Capítulo 5 – Arroz Frito com Frango
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Graças às palavras ditas com leveza pela Irmã Sênior, o Pavilhão Siguo basicamente se tornou a morada permanente de Xia Ge.
30 mil vezes.
Hehe.
Xia Ge mais uma vez prestou respeitos silenciosos aos ancestrais da Irmã Sênior em seu coração, enquanto esfregava as mãos doloridas e encarava a pilha espessa de papéis cobertos por uma escrita minúscula sobre a mesa.
Então estendeu uma mão trêmula, apreensiva, para contar cuidadosamente os papéis de cima a baixo.
…Três, trezentas.
Ela lançou um olhar fulminante para o Danxun, o pesado texto original encadernado em couro vermelho, com cerca de cinco centímetros de espessura.
Trezentas páginas, e ela só tinha terminado uma cópia.
Sua barriga fez um “gululu” de fome.
Sem aguentar mais, Xia Ge jogou o pincel de lado e lamentou aos céus:
— Eu não aguento mais viver assim!
Trezentas folhas para uma cópia? E ela tinha que fazer isso 30 mil vezes?! Naquele momento, com o que diabos sua cabeça estava cheia pra dizer algo tão incrivelmente idiota?!
Enterrando o rosto na pilha de papéis com os braços largados aos lados, Xia Ge parecia mais um peixe salgado que tinha levado uma surra até a morte.
— Que visão desagradável.
A voz familiar carregada de deboche e o aroma de arroz frito trouxeram Xia ‘Peixe Salgado’ Ge de volta à vida. Sentando-se ereta, ela exclamou:
— Ah! Ye Ze!
Mal terminara de falar, sua têmpora foi atingida por uma pequena bolinha de papel, que quicou em sua testa e rolou para debaixo da mesa. Agora vestido com roupas de cânhamo, Ye Ze jogou a marmita que segurava bem na frente de Xia Ge, sua expressão claramente impaciente:
— Come logo. Assim que terminar, eu vou embora.
— Oh… você é mesmo digno de ser meu bom irmão! Vai conquistar o coração de muitas garotas! Ai minha nossa, eu mesma posso acabar me casando com você!!
Segurando a marmita com uma mão e os hashis com a outra, Xia Ge imediatamente começou a comer com entusiasmo.
Um dos cantos da boca de Ye Ze se contraiu diante das declarações de Xia Ge. Ele lançou um olhar de desprezo em sua direção e disparou com língua venenosa:
— Não seja nojenta. Mesmo que você fosse mulher, e não esse homem inútil que é, quem ia querer uma esposa como você?
Xia Ge não perdeu tempo ouvindo as bobagens de Ye Ze, focando-se totalmente em devorar até o último grão de arroz, até finalmente arrotar com satisfação:
— Tanto faz, tanto faz. De qualquer forma, não preciso me casar com ninguém. Irmão, copiar esse texto por você não é prejuízo nenhum!
(“Mesmo que ela mal tivesse começado.”)
“……”
Ouvir Xia Ge deixou Ye Ze furioso.
Ele tentou se segurar, mas no fim não conseguiu evitar e falou entre os dentes cerrados:
— Quando a Irmã Sênior chegou, você sabia, não sabia?
Ágil como sempre, Xia Ge sacudiu a cabeça como um tamborim:
— Eu não sabia, eu não sabia. Como eu poderia saber se a Irmã Sênior estava aqui ou não?
Profundamente cético, Ye Ze examinou o rosto de Xia Ge, que brilhava com uma retidão exemplar. Eventualmente, ele zombou:
— Então por que você ficou toda certinha e dedicada copiando justamente naquela hora?
Pagar Xia Ge com a mesma moeda por ter “ajudado” sugerindo que ele melhorasse a caligrafia dessa forma… Se esse pirralho não tivesse água preta na barriga, mais tarde teria que fazer parada de mão pra ir ao banheiro!
