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A primavera sem Flores

Capítulo 03

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Capítulo 03

“Bando de esnobes idiotas. O Eduardo só me arruma confusão, não sei como ele aguenta aquele ninho de cobras.”

— Otávio! Ei, Otávio!!!

“Puta merda, quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece.”

— O que é?

— Vish, que cara é essa? Parece que vai matar alguém!

— Tá querendo ser o primeiro?

— Calma, cara! Por que tá tão irritado desse jeito?

— Aquele playboyzinho do Matheus, do Belas Artes… Aquele cara consegue me tirar do sério!

— Você conhece o Matheus, do Belas Artes?

— Infelizmente.

— Caraca, seu círculo social é maior do que eu pensava.

— Tem alguma coisa importante pra falar ou só veio se meter na minha vida?

— Espera, eu vim falar sobre o trabalho de quinta-feira que vem.

— O que tem?

— Eu acabei caindo no seu grupo.

— Que grupo? Eu não faço trabalho em grupo!

— Então, é sobre isso que eu queria conversar com você. A minha dupla tá de licença e a professora me disse que, se você aceitasse, eu poderia fazer um trabalho conjunto.

— Não.

— Ah, por favor, Otávio! Só dessa vez, cara, me ajuda.

— Eu não faço trabalho em grupo.

— Tá bom, vou ser sincero com você: minha nota este semestre tá uma merda e eu preciso tirar uma nota boa nesse trabalho pra me recuperar.

— E o que eu tenho a ver com isso?

— Você é o melhor aluno da sala. Eu pensei se você poderia me dar umas dicas… Eu não vou fazer corpo mole! É que eu tô trabalhando e estudando, e a minha concentração foi pro buraco por causa disso.

— Você vai levar a sério sem me atrapalhar?

— Prometo que não vou te atrapalhar, só preciso da sua ajuda.

— Ok, eu te ajudo. Mas, se fizer corpo mole, eu tiro você na mesma hora.

— Tá falando sério?!

— Não vou repetir duas vezes.

— Valeu, Otávio! Fico te devendo essa.

“Tô te devendo essa… Acho que me confundiram com agiota hoje”, Otávio resmungou enquanto seguia em direção à sua moto.

— Acho que o Eduardo está certo, preciso pegar mais leve… pelo menos por hoje — disse enquanto se alongava e sentia os músculos do corpo doendo, consequência das noites que ficaram sem descanso.

Sua rotina era alternada entre estudos de dia e trabalho à noite, como entregas e delivery para lanchonetes ou trabalhos temporários em boates, bares e clubes da cidade.

…

— Tá mais calmo?

— Tô sim! Obrigado, Arthur.

— Pelo jeito, o ambiente ficou caótico por aqui, né? Nunca te vi estressado desse jeito.

— Peço desculpas por isso, mas o Matheus me tirou do sério!

— Eu imagino. Mas o Otávio teve alguma culpa nisso, né? Pelo pouco que conheci, ele não parece ser muito flor que se cheire.

— É, eu sei que o Otávio pode não ser muito sociável, mas não foi ele quem começou! Você não estava aqui, não viu como tudo aconteceu. O Otávio é um cara legal, só não aguenta provocação.

— Tudo bem, Dudu. Você conhece ele mais do que eu. Não vou questionar como você agiu ou deixou de agir, sei que fez isso por um bom motivo.

“Realmente, o Arthur tem um jeito muito amável de lidar com as pessoas… Ele já tinha essas covinhas quando sorria? Não tinha reparado em como seu sorriso era bonito.”

— Não é mesmo, Dudu?

— Desculpa, o que você disse?

— Disse que precisamos manter o foco na organização para correr tudo bem no fim de semana. Eu posso contar com você, não é mesmo?

— Claro, pode sim!

— Eu vou entregar o relatório, já vai ser um problema a menos.

— É isso aí, esse é o Eduardo que eu conheço.

— Até mais, então.

— Até!

…

A conversa acabou, mas a fofoca não.

— Ei, Letícia!

— Oi, Arthur.

— O que foi que aconteceu aqui? O Eduardo não me explicou direito.

— Bom, pode-se dizer que dessa vez o Matheus mexeu com a pessoa errada — Letícia disse com um sorriso debochado.

— Isso eu fiquei sabendo. Mas o que realmente aconteceu?

— O Matheus deu umas alfinetadas no Otávio, que não deixou barato e chamou ele de ‘filhinho de papai’.

— Vish.

— Pois é. O Matheus não falou nada na hora, mas assim que o Otávio saiu, ele veio reclamar com o Eduardo, que deu um corte nele. Mas ele ficou irritadinho mesmo foi quando eu disse que o Otávio era sexy.

— Você disse isso??

— Lógico! Ele chegou botando ordem, organizando tudo, dando indireta aos folgados que estão deixando o trabalho todo pro Eduardo e ainda colocou o Matheus no lugar dele.

— Parece que o Otávio tem o dom de transformar o ambiente, afinal.

— Nisso eu concordo com você.

— Você já viu o Eduardo alterado desse jeito?

— Nunca vi o Eduardo desse jeito.

— É, percebi. Ele fica mais emocional quando se trata do Otávio. Eles se conhecem há muito tempo?

— Não sei ao certo, mas acho que se conheceram antes de entrar na faculdade.

— Mas por que tanta curiosidade?

— Por nada importante, apenas curiosidade mesmo.

— Sei…

— Chega de papo, vamos guardar essas coisas. Preciso ir embora.

…

— Muito obrigado, Eduardo.

— Por nada.

— Assim que você decidir quem será o responsável pelo som, me avise, por favor.

— Pode deixar, vou te avisar o mais rápido possível.

— Até quinta-feira!

— Tá bom, muito obrigado, Dona Márcia.

— Tenho certeza de que esse evento vai ser incrível, eu confio em você, querido.

— Obrigado pela confiança. Eu já vou indo.

Eduardo saiu com a mão sobre o pescoço.

— Preciso de um banho, preciso de um descanso… Acho que o dia de hoje não pode ser pior do que já foi!

Seu desabafo foi interrompido por uma notificação no celular:

“QUERO VOCÊ PARA O JANTAR HOJE E NÃO ACEITO UM NÃO COMO RESPOSTA” (Pai)

— Droga, falei cedo demais. Pelo jeito, hoje à noite vai ser longa.

O pai de Eduardo era um advogado renomado na cidade, mas a relação deles nunca foi das melhores. Eduardo tomou fôlego e seguiu em frente: era melhor enfrentar essa situação de cabeça erguida, fugir não seria uma opção.

Capítulo 03
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A primavera sem Flores

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Será possível imaginar uma primavera sem flores? seria ela pior do que passar pelo inverno ?

Nessa história você vai acompanhar a vida e as emoções, de dois jovens completamente...

Chapters

  • Capítulo 03
  • Capítulo 02
  • Capítulo 01
 

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