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Doce Inanição

Capítulo 3

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🟡 Em breve

Os primeiros dias após a mudança “oficial” de Cael não tiveram exatamente a suavidade de uma rotina estabelecida — lembravam mais o lento esforço de aprender a dividir o ar com alguém que, por algum motivo, ocupava sempre mais espaço do que o próprio corpo permitia.

Nathan percebeu isso logo na primeira manhã.

Desceu da cama ainda meio sonolento, pronto para café e alguns minutos de silêncio, mas encontrou Cael na cozinha, sentado na bancada como um felino noturno que jamais adormecera de fato. A cauda balançava num vai e vem preguiçoso, o moletom velho escorregava de um ombro, e o cheiro doce-salgado que emanava dele parecia ter se infiltrado nas paredes durante a madrugada.

— Bom dia — murmurou Cael, a voz baixa demais para aquela hora, como se fosse natural estar desperto antes de qualquer ser humano funcional.

Nathan apenas piscou, abriu o armário e tentou agir como se conviver com um íncubo fosse uma habilidade adquirida da noite para o dia.

Esse início virou hábito.

Cael surgia em lugares diferentes — apoiado no parapeito da janela lendo um livro antigo que não pertencia ao apartamento; deitado de bruços no tapete, rabiscando anotações com uma caligrafia irritantemente elegante. Movia-se como alguém que não tivera um lar por tempo suficiente para aprender limites, e por isso tratava qualquer espaço como matéria moldável.

Ainda assim, Nathan não conseguia repreende-lo de verdade.

Havia algo soturno nos gestos de Cael, uma presença que se anunciava antes do som, antes do toque — uma tentativa discreta de existir leve, de não perturbar demais, como se temesse deslocar algo essencial sem perceber.

À noite, a dinâmica mudava.

Cael insistia em cozinhar, mesmo que ainda não dominasse proporções humanas de temperos. Às vezes queimava alguma coisa, outras vezes criava pratos que pareciam mais encantamentos do que refeições, mas sempre exibia um sorriso satisfeito quando Nathan provava, mesmo quando o sabor não era exatamente… comum.

E havia os filmes — um ritual estranho, quase íntimo.

Cael despejava todas as pantufas do sofá no chão, se enroscava como se fosse dono da mobília e gastava tempo demais navegando pelos serviços de streaming. Comentava cada sinopse com uma teatralidade absurda, fazendo Nathan rir quando tentava manter seriedade — ou suspirar quando se rendia ao cansaço.

Os dias seguintes reforçaram o ritmo improvisado daquela convivência — e a tornaram ainda mais caótica.

Cael continuava ignorando algumas regras que deveriam ser básicas. A mais grave era, sem dúvida, a insistência em circular pela casa completamente nu, apesar das normas escritas e coladas na porta por Nathan.

Ele aparecia em qualquer cômodo, como se o apartamento fosse extensão natural de sua pele, flertando com a despreocupação de quem respira. Na maior parte das vezes, era inofensivo — só charme, só provocação. Mas havia momentos em que se aproximava demais, com aquele olhar oblíquo e um sorriso de canto que testava a disciplina frágil de Nathan.

E Nathan, invariavelmente, precisava se levantar rápido demais, sair do cômodo ou ocupar as mãos com qualquer coisa para não ceder.

Ainda assim, por mais imprevisível que fosse, Cael preenchia o ambiente. Nathan estudava e Cael batia na porta dele oferecendo café, vinho ou perguntas que não faziam sentido naquele contexto. Nathan chegava tarde do trabalho; Cael emergia na porta com cheiro de incenso e um comentário casual que parecia ter sido guardado apenas para ele.

E o apartamento, antes silencioso demais, começou a ganhar vida — uma vida irregular, inquieta, mas estranhamente acolhedora.

 

—–

 

Depois de uma semana convivendo de forma tensa e estranhamente harmoniosa, Cael parecia… diferente naquela noite. Não do jeito habitual — sedutor deliberado, provocador, teatral. Era um silêncio mais miúdo, mais contido, como se alguma parte dele estivesse segurando o próprio pulso para não atravessar limites que havia prometido respeitar.

Nathan percebeu isso.

Estavam no quarto de Cael, sentados sobre a cama que ele havia forrado com um zelo quase doméstico. As embalagens de comida que Cael pedira estavam empilhadas ao lado, já esquecidas, e a taça de vinho nas mãos de Nathan refletia fragmentos da cidade através da janela aberta.

— Porque insistiu que comêssemos no seu quarto? — perguntou Nathan, num tom que oscilava entre estranheza e rendição.

— A culpa é sua — retrucou Cael, apoiando o queixo no joelho dobrado. — Eu sugeri um hotel com vista panorâmica e a melhor comida da cidade.

Ele ergueu uma sobrancelha, acusando sem malícia. — Mas você recusou.

Nathan deu um gole no vinho, tentando parecer indiferente.

— Eu não gosto de lugares chiques. E, além disso, não posso pagar por um hotel assim.

A risada de Cael foi curta, baixa, quase um sopro.

