Episódio 223: Fim
“…Huh.”
Ao mesmo tempo, Lee Sa-young soltou um suspiro profundo e abriu os olhos. Tudo à sua frente estava branco. Ele não conseguia ver nada.
‘Ah.’
Seu corpo inteiro ficou gelado. As pontas dos seus dedos tremiam incontrolavelmente. Ele olhou ao redor apressadamente, mas a luz branca ofuscante permanecia. Em pânico, Lee Sa-young cobriu os olhos com as duas mãos. A escuridão retornou. Mas sua respiração, antes acelerada, não se acalmou facilmente. Então, uma voz veio de perto dele.
“Lee Sa-young-ssi! Você está bem?”
Quem é? Quem é? Quem é? Quem é? Quem é? Quem é? Quem é?
Lee Sa-young rangeu os dentes com tanta força que um som de ranger pôde ser ouvido. Outra voz o interrompeu.
“Deveríamos jogar um pouco de água nele? Devo buscar um pouco no riacho? Tem uma montanha bem ali fora!”
“Isso ajudaria? Lee Sa-young-ssi… você está bem? Seu estado é grave?”
Não se aproxime. Não se aproxime. Não se aproxime.
“Senhor policial, acho que você não deveria se aproximar muito.”
“O quê? Mas não podemos simplesmente deixá-lo assim, tendo uma convulsão…”
“Não. Se você se aproximar agora, ele vai atacar. Aquele ali está agindo de forma estranha agora…”
“Ei, Kkokko… espera aí? Para onde foi o Kkokko?”
“Kkokko não aparece por aqui desde que recobramos o juízo.”
“Ah, é mesmo? Então a Kkokko seguiu o J?”
J.
J?
Seu tremor diminuiu lentamente. Lee Sa-young piscou pesadamente. Por entre os dedos, vislumbrou um teto escuro. Hesitante, afastou as mãos dos olhos. Um lustre, excessivamente ornamentado e adornado com velas, e um teto de madeira. Recuperando o fôlego, Lee Sa-young virou a cabeça. A uma pequena distância, Jung Bin e Hong Ye-seong estavam parados sem jeito, enquanto Gyu-Gyu estava ao lado deles, jogando dados com as mãos.
Hong Ye-seong, agarrada à cintura de Jung Bin, perguntou.
“Sa-young? Você está bem?”
“…”
“Lee Sa-young-ssi, você está bem?”
“…”
“Parece que ele está mais ele mesmo agora~”
Sem responder, Lee Sa-young continuou a recuperar o fôlego. Por entre os dedos, examinou os arredores. Este lugar…
Um espaço criado por Hong Ye-seong. Eles estavam em uma reunião. Muitas pessoas estavam reunidas. Eu…
‘Vim para cá com J.’
Nesse instante, algo brilhante chamou sua atenção. Lee Sa-young ergueu a mão. Um relógio deslizou levemente pelo seu pulso antes de parar. Estava quebrado e gasto. Entre os muitos ponteiros, apenas um se movia.
Com pressa, Lee Sa-young sentou-se. Ele fez uma pergunta urgente.
“Onde está J?”
“Provavelmente por aí salvando o mundo~”
“Cale-se.”
“Você poderia, por favor, ficar quieto, Gyu-Gyu?”
“Sim, sim~”
Jung Bin, agora ajoelhado mais perto de Lee Sa-young, olhou nos seus olhos. A preocupação estava estampada em seu rosto.
“Quando acordamos, J já havia desaparecido. Parece que ele saiu para lidar com a situação lá fora primeiro. No entanto, há relatos, então não há necessidade de se preocupar com a segurança dele.”
“…”
Lee Sa-young não respondeu e baixou a cabeça. Sentia náuseas, como se fosse vomitar. Jung Bin olhou para Hong Ye-seong e elevou um pouco a voz.
“Hum, que tal mudar um pouco de ritmo? O funcionário temporário do restaurante de sopa para ressaca apareceu. Talvez você não esteja interessado, mas costumava frequentar aquele lugar bastante, Lee Sa-young-ssi…”
A voz de Jung Bin foi diminuindo enquanto seus olhos se arregalavam. A expressão de Lee Sa-young se contorceu de forma estranha. Ele moveu os lábios algumas vezes como se tivesse muito a dizer, bagunçou o cabelo, olhou para o nada, jogou a franja para trás, respirou fundo e finalmente abriu a boca.
“…O funcionário temporário do restaurante de sopa para ressaca?”
Talvez o choque do desmaio tenha sido grande demais. Ao olhar para Lee Sa-young, um sentimento de pena o invadia. Seria por causa daquelas noites em claro que ele passava se revirando na cama naquela casa de telhado de palha? Bae Won-woo costumava concordar que era como a preocupação de um pai. Lee Sa-young ainda parecia incapaz de se livrar do choque. Jung Bin o olhou com olhos compassivos.
