capítulo 12 (Timy)
Deixei a Vick em casa e fui levar a camisa que a Bia me pediu.
A Dona Janete veio me atender.
— Oi, tia! Só vim entregar uma camisa que a Bia deixou para o Wil.
— Entendi. Entra aqui, Timy! Também quero que você leve algumas linhas para sua mãe.
Entramos na casa e senti um cheiro maravilhoso vindo da cozinha. Dona Janete era uma cozinheira incrível, eu adorava a comida dela. Escutei uma música vindo da cozinha; não consegui ouvir direito, mas parecia animada.
— Timy, você não faz um favor para mim?
— Claro, tia. O que precisa?
— Leva essa camisa para o Wil e já pergunta para ele onde ele colocou a sacola azul que estava aqui na peça da sala. As linhas estão lá. Por favor, eu preciso terminar de mexer a comida, se não vai queimar.
— Tá bom, eu vou lá perguntar.
— Obrigada, querido! É a segunda porta perto do banheiro.
Subi as escadas. Tinha um grande tapete de crochê cobrindo o caminho até os quartos. Fui andando lentamente, observando o lugar. Senti um mormaço; acho que o chuveiro estava ligado. A luz do quarto estava acesa e a porta, aberta, então eu segui em frente.
Wil estava de costas. Seu cabelo estava molhado e ele estava sem camisa. Wil não tinha um corpo musculoso, mas era bem atlético e atraente. Seus cabelos negros e lisos davam um contraste com a sua pele branca. Ele estava com uma bermuda mais justa, que dava um certo destaque aos músculos das pernas.
Não consegui dizer nenhuma palavra. Não conseguia parar de olhar para ele; meus olhos vidraram e minha boca não obedecia ao meu cérebro.
— O que você está fazendo? Por que você está aqui? O que está fazendo no meu quarto?
Não percebi que ele tinha se virado. Quando voltei a mim, Wil já estava ali com um tom de voz exaltado, me enchendo de perguntas.
— Por que você estava me olhando desse jeito? Há quanto tempo você está aí parado? Timy, me responde!
Sua voz estava áspera. O que ele achou que eu estava fazendo? Ele acha que, só porque eu sou gay, eu vou agarrá-lo ou fazer alguma coisa? Eu não sou um bicho!
Por um impulso de raiva, entrei no quarto, joguei a camisa na cama e o encarei.
— O que você acha que eu estou fazendo, hein? O que você está insinuando? Sua mãe me pediu para subir aqui! Vim trazer a camisa que a Bia queria entregar para você! Por que você está tão nervoso? Você acha que eu vou fazer alguma coisa com você, é isso?
— Não foi isso que eu disse — Wil disse, abaixando a voz, assustado com a minha atitude. Mas agora já era tarde; a raiva já tinha tomado conta de mim.
— Mas foi o que você quis dizer, William! Eu sei que você se incomoda com o fato de eu ser gay. Eu sei que você tenta disfarçar, mas você se incomoda com isso. Você sai de perto quando eu falo sobre isso e evita ao máximo esse assunto. O que você pensa, hein, William? Você acha que eu sou uma ameaça? Você acha que eu vou te agarrar ou te forçar a fazer alguma coisa só porque a minha orientação sexual é diferente da sua? Sério, eu sinceramente achei que você fosse diferente, mas, pelo jeito, eu estava errado!
Ele me olhou espantado, parecia surpreso com a minha reação. Ele tentou dizer alguma coisa, mas eu não ouvi. O desespero tomou conta de mim e eu só queria sair dali. Desci as escadas correndo…
— Timy, você já vai embora? E as linhas para sua mãe?
— Depois eu pego, tia! Preciso ir!
Entrei em casa correndo, cheguei no meu quarto e tranquei a porta. Eu precisava respirar, precisava processar tudo o que aconteceu.
capítulo 12 (Timy)
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A tarde de Sexta que mudou a minha vida
Sipnose:
Conta a história de Wil um garoto tímido, sempre rodeado de amigos, que de repente vê sua vida virada de cabeça para baixo com a chegada de um novo vizinho,...