— Eu disse para não se preocupar com isso, eu tenho uma suíte privada no hotel, mas não… você prefere ficar nesse apartamento triste.

Então o silêncio voltou, mas diferente — mais estreito, mais atento.

Depois de alguns segundos, Cael inclinou a cabeça, analisando o rosto de Nathan com uma honestidade que raramente se permitia.

— Você não precisa agir como se eu estivesse tentando te seduzir o tempo inteiro — comentou o íncubo com um tom leve, embora os olhos denunciassem algo mais profundo, algo que tentava entender as distâncias que Nathan insistia em manter. — Ainda que… você tenha esse jeitinho todo nervoso que deixa as coisas bem tentadoras.

— E você tem essa mania de achar que qualquer coisa que não seja pânico é uma investida — rebateu Nathan, mas o sorriso escapou antes que ele pudesse impedi-lo. — Eu só prefiro manter as coisas claras. Limites ajudam.

— E se os limites forem mais tentadores que o que está do outro lado? — Cael perguntou, apoiando o queixo no dorso da mão, os olhos fixos em Nathan de uma forma que fazia o ar parecer ligeiramente mais espesso. — Já pensou nisso?

Nathan deu um gole no vinho, desviando o olhar para a luz amarela suave que pendia sobre o quarto. As sombras os cercavam como um casulo, o som da cidade do lado de fora se tornando algo distante, irrelevante. Naquela bolha tênue de calma, havia algo que doía devagar — não uma dor física, mas a espécie de inquietude que surge quando dois mundos colidem devagar demais para que se perceba o impacto imediato.

— Eu penso sobre muitas coisas ultimamente — disse ele, baixando a taça. — Você entre elas.

Cael não respondeu de imediato. O silêncio que se seguiu foi diferente dos anteriores — mais denso, como se a simples honestidade de Nathan tivesse alcançado algo nele que palavras não conseguiam mapear.

— Isso é perigoso — murmurou, sem o sarcasmo de antes. A voz saiu rouca, baixa, como um segredo que ele próprio ainda não aceitava. — Pensar demais em alguém como eu.

— Eu sei — Nathan respondeu, encarando-o agora com firmeza contida. — Mas você não parece alguém que aceita ficar na superfície. Nem em si mesmo, nem nos outros.

Cael riu, mas foi um som breve, quase triste.

— E você me olha como se esperasse encontrar um reflexo que faça sentido. Como se ainda acreditasse que, em algum nível, eu possa ser… consertado.

— Eu não acho que você esteja quebrado.

— Não? — Cael inclinou-se um pouco mais, o joelho roçando o de Nathan, olhos fixos nos dele, como se quisesse testá-lo, forçá-lo a recuar. — Mesmo depois de tudo? Mesmo sabendo que há partes minhas que foram moldadas para obedecer, para seduzir, para sugar o que os outros têm de mais vital?

— Mesmo assim — disse Nathan, sem se mover. — Porque eu também sei que você poderia ter feito isso comigo desde o primeiro instante. E não fez.

A tensão entre eles oscilou, uma linha esticada entre desejo e medo, entre a necessidade de aproximação e o receio de ceder demais.

Cael respirou fundo, como se algo dentro dele tivesse cedido, ainda que de forma mínima. Estendeu a mão devagar e tocou a taça de Nathan, girando-a entre os dedos antes de devolvê-la.

— Então… talvez só esta noite eu tente seguir as suas regras — murmurou, com aquele tom a meio caminho entre o afeto e a provocação. — Só por curiosidade. Só pra ver se o mundo continua existindo amanhã.

— Uma noite — Nathan repetiu, com um meio sorriso. — Isso é o máximo que posso esperar?

— Por agora — disse Cael, inclinando-se até que seus rostos quase se tocassem, o hálito quente contra os lábios de Nathan, sem o tocar de fato. — Mas quem sabe… você me convence a tentar duas?

Nathan prendeu a respiração por um segundo — e apenas um — antes de recuar o suficiente para beber mais um gole de vinho. O calor se espalhou pela garganta, mas não era só o álcool.

— Vai ter que merecer — disse, e os olhos de Cael brilharam em resposta.

O íncubo se inclinou ligeiramente; sua pele pálida brilhava sob a luz quente. Sua beleza era quase de outro mundo, suas feições eram suaves, mas marcantes; seus olhos tinham uma profundidade que parecia atrair Nathan a cada olhar.

Cael colocou o copo sobre a mesinha ao lado da cama — o tilintar contra a madeira, por algum motivo, soou alto no quarto silencioso. Aproximou-se de Nathan, seu corpo movendo-se com uma graça quase predatória. O coração de Nathan começou a bater forte, seu corpo reagindo instintivamente àquela proximidade.

Ele podia sentir o cheiro dele — um perfume fraco e inebriante que fazia sua cabeça girar e seu corpo doer de desejo.

— Cael… — Nathan começou, e sua voz vacilou quando o íncubo colocou uma mão em sua coxa, o toque leve, mas eletrizante. — O que você está fazendo?

