capítulo 11 (Timy)
Sexta-feira à noite…
— Por que você está rindo? — Victoria me perguntou com um olhar travesso.
— O Wil me indicou uma música; a vibe dela é muito boa.
— Você está gostando, né?
— Sim, a música é muito boa!
— Não da música… você está gostando do Wil!
— Não, claro que não! De onde você tirou isso?
— Qual é, Timy? Eu sou sua irmã, eu te conheço. Você sempre tem um assunto sobre ele e sempre sorri quando fala dele; seus olhos brilham.
— Ok, supondo que seja verdade — só supondo — não acho que o Wil tenha sequer qualquer interesse em mim. Na verdade, em nenhum outro garoto.
— Por que você acha isso? Ele já te falou alguma coisa?
— Na verdade não, mas nem precisou. Sempre que alguém toca no assunto sobre eu ser gay ou sobre a minha vida amorosa, o rosto dele fica tenso e ele sai da conversa, ou até mesmo sai de perto, como se não quisesse ouvir. Sei que ele não tem preconceito porque a Bia é sua melhor amiga, mas acho que ele fica desconfortável com esse tipo de assunto. Bom, a gente sabe que a cabeça do homem hétero é meio fechada, né, Vick? Não é a primeira vez que eu passo por isso, mas o Wil é um bom amigo, apesar disso.
— É uma pena. Vocês dariam um casal fofinho — Vick disse em tom de brincadeira.
— Cala a boca, Vick, não viaja!
Vick subiu para o quarto rindo.
Sábado de manhã…
Não consegui dormir muito bem; fiquei com a conversa que tive com a Vick na cabeça.
O Wil era um garoto muito bonito. Tinha um rosto fino e traços delicados, mas uma postura firme, apesar de tímida. Ele era muito protetor com todos ao seu redor, principalmente com a Dona Janete. Era sempre responsável e amoroso com ela, e isso era admirável nele. Gostava de tê-lo como amigo.
Mas o Wil estava distante de mim ultimamente. Será que ele percebeu alguma coisa? Não, acho que não. Ele deve ter seus motivos; não vou ficar pensando muito nisso.
O Wil veio nos buscar, como de costume, mas estava quieto e pensativo. Não forcei conversa; talvez ele se soltasse um pouco mais quando chegássemos lá.
Eu estava certo. Wil ficou mais falante depois de duas voltas no campo; estava rindo e parecia mais leve. Realmente acho que eu estava pensando demais.
Yasmin veio falar comigo:
— E aí, meu querido e lindo amigo, já cansou?
— Já? Eu só parei agora, garota! Me deixa descansar um pouquinho, vai. O que você tem? Por que está emburrada?
— Não estou emburrada! Só não entendo por que a Bia gosta tanto de ficar rodando atrás de uma bola no meio desses moleques. E outra: por que ela tem que dar um abraço no Wil a cada gol? Acho desnecessário.
— Ah, entendi. Você está com ciúmes do Wil, né?
— Não é ciúmes, só me incomoda. Acho desnecessário todo esse contato.
— Relaxa, Yasmin. Eles são só amigos. O Wil respeita o relacionamento de vocês e a Bia te ama muito. Fica calma, vai, aproveita a tarde.
Yasmin deu um longo suspiro.
— É, você está certo!
O jogo acabou e o Wil saiu tão rápido que nem vi que ele já tinha ido embora.
— Timy, você viu o Wil?
— Acho que já foi embora. Por que, Bia?
— Precisava dar essa camisa para ele. Você não entrega para mim, por favor?
— Entrego sim, pode deixar!
capítulo 11 (Timy)
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A tarde de Sexta que mudou a minha vida
Sipnose:
Conta a história de Wil um garoto tímido, sempre rodeado de amigos, que de repente vê sua vida virada de cabeça para baixo com a chegada de um novo vizinho,...