Capítulo 5 — O Recreio
O sinal anuncia o início do recreio.
Em poucos segundos, os corredores da escola ficam cheios de crianças correndo de um lado para o outro.
Lucas e Miguel deixam a sala juntos.
— Vamos para a quadra? — pergunta Lucas.
Miguel faz um gesto positivo.
Os dois seguem para o pátio.
Como acontece quase todos os dias, um grupo de meninos organiza uma partida de futebol.
Lucas adora jogar.
Assim que chega, pega a bola.
Lucas: — Quem vai montar os times?
Um dos colegas responde:
— Eu.
Poucos minutos depois, a partida começa.
Lucas joga com entusiasmo.
Corre, passa a bola e tenta organizar o time.
Miguel prefere ficar do lado de fora da quadra, conversando com alguns amigos enquanto observa o irmão.
Depois de alguns minutos de jogo, Lucas toca a bola para um colega chamado Gustavo.
Gustavo ignora o passe e tenta resolver a jogada sozinho.
Ele perde a bola.
Lucas corre até ele.
Lucas: — Você estava livre. Era só tocar.
Gustavo responde sem nem olhar para ele.
Gustavo: — Eu jogo do jeito que eu quiser.
Lucas respira fundo.
Decide voltar para a partida.
Minutos depois, a mesma situação acontece novamente.
Lucas fica livre.
Levanta a mão pedindo o passe.
Gustavo prende a bola mais uma vez.
O time perde outra oportunidade.
Alguns colegas começam a reclamar.
— Passa a bola!
— Você quer jogar sozinho?
Gustavo revira os olhos.
Lucas se aproxima novamente.
Lucas: — Futebol é jogo de equipe.
Se você não tocar a bola, ninguém consegue jogar.
Gustavo dá um sorriso de deboche.
Gustavo: — Quem manda aqui não é você.
Lucas sente a irritação crescer.
Mesmo assim, tenta encerrar a discussão.
Lucas: — Então joga direito.
O jogo recomeça.
Na jogada seguinte, Gustavo esbarra de propósito em Lucas.
Lucas perde o equilíbrio.
— Ei!
Gustavo apenas dá de ombros.
Lucas levanta rapidamente.
Lucas: — Você fez isso de propósito.
Gustavo sorri.
— E daí?
Miguel percebe que a discussão está aumentando.
Sai correndo em direção aos dois.
Miguel: — Lucas…
Deixa isso pra lá.
Lucas respira fundo.
Por alguns segundos, parece que vai ouvir o irmão.
Mas Gustavo dá mais um empurrão em seu ombro.
Lucas perde a paciência.
Empurra Gustavo de volta.
Os dois começam a discutir.
Em poucos segundos, um segura a camiseta do outro.
Os colegas se afastam.
Uma professora que fazia a supervisão do recreio corre até a quadra.
Professora: — Chega!
Os dois meninos se afastam imediatamente.
A quadra inteira fica em silêncio.
A professora olha para Lucas e Gustavo.
Professora: — Os dois comigo.
Agora.
Lucas abaixa a cabeça.
Respira fundo.
Naquele instante, percebe que havia deixado a raiva falar mais alto.
Miguel observa o irmão sendo levado para a coordenação.
Seu coração aperta.
Ele sabe que Lucas não é um menino mau.
Mas também sabe que, quando se sente provocado, acaba agindo exatamente como o pai agia muitos anos atrás.
E isso certamente traria consequências.
Capítulo 5 — O Recreio
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