Cael inclinou a cabeça, os lábios curvando-se em um sorriso que era ao mesmo tempo travesso e perigoso.

— O que parece que estou fazendo? — sussurrou, inclinando-se ainda mais, a respiração quente contra a orelha de Nathan.

Nathan engoliu em seco, o corpo se retesando quando um arrepio percorreu sua espinha.

Cael se afastou um pouco, os olhos fixos nos de Nathan. Havia um lampejo de algo em seu olhar — algo vulnerável, quase incerto — mas que desapareceu tão rapidamente quanto surgira.

— Só pra deixar claro: suas reações daqui pra frente são culpa sua. Você não está bêbado, e eu não te enfeiticei. Você ainda pode recusar, se quiser.

Nathan hesitou por um momento, a mente acelerada. Ele conhecia o tipo de criatura que Cael era — conhecia o poder que ele detinha, a maneira como podia dobrar as pessoas à sua vontade com apenas um olhar. Mas isso… isso parecia diferente. Não era o resultado de algum feitiço ou encanto.

— Eu não estou recusando, eu quero. — Nathan finalmente disse, sua voz firme apesar da tempestade que assolava dentro dele. Ele estendeu a mão, seus dedos roçando a bochecha de Cael em um gesto que era terno, mas cheio de necessidade.

Seus olhos brilharam com um calor que fez o peito de Nathan se apertar; diminuiu a distância entre eles, seus lábios se pressionando contra os de Cael em um beijo lento, deliberado e totalmente consumidor.

Não durou muito. Cael, com uma intenção quase impaciente, guiou Nathan para trás até que suas costas encontraram a cabeceira da cama.

As mãos de Nathan encontraram o caminho para a sua cintura, puxando-o para mais perto. O quarto pareceu desaparecer, deixando apenas os dois — conectados, entrelaçados, perdidos um no outro.

Cael recuou um pouco, os olhos semicerrados, escuros de desejo, enquanto alcançava a bainha de sua própria camisa, puxando-a sobre sua cabeça em um movimento suave e jogando-a de lado. A peça tinha sido larga o suficiente para cobrir suas coxas, e só quando desapareceu foi que Nathan percebeu — tarde demais — que ele não usava nada por baixo.

A constatação o acertou como um soco na virilha, um calor súbito se acumulando ali. A pele clara do íncubo, quase luminosa, as curvas insinuantes; e os piercings, todos eles, cintilavam com uma frieza metálica que contrastava com o calor do corpo que ele exibia sem pudor. Anéis de prata adornavam seus mamilos.

— Eu disse que não queria você andando assim pela casa. — Nathan murmurou, a voz rouca entre o fascínio.

— Mas estamos no meu quarto agora — disse Cael, com um sorriso que quase pedia para Nathan notar. — Ou talvez você queira estar no controle sobre o que posso ou não tirar… perto de você.

As mãos de Nathan se moveram por conta própria, ávidas, por explorar a pele exposta de Cael. O íncubo estremeceu sob o toque, a respiração curta, entrecortada, enquanto os dedos de Nathan deslizavam por suas laterais.

Cael segurou a barra da calça de moletom de Nathan e a deslizou para baixo junto com a roupa íntima, liberando o membro já semiereto. A ponta roçou sua intimidade úmida, provocando um arrepio sincronizado nos dois. Cael soltou um gemido baixo, o som abafado contra o peito de Nathan, enquanto começava a se esfregar contra ele com movimentos lentos e deliciosamente calculados.

“Eu não devia estar tão molhado… meus quadris… não param…”

Nathan estremeceu ao sentir algo frio entre eles — um toque metálico, inesperado.

— Você tem um piercing aí também…? — perguntou, a voz embargada, surpresa misturada à excitação.

— Surpreso? — sussurrou Cael, com um brilho travesso nos olhos. — Achei que você já sabia.

Nathan deslizou as mãos pelo corpo de Cael, uma delas mergulhando entre suas pernas.

Seus dedos encontraram a joia metálica que adornava o clitóris de Cael. Puxou com leveza, apenas o suficiente para sentir o estremecimento que percorreu o corpo do íncubo.

“Muito sensível… não… não assim…”

Depois afastou com os dedos as dobras sensíveis, revelando o quanto ele já estava molhado, receptivo. Penetrou-o devagar, sentindo a pele quente e úmida o envolver, provocando um suspiro trêmulo de prazer em Cael.

“Porra, por que é tão bom…?”

Mesmo percebendo que Cael não precisava de preparação, Nathan quis continuar. Quis cuidar, prolongar, entender o corpo dele como quem decifra um idioma novo.

Cael, de repente, segurou seu rosto, os olhos pedindo algo que ele nunca havia pedido antes:

— Me beije.

Nathan se inclinou e o atendeu sem hesitar. Os dedos de Cael se enroscaram nos cabelos loiros de Nathan, e o toque enviou faíscas de eletricidade pelo seu corpo.

Nunca havia pedido por um beijo.

“Por que pedi isso? O que está acontecendo comigo? Minha voz… não consigo controlar.”

