Episódio 129: Observando pelas Lacunas
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14h. Sapatos tão limpos que não tinham um grão de poeira pisaram na terra. Um grande muro de pedra tinha um espaço no meio, com uma placa pendurada acima que dizia:
[Bogungmun]
Bogungmun costumava ser uma rota popular para os caminhantes que escalavam Bukhansan. No entanto, pouco depois de Hong Ye-seong se mudar para a Vila Jang-in em Bukhansan, ele bloqueou o acesso à área, usando obras de restauração como desculpa. Jung Bin tirou um talismã amarelo do bolso interno do terno. Então, sem hesitar, caminhou em direção ao espaço sob o muro de pedra.
Em breve, uma paisagem completamente diferente surgiu. Além de várias camadas de cordas com amuletos sagrados, um pátio com grama verdejante apareceu à vista. Em um canto do pátio havia um grande forno, e além dele, uma casa tradicional com telhado de palha. Era o lugar onde Hong Ye-seong, exilado em Bukhansan, estava hospedado.
Jung Bin passou por baixo das cordas sagradas e entrou. Uma galinha piou claramente.
“Hong Ye-seong-ssi. Você está aí?”
“…Huh?”
Um vulto marrom que jazia na varanda como uma gosma lentamente ergueu a cabeça. Apesar de não estar exilado há muito tempo, Hong Ye-seong já parecia um trapo. Vestido com um agasalho verde, ele se virou e olhou para Jung Bin. Seus olhos, que estavam turvos, começaram a brilhar.
“Será possível? O exílio já acabou?!”
“Não.”
Jung Bin o interrompeu firmemente, juntando as mãos atrás das costas.
“Vim lhe perguntar algo. Você tem um minuto para conversar?”
“Hum… Estou ocupado.”
Hong Ye-seong se ajeitou, ficando mais confortável e se espreguiçando. Jung Bin deu de ombros.
“Você não estava simplesmente estirado como uma gosma?”
“Tudo isso fazia parte do processo de reflexão, Oficial-nim.”
“Oh céus…”
Jung Bin suspirou alto, certificando-se de que Hong Ye-seong ouvisse. Então, ele tirou do ar uma caixa de frango quente, ainda meio vazia.
“Se você está tão ocupado, imagino que não terá tempo para comer o frango que eu trouxe. Que pena.”
“…”
“Acho que terei que entregar a responsabilidade aos membros da equipe do Escritório de Gestão Desperta…”
“Não!”
Hong Ye-seong levantou-se como um raio, calçou os chinelos e atravessou rapidamente o quintal até Jung Bin. Ele se curvou e sussurrou algo urgente.
“Rápido, esconda isso antes que Kkokko veja!”
“Sua agenda lotada está um pouco mais administrável agora?”
“Agora está sob controle, então apresse-se!”
Hong Ye-seong empurrou Jung Bin em direção à casa de telhado de palha, praticamente o forçando a entrar assim que Jung Bin tirou os sapatos. Depois que ambos entraram, ele bateu a porta com força. Encostando o ouvido na porta, tentando ouvir qualquer som do lado de fora, Hong Ye-seong finalmente suspirou de alívio.
“Ufa, essa foi por pouco.”
“Então, vou lhe fazer algumas perguntas.”
“Frango primeiro?”
“Eu te dou se você responder.”
“Eca.”
Hong Ye-seong resmungou alto, mas Jung Bin o ignorou. Ele tirou um colar do bolso do casaco e o estendeu para ele.
“Este colar… parece que você o fez. É isso mesmo?”
“…Hã? O que é isso?”
Hong Ye-seong apertou os olhos e olhou fixamente para o colar. Inclinou a cabeça, como se estivesse se esforçando para se lembrar. Jung Bin apontou com o dedo para o local onde as iniciais estavam gravadas.
“HYS. Você gravou isso, não foi?”
“…Ah! Ah, é mesmo! Lembro-me. Sim, fui eu que fiz.”
Hong Ye-seong assentiu rapidamente, esfregou o queixo e revirou os olhos.
