Capítulo 4
“Você ainda estava meio dormindo quando fez isso aqui?” Yan Hang olhou para o pai. “Yan Jidao? Como eu vou usar isso quando sair? Por que você não colocou logo Dinastia Song do Norte na data de nascimento? Ou então já aproveitava e imprimia mais algumas palavras.”
“Que palavras?” o pai perguntou interessado enquanto comia.
“Identidade falsa.” Yan Hang respondeu.
O pai caiu na gargalhada depois de terminar o último bocado do macarrão, então se jogou no sofá e ficou rindo por um bom tempo. “Nosso príncipe herdeiro, afinal de contas, é alguém que frequentou o ensino fundamental…”
“Deixa eu ver o seu.” Yan Hang estendeu a mão.
“O meu quê?” o pai perguntou.
“Seu RG. Você sempre faz dois toda vez, então deve ter feito o seu também.” Yan Hang largou o celular e foi até ele. “Tira aí pra eu ver.”
“Ah!” O pai suspirou e tirou o próprio cartão do bolso.
Yan Hang viu o nome de relance.
Yan Shu.
Ele não conseguiu evitar xingar:
“Sem vergonha.”
“O quê? Eu não posso usar?” O pai pegou o controle remoto, trocou de canal e colocou as pernas sobre a mesa de centro.
“Quero trocar com você, Yan Shu soa melhor.” Yan Hang disse. “Você fica sendo Yan Jidao.”
“Não, não dá pra trocar.” O pai balançou a cabeça.
“Por quê?!” Yan Hang perguntou.
“Yan Shu é o pai do Yan Jidao!” O pai lançou um olhar pra ele. “Analfabeto!”
“…Não, você fez um RG falso baseado em fatos históricos?” Yan Hang ficou sem palavras. Ficou parado um momento sem saber o que dizer, então sentou de volta na cadeira, ficou pensativo por um instante e perguntou de novo: “Yan Shu é mesmo o pai do Yan Jidao?”
“É. Quer que eu te conte mais?” o pai perguntou.
“Quero.” Yan Hang assentiu.
“Yan Jidao era o sétimo filho de Yan Shu,” o pai disse com uma expressão séria. “Sete filhos, entendeu?”
“Ah.” Yan Hang olhou para ele.
“Ele tinha outros seis filhos. O mais velho se chamava Yan Yidao, o segundo Yan Liangdao, o terceiro Yan Sandao…” o pai foi contando nos dedos. “E por aí vai, tinha também Yan Sidao, Wudao e Liudao…”
Yan Hang abriu a boca, mas não conseguiu dizer nada.
“Depois ele ficou confuso, não conseguia mais lembrar quantos filhos tinha,” o pai bateu na própria perna. “Então chamou o último de Yan Jidao, entendeu?”
Yan Hang assentiu.
“Quase acreditei.”
“Pronto, aula encerrada.” O pai acenou com a mão.
Yan Hang se espreguiçou e levantou.
“Vou deitar um pouco.”
“Vai lá,” o pai disse. “Se não conseguir dormir, levanta e conversa comigo.”
“Não, você é que devia dormir.” Yan Hang entrou no banheiro.
O pai parecia um pouco cansado. Provavelmente não dormia fazia dois dias. Para Yan Hang, dormir era algo muito precioso.
Ele corria todas as noites. Primeiro porque gostava de correr, segundo porque conseguia dormir melhor quando ficava cansado depois da corrida.
Mas hoje, por ter escolhido o caminho errado, voltou cedo sem correr muito, então não estava nem um pouco sonolento deitado na cama.
O pai voltou para o quarto e foi dormir bem cedo. Nesse aspecto, Yan Hang invejava bastante o pai: conseguir dormir quando quisesse e acordar quando quisesse.
Depois de ficar deitado até as costas começarem a doer, ele se virou, pegou o celular e olhou a hora.
Três da manhã.
Melhor tomar o remédio.
Yan Hang virou para o outro lado, estendeu a mão para a mesinha ao lado da cama, tateou duas vezes e então recolheu a mão.
Esquece. Vou tentar mais um pouco.
O pai já tinha se preocupado antes:
“Você devia controlar o uso desse remédio e parar de tomar toda hora. Senão no futuro vai perder uma opção de suicídio.”
Yan Hang fechou os olhos e riu sozinho por um tempo.
Chu Yi apoiava o queixo na mão. Embora o professor continuasse batendo no quadro-negro e dando a aula, o olhar dele não se movia havia mais de meia aula, parado em uma árvore do lado de fora da janela.