O corpo do incubo reagiu com aquela confusão familiar: um sobressalto contido, a respiração presa por um segundo longo demais, como se ainda não soubesse muito bem o que fazer com a ternura que Nathan lhe oferecia. Mas ele cedeu, pouco a pouco, como quem se deixa aprender.

Nathan continuava com a mesma paciência apaixonante — algo que Cael nunca tivera. As preliminares o deixavam inquieto, os quadris movendo-se por conta própria contra os dedos de Nathan. Ele agarrou a mão dele, sem saber se queria impedi-lo ou puxá-lo mais fundo.

“Não… assim eu… vou gozar… só com os dedos dele”

Acabou afastando a mão de Nathan, incapaz de decidir entre rendição e urgência.

Suas mãos subiram pela camisa de Nathan, erguendo-a com alguma dificuldade, sem romper o beijo.

Ele só a puxou até os ombros, suficiente para expor o tronco firme. Quando finalmente se separaram, ambos estavam sem fôlego, com as testas encostadas uma na outra enquanto tentavam acalmar os corações acelerados.

Os lábios de Cael estavam inchados, suas bochechas coradas e seus olhos… famintos — um espelho da fome que queimava dentro de Nathan.

A boca de Cael desceu pelo queixo dele, pelo pescoço, demorando-se sobre o ponto onde o pulso batia mais forte. Mordeu ali, devagar, arrancando um gemido contido.

Nathan agarrou os quadris de Cael, o controle por um fio, enquanto as mãos do íncubo percorriam o seu peito com uma atenção quase estudiosa. Seguiram cada contorno até alcançarem os mamilos. Primeiro, um toque leve, desenhando círculos provocativos; depois, um beliscão rápido e certeiro que arrancou de Nathan um som curto, involuntário.

Cael percebeu a reação — o gemido preso na garganta, o espasmo mínimo do corpo — e o brilho que acendeu em seus olhos dizia tudo. Encontrar aquele ponto sensível o deixou entusiasmado como nunca. Com uma mão, continuou provocando, sentindo-o endurecer sob o toque atento dos dedos, como se cada resposta de Nathan o incentivasse a ir mais fundo naquela descoberta.

Então ele se inclinou e começou a lamber o que havia deixado de fora, alternando pressão e suavidade com uma precisão quase cruel.

Nathan arfava, o corpo todo em chamas. Cada terminação nervosa parecia acesa, cada toque enviava novas ondas de prazer. Nunca se sentira tão sensível.

Cael sorriu contra sua pele, malicioso, enquanto continuava o vaivém lento com os quadris. O atrito entre suas intimidades — sem penetração, mas carregado de tensão — arrancava suspiros curtos de Nathan.

O corpo dele ficou tenso, as costas arqueando-se quando a sensação atingiu o ápice.

— Eu vou… — Arfou, antes que um grito rouco escapasse de sua garganta.

Mas Cael não parou. Continuou provocando, acariciando, lambendo — extraindo até a última centelha do prazer que ainda tremia no corpo de Nathan.

O orgasmo o atravessou com violência, o membro pulsando enquanto se derramava sobre o próprio abdômen. Cada músculo vibrava, rendido.

Cael se inclinou e sorriu travessamente.

— Você gozou só com isso… — Sussurrou, os olhos cintilando de provocação. — Isso é tão… fofo.

Nathan, corado até as orelhas, deixou escapar um som rouco — algo entre um gemido e um suspiro exausto — enquanto tentava recuperar o fôlego, sentindo o próprio coração martelar.

Cael deslizou pelo corpo de Nathan com a graça fluida de quem já sabe exatamente o efeito que provoca, os dedos acompanhando cada linha dos abdominais definidos, mergulhando nas pequenas cavidades onde o sêmen ainda brilhava sobre a pele quente.

Os olhos de Cael ardiam; o aroma forte e almiscarado do sêmen o atingiu com intensidade — não apenas a fome demoníaca, mas algo mais bruto, instintivo, quase reverente.

— Olha só essa bagunça linda. — Ronronou, a voz baixa, aveludada.

A língua dele deslizou pelo abdômen de Nathan — lenta e firme — recolhendo o sêmen. Cael gemeu baixo, o som vibrando contra a pele sensível, e Nathan estremeceu sob ele, o corpo se retesando com o toque.

“Preciso de mais…”

Nathan ficou completamente exposto; vulnerável e entregue.

— Cael… — A voz soou rouca, carregando um aviso frágil, quebradiço, como se ele ainda tentasse se agarrar a algum tipo de controle. Cael o ignorou por completo. Sua língua continuou a descida preguiçosa, seguindo o rastro viscoso até onde o sêmen se agarrava à base do pênis ainda sensível.

A respiração de Nathan falhou assim que os lábios de Cael roçaram a pele já hipersensível. Mesmo depois do orgasmo, seu membro se contraiu, pulsando como se tivesse vida própria.

Cael envolveu a ponta entre os lábios, provando-o antes de engoli-lo devagar. O som que escapou de Nathan foi rouco, profundo, e seus quadris arquearam-se involuntariamente em busca de mais.