“Sabe, aquela estudante de calça de pijama encontrou um fragmento de um golem. Era um pedaço de… um pedaço de… como é que chamava mesmo? Enfim, ela estava mexendo com ele no bolso, então, antes que o oficial do governo a levasse para a Guilda Seowon, eu fiz um colar para ela.”
Com uma expressão que parecia dizer: “Não me saí bem?”, ele olhou para Jung Bin com olhos brilhantes. Jung Bin fechou os olhos com força, sobrecarregado pela avalanche de informações contida naquela única frase.
“Um pedaço de… seria um Fragmento do Mundo, por acaso?”
“Sim! É isso mesmo. Esta peça aqui… ah? Parece um pouco diferente agora, mas enfim, esta.”
Hong Ye-seong apontou para a peça branca presa ao colar. O que ele pensara ser um fragmento de pedra preciosa comum era, na verdade, um Fragmento do Mundo. E não era algo que aparecia apenas nos sonhos de Yoon Ga-eul. Jung Bin encarou o colar, com uma expressão de confusão no rosto. Mas logo recuperou a compostura. A situação era urgente.
“Então, por acaso, você ouviu algo mais do J sobre as fendas ou as masmorras erodidas? Seria ainda melhor se você pudesse contatá-lo, mas duvido que seja possível…”
“Hã? Ah, claro que posso!”
“O que?”
“Entrando em contato com J!”
“…Como isso é possível?”
Jung Bin havia feito a pergunta sem grandes expectativas, então ficou surpreso com a resposta confiante. O que diabos estava acontecendo que ele desconhecia? A boca de Jung Bin se abriu ligeiramente. Hong Ye-seong sorriu maliciosamente, seus lábios se contraindo.
“É porque somos muito, muito próximos. Você não está curioso? Você não está curioso?”
Ele não queria saber. Ele não se importava com a amizade deles.
“…”
Mas, na verdade, ele estava um pouco curioso. Não, ele estava muito curioso. Não havia apenas uma ligação com Lee Sa-young, mas também com Hong Ye-seong? Por quê? Como? Onde eles se conheceram? Por que, dentre todos os caçadores de elite, eles tinham ligações com aqueles que a maioria das pessoas evitava? Jung Bin começou a se preocupar genuinamente com a vida social de seu ex-colega J.
No entanto, ele sabia que, se perguntasse sobre isso, Hong Ye-seong só se tornaria mais arrogante e insuportável. Então, com uma paciência sobre-humana, manteve-se calado. Como um cão em busca de atenção, Hong Ye-seong circulou ao seu redor, mas quando viu que Jung Bin não estava interessado, seus ombros caíram.
“O quê, você não precisa disso? Você não está curioso?”
“…Por favor, entre em contato com ele.”
“Eca.”
Fazendo beicinho como um pato, Hong Ye-seong entreabriu a porta. Então gritou em direção ao quintal.
“Kkokko!”
Uma galinha empoleirada em um poleiro ergueu a cabeça. Seu corpo branco e arredondado brilhava à luz do sol. Levando as mãos à boca, Hong Ye-seong gritou.
“Vá até J! Quando chegar lá, ligue o dispositivo de comunicação!”
“Bawwk…”
“Ah, eu sei que é difícil. Este lugar fica em um penhasco, então será ainda mais difícil. Mas, por favor, estou te pedindo. Tudo bem?”
“Bawk.”
A galinha desceu do poleiro e saiu tristemente pelo portão. Será que isso realmente funcionaria? Enquanto Jung Bin observava a galinha desaparecer com ceticismo, Hong Ye-seong de repente fez um som de compreensão e se levantou.
“Ah, certo. Eu fiz um pouco de sikhye, quer experimentar?”
“Não há coisas mais importantes para fazer… E este não é o momento para…”
“Ah, qual é.”
Sem esperar por uma resposta, Hong Ye-seong correu para a cozinha e voltou com uma garrafa de plástico transparente, despejando o sikhye em um copo de papel e oferecendo-o a Jung Bin. Com uma expressão duvidosa, Jung Bin aceitou o copo e tomou um gole. Seus olhos se arregalaram.