Inocente como um anjo, Xia Ge perguntou:
— Oh? E como é culpa minha se você não quis ouvir quando eu estava falando de boa?
Ye Ze: “……”
— Você também falou algo sobre protagonista masculino. Xia Wuyin, dá pra tentar falar sério uma vez na vida?!
— Claro que dá — Xia Ge respondeu imediatamente — Irmão Sênior Ye, ao copiar livros você deve estar quieto, atento e calmo, praticando o Baoyuan Shouyi… Dessa forma, você alcançará uma técnica de caligrafia maravilhosa…
O rosto de Ye Ze se tingiu de uma mistura desagradável de vermelho e branco.
Que raiva.
— Irmão Sênior Ye, comi até me fartar. — Xia Ge disse com um sorriso cínico e um ar apático — Obrigada pela generosidade, Irmão Sênior Ye!
Humph. Mesmo que ele fosse o protagonista garanhão, no fim das contas ainda era só um moleque magrelo de treze ou quatorze anos. Quem podia culpá-la por gostar de vê-lo correndo em círculos?
— …Não me chame de Irmão Sênior! — Ye Ze parecia prestes a explodir — Quando é que você vai passar no exame de discípulo interno…
— Aiya, Irmão Sênior, não precisa ter pressa. A vida tem altos e baixos. Não importa se você passou no exame ou não, desde que continue sendo meu irmão. Irmão mendigo, irmão discípulo externo, irmão discípulo interno, que diferença faz?
Sem palito de dente, Xia Ge alegremente cutucava os dentes com o dedo, enquanto cruzava as pernas e estreitava os olhos de prazer:
— Aquele arroz frito estava bom… E o peito de frango, era daquele lugar no pé da montanha…
Ye Ze: “……”
Inevitavelmente, esse pirralho ia acabar irritando-o até ele sofrer uma lesão interna.
Respirando fundo para acalmar a energia, Ye Ze decidiu “manter-se firme e lutar com estabilidade”:
— Xia Wuyin, quando você… a montanha dos fundos…
— Irmão Sênior, olha como já está tarde. Que ótima oportunidade pra descer a montanha e beber um pouco! — Xia Ge bateu na própria cabeça como se tivesse acabado de receber uma inspiração divina.
Ye Ze: “……”
Com indiferença, pegando a marmita e comendo os restos de Xia Ge, Ye Ze finalmente respondeu:
— Por que você simplesmente não copia o livro? 30 mil vezes.
Xia Ge: “……Ah? Você não vai me levar pra beber? Mas que droga é essa?”
A pose de indiferença de Ye Ze rachou:
— Por que eu te levaria pra beber?!
— Por que não?
Explodindo de raiva de vez, Ye Ze gritou:
— Então me diz logo o que você estava fazendo na montanha dos fundos, pô?!
Seu olhar se tornou esquivo, e Xia Ge murmurou:
— Ah… isso…
Quando olhou para o cara escória à sua frente, de repente copiar o Danxun 30 mil vezes já não parecia tão ruim assim.
O tom de Ye Ze voltou a esfriar:
— Se vai me chamar de Irmão Sênior, então devo cumprir minhas obrigações.
— Se não quiser me contar o que estava fazendo, tudo bem. — Suas palavras soaram duras aos ouvidos de Xia Ge. — Mas não venha mais pedir comida.
— …Droga, você é insuportável. — Ser atingida bem no ponto fraco fez Xia Ge torcer os lábios. — Ouvi dizer que a árvore de Liuli da montanha dos fundos tem uma eficácia extraordinária, a ponto de até um traste como eu conseguir refinar aquela… droga de bola-de-bunda ou lá como se chama…
— O quê? — perguntou Ye Ze.
— …O dan pigu. — respondeu Xia Ge.
— Continue. — incentivou ele.