Ele o acolheu com uma precisão lasciva, puro vício — quente, molhada e ritmada com crueldade sensual. A língua circulava a glande, provocava a uretra, e então Cael se aprofundou até o limite, até que seu nariz se afundasse nos pelos loiros da base.

“Ele é tão quente… não consigo… minha mente tá ficando em branco…”

A cada movimento, limpava os últimos traços de sêmen da pele de Nathan; os lábios e a língua trabalhavam em perfeita harmonia para reacendê-lo, centímetro por centímetro.

As mãos de Nathan se perderam nos cabelos de Cael. Ele não sabia se o puxava para perto ou se implorava por misericórdia — e a indecisão só deixava o íncubo mais faminto.

Nathan se desfazia sob sua boca, os gemidos derramando-se no ar, crus, sem filtro, uma música irresistível para os instintos de Cael.

Ele se alimentava daquilo — não apenas do sabor, mas da entrega. Do modo como Nathan se abria, vulnerável, querendo mais mesmo tremendo; da forma como cada toque, cada lambida, cada sucção desencadeava uma reação nova.

Sentiu um jato de prazer, mínimo demais para ser um clímax, mas suficiente para provocar um arrepio delicioso.

“Ele gozou de novo?”

Cael engoliu instintivamente, ávido, sem recuar nem um milímetro.

Quando o último espasmo trêmulo passou, Cael finalmente o soltou com um estalo suave e úmido. Ele lambeu os lábios devagar antes de se erguer, os olhos fixos no pênis de Nathan — ainda rijo, ainda latejante, reluzindo com saliva.

“Eu… eu quero isso dentro de mim…”

Os olhos de Cael estavam sombrios, desiguais, cheios de desejo. Ele lambeu os lábios devagar, como quem saboreia a carne antes de morder — predador, mas também adorador.

Subiu novamente para o colo de Nathan, os joelhos afundando no colchão macio enquanto se acomodava, os movimentos fluidos como um felino. Suas mãos acariciaram o corpo firme abaixo de si, explorando cada linha, cada músculo tenso, enquanto seus dentes alcançavam a orelha de Nathan, mordendo-a com intenção.

Nathan apertou seus quadris, sentindo a própria excitação pulsar contra o tecido apertado da calça.

Sem hesitar, Cael se posicionou sobre ele, as mãos firmes nos ombros de Nathan. Sentiu a ponta pressioná-lo — a expectativa quase mais cruel do que o próprio ato. Então, começou a se abaixar — lenta, deliberadamente — sobre o comprimento lubrificado.

“Só de entrar… minha voz… não consigo controlar…”

O calor que o envolveu era sufocante. A cabeça de Nathan tombou para trás contra a cabeceira da cama, e um gemido grave escapou de sua garganta quando o penetrou por completo. Cael era apertado, mas o recebeu com uma facilidade quase sobrenatural, como se seu corpo tivesse sido moldado para aquilo.

Nathan agarrou os quadris dele com força, as costas pressionadas contra a cabeceira enquanto o íncubo se movia; lento, metódico, cada rebolado desenhando ondas de prazer que o deixavam à beira da rendição.

Cael arqueou o pescoço para trás, os olhos fechados, um gemido rouco escapando dos lábios. Suas mãos deslizaram até o peito de Nathan, os dedos bem abertos, pressionando as palmas contra a pele quente, como se precisasse de algo que o mantivesse ancorado na realidade.

— Nathan… — Sussurrou, a voz embargada de desejo.

A cada investida, Cael soltava um som contido, carregado de urgência — e aquilo só alimentava o fogo dentro de Nathan. Ele podia sentir a tensão crescendo, como uma mola prestes a se romper.

— Cael. — Arfou, os quadris se erguendo em resposta ao movimento. — Eu não… vou aguentar muito.

Os olhos de Cael se abriram, fixando os de Nathan com um brilho cru de necessidade.

“Sim… por favor… eu preciso disso… me preenche…”

— Não se contenha. — Implorou, a voz embargada de emoção. — Goze dentro de mim.

Com um gemido que misturava êxtase e alívio, Nathan se deixou levar. O clímax o atingiu como uma onda avassaladora, e ele sentiu Cael se contrair ao seu redor, também atingido pelo orgasmo. Os corpos se colaram ainda mais, trêmulos, suados, sacudidos pelas ondas do prazer compartilhado.

O interior de Cael pulsava em torno do sêmen recém-libertado, ainda quente, espesso, envolto naquele calor úmido que parecia devorá-lo aos poucos.

“Eu… de novo…? Só porque ele… está dentro…”

Quando tudo cessou, Cael se inclinou para a frente, deixando o corpo ceder até repousar a cabeça sobre o peito de Nathan.

— Você é… incrível. — Murmurou Nathan, a voz ainda trêmula, os resquícios do prazer reverberando em cada palavra.

 

—–

 

Nathan olhou de soslaio, a mente ainda atolada nas revelações dos últimos dias.

— Então… existem outros como você?

