Capítulo 4 — A Bruxa das Profundezas
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Nas regiões mais escuras do oceano, onde a luz do sol jamais consegue chegar, existe um lugar que todos os habitantes de Atlântida evitam.
Ali, os corais são negros.
As algas parecem mãos que se movem sozinhas.
Navios antigos repousam no fundo do mar, cobertos por séculos de silêncio.
No centro daquele lugar sombrio ergue-se uma enorme caverna.
É o lar de Kika, a Bruxa do Mar.
Dentro da caverna, conchas quebradas, frascos com poções luminosas e criaturas estranhas ocupam cada canto. Um gigantesco caldeirão de ferro ferve sem que exista qualquer fogo sob ele. Bolhas azul-escuras sobem à superfície do líquido, liberando uma fumaça brilhante.
Kika, de longos cabelos negros e olhos verde-esmeralda, sorri enquanto mexe o caldeirão com um cajado feito de coral escuro.
Kika: — Vamos ver… como anda a família real.
Ela joga uma pérola negra dentro do caldeirão.
A água começa a girar rapidamente.
A fumaça forma imagens.
Primeiro aparece o palácio do Rei Tritão.
Depois…
O rosto de Max.
Na visão, o jovem tritão nada próximo da superfície, observando o brilho do mundo humano.
Kika sorri lentamente.
Kika: — Então é verdade…
Ela aproxima o rosto da imagem.
Kika: — Você sonha com a superfície.
As imagens continuam mudando.
Agora Max aparece discutindo com o Rei Tritão.
A bruxa escuta cada palavra.
Max: — Eu só quero conhecer o mundo dos humanos!
Rei Tritão: — Está proibido de subir à superfície!
A visão desaparece.
Kika começa a rir.
Uma risada baixa, fria e cheia de malícia ecoa pela caverna.
Kika: — Tão jovem… tão curioso… e tão teimoso.
Ela caminha lentamente ao redor do caldeirão.
Kika: — Exatamente como eu esperava.
Uma pequena enguia negra emerge da água.
Enguia: — Senhora… ele pode ser útil?
Kika sorri.
Kika: — Muito útil.
Ela toca a superfície do caldeirão com a ponta do cajado.
A imagem de Max volta a aparecer.
Ele sorri enquanto observa a luz da superfície.
Kika: — Você nem imagina o poder que possui.
A bruxa fecha os olhos por um instante.
Kika: — A voz daquele garoto…
Ela abre um sorriso.
Kika: — É tão poderosa quanto a da antiga rainha.
Sua expressão muda completamente.
O sorriso transforma-se em ódio.
Kika: — E foi justamente por causa daquela família… que eu fui banida para estas profundezas.
Ela aperta o cajado com força.
Kika: — Rei Tritão… você tirou tudo de mim.
O caldeirão começa a borbulhar violentamente.
A água escura forma a imagem do tridente real.
Kika: — Mas chegou a hora de devolver o favor.
Ela volta a olhar para Max.
Kika: — Um príncipe curioso sempre acaba cometendo um erro.
Ela estende a mão sobre a imagem do jovem.
Kika: — E, quando esse momento chegar…
Sua voz torna-se quase um sussurro.
Kika: — Eu estarei esperando.
A bruxa solta uma gargalhada que ecoa pelas profundezas do oceano, enquanto o caldeirão continua mostrando o rosto de Max, sem que ele faça ideia de que, a partir daquele instante, está sendo observado por uma inimiga muito mais perigosa do que qualquer humano.
Capítulo 4 — A Bruxa das Profundezas
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TOPÁZIO e o Pequeno Príncipe
Em TOPÁZIO e o Pequeno Príncipe, Max, um jovem tritão curioso e sonhador, sempre desejou conhecer o mundo da superfície. Após salvar o Príncipe Harry de um naufrágio, ele se apaixona...