Capítulo 2 — A Cerimônia
O salão alugado para o casamento era simples.
As paredes brancas tinham poucos enfeites, apenas alguns arranjos de flores espalhados pelo ambiente. As cadeiras estavam organizadas em duas pequenas fileiras diante de um altar discreto.
Havia poucas pessoas presentes.
Alguns conhecidos da família de Mateus.
Do outro lado, alguns homens de terno preto permaneciam em silêncio. Não eram convidados. Eram integrantes da organização de Otávio, responsáveis pela segurança.
O ambiente era silencioso.
Ninguém conversava muito.
O clima lembrava mais uma reunião de negócios do que um casamento.
Mateus permaneceu parado atrás da porta, respirando fundo.
Seu peito doía.
Ele limpou as últimas lágrimas antes de caminhar até o corredor.
Assim que apareceu, alguns olhares se voltaram para ele.
Ninguém sorriu.
Ninguém o parabenizou.
Eduardo fez um gesto discreto para que ele continuasse andando.
Mateus apertou os punhos.
Cada passo parecia mais pesado que o anterior.
Quando chegou ao altar, ouviu um movimento próximo à entrada.
A porta foi aberta.
Otávio entrou acompanhado de Vinícius e mais dois homens.
Vestia um terno preto simples e bem ajustado. Sua expressão permanecia séria, e seus olhos cinzentos percorriam o ambiente rapidamente, analisando tudo ao redor.
O silêncio aumentou.
Até mesmo o celebrante pareceu ficar nervoso.
Otávio caminhou sem pressa até o altar.
Parou diante de Mateus.
O jovem precisou erguer um pouco a cabeça para encará-lo.
A diferença de altura era evidente.
Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.
Mateus sentia o coração bater tão forte que tinha medo de que todos pudessem ouvir.
Mesmo assim, sustentou o olhar.
Otávio analisou o rosto do ômega.
Os olhos avermelhados denunciavam que ele havia chorado.
Sem demonstrar qualquer reação, voltou sua atenção para o celebrante.
Celebrante: P-podemos começar?
Otávio apenas fez um breve sinal com a cabeça.
A cerimônia foi rápida.
As palavras do celebrante pareciam distantes para Mateus.
Ele mal conseguia prestar atenção.
Tudo o que conseguia pensar era que sua vida estava mudando sem que tivesse escolha.
Quando chegou o momento das assinaturas, Eduardo entregou os documentos ao celebrante com um leve sorriso satisfeito.
Mateus observou o pai.
Aquele sorriso fez seu estômago revirar.
Ele assinou os papéis com a mão trêmula.
Otávio assinou logo em seguida, com firmeza.
O celebrante fechou a pasta.
Celebrante: Declaro encerrada a cerimônia.
Nenhum aplauso ecoou pelo salão.
Nenhuma comemoração.
Apenas um silêncio pesado.
Otávio olhou para Vinícius.
Otávio: Está na hora.
Vinícius assentiu.
Vinícius: O carro já está esperando.
Mateus engoliu em seco.
Sem sequer poder se despedir, percebeu que deixaria aquele lugar imediatamente.
Ao passar por seus pais, esperou ouvir ao menos uma palavra.
Um pedido de desculpas.
Um “cuide-se”.
Mas nenhum dos dois disse nada.
Helena apenas desviou o olhar.
Eduardo permaneceu em silêncio.
Mateus sentiu um aperto no peito.
Naquele instante, compreendeu que, para eles, tudo havia terminado assim que a dívida foi paga.
Sem dizer uma única palavra, ele acompanhou Otávio para fora do salão, deixando para trás a única vida que conhecia.
Capítulo 2 — A Cerimônia
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Correntes de Ônix
Em um mundo onde Alfas, Betas e Ômegas vivem sob antigas tradições e leis implacáveis, Mateus, um jovem ômega de dezoito anos, é traído pelas únicas pessoas que deveriam protegê-lo....