Cael não respondeu de imediato. Esticou os braços acima da cabeça com um suspiro exageradamente lânguido, os olhos fechando por um instante. Depois, virou-se parcialmente, apoiando o cotovelo no encosto do sofá e encarando Nathan com uma expressão que mesclava tédio teatral e um brilho divertido.

— “Outros como eu” é uma definição generosa. Não há ninguém exatamente como eu.

Nathan bufou.

— Você sabe o que eu quis dizer.

— Sei. — Ele sorriu, os caninos aparecendo por um breve segundo. — E sim. Existem. Muitos. Demônios, succubus, incubus, espectros, vampiros, lobisomens, criaturas tão antigas que se esqueceram do próprio nome. A maioria vive escondida, é claro. Ou… adaptada.

Nathan o observou em silêncio. Ainda era estranho. Aquilo tudo. A revelação. O fato de que o sobrenatural, até então relegado ao folclore, aos cantos obscuros da internet e a fóruns de caçadores de lendas urbanas, era real — tátil, inclusive.

— E como ninguém sabe disso? Quero dizer, existem milhares de mitos, histórias. Mas nada concreto. Nem mesmo vídeos reais, provas definitivas… Tem gente que se diz “caçador de monstros”, mas, sei lá, sempre parece meio charlatão.

Cael deslizou lentamente, deitando-se de lado, depois virou-se de barriga para baixo e apoiou o queixo nos braços cruzados sobre o encosto.

— Humanos são bons em ignorar o que não compreendem. E nós somos bons em… camuflagem. Existe uma velha política de não interferência. O mundo humano é frágil. Cheio de certezas frágeis que seguram as pessoas no lugar. Se alguém provar que existem demônios, fadas ou o que for, o que acontece com a estrutura que vocês chamam de realidade? Ninguém quer uma nova Idade Média, com fogueiras e crucifixos improvisados.

Nathan franziu o cenho.

— A maioria das criaturas antigas já entendeu que se esconder é melhor do que combater. Nós nos adaptamos. A diferença é que alguns, como eu, interagem com vocês de forma mais… íntima.

Nathan corou levemente.

— Então é tudo real? Todas as lendas?

— Não como vocês pensam.

Cael moveu-se com uma lentidão deliberada, quase felina. Deitou-se de bruços sobre Nathan, os braços apoiados nas pernas dele, fazendo com que seu corpo se curvasse suavemente. Os cabelos desgrenhados deslizaram pelas coxas do humano, espalhando-se como um véu de sombra e luz que dançava ao menor sopro de ar.

Sua cauda balançava de um lado para o outro, preguiçosa. Era um gesto instintivo, como o de um animal que encontra conforto no calor do outro e simplesmente se deixa ficar.

— Existem linhagens, famílias, hierarquias. Algumas tão antigas quanto os próprios mitos. E muitas delas sabem como andar entre vocês sem levantar suspeitas. Às vezes, um pouco de charme basta. — Ele piscou para Nathan. — Alguns são caóticos, outros seguem regras bem mais rígidas do que qualquer igreja humana jamais conseguiu impor. Anjos, por exemplo — bufou, revirando os olhos — são insuportavelmente formais.

— Anjos? — Nathan arqueou a sobrancelha. — Você está me dizendo que anjos existem também?

— Claro que sim. E não são nada daquilo que vocês pintam. — Cael balançou os pés no ar, batendo-os de leve na lateral do sofá. — Alguns são mais impiedosos que qualquer demônio que conheço.

— Então você é um… demônio sexual?

Cael gargalhou, o som rouco e musical.

— Você tem um jeito encantador de arruinar a poesia das coisas. — Esticou-se mais uma vez, depois rolou sobre o sofá com uma graça desleixada até sua cabeça repousar no colo de Nathan. — Incubus. Caelus, se quiser usar meu nome completo, o que soa muito mais imponente, convenhamos.

Nathan olhou para ele, hesitante, os dedos parando no ar como se ponderasse onde colocar as mãos.

— Nasci, ou melhor, fui criado com essa natureza, com todos os seus caprichos e vícios. É como ter fome e sede ao mesmo tempo, mas só saciar com desejo. Um projeto de alguém com um senso de humor duvidoso e um gosto excessivo por controle. — Fez um gesto vago com a mão. — Mas vamos focar na parte interessante: estou aqui. E sou fascinante.

Nathan sorriu, apesar de si mesmo.

— Modesto também.

Cael ergueu uma sobrancelha.

— Eu posso ser modesto. Mas nunca vi utilidade nisso. — Seus dedos brincavam distraidamente com a bainha da camiseta que usava.

— E você… sempre foi assim? Quer dizer, você parece tão… humano, às vezes.

Cael olhou para ele de baixo, os olhos âmbar brilhando com um calor que não vinha só da luz do sol.

— Eu aprendi a ser. Adaptar-me ao gosto dos humanos faz parte da minha natureza — A voz tornou-se mais suave, quase melancólica. — A ideia era que eu me infiltrasse, que me misturasse, que seduzisse. Mas eu acabei… gostando demais das coisas humanas. Das músicas ruins. Dos cheiros. Do gosto do café queimado… Sinceramente, você é um humano muito curioso. Isso costuma ser perigoso.