— Eu não tinha uma árvore de Liuli nem moedas pra comprar uma. — Xia Ge acariciou o queixo com um sorriso, os olhos semicerrados. — Então, sobrou ir até a montanha dos fundos e roubar uma. E acabei fazendo o Irmão Sênior Ye ser punido. Eu, sua júnior, estou sinceramente arrependida.
Ye Ze ficou com o cérebro travado por um segundo e respirou fundo:
— Por que não veio me procurar se não tinha dinheiro?
— Você pode até ser um vale-refeição — Xia Ge segurou a cabeça com as mãos, tentando parecer respeitável —, mas não é uma nota de prata.
Ye Ze: “……”
Para sua própria surpresa, e sem saber por quê, Ye Ze se viu incapaz de soltar sua costumeira resposta afiada.
— Você não devia ir roubar na montanha dos fundos, você é…
— Tá bom, tá bom, eu já entendi. — Xia Ge interrompeu. — A culpa foi minha por querer me apressar e passar logo no exame pra virar discípula interna. Mas, Irmão Sênior, se não vai me levar pra beber, então vai logo embora. Quero dormir…
Dizendo isso, Xia Ge empurrou Ye Ze para fora do Pavilhão Siguo.
— Boa noite, Irmão Sênior… não esquece de me trazer café da manhã amanhã.
A porta do Pavilhão Siguo se fechou com força na cara de Ye Ze.
Café da manhã? De onde é que aquele pirralho tirava tanta cara de pau?
Vestido com roupas simples de cânhamo, Ye Ze olhou para a marmita vazia numa mão e massageou a têmpora latejante com a outra.
Mesmo que Ye Ze trouxesse café da manhã para Xia Wuyin, aquele desgraçado continuaria do mesmo jeito. Dando aquele ar de quem não liga pra nada sempre que se trata de coisas importantes!
Virando-se, Ye Ze mal havia dado alguns passos quando levou um baita susto:
— ……Senhorita… Senhorita Sênior?!
— Ye Ze.
Sob o céu noturno, os cabelos negros da jovem estavam amarrados de forma descuidada com uma fita vermelha de seda. Sua figura esguia era envolta por roupas brancas com bordados vermelhos, e seus olhos negros refletiam a luz prateada da lua, frios e distantes. Ela lançou um olhar para a marmita na mão de Ye Ze, aparentemente nada surpresa com o fato de ele ter levado comida escondida para certo delinquente:
— Quanto Xia Wuyin copiou?
Gotas de suor frio brotaram na testa de Ye Ze:
— E-ele… mais ou menos…
Tinha estado tão ocupado tentando arrancar informações de Xia Wuyin que nem prestou atenção no progresso da punição dele!
Gu Peijiu lançou a Ye Ze um olhar divertido:
— Não precisa ficar nervoso.
Percebendo que a Irmã Sênior não pretendia repreendê-lo, Ye Ze relaxou um pouco a expressão:
— …Entendido.
Gu Peijiu então voltou pelo mesmo caminho de onde viera. Ye Ze hesitou em segui-la, lançando um olhar de volta ao Pavilhão Siguo. Aquele caminho levava somente até ali. Teria sido essa a intenção original de Gu Peijiu… checar o progresso de Xia Wuyin na cópia?
Mais suor frio escorreu pela pele de Ye Ze. Ainda bem que não tinha dado ouvidos àquele pirralho e saído com ele pra beber. E se tivessem sido pegos no flagra?
Sem escolha, Ye Ze apressou-se para alcançar e acompanhar Gu Peijiu de volta pelo único caminho possível.
— Vocês dois vão virar discípulos de Danfeng juntos?
A voz repentina de Gu Peijiu soou como água cristalina.
— Sim. — Ye Ze abaixou a cabeça.
— Então… — Os passos de Gu Peijiu pararam na bifurcação do caminho, enquanto ela olhava pensativa para a lua.
Ye Ze também parou, mantendo a cabeça baixa.