“Bem…”
Pensando bem, não era estranho que Lee Sa-young não soubesse. Ele havia estado adormecido por três meses. Jung Bin explicou gentilmente.
“Após o Dia da Mudança, o funcionário temporário fechou a loja e desapareceu. Todos ficaram muito preocupados. Mas, mais cedo, a caçadora Yang Hye-jin disse que o tinha encontrado.”
Droga. Parece que escapou um pequeno palavrão. Lee Sa-young, depois de enxugar o rosto, perguntou.
“…O que ele estava vestindo?”
“Hum, eles disseram que ele estava usando um moletom cinza. O mesmo de antes, então o reconheceram imediatamente.”
Estalo, a mão de Lee Sa-young arranhou o ar com força. Ele cambaleou ao se levantar. Seus olhos violeta brilhavam friamente. Ele arrastou os pés enquanto caminhava em direção à porta. Gyu-Gyu, ainda jogando seus dados, perguntou.
“Para onde você vai?”
“…”
Bang! Lee Sa-young chutou a porta, escapando da aconchegante casa de amor de Hong Ye-seong. Agora agarrada como uma cigarra a um pilar em vez de Jung Bin, Hong Ye-seong murmurou.
“Nossa, que sorte que ele está tão desligado que nem percebeu. Acho que ele não se deu conta de que mandei mensagem para o J usando o celular dele, né?”
“De jeito nenhum ele fez isso~”
“Mas por que você fez isso, afinal?”
“Hum?”
Hong Ye-seong deslizou pelo pilar.
“Não sei. Simplesmente pareceu certo!”
Jung Bin, com o olhar frio, encarou Hong Ye-seong por um instante antes de desviar o olhar.
***
Cha Eui-jae abriu os olhos.
“…”
Parecia que a ordem para deixá-lo em paz era real, pois ninguém mais se aproximava dele. Devem tê-lo escondido em algum cômodo nos fundos. Por tédio, Cha Eui-jae mexeu os dedos. O cômodo não oferecia muitas informações.
‘E é entediante.’
Se Lee Sa-young tivesse ficado num quarto como este, como teria aguentado? Há um limite para o que se pode pensar e imaginar antes de se chegar a um ponto crítico. Cha Eui-jae já estava ansioso para se mexer.
‘Será que foi por isso que a personalidade dele acabou sendo assim…?’
Cha Eui-jae deu um sorriso irônico. Os pesquisadores também não tinham se aproximado dele desde a última visita. Devem ter estado seguindo à risca as ordens de “Hyung-nim”. Ele esfregou a cabeça na parede, frustrado.
‘Será que a ordem do “Hyung-nim” é realmente tão absoluta assim?’
Será que “Hyung-nim” é o líder deles? Cha Eui-jae queria encontrá-lo para descobrir o que se passava na cabeça dele para fazê-lo agir daquela maneira. A essa altura…
‘Ga-eul deve ter conhecido essa pessoa chamada “Hyung-nim”.’
Ele deveria ter providenciado uma forma de contatar Ga-eul.
‘Eu estava um pouco confiante demais.’
Bocejo. Cha Eui-jae deu um grande bocejo e estalou a língua. Bem, como ele poderia saber sem tentar se infiltrar? Talvez confiar demais no poder não seja a resposta… Nesse instante.
Shhh… Ele ouviu um chiado. Cha Eui-jae levantou a cabeça. Uma névoa tênue escapava por uma pequena fresta no teto. Tum, tum, tum… Os sons distantes foram diminuindo gradualmente. Cha Eui-jae ergueu os pulsos para verificar as horas. 17h.
‘Eles liberam o conteúdo em intervalos regulares?’
Droga. Cha Eui-jae franziu a testa. Não havia como evitar o gás em um cômodo pequeno como aquele. Ele só conseguia prender a respiração por um certo tempo. No fim, teria que inalá-lo. Cha Eui-jae olhou para o teto com frustração. O cômodo estava se enchendo lentamente de um gás denso, tão espesso que ele não conseguia mais enxergar nada à frente.
***
“Acabei de pensar em algo.”
Um homem usando óculos de proteção transparentes falou de repente. O outro homem, que anotava algo em um tablet enquanto observava o líquido pingar gota a gota, respondeu sem muita convicção.
“Hum-hum.”
“Aquele quarto de antes. Aquele que o hyung-nim nos disse para não tocar.”
“Sim.”
“Mas o gás também não é liberado lá dentro? É um sistema de liberação contínua, certo?”
A mão ocupada parou. O homem que segurava o tablet franziu a testa.
“Puxa vida… Também não era para a gente liberar gás lá dentro?”
“Ele disse para não fazermos nada imprudente. Disse para o deixarmos em paz.”
“Ah, droga… Agora temos que tirá-lo daqui.”
“Não acredito que não pensamos nisso.”
“Viram? Eu disse que deveríamos ter instalado sistemas de ventilação separados, mas ninguém escuta.”