— Só quero entender. — Finalmente pousou a mão no cabelo de Cael, deslizando devagar pelos fios sedosos. — A maioria das pessoas vive uma vida inteira sem saber dessas coisas.

— E a maioria deveria continuar assim. Mas você… — Cael sorriu, olhos fechando com o toque. — Você tem aquele defeito charmoso de não saber parar. Vai acabar querendo saber mais e mais, até mergulhar fundo demais. E aí não tem volta.

Nathan ergueu uma sobrancelha.

— Isso é um aviso?

— É um convite. — Cael abriu os olhos, um brilho provocativo dançando em seus olhos. — Ou talvez só a constatação de que você já está no fundo e ainda nem percebeu.

Nathan ficou em silêncio, os dedos ainda deslizando no cabelo de Cael, observando a expressão dele. Aquela beleza sobrenatural, a postura relaxada, a cauda balançando suavemente como se marcasse o ritmo de um feitiço constante. E mesmo assim havia algo… humano ali. Algo não dito. Algo que Cael, talvez, nem soubesse nomear.

Cael sorriu com doçura falsa, os lábios se curvando devagar.

— Se quiser, posso te mostrar outros tipos de criaturas. Uma volta pela noite com um guia turístico como eu. Só precisa dizer a palavra.

— E qual é o preço?

— Hmm… — fez um biquinho pensativo —, talvez só um fim de semana inteiro com você amarrado na cama, dependendo do meu humor.

Nathan riu, e Cael riu também, embora, por trás da piada, houvesse uma pontada de hesitação. Uma fagulha que ele ignorava com a destreza de quem passou a eternidade evitando qualquer coisa que parecesse verdadeira demais.

Mas ali, com os dedos de Nathan em seu cabelo e o som de uma respiração tranquila acima de si, Cael sentiu uma coisa estranha. Uma familiaridade… reconfortante.

Ele fingiu não perceber.

— Já estou morando com um experimento laboratorial de charme e sarcasmo. Não sei se aguento mais. — Cael deu uma risada baixa e fechou os olhos outra vez, aninhando-se mais no colo dele, como se fosse natural. Como se, apesar de tudo, quisesse ficar.

— Existem híbridos?

— Ah, esses são os mais perigosos. Não sabem onde pertencem. Como adolescentes eternos.

E, naquele instante, Nathan soube: ele não queria que Cael fosse embora.

Nem agora. Nem nunca.

Nathan passava os dedos pelo cabelo de Cael sem pressa, como quem faz carinho num gato — e o íncubo ronronava por dentro, embora jamais admitisse.

Foi então que o ar ao redor dele estremeceu — uma vibração sutil, mas inconfundível, que subia pela espinha feito um arrepio forçado. O coração de Cael apertou. Aquela energia… antiga, autoritária, fria como pedra molhada.

Seus olhos brilharam por um instante, ele suspirou, os ombros caindo com um peso que não vinha do corpo.

— Hm… — murmurou, erguendo-se lentamente, sem perder o charme no movimento. — Parece que o dever chama. Literalmente.

Se espreguiçou com um suspiro teatral e se inclinou, os olhos cintilando com um brilho malicioso.

— Odeio ter que pedir isso — murmurou com um sorriso enviesado, aproximando-se o bastante para que sua voz roçasse a pele de Nathan —, mas preciso atender a uma ligação.

Nathan piscou, surpreso.

Cael piscou, provocador, e deslizou para fora do colo de Nathan com a graciosidade de um predador satisfeito. Endireitou-se de pé ao lado da cama, a cauda desenhando um arco lento no ar e roçando no chão em seguida.

Quando Nathan começou a se levantar, Cael o puxou de volta por um instante, os braços pousando nos ombros dele, o corpo perigosamente próximo.

Quando Nathan começou a se levantar, Cael o puxou de volta por um instante, os braços pousando nos ombros dele, o corpo perigosamente próximo.

— Você parece decepcionado — sussurrou, a boca quase tocando a dele.

Nathan tentou formular algo, a respiração um pouco presa.

— Bem… eu…

Cael o interrompeu com um sorriso que prometia mais do que dizia.

— Você pode me esperar na sala. Quando eu terminar, prometo compensar você… muito bem.

A frase caiu entre eles como um toque invisível. Nathan engoliu, assentiu devagar, e saiu do quarto sem discutir — ou talvez sem conseguir.

Assim que a porta se fechou, o silêncio do quarto pareceu mudar de textura — mais denso, mais atento. Cael caminhou apenas alguns passos pelo piso frio, os pés descalços produzindo ruídos quase inaudíveis, até se aproximar da cômoda onde a orbe repousava. O ar ali era mais pesado, como se a atmosfera se recolhesse em expectativa, aguardando-o.

Respirou fundo, o ar saindo trêmulo de seus pulmões. Aquilo não era um convite. Era uma convocação.

