Capítulo 9
Eugene põe seu capacete, item essencial para proteção e obrigatória sempre que entra em uma obra, e segue junto do mestre de obras. Eles começam a vistoria pelo local, buscando alguma irregularidade e conferindo que tudo está como no projeto.
– Como estamos com relação ao prazo ? – Eugene questiona e desvia o olhar para o tablet.
– Precisamos de mais mão de obra, logo o período de rut de alguns alfas vai chegar e eles não poderão vir.
– Malditos alfas… – ele resmunga e suspira. Por isso preferia trabalhadores beta, eles não precisavam de pausas a cada três meses.
– Desculpe ? – o homem questiona, sem conseguir ouvir o que ele havia dito.
– Vou providenciar alguns trabalhadores temporários, mais alguma coisa ?
– Não, senhor.
– Ótimo, vamos continuar.
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Após a vistoria, Eugene tem uma pequena reunião com o mestre de obras para alinhar alguns pontos relevantes sobre a obra.
– O cliente finalmente me ouviu e resolveu alterar a fachada. Esse é o novo projeto. – o ômega põe o papel com o projeto sobre a mesa de madeira e aponta para a mudança.
– Não é tão diferente do que já íamos fazer, mas ainda é uma mudança.
– Esse idiota não para de mudar as coisas… – ele suspira e se aproxima da mesa, olhando para o projeto.
– Sabe que vamos precisar de mais materiais, não é ?
– Sim, já entrei em contato com o fornecedor. Chega em três dias.
– Que rápido…
– Preciso que confira tudo e me envie fotos dos materiais. Quero que fique pronto o quanto antes.
– Okay, então isso é tudo ?
– Espero que sim. – ele suspira e guarda seu tablet na bolsa, preparando-se para sair.
– Certo, então vou repassar para… merda! – o homem faz uma pausa e logo resmunga.
– O que foi ? – Eugene se vira em direção a porta e pode ver o motivo da sua fala.
– Porra…
– Eugene, que bom vê-lo aqui! – um homem alto, que aparenta estar em seus quarenta anos, entra sorridente no escritório improvisado e vai em direção ao ômega. Ele o puxa para um abraço e libera um pouco de feromônios, deixando Eugene irritado.
– Oi, Sr. Rossi. – ele força um sorriso e tenta se afastar. Odiava aquele alfa idiota, que sempre andava por ai soltando feromônios.
– Se soubesse que estava aqui, teria vindo bem antes! – o alfa agarra seu ombro e o encara da cabeça aos pés.
– Não precisava ter vindo pessoalmente, eu ia lhe mandar o relatório hoje a noite.
– O dono precisa ver para onde o seu dinheiro está indo, não é ? – ele ri.
– Claro. – Eugene concorda com a cabeça.
– A reunião já terminou ?
– Sim, Sr. Rossi. – o mestre de obras, que havia sido completamente ignorado, responde.
– Esplêndido! Que tal um jantar ? Assim você pode me atualizar.
– Sr. Rossi, eu agradeço, mas tenho muitas coisas para fazer e…
– Ah, vamos lá! Não me deixe jantar sozinho. – o homem insiste e usa seus feromônios para tentar convencê-lo. Eugene suspira, tentando segurar sua raiva e põe um sorriso em seu rosto.
– Claro.
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– Como já havia dito antes, com a mudança da fachada precisamos… – Eugene mostra o projeto no tablet, mas acaba sendo interrompido pelo alfa.
– Por que não deixamos isso para depois ? Que tal uma bebida antes do jantar ?
– Eu não bebo, desculpe. – o ômega se afasta, tentando manter uma distância segura. Ao notar sua reação, o homem se inclina para frente e toca o dorso da sua mão.
– Só um pouco, isso não vai te matar. – ele insiste e sorri, enquanto isso, por debaixo da mesa, o alfa desliza a ponta do seu sapato pela perna de Eugene. Como um tipo de flerte.
– Não tenho interesse.
– Bem, isso é uma pena. – o alfa se recosta na cadeira e deixa um longo suspiro sair.
