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POCAHONTOS

Capítulo 11 — A Voz de um Pai

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🟡 Em breve

O caminho de volta para a aldeia parece mais longo do que nunca.

Pocahontos caminha ao lado do pai em silêncio.

Os guerreiros seguem alguns passos atrás.

O vento sopra entre as árvores, mas hoje ele não parece cantar.

Parece preocupado.

Assim como o coração de Pocahontos.

Quando chegam à aldeia, Powhatan pede que os guerreiros os deixem a sós.

Os homens se afastam imediatamente.

Pai e filho permanecem próximos à fogueira central.

Por alguns instantes, nenhum dos dois fala.

Finalmente, Powhatan quebra o silêncio.

Chefe Powhatan: “Há quanto tempo você encontra esse inglês?”

Pocahontos abaixa os olhos.

Pocahontos: “Alguns dias.”

Chefe Powhatan: “E você nunca me contou.”

Pocahontos: “Porque sabia que ficaria preocupado.”

Powhatan suspira.

Chefe Powhatan: “E eu estava errado em me preocupar?”

Pocahontos demora a responder.

Pocahontos: “Não.”

O chefe observa o filho.

Seu olhar não é duro.

É triste.

Como o olhar de alguém que carrega uma responsabilidade pesada.

Chefe Powhatan: “Você é a pessoa que mais amo neste mundo.”

Pocahontos levanta os olhos.

Chefe Powhatan: “Tudo o que faço é para proteger você.”

Pocahontos: “Eu sei.”

Chefe Powhatan: “Então tente entender meu medo.”

O jovem permanece em silêncio.

Escutando.

Enquanto isso, no assentamento inglês, John também não consegue parar de pensar no que aconteceu.

Ele está sentado próximo à fogueira quando Thomas se aproxima.

Thomas: “Você parece ter perdido uma batalha.”

John Smith: “Talvez eu tenha.”

Thomas: “O que aconteceu?”

John encara as chamas.

John Smith: “Conheci o pai de Pocahontos.”

Thomas arregala os olhos.

Thomas: “Isso parece importante.”

John Smith: “Foi.”

Thomas: “E?”

John solta um suspiro.

John Smith: “Acho que ele não confia em mim.”

Thomas cruza os braços.

Thomas: “Para ser justo, nós acabamos de chegar.”

John sabe que ele tem razão.

Mas isso não o faz sentir-se melhor.

Na aldeia, a conversa continua.

A luz do entardecer pinta o céu de laranja.

Chefe Powhatan: “Você vê bondade nesse homem.”

Pocahontos: “Porque ela existe.”

Chefe Powhatan: “Talvez.”

Pocahontos: “Ele não quer machucar ninguém.”

Chefe Powhatan: “E se outros ingleses quiserem?”

A pergunta deixa Pocahontos sem resposta.

Powhatan se aproxima.

Coloca uma mão sobre seu ombro.

Chefe Powhatan: “Nem todos os perigos chegam usando uma expressão cruel.”

Pocahontos escuta atentamente.

Chefe Powhatan: “Às vezes o perigo chega sorrindo.”

O jovem sabe que o pai está tentando protegê-lo.

Mas também sabe o que viu nos olhos de John.

Gentileza.

Respeito.

Honestidade.

Mais tarde, Nakoma encontra Pocahontos sentado próximo ao rio.

Sozinho.

Pensativo.

Ela se senta ao seu lado.

Nakoma: “Seu pai brigou com você?”

Pocahontos: “Não.”

Nakoma: “O que é pior.”

Pocahontos acaba rindo.

Pocahontos: “Talvez.”

Nakoma observa a água.

Nakoma: “Você gosta dele.”

Pocahontos fica imóvel.

Nakoma: “Estou falando do inglês.”

O silêncio responde antes dele.

Nakoma suspira.

Nakoma: “Eu sabia.”

Pocahontos: “Ele é diferente.”

Nakoma: “Sim.”

Pocahontos: “Quando estou com ele… parece que dois mundos podem se entender.”

Nakoma observa o amigo.

Pela primeira vez, percebe o quanto aquilo significa para ele.

Nakoma: “Só tome cuidado.”

Pocahontos: “Eu vou.”

Na mesma hora, do outro lado da floresta, John observa a lua surgindo no céu.

Ele se lembra do sorriso de Pocahontos.

Da forma como ele via beleza em tudo ao seu redor.

Da esperança que transmitia.

Então toma uma decisão.

John Smith: “Não vou desistir.”

Thomas, que está passando por perto, para.

Thomas: “Desistir do quê?”

John sorri.

John Smith: “De construir uma amizade entre nossos povos.”

Thomas fica surpreso.

Mas acaba sorrindo também.

Thomas: “Então espero que consiga.”

Naquela noite, duas pessoas observam a mesma lua.

Uma na aldeia Powhatan.

Outra no assentamento inglês.

Separadas pela floresta.

Pelas tradições.

Pelas diferenças.

Mas unidas pela esperança de que um dia seus mundos possam caminhar lado a lado.

Sem saber, desafios ainda maiores se aproximam.

E em breve eles precisarão provar que a confiança pode ser mais forte que o medo.

Capítulo 11 — A Voz de um Pai
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POCAHONTOS

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Em uma terra exuberante cercada por rios cristalinos e florestas encantadas, vive Pocahontos, um jovem indígena de 17 anos, sonhador, livre e profundamente conectado com os espíritos da...

Chapters

  • Capítulo 13 — Uma Ponte Entre Dois Mundos
  • Capítulo 12 — Sombras Sobre Dois Mundos
  • Capítulo 11 — A Voz de um Pai
  • Capítulo 10 — O Momento Interrompido
  • Capítulo 9 — Descobrindo Diferenças
  • Capítulo 8 — Lições de Dois Mundos
  • Capítulo 7 — Às Margens do Rio
  • Capítulo 6 — Pensamentos Levados pelo Vento
  • Capítulo 5 — O Primeiro Encontro
  • Capítulo 4 — O Chamado da Floresta
  • Capítulo 3 — Navios no Horizonte
  • Capítulo 2 — Onde o Vento Canta
  • Capítulo 1 — Um Homem do Mar
 

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