O professor não se importava com ele. Ele não dormia, não conversava, não se mexia e não atrapalhava os outros alunos. Só ficava distraído. Talvez o professor nem percebesse sua existência.
Principalmente a professora de inglês que estava no pódio naquele momento, que provavelmente nem conseguia pronunciar o nome dele.
Ao pensar em inglês, Chu Yi desviou o olhar da árvore por alguns segundos e encarou o quadro.
Aquelas fileiras de inglês deixavam sua cabeça zonza.
Mas não pareciam tão avançadas quanto as frases no WeChat Moments do Yan Hang.
Provavelmente porque havia mais palavras que ele não conhecia.
Era a última aula e faltavam apenas alguns minutos para o fim das aulas.
Hoje ele planejava ficar parado por um tempo na porta da sala dos professores antes de ir embora, esperando Li Zihao e os outros saírem primeiro.
Yan Hang era incrível demais. Eles provavelmente não conseguiam arrumar problemas com Yan Hang, então nesses momentos normalmente descarregavam tudo nele.
Chu Yi encostou nas costas da cadeira, querendo organizar primeiro os livros da gaveta. Assim que suas costas tocaram a cadeira, sentiu uma dor aguda. Ele se assustou e imediatamente endireitou o corpo.
Algumas risadinhas bem baixas vieram de trás dele.
Provavelmente era uma tachinha. Ele tinha bastante experiência com esse tipo de coisa. Chu Yi não olhou para trás, nem tocou a cadeira ou as próprias costas. Apenas se deitou sobre a mesa.
Nessa hora, ele não podia reagir. Qualquer reação que chamasse atenção faria aquilo continuar.
O ideal seria conseguir ficar invisível.
Ele contava esse pequeno desejo ao buraco da árvore havia muitos anos, mas nunca ganhou essa habilidade.
O sinal da escola tocou e as pessoas na sala rapidamente se levantaram e correram para a porta. Naquele horário, todo mundo estava com fome e a maioria tinha pressa para ir para casa ou comer alguma coisa do lado de fora.
Algumas pessoas deram tapinhas na cabeça dele ao passar. Chu Yi ignorou, colocou as coisas da mesa na gaveta e então se levantou.
Só então olhou para o encosto da cadeira.
Como esperado, havia uma tachinha colada ali com fita adesiva.
Chu Yi arrancou a tachinha, pressionou ela contra o tubo de ferro da cadeira até entortar a ponta e então a jogou na gaveta.
Quando saiu da sala e quis ir em direção à sala dos professores, teve o caminho bloqueado.
“Cadê seu chefe?” Li Zihao perguntou.
Chu Yi não respondeu nem olhou para ele. Apenas virou o corpo querendo voltar.
“O quê? Seu chefe veio te escoltar?” Um dos amigos de Li Zihao bloqueou o caminho de volta.
Ele suspirou e ficou parado.
“Vamos, vamos embora juntos.” Li Zihao o empurrou em direção ao portão da escola.
Embora Chu Yi não estivesse muito disposto, acabou sendo levado por eles até o lado de fora da escola.
Ele realmente não se importava muito com o que aconteceria depois, mas hoje originalmente tinha planejado passar na papelaria para comprar um caderno.
Pelo visto, não teria chance agora.
“Você não estava bem arrogante?” Li Zihao o empurrou assim que saíram do portão.
Chu Yi queria dizer que ele não estava sendo arrogante, quando foi que ele já tinha sido arrogante? O arrogante era claramente Yan Hang… Li Zihao realmente não tinha talento para ser chefe, nem conseguia escolher o alvo certo.
Li Zihao colocou o braço sobre o ombro dele.
“Seu chefe não disse que ia te proteger…”
Antes que terminasse a frase, um assobio vindo da frente interrompeu suas palavras.
Aquele assobio claro e limpo era muito familiar. Tirando Yan Hang, Chu Yi nunca tinha ouvido ninguém ao redor assobiar tão bem.
Li Zihao provavelmente sentiu o mesmo e parou imediatamente ao ouvir o som.
Chu Yi levantou a cabeça e viu alguém sentado no corrimão da calçada.
Calça esportiva, máscara, cotovelos apoiados nas pernas, cabeça inclinada olhando para eles, segurando um celular apontado naquela direção.
“Merda.” Li Zihao resumiu toda sua irritação em uma única palavra.
Chu Yi hesitou um pouco. Ele não sabia se Yan Hang tinha aparecido ali para “protegê-lo” ou apenas para gravar vídeo ou fazer live.
Afinal, ele quase não tinha experiência em ser “salvo”.
