Capítulo 7 – Portas Fechadas
TOPÁZIO:
Depois da visita aos trolls, o rei tomou uma decisão que mudaria para sempre a vida de sua família.
Na manhã seguinte, todos os empregados do castelo foram reunidos no grande salão.
O ambiente estava em completo silêncio.
O rei respirou fundo antes de falar.
Rei: — A partir de hoje, muitos de vocês serão dispensados de seus serviços.
Os empregados se entreolharam, surpresos.
Empregado: — Majestade… fizemos algo errado?
O rei balançou a cabeça.
Rei: — Não. Vocês sempre serviram este reino com lealdade. Esta decisão é necessária por motivos que não posso revelar.
Com tristeza, os empregados fizeram uma reverência e deixaram o castelo.
Restaram apenas alguns criados de absoluta confiança.
Naquele mesmo dia, o rei chamou o comandante da guarda.
Rei: — Quero todos os portões do castelo fechados.
Comandante: — Sim, Majestade.
Rei: — Tranque também todas as janelas da ala norte e da torre mais alta. Ninguém poderá entrar sem minha autorização.
Comandante: — Como desejar.
Os soldados começaram imediatamente o trabalho.
Grandes portões de ferro foram fechados.
As janelas receberam pesadas trancas.
O castelo, antes aberto e cheio de vida, tornou-se silencioso e isolado.
No fim da tarde, o rei levou Pedro até a torre mais alta.
O menino olhava pela janela para o reino lá embaixo.
Pedro: — Pai… eu vou morar aqui?
O rei ajoelhou-se diante dele.
Seus olhos estavam marejados.
Rei: — Será apenas por algum tempo… até você aprender a controlar seus poderes.
Pedro abaixou a cabeça.
Pedro: — Eu não posso mais brincar com o Mateu?
O rei fechou os olhos por um instante.
Responder àquela pergunta foi mais difícil do que enfrentar qualquer batalha.
Rei: — Por enquanto… não.
Pedro sentiu um nó na garganta.
Pedro (pensando): “Vou ficar sozinho…”
O rei segurou as mãos do filho.
Rei: — Você não está sendo castigado.
— Estou tentando proteger você… e proteger seu irmão.
Pedro apenas assentiu, mesmo sem compreender completamente.
Naquele instante, do outro lado do castelo, Mateu corria pelos corredores.
Mateu: — Papai!
O menino parou diante da porta da torre.
Tentou abri-la.
Estava trancada.
Mateu: — Pedro!
Nenhuma resposta.
Mateu: — Pedro, onde você está?
Lá dentro, Pedro ouviu a voz do irmão.
Seus olhos se encheram de lágrimas.
Ele caminhou até a porta, mas não teve coragem de abri-la.
Levantou lentamente a mão e a encostou na madeira.
Pedro (em voz baixa): — Me desculpa, Mateu…
Do outro lado, Mateu também colocou a mão sobre a porta, sem entender por que seu irmão não aparecia.
Mateu: — Quando você sair, vamos brincar de novo… eu prometo.
Pedro começou a chorar em silêncio.
TOPÁZIO:
Naquele dia, nenhuma corrente foi colocada em Pedro.
Mas as portas fechadas, as janelas trancadas e a torre silenciosa tornaram-se sua nova prisão.
E, sem perceber, dois irmãos que se amavam profundamente começaram a ser separados não pela distância… mas pelo medo.
Capítulo 7 – Portas Fechadas
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TOPÁZIO O Rei do Gelo
Década de 1950. No reino encantado de TOPÁZIO, o príncipe Pedro nasceu com o raro poder de controlar o gelo. Após um acidente na infância, ele passa a acreditar que sua existência coloca em...