Resmungando, os dois pegaram os trajes de proteção pendurados na parede. Depois de vestirem os macacões, os óculos de proteção e os filtros das máscaras de gás que cobriam apenas a boca, apertaram as luvas. Completamente equipados, dirigiram-se à última sala no final do longo corredor. As demais salas já estavam silenciosas.
A cela de ferro no fundo já estava cheia de um gás nebuloso, e através da névoa, podia-se ver uma tênue forma negra. Parecia alguém sentado no chão. Havia algo perturbador naquilo. O homem com o tablet franziu profundamente a testa e deu um passo para trás.
“Ei, vá buscá-lo.”
“O quê? Por quê?”
“Eca, não quero entrar lá.”
“Como é que eu vou conseguir tirá-lo de lá sozinha?”
“Dê um jeito. Estou atolado de trabalho agora, sério.”
“Ah, tá bom…”
O homem de óculos de proteção resmungou ao abrir a porta lateral e desaparecer na fumaça. Ele ainda tem a audácia de me pedir para resolver isso com ele, mesmo sendo culpa dele por não ter prestado atenção. Algumas pessoas não têm consciência. Sozinho, o outro homem rapidamente examinou os dados em seu tablet. Tempo precioso estava sendo desperdiçado… Então,
Baque.
Um som grave ecoou. O homem ergueu os olhos do tablet, procurando a origem do som. Ele vinha de dentro da cela.
“…”
Ele franziu a testa. O que foi isso? Deu duas batidas com o punho nas barras de ferro.
“Ei, está tudo bem aí dentro?”
Nenhuma resposta. Em vez disso, ouviu-se um ruído metálico. Parecia o tilintar de correntes.
“…”
Será que algo deu errado lá dentro? Não, ele provavelmente está drogado demais para pensar direito. Além disso, está amarrado. Será que eu deveria ter entrado com ele? Será que algo está dando errado por causa de uma coisa tão trivial? Um turbilhão de pensamentos passou pela sua cabeça. Ele olhou ansiosamente para o corredor antes de bater nas grades novamente.
“Ei, preciso entrar? Ou devo chamar a segurança?”
“…Não.”
Uma voz baixa e estranhamente calma respondeu. Seria seu colega? Ou não? O homem franziu a testa e escutou atentamente. Um pigarro, seguido por uma voz com um tom de divertimento.
“As correntes estão apertadas demais, só isso.”
“…”
“Por que você está tão assustado com uma coisa dessas? Está com medo?”
O tom jocoso aliviou um pouco sua tensão. Seus ombros rígidos relaxaram. Idiota. Ele deveria ter respondido logo de cara. O homem respondeu secamente, disfarçando o constrangimento.
“Com medo? Que nada… Achei que você tivesse desmaiado por causa do gás. Tem certeza de que está bem? Nada de estranho, né?”
“Sim… mas as correntes não saem. Que tal deixarmos assim?”
“O quê? Você acha que isso é uma boa ideia? E se o hyung-nim descobrir depois…”
“Está tudo bem.”
Fumaça branca rodopiava além das grades de ferro. O homem instintivamente deu um passo para trás. Rangido. A porta se abriu e a figura em um traje de proteção branco emergiu do gás, mexendo no filtro. Ele acenou com a mão.
“Afastem-se um pouco. Tem muito gás aqui dentro.”
“Ah, sim, tudo bem.”
As mãos enluvadas roçaram seu corpo. O homem sentiu subitamente um estranho desconforto e inclinou a cabeça. O que foi? Tem algo errado. As mangas das luvas dele não estão um pouco enroladas? Eu juraria que o vi colocá-las direito. E esses sapatos… não estão um pouco folgados demais?
Nesse instante, o homem parou.
“…Você não está ocupado?”
“…”
O homem engoliu em seco. Tem alguma coisa errada. Não pode ser o mesmo cara que estava comigo agora há pouco…
“Pode ir em frente. Eu alcanço você depois que me recuperar disso.”
Mas ele não queria pensar mais nisso.
Ele queria evitar isso.
Essa situação.
Ele queria fugir.
Daquela… coisa.
“Tá bom, sim…”
O homem se afastou desajeitadamente. Provavelmente não é nada. De jeito nenhum é o que estou pensando. Passo a passo, ele acelerou o passo e logo estava correndo. Seus passos apressados ecoaram pelo longo corredor.
‘Este corredor sempre foi tão comprido?’
Ele se sentiu ansioso. Um suor frio lhe encharcou as costas. O que devo fazer? O que está acontecendo?
E então-
Uma dor aguda atingiu a nuca dele. Ele desabou sem sequer gritar. Atrás dele, surgiu a figura com o traje de proteção branco. Os olhos por trás dos óculos transparentes eram azuis.
Episódio 223: Fim
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The Hunter’s Gonna Lay Low
O caçador Cha Eui-jae, que fora enviado para selar uma fenda que se abriu sobre o Mar Ocidental, foi arremessado para fora assim que fechou a fenda e...