reação de Yan Hao não foi tão forte. Ele balançou a cabeça e sorriu.
— Se você tivesse dito isso antes, eu até acreditaria. Mas agora… acha que sou cego? — He Shao disse, mal-humorado. — Se ninguém tivesse dito, você não teria reagido assim.
— Foi só no começo, quando estava aprendendo a cozinhar. Alguém disse isso algumas vezes — Yan Hao não queria falar do passado.
Era óbvio que era uma desculpa, e He Shao sabia disso, mas, como Yan Hao não queria falar, ele não insistiu. Mudou de assunto para aliviar a tensão.
—
— Irmão — uma voz soou atrás dos dois.
Yan Hao virou-se e viu Yan Fei logo atrás dele. Franziu a testa sem querer.
— O que você está fazendo aqui? — Yan Hao perguntou.
— Vim te procurar — Yan Fei disse, sorridente.
— O que você quer? — Yan Hao só queria que Yan Fei dissesse o que tinha a dizer e fosse embora. Ele não queria vê-lo.
— Eu… — Yan Fei sentiu o desdém de Yan Hao e ficou constrangido, tentando encontrar um assunto para aliviar a tensão. — Acabei de ouvir vocês falando sobre cozinhar. Me lembrei que, na primeira vez que você cozinhou em casa, a comida ficou tão boa quanto a do robô doméstico. Você usou uma balança eletrônica para medir os temperos, com uma precisão de um miligrama. Que precisão!
Assim que Yan Fei disse isso, não foi só Yan Hao que ficou de cara feia, mas He Shao também.
Caramba! Agora sei quem disse que a comida do Yan Hao não era boa!
— Fala logo o que você quer — Yan Hao disse, impaciente.
Yan Fei claramente não esperava que Yan Hao falasse com ele desse jeito na frente de outras pessoas e ficou magoado, mordendo o lábio enquanto olhava para Yan Hao.
Ao ver a expressão de Yan Fei, o coração de Yan Hao deu um baque. Ele virou-se para olhar a reação de He Shao.
He Shao estava olhando para Yan Fei com desdém. Ele suspeitava que o culpado era Yan Fei, e, quando ouviu o que ele dissera, ficou com ainda mais raiva. Mas, como a frase de Yan Fei, à primeira vista, era um elogio, não podia explodir. Por isso, ele só podia demonstrar desdém com o olhar. Enquanto fazia isso, recebeu o olhar tenso de Yan Hao e ficou confuso.
Que olhar é esse do Yan Hao? Por que ele está com uma expressão tão tensa? Será que tem medo de que eu e o irmão dele briguem? Tá bom, afinal, isso é um assunto de família do Yan Hao. É melhor eu não me meter.
— Vocês conversam. Eu vou voltando para o dormitório — He Shao acenou com a mão e foi embora.
Yan Hao só relaxou quando He Shao chegou perto do prédio do dormitório. He Shao não o criticou e não ficou do lado de Yan Fei.
—
— Agora posso falar? — Yan Hao olhou para Yan Fei.
— Irmão, tenho uma coisa que quero te perguntar — Yan Fei hesitou por um momento e disse: — Esse modelo de fórmula para sedativos de alto nível que está circulando na internet… foi você que calculou?
O coração de Yan Hao apertou. Será que Yan Fei sabe que eu reencarnei?
— Por que você acha isso? — Yan Hao perguntou, nervoso.
— Acho que o método de cálculo dessa fórmula… é parecido com o seu — Yan Fei disse.
— Parecido com o meu? Como eu não sabia?
— Realmente não foi você? Eu me lembro que, no primeiro semestre do terceiro ano do ensino médio, você sempre pesquisava essa fórmula do professor Sun. Até disse que, quando entrasse na Universidade Federal, ia fazer pesquisa com o professor Sun. Por isso, eu…
— Você está errado! — Yan Hao disse com firmeza. — Agora, eu estou no curso de Fabricação de Mechas. Não me interesso mais por Farmacologia. Não sei nada sobre essa fórmula que você mencionou.
— É mesmo? Eu até pensei… se essa fórmula fosse resolvida por você, irmão, a Faculdade de Farmacologia poderia aceitá-lo de forma excepcional. Assim, você poderia voltar a estudar Farmacologia — Yan Fei disse, com um ar de decepção.
— Yan Fei, você realmente quer que eu volte para a Faculdade de Farmacologia? — Yan Hao olhou fixamente para Yan Fei, com os olhos brilhando de raiva.
— Claro. Ninguém sabe melhor do que eu o quanto você gosta de Farmacologia — Yan Fei disse, com seriedade.
—
— Eu não gosto! — Yan Hao explodiu de repente. — Eu não gosto de Farmacologia e não gosto de você. Eu mudei para Fabricação de Mechas justamente para não ter que te ver mais. Você pode, por favor, não aparecer mais na minha frente?
Eu fiz todas essas coisas justamente para escapar de você, escapar da Farmacologia. Por que você continua tentando de todas as formas me fazer voltar? Será que estou condenado a ser apenas o seu vilão, o seu degrau?
Até meus amigos, você quer tirar?
Os olhos de Yan Hao começaram a lacrimejar. Era a primeira vez, em duas vidas, que ele dizia diretamente e com raiva a Yan Fei que o odiava.
***
Capítulo 26: Eu te odeio
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Vicious Male Counterpart Isn’t Competing Anymore
Título: _Vilão Invejoso Desiste de Competir [Reencarnação]_
Autora: Wu Qihua
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SINOPSE:
Em sua vida passada, Yan Hao nunca entendeu por que, sendo irmãos de...