Os dois lados ficaram parados até Yan Hang guardar o celular no bolso e fazer um leve sinal de cabeça para ele.
Chu Yi abaixou a cabeça e caminhou rapidamente até ele.
Yan Hang pulou do corrimão, não disse nada, virou-se e começou a andar direto pela rua.
Chu Yi o seguiu em silêncio.
Eles caminharam até o cruzamento. Yan Hang estava pensando se devia levar Chu Yi até a loja de macarrão onde tinha ido com o pai outro dia para comer alguma coisa quando ouviu Chu Yi falar atrás dele:
“É… é por aqui.”
“Hm?” Yan Hang virou a cabeça para olhar para ele.
“Eu vou… por aqui.” Chu Yi apontou para o lado direito da rua, na direção oposta da casa dele. “Obrigado.”
Aqueles moleques ainda os seguiam de longe, então Yan Hang ficou um pouco confuso com aquilo. Apontou para si mesmo:
“Você vai pra lá… e eu?”
“Vai… pra casa.” Chu Yi respondeu.
Yan Hang encarou ele por alguns segundos antes de falar:
“Você acredita que eu posso te dar um tapa agora mesmo?”
Chu Yi olhou para ele sem dizer nada.
“…Por que você vai pra esse lado?” Yan Hang perguntou.
“Comprar canetas… cadernos.” Chu Yi respondeu.
“Canetas e cadernos?” Yan Hang ficou atordoado, quase sem palavras. Depois de um tempo, acenou com a mão. “Tá, vamos. Eu vou com você.”
“Caderno.” Chu Yi corrigiu outra vez.
“Ah!” Yan Hang gritou e depois suspirou. “Eu sei, é um caderno, não canetas.”
“Mm.” Chu Yi assentiu.
Toda vez que chegava em um lugar novo, Yan Hang passava alguns dias especialmente entediado, sem saber o que fazer para matar o tempo.
Mas ele se meter nos assuntos de Chu Yi, ir especificamente esperar Chu Yi depois da escola, suportar a irritação ocasional ao lidar com ele… não era totalmente porque estava entediado.
O Velho Yan sempre esperou que ele tivesse mais “contato” com outras pessoas. Yan Hang sempre respondia que podia conhecer muita gente fazendo trabalhos de meio período, mas na verdade ele entendia perfeitamente por que o pai dizia isso.
Ele não tinha amigos.
Mas além das questões de personalidade, ele também não parecia ter as condições necessárias para fazer amigos. O pai sabia disso também, então sempre mencionava o assunto só de passagem e nunca insistia muito.
Chu Yi era a pessoa mais interessante que ele tinha conhecido nos últimos dois anos, tirando colegas de trabalho e proprietários de imóveis.
Chu Yi o levou até a porta de uma pequena papelaria e parou, olhando para ele.
“É aqui.”
“Mm.” Yan Hang assentiu. “Vou esperar você aqui fora. Depois você pode me pagar uma refeição.”
“Eu não… não tenho dinheiro.” Chu Yi respondeu.
“Dez yuan já dá pra uma tigela de macarrão.” Yan Hang disse.
“Oh.” Chu Yi respondeu antes de entrar na loja.
Yan Hang olhou para dentro. Havia um banquinho ao lado do caixa. Ele entrou, pegou o banquinho e colocou para fora, sentando-se na porta para apreciar a paisagem.
O dono da loja colocou a cabeça para fora e olhou para ele. Yan Hang ergueu os olhos para o homem.
“Hm?”
O dono não disse nada e voltou para dentro.
Uma papelaria devia ser considerada o inferno para pessoas indecisas. Yan Hang não sabia se Chu Yi tinha esse problema, mas achava que ele também demoraria um pouco escolhendo.
Yan Hang pegou o celular para olhar as mensagens. Assim que acendeu a tela, uma figura apareceu ao lado dele.
Ele levantou a cabeça.
Era Chu Yi, segurando o caderno que já tinha comprado.
“Já?” Yan Hang ficou surpreso. “Você não tem dificuldade nenhuma em escolher, você simplesmente é cego? Entrou e pegou a primeira coisa que encostou.”
“Por que você não…” Chu Yi olhou para ele. “Senta… mais um pouco.”
“…Você é sempre espancado porque fala demais?” Yan Hang se levantou, devolveu o banquinho para dentro da loja, agradeceu ao dono, então saiu e inclinou a cabeça para Chu Yi. “Vamos, bora comer alguma coisa.”
Chu Yi não disse nada e continuou seguindo atrás dele.
