Capítulo 3 — Os primeiros dias do príncipe
Topázio:
Eu tinha apenas três dias de vida.
Não me lembro daqueles primeiros dias, mas minha mãe costumava contar que eu dormia muito e quase não chorava.
O palácio inteiro estava encantado com a chegada do novo príncipe.
Todos queriam me conhecer.
Mas meus pais preferiam manter aquele momento apenas entre nós.
Naquela manhã, minha mãe estava sentada perto da janela, comigo nos braços.
Eu dormia tranquilamente.
Meus cabelos brancos estavam espalhados sobre a manta.
Minha mãe passou os dedos pelos fios.
Helena: — Eles cresceram novamente.
Meu pai, que estava lendo alguns documentos, levantou os olhos.
Augusto: — De novo?
Helena: — Sim.
Ele se aproximou.
Augusto: — Posso ver?
Helena levantou cuidadosamente uma pequena mecha.
Helena: — Quando ele nasceu, os cabelos chegavam até os ombros.
Augusto observou.
Augusto: — Agora estão ainda maiores.
Helena: — E continuam muito macios.
Augusto tocou nos fios.
Augusto: — É realmente estranho.
Helena olhou para ele.
Helena: — Estranho não significa ruim.
Augusto: — Eu sei.
Ele olhou para mim.
Augusto: — Só quero entender.
Naquele momento, eu me mexi.
Helena sorriu.
Helena: — Acho que alguém acordou.
Abri os olhos por alguns segundos.
Minha mãe aproximou o rosto do meu.
Helena: — Bom dia, meu filho.
Meu pai sorriu.
Augusto: — Ele tem os seus olhos.
Helena: — E os cabelos dele são completamente diferentes dos nossos.
Augusto riu.
Augusto: — Talvez seja a maneira dele de ser único.
Helena beijou minha testa.
Helena: — Você é meu pequeno príncipe.
Mais tarde, o médico voltou ao palácio.
Ele queria acompanhar meu desenvolvimento.
Depois de me examinar, voltou sua atenção para meus cabelos.
Médico: — Eles continuam crescendo rapidamente.
Augusto: — Isso pode fazer mal a ele?
Médico: — Até agora, não.
Helena: — Então não precisamos cortar?
Médico: — Eu não recomendaria.
Augusto franziu a testa.
Augusto: — Por quê?
Médico: — Quero continuar observando.
Ele pegou uma mecha cuidadosamente.
Dessa vez, os fios brancos refletiram uma luz dourada muito suave.
O médico ficou imóvel.
Augusto: — O que aconteceu?
Médico: — Novamente.
Helena olhou para os cabelos.
Helena: — Eles estão brilhando.
Médico: — Sim.
Augusto: — Você sabe o que isso significa?
O médico soltou a mecha.
Médico: — Não.
Ele parecia preocupado.
Médico: — Mas aconselho que ninguém saiba disso.
Augusto ficou sério.
Augusto: — Concordo.
Helena abraçou-me um pouco mais forte.
Helena: — Nosso filho não será tratado como uma coisa diferente.
Augusto: — Não será.
Médico: — Então mantenham isso em segredo.
O médico saiu.
Minha mãe ficou olhando para mim.
Helena: — Ninguém vai machucar você.
Meu pai se aproximou.
Augusto: — Enquanto estivermos aqui, ninguém vai chegar perto dele.
Naquele momento, eles acreditavam que estavam seguros.
Mas não estavam.
Do lado de fora do palácio, uma mulher observava os movimentos dos guardas.
Ela ainda não havia entrado.
Ainda não havia visto o príncipe.
Mas já tinha ouvido rumores sobre o bebê de cabelos brancos.
E queria descobrir se aqueles rumores eram verdadeiros.
Seu nome era Gothel.
Enquanto meus pais cuidavam de mim, ela começava a planejar como chegar até o pequeno príncipe.
E eu ainda era pequeno demais para saber que meu maior perigo já estava se aproximando.
Capítulo 3 — Os primeiros dias do príncipe
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TOPÁZIO como RAPONZEL
Em 1950, o príncipe Topázio, filho do Rei Augusto e da Rainha Helena, desaparece ainda bebê. Seus cabelos possuem um poder mágico capaz de curar e manter alguém jovem, fazendo com que Gothel o...