Estava uma delícia.
“Bom, né? É bom, não é? Incrível, né? Talvez eu devesse começar a vender sikhye quando me aposentar.”
Sem dizer uma palavra, Jung Bin continuou a bebericar a bebida, perdido em pensamentos.
Por favor, pare de usar suas habilidades para coisas assim…
***
Às 15h, Cha Eui-jae estava varrendo o chão como de costume. Depois de varrer toda a poeira, endireitou as costas e soltou um suspiro profundo.
Após o fragmento de Yoon Ga-eul desaparecer, no início da manhã, Cha Eui-jae acordou em seu pequeno quarto. Era como se tudo o que ele acabara de ouvir — a voz trêmula — tivesse sido um sonho. Ele piscou, olhando para o teto escuro. Quando estava prestes a se levantar, percebeu que havia algo em sua mão.
Era um fragmento branco, manchado com uma mancha preta. Era a prova de que o que ele havia vivenciado não fora apenas um sonho.
“…”
Cha Eui-jae não sabia como, mas queria salvar Yoon Ga-eul. Ele sabia o que era estar sozinho em um lugar onde não havia sequer um vestígio de presença humana. Mas mesmo que fosse ao mundo para onde Yoon Ga-eul havia desaparecido, ele não sabia o que poderia fazer com aquele fragmento. Mesmo que o apertasse com força ou tentasse infundi-lo com poder, o fragmento apenas piscava esporadicamente.
Então, algo bateu na porta.
Cha Eui-jae abriu a porta de repente. Não havia ninguém lá. Mas quando olhou para baixo, algo branco e redondo o encarava. Cha Eui-jae o cumprimentou calorosamente.
“Kkokko!”
Mas em vez de um som fofo e suave, saiu uma mensagem banal.
—Alvo confirmado. Preparando para conectar você ao mestre via comunicador. Por favor, esteja pronto.
Os olhos de Cha Eui-jae se arregalaram enquanto ele rapidamente pegava o frango e fechava a porta. Instintivamente, ele tirou uma máscara de seu inventário e a colocou.
Um instante depois, uma voz familiar saiu do bico da galinha.
—…Ah, você consegue me ouvir? Aqui é Jung Bin, do Departamento de Gestão dos Despertos.
‘Merda.’
Cha Eui-jae controlou a respiração e respondeu com uma voz alterada.
“Tão de repente? O que aconteceu?”
—Ah, J. Graças a Deus.
Havia um suspiro de alívio na voz.
—Eu queria te perguntar uma coisa. Você mencionou que a causa da reestruturação da masmorra foi você, certo? É isso mesmo?
“…Sim, é. Mas é apenas um palpite.”
—Então, por acaso… você sabe alguma coisa sobre o fragmento que Ga-eul encontrou na masmorra?
“O que?”
Os olhos de Cha Eui-jae se arregalaram. Jung Bin falou com voz ansiosa.
—Ga-eul desmaiou. Segundo o caçador Nam Woo-jin, parece que sua alma foi puxada para outro mundo.
Enquanto Jung Bin explicava mais detalhadamente, Cha Eui-jae ouvia em silêncio, tirando o fragmento do bolso do avental. Aquele que Yoon Ga-eul havia deixado em seu sonho. Após Jung Bin terminar sua longa explicação, ele murmurou:
—Desculpe incomodá-lo com isso, mas… eu estava me perguntando se você sabia de algo que pudesse ajudar.
Cha Eui-jae respondeu brevemente.
“Eu faço.”
-Com licença?
“Acho que agora sei como trazê-la de volta.”
Enquanto mexia no fragmento, Cha Eui-jae fez contato visual com a galinha.
“Não se preocupe muito. Eu assumirei a responsabilidade e trarei Ga-eul de volta.”
—Espere, J! O que você quer dizer com isso?