Yan Hang disse que Chu Yi pagaria a refeição apenas brincando. Na verdade, ele só queria achar algum lugar para comer; se Chu Yi quisesse, comeriam juntos.
Eles caminharam em silêncio durante todo o trajeto. Quando chegaram à frente daquela loja de macarrão com carne, Chu Yi de repente parou.
“Vai comer macarrão?” Yan Hang perguntou.
Chu Yi procurou algo no bolso, tirou uma nota de dez yuan dobrada ao meio e entregou para ele.
“Aqui.”
“Pra quê?” Yan Hang ficou extremamente chocado.
“Você come… macarrão.” Chu Yi respondeu.
“E você fica olhando?” Yan Hang perguntou.
“Vou pra casa.” Chu Yi respondeu calmamente.
Yan Hang ficou olhando para ele por um momento antes de perguntar:
“Você é da Terra mesmo?”
“De Marte… provavelmente.” Chu Yi sorriu.
Yan Hang já não tinha mais energia para se irritar. Pegou o dinheiro da mão dele e olhou para a placa de preços na entrada da loja.
“Nem dez yuan dá.”
“O vegetariano custa… dez… dez yuan.” Chu Yi respondeu sem nem olhar.
“…Eu não sobrevivo sem carne.” Yan Hang disse.
Chu Yi pensou um pouco e fez sinal para ele.
“Vem.”
Yan Hang o seguiu e continuou andando.
Eles saíram da ruazinha e entraram em um beco. Yan Hang não conseguiu evitar perguntar:
“Pra onde?”
Chu Yi não respondeu. Caminhou mais um pouco, levantou a mão e apontou para uma lojinha ao lado.
“Olha.”
Yan Hang virou a cabeça.
Era outra loja de macarrão com carne, mais velha e muito menor do que a anterior. O balcão do caixa ficava logo na entrada, e estava escrito: macarrão com carne — 10 yuan.
“…Caralho.” Yan Hang ficou completamente sem palavras.
“Surpreso?” Chu Yi perguntou.
“Cala a boca.” Yan Hang respondeu.
Quando Chu Yi estava prestes a entrar para comprar o macarrão, Yan Hang estendeu a mão e segurou seu braço.
“Colega Chu Yi.”
“Hm?” Chu Yi virou a cabeça.
“Eu estava só brincando,” Yan Hang disse. “Só… brincando.”
“Ah?” A expressão calma de Chu Yi mudou, e sua voz ficou cheia de realização repentina. “Oh…”
“Pode ir pra casa.” Yan Hang se encostou em uma árvore, tirou um maço de cigarros do bolso e colocou um cigarro entre os lábios.
Ao levantar os olhos, percebeu que Chu Yi ainda estava olhando para ele.
“O que foi?” Yan Hang perguntou. “Estou tentando me recuperar emocionalmente.”
“Obrigado.” Chu Yi disse.
“Pelo quê? Não precisa agradecer, você já me agradeceu duas vezes.” Yan Hang acendeu o cigarro.
“Não… não precisa ir… de novo…” Chu Yi disse baixinho. “Na escola.”
Yan Hang lançou um olhar para ele.
“Ainda falta… um ano e meio,” Chu Yi continuou. “Você vai… todo… todo dia?”
De repente, Yan Hang não soube o que responder.
Chu Yi sorriu, virou-se e foi embora.
Yan Hang ficou encostado na árvore até terminar o cigarro, então bateu a poeira das roupas e voltou caminhando devagar.
As palavras de Chu Yi o deixaram um pouco desconfortável.
Quando chegou em casa, seu pai estava fazendo bolinhos.
“Vem cá, como foi que você fez aqueles guiozas em formato de peixinho da última vez?” o pai perguntou.
Yan Hang foi lavar as mãos, sentou-se diante da mesa de centro, pegou uma massa de guioza, fez um bolinho em formato de peixinho dourado e colocou na frente do pai.
“O quê? O grande herói justiceiro voltou?” O pai olhou para ele. “Fracassou?”
“Ah,” Yan Hang respondeu sorrindo. “Fracassei.”
O pai não disse nada. Pegou uma massa de guioza e lentamente tentou imitar o formato de peixinho.
“Velho Yan,” Yan Hang se recostou na cadeira e olhou para ele, sentindo os dez yuan que tinha esquecido de devolver para Chu Yi no bolso. “Você já viu alguém que consegue aceitar a própria vida com muita calma, sem ser afetado por nada?”
“Você.” O pai respondeu.
“Eu não sou calmo.” Yan Hang estalou a língua. “Eu só pareço não ligar.”