— Você é um discípulo interno… por que está usando roupas de cânhamo de discípulo externo? — A pergunta de Gu Peijiu ficou suspensa no ar.
O jovem, que normalmente tinha resposta pra tudo, permaneceu em silêncio.
— Não precisa responder. — O tom de Gu Peijiu era leve. — No entanto, como discípulo interno, para as tarefas do dia a dia, deve usar a roupa apropriada.
— Sim.
— Pode ir.
Ye Ze fez uma reverência respeitosa e já ia continuar andando, quando Gu Peijiu de repente acrescentou:
— Espere um minuto.
Ye Ze virou o rosto.
— O salário mensal de Danfeng — perguntou Gu Peijiu — é tão baixo assim?
Ye Ze: “……”
— Hmm? — Quando Ye Ze demorou demais para responder, o tom de Gu Peijiu se elevou ligeiramente.
— …Senhorita Sênior, o salário de discípulo interno é mais do que suficiente… o de discípulo externo sim, é bem mais baixo. — Depois de sair do choque por ver a orgulhosa Irmã Sênior perguntando sobre a vida financeira dos outros, Ye Ze respondeu de forma rígida.
— Mmmm. — Gu Peijiu ponderou por um instante. — Muito bem, pode ir.
Ye Ze se afastou, ainda tomado por um sentimento de inquietação.
…Nada de ruim havia acontecido, mas por que a Irmã Sênior perguntou de repente sobre salários?
Pavilhão Siguo.
No sótão escuro, Xia Ge apagou todas as velas, deixando apenas a pequena lamparina de óleo acesa sobre a mesa.
Ela pegou o pincel que havia jogado para o lado, limpou-o e o colocou de volta em seu lugar. Em seguida, cruzando as pernas e apoiando os braços atrás da cabeça, reclinou-se confortavelmente:
— Ai, bonequinho… quando será que vou conseguir te aprimorar…
[O Hospedeiro Precisa Apenas Refinar o Liuli Kuilei Para Realizar o Aprimoramento.]
A voz do sistema soou gélida e inumana.
Xia Ge se ajeitou numa posição ainda mais relaxada:
— Marionetes são proibidas aqui. Se eu for pega, não vou conseguir continuar por perto. É um risco muito grande. Você tem seguro suficiente, ouro suficiente, pra isso?
O sistema, já acostumado com a desfaçatez infinita de sua hospedeira e sua tendência de falar bobagens, e com base em experiências anteriores de ter sido enrolado por ela, escolheu prudentemente ficar em silêncio.
— Você não tem compaixão nenhuma pela sua hospedeira, hein? Hm? — Xia Ge tentou apelar para os sentimentos sensíveis do sistema. — Pensa bem, bonequinho, esses anos todos me acompanhando, você alguma vez passou fome ou sede? E sua hospedeira é uma amante da paz, não luta, não mata…
[Ding! Atenção, Perigo Se Aproximando!]
Xia Ge nem teve tempo de reagir ao aviso do sistema.
Uma sombra negra passou voando pela janela e, no segundo seguinte, sua vida estava presa por um aperto firme e mortal.
A única luz — a lamparina de óleo sobre a mesa — foi apagada pelo vento.
O sótão ficou mergulhado em quase completa escuridão, com a única iluminação sendo a luz prateada da lua entrando suavemente pela janela, refletindo-se na pequena adaga encostada no pescoço de Xia Ge.
Uma voz feminina, fria como gelo, rompeu o silêncio.
— Nada de gritar.
— E nem tente se mexer.
— ……
Xia Ge: “……”
“Por que é que pessoas que amam a paz não podem ser amadas pela paz também?!”
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Capítulo 5 – Arroz Frito com Frango
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Love from the Male Protagonist’s Harem
Vestindo o sistema de upgrade de jogo dentro de um romance stallion, Xia Ge sentiu que estava sufocando. Depois de pensar muito, Xia Ge, que conhecia bem o enredo, decidiu agarrar...