– Seu pai me disse que você faria de tudo, para me satisfazer. Esperava um pouco mais de cooperação. – o alfa fala em um tom sarcástico e dá de ombros.
– Não sei o que meu pai lhe disse, mas estou aqui para fazer apenas o meu trabalho! – Eugene perde a paciência e se levanta de repente, não aceitaria ouvir esse tipo de absurdo.
– Por que está tão ofendido ? Todos sabem que você se vende para conseguir grandes contratos. – ele o provoca, tentando envergonhá-lo. O ômega estreita os olhos e pega o copo com água à sua frente, jogando o líquido no alfa.
– Eu não estou à venda, Sr. Rossi. – Eugene fala em um tom sério, sem perder a postura, e se afasta. Todos no restaurante param suas refeições e começam a cochichar entre si, surpresos com aquele espetáculo.
– Maldita vadia… – ele resmunga, irritado e encharcado.
– Vou ligar para o seu pai e acabar com esse contrato, me ouviu ? Vou acabar com vocês! – Rossi se levanta e grita, ameaçando-o. Eugene, que já estava um pouco distante, para e se vira em sua direção, voltando para a mesa.
– Pode choramingar para quem quiser, mas sem mim, esse projeto nunca sairá do papel.
– Que atrevido, alguém devia te ensinar uma lição! – o alfa ergue a mão direita, pronto para agredi-lo, mas Eugene não recua e continua o encarando. Não aceitaria fraquejar diante de um alfa e nem se deixaria intimidar por um.
Vendo que o ômega não demonstrava medo e nem recuava, Rossi fica ainda mais irritado e quando está prestes a atingi-lo, um homem desconhecido agarra seu punho, impedindo que aquela cena absurda chegue ao fim.
– E quem diabos é você ? – Rossi questiona e libera feromônios, tentando intimidar o homem.
– O Sr. DiNozzo me pediu para buscá-lo após o jantar. – o rapaz o ignora, parecendo não perceber seus feromônios, e olha diretamente para Eugene, que o observa meio confuso.
– Di-DiNozzo ? – o alfa gagueja e logo começar a suar.
– Nós já terminamos, não é ? – o ômega olha em direção ao alfa, que no mesmo instante balança a cabeça confirmando. O rapaz o solta e se aproxima de Eugene.
– Por aqui, senhor. – ele indica a saída do restaurante. O ômega acena com a cabeça, despedindo-se rapidamente de Rossi, e segue em direção a saída.
– Sr. Rossi, sugiro que tenha um pouco mais de cuidado. Sabe que o Sr. DiNozzo odeia que causem confusão na sua cidade. – ele acena com a cabeça e segue Eugene, que o espera parado ao lado da porta.
– Vamos ? O carro está pronto.
– Desde quando está me seguindo ? – o ômega se aproxima e o confronta.
– São ordens do Sr. DiNozzo.
– Diga ao seu chefe que eu mandei ele se foder, entendeu ? – Eugene força um sorriso e sai. Estava agradecido que as coisas não haviam saído do controle graças a ele, mas odiava ser vigiado. Não precisava de babá.
– Deveria ser mais grato, sabe quantos ômegas querem a atenção do Sr. DiNozzo ? – o homem fala um pouco alto. O ômega para e se vira em sua direção, sem acreditar no que tinha acabado de ouvir.
– O que você disse ?
– Já muitos ômegas como você, que se agarram ao Sr. DiNozzo buscando uma oportunidade para engravidar e ganhar uma gorda pensão.
– Se está tão preocupado com o seu chefe, deveria dizer isso a ele. Não sou eu que estou indo atrás dele. – Eugene sorri e se afasta novamente.
– Não me siga! – ele grita e mostra o dedo do meio.
– Que ômega complicado… – o homem suspira e segue por outra direção.
Capítulo 9
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Abismo
Vicenzo DiNozzo, o jovem chefe da máfia local, se vê inesperadamente obcecado por Eugene. Um ômega de personalidade difícil e cercado por mistérios.
A princípio, Vicenzo acreditava que...