Capítulo 4 – O Luto
TOPÁZIO:
O castelo de TOPÁZIO, antes cheio de risos e música, mergulhou em um silêncio doloroso.
As bandeiras foram hasteadas a meio mastro. Os sinos tocaram lentamente durante todo o dia, anunciando ao reino a perda de sua amada rainha.
Homens, mulheres e crianças reuniram-se diante do castelo para prestar suas últimas homenagens. Muitos choravam, incapazes de acreditar que uma rainha tão bondosa havia partido.
Dentro do castelo, a dor era ainda maior.
O rei permanecia em pé diante do retrato da esposa, segurando a aliança de casamento entre os dedos.
Rei (pensando): “Prometi que protegeria nossa família… e não consegui proteger você.”
Uma lágrima escorreu por seu rosto.
Em outro cômodo, Pedro estava sentado no chão de seu quarto, abraçado aos próprios joelhos.
Desde o acidente, ele quase não falava.
Não conseguia dormir.
Não conseguia comer.
Tudo o que via era o rosto da mãe em seus últimos instantes.
Pedro (pensando): “Foi minha culpa… Se eu não tivesse aqueles poderes… ela ainda estaria viva.”
Alguém bateu de leve à porta.
Mateu: — Pedro… posso entrar?
Pedro permaneceu em silêncio.
Mateu abriu a porta devagar e entrou.
Ao ver o irmão chorando, seus olhos também se encheram de lágrimas.
Ele caminhou até Pedro e sentou-se ao seu lado.
Por alguns instantes, nenhum dos dois disse uma palavra.
Então, Mateu segurou a mão do irmão.
Mateu: — Eu sinto falta da mamãe…
Pedro começou a chorar novamente.
Pedro: — Eu… eu tirei ela de você.
Mateu balançou a cabeça com firmeza.
Mateu: — Não.
Pedro ergueu os olhos.
Pedro: — Mas fui eu…
Mateu: — Você nunca quis machucar a mamãe.
Pedro abaixou a cabeça.
Pedro: — Mesmo assim… eu machuquei.
Mateu abraçou o irmão com toda a força que um menino de quatro anos conseguia.
Mateu: — Eu não vou deixar você sozinho.
Pedro retribuiu o abraço, chorando em silêncio.
Naquele instante, o rei entrou no quarto.
Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar.
Ao ver os filhos abraçados, aproximou-se deles e ajoelhou-se.
Sem dizer nenhuma palavra, envolveu os dois em um abraço.
Os três permaneceram unidos por longos minutos.
Nenhum abraço era capaz de apagar aquela dor.
Mas, por alguns instantes, eles encontraram conforto um no outro.
TOPÁZIO:
O luto não termina quando o funeral acaba.
Ele permanece no coração daqueles que continuam vivendo.
Naquele castelo, um rei perdera sua esposa.
Mateu perdera sua mãe.
E Pedro acreditava ter perdido o direito de voltar a ser feliz.
Sem perceber, a culpa começava a construir, ao redor do coração do pequeno príncipe, um gelo muito mais frio do que qualquer inverno.
Capítulo 4 – O Luto
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TOPÁZIO O Rei do Gelo
Década de 1950. No reino encantado de TOPÁZIO, o príncipe Pedro nasceu com o raro poder de controlar o gelo. Após um acidente na infância, ele passa a acreditar que sua existência coloca em...