Capítulo 11 — Um Segredo Revelado
A noite cai sobre a cidade.
Na mansão, o aroma do jantar se espalha pelos corredores.
Na cozinha, a cozinheira termina os últimos pratos enquanto a governanta organiza a mesa da sala de jantar.
Poucos minutos depois, a família começa a se reunir.
Otávio desce do escritório depois de trocar de roupa.
Mesmo em casa, mantém a postura séria de sempre.
Mateus já está na sala de jantar, ajudando a colocar os sucos sobre a mesa.
Lucas e Miguel descem logo em seguida.
Lucas caminha em silêncio.
Desde que Otávio chegou, ele sente um peso no peito.
Toda vez que olha para o pai, lembra da promessa que Mateus fez no carro.
“Eu não vou contar para o seu pai.”
Ele acredita que tudo ficou para trás.
Os quatro se acomodam à mesa.
A cozinheira serve o jantar e se retira, deixando a família sozinha.
Por alguns minutos, apenas o som dos talheres quebra o silêncio.
Otávio prova a comida.
Otávio: — Está muito bom.
Mateus sorri.
Mateus: — A Dona Célia sempre acerta.
Otávio faz um pequeno gesto de concordância.
Miguel começa a contar sobre a aula de ciências.
Miguel: — Hoje a professora mostrou um experimento.
Foi bem legal.
Otávio escuta atentamente.
Otávio: — E vocês entenderam a matéria?
Miguel: — Sim.
Lucas apenas faz um gesto afirmativo.
Otávio percebe.
Otávio: — Lucas.
Você está muito quieto.
Lucas força um pequeno sorriso.
Lucas: — Só estou com fome.
Mateus olha discretamente para o filho.
Percebe que ele está nervoso.
Decide mudar de assunto.
Mateus: — Amanhã eu vou passar na loja de esportes.
Vocês estão precisando de chuteiras novas.
Os olhos de Lucas brilham por um instante.
Lucas: — Sério?
Mateus sorri.
Mateus: — Sim.
As de vocês já estão pequenas.
Miguel sorri animado.
Miguel: — A minha está apertando no pé.
Otávio continua jantando em silêncio.
Ele gosta de ouvir os filhos conversando.
Mesmo falando pouco, presta atenção em tudo.
Alguns minutos se passam.
Miguel toma um gole de suco.
Depois fala naturalmente, sem imaginar o que está prestes a acontecer.
Miguel: — Ainda bem que a diretora deixou o Lucas voltar para casa comigo.
O silêncio toma conta da mesa.
Mateus para de levar o garfo à boca.
Lucas congela.
Seu coração dispara.
Otávio levanta lentamente os olhos.
Olha primeiro para Miguel.
Depois para Mateus.
Por último, encara Lucas.
Sua expressão continua completamente séria.
Otávio: — Diretora?
Miguel percebe a expressão do irmão.
Só então entende que havia falado o que não devia.
Miguel: — Eu…
Achei que o senhor soubesse.
Lucas fecha os olhos por um instante.
Mateus respira fundo.
Sabia que aquele momento chegaria, mas não daquela forma.
Otávio mantém a calma.
Sua voz continua baixa.
Otávio: — Mateus.
O que aconteceu?
Mateus olha para Lucas antes de responder.
Mateus: — Hoje, durante o recreio, o Lucas discutiu com um colega.
Os dois trocaram empurrões.
A escola me chamou.
Eu fui até lá e conversei com ele.
Otávio não interrompe.
Continua olhando para Lucas.
Otávio: — Isso é verdade?
Lucas responde quase sem voz.
Lucas: — É.
Otávio permanece em silêncio.
O silêncio dele pesa muito mais do que qualquer bronca.
Lucas não consegue encará-lo.
Brinca com o garfo, claramente arrependido.
Mateus decide explicar.
Mateus: — Foi uma discussão durante um jogo de futebol.
Ninguém se machucou.
A diretora ouviu os dois lados.
Depois conversei com o Lucas.
Ele reconheceu que errou.
Otávio continua ouvindo.
Sem mudar a expressão.
Sem levantar a voz.
Miguel abaixa a cabeça.
Miguel: — Desculpa…
Eu não queria contar.
Achei que o papai já soubesse.
Mateus sorri de forma tranquila para o filho.
Mateus: — Você não fez por mal.
Miguel continua se sentindo culpado.
Lucas olha para o irmão.
Lucas: — A culpa não foi sua.
A culpa foi minha.
Otávio apoia os talheres sobre o prato.
Olha diretamente para Lucas.
Otávio: — Você sabe qual foi o seu erro?
Lucas responde imediatamente.
Lucas: — Eu briguei.
Otávio faz um pequeno gesto afirmativo.
Otávio: — Exatamente.
Depois de alguns segundos, continua.
Otávio: — Termine o jantar.
Quando acabarmos, nós vamos conversar.
Sozinhos.
Lucas sente um frio percorrer seu corpo.
Mesmo assim, responde:
Lucas: — Sim, pai.
Ninguém volta a tocar no assunto.
O restante do jantar acontece em silêncio.
Miguel come devagar, ainda pensando que havia estragado tudo.
Mateus observa Lucas discretamente.
Percebe que o filho está verdadeiramente arrependido.
Já Otávio permanece calmo.
Sua expressão séria não revela raiva.
Revela apenas decepção.
E Lucas sabe que decepcionar o pai dói muito mais do que receber qualquer castigo.
Capítulo 11 — Um Segredo Revelado
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