“Como você sabe que os outros não são iguais?” O pai sorriu. “Quem é que realmente não tem pensamentos no coração?”
Yan Hang não respondeu.
“Foi procurar emprego hoje de manhã?” o pai perguntou.
“Fui. Usando o RG do Yan Jidao.” Yan Hang respondeu.
“E aí?” o pai perguntou sorrindo.
“Começo amanhã.” Yan Hang disse. “É bem perto. Uma cafeteria logo ao lado do 846.”
“Que rápido. O que você falou?” o pai perguntou.
“Só falei normalmente. Perguntei se estavam contratando. Eles perguntaram o que eu sabia fazer. Eu disse que sabia fazer tudo o que eles serviam ali.” Yan Hang respondeu.
“Muito bom, essa é a atitude descarada necessária.” O pai assentiu. “E depois?”
“Mandaram eu fazer um bolo crocante de leite com queijo. Então eu fiz.” Yan Hang respondeu. “Depois o chefe perguntou se eu queria trabalhar na cozinha.”
“E você disse que não, que só queria ser garçom.” O pai completou.
“Isso.” Yan Hang assentiu.
Depois de um breve silêncio, os dois começaram a rir juntos, gargalhando por um bom tempo.
“Você está cada vez melhor em falar besteira.” O pai comentou enquanto ria.
“Eu só tenho 17 anos,” Yan Hang colocou as pernas sobre a mesa de centro. “Idade perfeita pra…”
O pai chutou as pernas dele da mesa com um pé.
“…falar besteira.” Yan Hang concluiu.
Quando Chu Yi chegou em casa, os avós e a mãe estavam todos sentados na sala, e a expressão da mãe estava extremamente sombria.
Na memória dele, a mãe raramente sorria. Na maior parte do tempo mantinha os cantos da boca caídos e, conforme envelhecia, as rugas ligadas aos cantos da boca faziam sua expressão parecer ainda mais infeliz.
“Tem guioza na geladeira. Vai cozinhar.” A mãe disse assim que o viu entrar.
“Mm.” Chu Yi colocou o caderno no chão, alinhou os sapatos espalhados no piso na sapateira e então entrou na cozinha.
“Não tem mais esperança nenhuma da distribuidora de água?” o avô perguntou.
“Disseram que iam dar notícias este mês, mas agora até o ponto comercial sumiu,” a mãe respondeu. “Que esperança ainda pode existir?”
Chu Yi estava fervendo água para cozinhar os guiozas enquanto escutava a conversa da sala.
A mãe sempre trabalhou numa distribuidora de água. No mês passado, disseram que o movimento estava ruim e deram quinze dias de folga. Desde então ela estava preocupada que a loja fechasse, e agora parecia que realmente tinha acabado.
“A Er Ping não disse que ia arrumar um emprego pra você?” a avó perguntou.
“Ela queria que eu virasse auxiliar de creche no jardim de infância dela,” o tom da mãe estava cheio de irritação. “Ela fez isso de propósito pra me humilhar! Isso é jeito de tratar as pessoas?”
“Ela é professora e quer que você seja auxiliar?” o avô exclamou. “Que absurdo!”
“Ela não tinha dito antes que lá estavam contratando professoras de jardim?” a avó ergueu a voz, extremamente insatisfeita. “Mas quando é família vira auxiliar? Isso é claramente humilhar os outros!”
Chu Yi fechou a porta da cozinha com muito cuidado e ficou parado diante do fogão olhando distraidamente para a panela de água.
A água ferveu. Ele abriu a geladeira e encontrou dois sacos de guioza congelado.
Se lembrava corretamente, aquilo tinha sido comprado no pequeno mercado da rua pelo menos três meses antes.
Ele procurou mais um pouco e descobriu que não havia outros guiozas. Eram realmente aqueles dois sacos velhos de que a mãe tinha falado.
Sem escolha, abriu os sacos para olhar.
Os guiozas estavam completamente grudados uns nos outros.
Ele hesitou, então abriu a porta da cozinha e colocou a cabeça para fora.
“Os guiozas estão muito… muito velhos.”
“Quão velhos eles podem estar? Não estão estragados. Se dá pra comer, então tá bom! Você é algum jovem mestre fresco? Se quer ser exigente, vai morar na casa da sua tia.” A mãe franziu a testa.
Chu Yi não respondeu. Voltou para dentro da cozinha e despejou os guiozas na panela.
Enquanto esperava a água ferver novamente, pegou o celular, se comunicou telepaticamente com ele por um tempo e então postou um emoji no Moments.
[Forte]
Capítulo 4
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