Cha Eui-jae colocou a galinha do lado de fora da porta. A voz frenética de Jung Bin ainda vinha do bico da galinha. Depois de virar a placa indicando que era hora de preparar os ingredientes, Cha Eui-jae trancou a porta cuidadosamente e apagou todas as luzes do restaurante.
Ele não estava dando a volta por um caminho mais longo quando havia uma opção mais simples?
‘Significa que estou numa situação em que posso morrer a qualquer momento.’
Então não havia tempo para hesitar. Cha Eui-jae respirou fundo e segurou o pequeno fragmento entre o polegar e o indicador.
Então,
Com um estalo, o fragmento se desfez em pedaços entre seus dedos. Uma luz brilhante começou a emanar dele.
…Cha Eui-jae abriu os olhos.
Parecia o corredor de uma casa. Estranhamente familiar. Uma fotografia de um oceano azul brilhante estava pendurada na parede.
A luz quente do sol entrava pela grande janela da sala de estar à frente. As cortinas brancas balançavam suavemente com a brisa que entrava pela janela entreaberta. Ele sentiu-se seguro de que aquele lugar era seguro. Estranhamente seguro. A tensão dissipou-se num instante. Cha Eui-jae deu um passo à frente.
O chão de madeira, aquecido pela luz do sol, estava agradavelmente quente sob seus pés descalços. Sem pensar, ele mexeu os dedos dos pés. Conforme caminhava, os sons de farfalhar e tilintar se aproximavam.
Cha Eui-jae chegou à cozinha: uma mesa de madeira marrom-escura, o aroma apetitoso de ovos cozinhando, o leve calor de uma torradeira dourando o pão e um jovem alto de costas para ele. O homem, em pé em frente ao fogão de indução, falou sem sequer se virar.
“Atrasado de novo, não é, Hyung?”
Sua voz misturava-se com um pouco de riso. Era estranhamente familiar. A voz, o cabelo preto e encaracolado que quase lhe cobria o pescoço e a compleição alta — tudo familiar. O jovem, que parecia simultaneamente à vontade e deslocado naquela casa acolhedora, vestia uma camiseta branca fina com as mangas arregaçadas até os cotovelos.
Suas mãos, sem cicatrizes, moviam-se com destreza. As omoplatas salientes em suas costas e o avental xadrez azul-claro amarrado na cintura com um nó familiar — algo naquilo fez a garganta de Cha Eui-jae se fechar. Sua boca se moveu por conta própria.
“Estou acordado há algum tempo. Simplesmente não saí da cama.”
“Sempre dando desculpas.”
“Um cara finalmente consegue uma folga e decide dormir até mais tarde, e você tem algo a dizer sobre isso.”
As palavras saíam de sua boca como se ele fosse uma secretária eletrônica. Mas Cha Eui-jae não achou nada estranho nisso. Ele estava simplesmente imerso em um sentimento de nostalgia, um calor que não sentia há muito tempo.
Sem hesitar, Cha Eui-jae aproximou-se do jovem e apoiou o queixo em seu ombro largo. Ele podia sentir o aroma do amaciante de roupas.
“O que você está fazendo, uma omelete enrolada?”
“Sim.”
“Omelete e torrada? Não deveriam ser os ovos que você deveria fritar?”
“Para alguém que não sabe cozinhar, você fala demais.”
“Ah, olha só você…”
Cha Eui-jae ergueu os olhos discretamente para observar o rosto do jovem. Lábios carnudos, um leve sorriso nos cantos da boca — tudo lhe era familiar. Seus olhos negros, sob longos cílios, fitaram Cha Eui-jae e se estreitaram num suave sorriso.
“Hyung.”
Sua voz era afetuosa.
A boca de Cha Eui-jae se moveu por conta própria.
“Sim, Sa-young.”
Episódio 129: Observando pelas Lacunas
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The Hunter’s Gonna Lay Low
O caçador Cha Eui-jae, que fora enviado para selar uma fenda que se abriu sobre o Mar Ocidental, foi arremessado para fora assim que fechou a fenda e...