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A primavera sem Flores

Capítulo 01

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Capítulo 01

Segunda de manhã

Campus das Belas Artes

“Cheio de gente esquisita”, reclamou Otávio em pensamento.

“Gente esquisita tocando música, gente esquisita pintando quadro… aqueles ali só são esquisitos mesmo. E lá vem o pior de todos.”

— Booom diaaa!

— Só se for pra você!! Não tinha uma camisa mais chamativa? Tô te achando básico.

— Hoje eu vim discreto, com essa simples camisa florida para iluminar o seu dia.

Eduardo era a estrela do Campus das Belas Artes e tinha talento para tudo: canto, dança, teatro e pintura. Sua autoestima beirava o insuportável.

— Iluminar meu dia o caramba! Meus olhos estão doendo com tanta informação.

— Pois é, sua cara tá péssima. Virou a noite trabalhando de novo?

— As entregas estavam pagando bem ontem.

— Você vai acabar se matando antes de se formar.

— Eu preciso trabalhar para sobreviver, ao contrário de certas pessoas.

— E desde quando eu tenho culpa da família que eu tenho? Você sabe que não me interessa em nada a merda do dinheiro deles.

— Foi mal, eu não quis dizer isso.

Eduardo só revirou os olhos e fechou a cara. Otávio estendeu a mão, puxando a alça de uma sacola enfeitada.

— Toma!!!

— O que é isso?

— Passei na frente da doceria, vi o brownie que você gosta.

— Você é arrogante e agora quer me subornar? Acha que vai me comprar com uma caixa de brownies?

— Se não quer, eu pego de volta.

— Ei, não foi o que eu disse! Tira a mão. Você me deu, agora não pode pegar de volta.

— Quem mandou ficar de graça?

— Tava trabalhando do outro lado da cidade? Eu conheço essa doceria.

— Eu já disse, estavam pagando bem ontem.

— Por isso tá com essa cara de poucos amigos, não dormiu nada.

— Não preciso dormir, preciso de dinheiro.

— Esquece, não vou me estressar com você hoje. Não com essa manhã maravilhosa.

— Por que você está com esse bom humor insuportável? O que tem de tão maravilhoso?

— Hoje tem a reunião e os preparativos para a nossa feira no fim de semana. Aliás…

— Dudu, posso falar com você um minutinho?

“Esse cara eu não conheço… o Eduardo aparece com cada peça”, pensou Otávio.

Arthur, de pele clara e olhos azuis, tinha um visual de surfista, porém elegante. Tinha cabelos ondulados e um sorriso bonito.

“Quanto shampoo ele deve gastar nesse cabelo, hein?”

— Quê?!

— Nada, não! Olha seu amigo te chamando ali!

— Oi, Arthur! O que você precisa?

— Vim te avisar que o Kauê, que tinha ficado responsável pelo som, não vai vir. Mas já estamos procurando outra pessoa para substituir. Precisa ser aluno do Campus?

— Droga, só me faltava essa!

— E lá se vai a manhã “maravilhosa” — Otávio disse com um sorriso debochado enquanto tirava um brownie da sacola e dava uma mordida.

— Sua “positividade” é contagiante, Otávio.

— É o que dizem.

— Sim, Arthur, tem que ser alguém do Campus por ser um evento organizado nas dependências da faculdade.

Eduardo fechou a cara enquanto fixou os olhos no vazio, em modo pensativo.

— Calma, Du. O fim de semana tá longe, nós vamos encontrar alguém para substituir. Eu vou te ajudar com isso, ok?

— Você está certo, eu vou resolver!!

Eduardo olhou para Otávio novamente como se tivesse lembrado de uma informação importante.

— Ah, Arthur!! Essa personificação da simpatia aqui é o Otávio. E Otávio, esse é o Arthur.

— É um prazer te conhecer, Otávio. Amigo do Dudu é meu amigo também.

— Obrigado, mas eu não tô procurando amigos.

— Excêntrico ele, né?! Mas enfim, Du, você já vai entrar? Quer que eu te acompanhe?

— Eu preciso conversar com o Otávio, eu te encontro lá.

— Tudo bem, eu já vou indo. Foi um prazer, Otávio.

…

— Dudu? Sério? Onde você arrumou esse maluco?

— É o jeito dele, até já me acostumei. Mas ele é gente boa. É aluno novo, chegou tem duas semanas, mas o pessoal já simpatizou com ele de primeira.

— Não gostei dele.

— E quando é que você gosta de alguém, hein? Por que não gostou dele?

— Não sei. “Legal” demais, “prestativo” demais… esse tipo nunca é confiável.

— Ué, mas eu sou legal com todo mundo!!!

— Porque você é trouxa, não vê a maldade nas pessoas. Pra você, todo mundo é “gente boa”.

— Eu não sou trouxa, você que só vê o lado ruim das pessoas.

— Porque as pessoas são ruins, Eduardo.

— Não vou te questionar dessa vez.

— Concordou rápido, o que aconteceu?

— Preciso da sua ajuda!!

— NÃO.

— Mas eu nem falei o que é.

— Tô ocupado.

— Qual é, só você pode me ajudar.

— O que é?

— Sumiu a pasta do relatório da feira do meu notebook. Já procurei em tudo, mas não achei. Preciso entregar até amanhã, não vai dar tempo de refazer.

— Você não fez backup?!

— Não deu tempo!

— Assim você me complica… eu sou programador, não milagreiro!

— Eu sei que você consegue. Por favor, me salva nessa.

— Agora deu, virei sua assistência técnica.

— Sabia que você ia me ajudar.

— Fazer o que, né? Cadê o notebook?

— Só vou conseguir na hora da reunião, você vai ter que pegar lá.

— Ah, não! Vou ter que ir na tal reunião?

— Você falou que ia me ajudar.

— Mudei de ideia.

— Vai ter comida de graça!

— Agora você tem um bom argumento.

— Eu devia ter dito isso antes, esqueci como você é.

— Que seja. Mais tarde eu passo lá, deixe o notebook carregado.

— Valeu, tô te devendo essa. E, Otávio…

— Quê?

— Obrigado pelo brownie.

Otávio apenas acenou com a cabeça e seguiu em frente.

Capítulo 01
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A primavera sem Flores

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Será possível imaginar uma primavera sem flores? seria ela pior do que passar pelo inverno ?

Nessa história você vai acompanhar a vida e as emoções, de dois jovens completamente...

Chapters

  • Capítulo 03
  • Capítulo 02
  • Capítulo 01
 

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