Ergueu a mão com cuidado, os dedos envolvendo a superfície fria da orbe que pulsava como um coração alheio ao mundo humano. O brilho dentro dela reagiu ao toque, vivo demais, urgente demais.

Cael a levou até a cama, sentando-se com um movimento contido. Ajoelhou-se sobre o colchão, deixando a orbe descansar no colo, sustentada entre suas mãos. A postura automática, quase ritualística, contrastava com o desconforto que se acumulava em seu peito, pesado como algo que ele tentara ignorar por tempo demais.

A orbe cintilou, e a névoa dentro dela começou a se afastar como cortinas abrindo-se num palco antigo. A silhueta de Arael surgiu devagar — indistinta no início, depois nítida, inconfundível: alto, esguio, de beleza austera e cruel, como uma estátua de mármore quebrada apenas nos lugares certos. Os olhos de Arael — fendas de um brilho incandescente, quase sagrado em sua impassividade — repousaram sobre Cael com um misto de frieza e interesse calculado.

— Caelus.

A voz soou como um sopro e um trovão ao mesmo tempo, reverberando na mente do íncubo antes mesmo de atingir seus ouvidos. Ele abaixou a cabeça.

— Mestre.

Houve uma pausa longa. O silêncio de Arael era sempre pior do que sua fala. Carregava um julgamento implícito, como se pesar cada segundo fosse parte de um experimento eterno do qual Cael era apenas mais uma peça.

— Você drenou mais energia do que nos últimos três ciclos combinados — a voz era neutra, sem reprovação explícita, mas Cael conhecia bem o que estava por trás daquela calma aparente.

— Achei que você gostaria, mestre.

— Não estou impressionado com o excesso, Caelus. Estou intrigado pela origem — a orbe pareceu pulsar com o tom grave de suas palavras. — Você se alimentou… demais de um único humano. Explique-se.

Cael engoliu em seco, ainda de olhos abaixados.

— Talvez ele seja só… generoso — o tom foi casual, mas havia algo quase defensivo no modo como evitou olhar diretamente para a imagem. — Ou talvez eu estivesse com fome demais.

— Não minta — a voz de Arael desceu um tom, mais baixa, mais funda. — Conheço os limites do seu corpo melhor do que ninguém. Sei o que você pode tomar. E sei o que nunca tomou antes.

Cael cerrou o maxilar. Seu olhar se ergueu, enfim, colidindo com o reflexo etéreo da figura que o moldou.

— Eu me alimentei de um humano, eu estava faminto. Foi diferente das outras vezes. Ele… me quis por vontade própria. E… depois disso, continuei despertando na casa dele. Involuntariamente.

Arael inclinou levemente o rosto para o lado, o brilho de seus olhos oscilando com mais intensidade. Não disse nada, mas Cael sentiu a pressão invisível aumentar, como se o ar se tornasse mais denso, apertando seu peito.

— E esse humano…? — Arael perguntou finalmente.

— É só um humano comum. Estudante. Ele é gentil, mas… curioso demais.

— Gentil — Arael repetiu como se a palavra fosse uma ofensa.

Cael não ousou levantar os olhos.

— Foi só uma alimentação mais intensa.

Um longo silêncio se seguiu. Arael parecia ponderar.

— E você o seduziu completamente?

Cael hesitou.

— Sim… mas algo falhou. Ele não reagiu como os outros. Ele… viu a mim.

Arael se endireitou, o gesto quase imperceptível, mas que carregava uma tensão intrínseca. Seus olhos perderam o brilho por um segundo, ficando opacos como o céu antes de uma tempestade.

— Isso não deveria acontecer.

Cael finalmente ergueu o olhar, impulsivo. Havia algo estranho na expressão de Arael — uma sombra mínima, uma ruga invisível em sua máscara de perfeição.

— Mestre…? — indagou, com voz hesitante.

Mas Arael já havia recomposto a própria face. A voz voltou controlada, ainda que com um tom mais afiado:

— Não se afeiçoe ao humano.

A ordem caiu como um laço apertado ao redor do pescoço de Cael. Ele respirou fundo, tentando esconder o estremecer que atravessava sua espinha.

— Eu… não estou. Foi só…

— Um desvio de função — Arael o cortou. — Você está aí para alimentar-se, manter a linha de energia ativa e obedecer. Não se esqueça disso.

Cael assentiu, abaixando o rosto novamente. Por um instante, desejou não ter sentido aquele toque no cabelo, aquela presença leve no sofá, aquele calor. Queria esquecer.

— Mas… — Arael murmurou, e havia algo diferente agora. Um cálculo, uma semente de dúvida, ou talvez de curiosidade — …você realmente não sabe o que causou essa sobrecarga?

— Não, senhor. Eu juro.

Mais uma pausa. Arael o observou longamente, como se tentasse dissecar suas palavras. Mas, ao fim, inclinou levemente a cabeça.

— Continue observando-o. Relate qualquer mudança.

— Sim, mestre.

A conexão começou a se desfazer. A névoa retornava, envolvendo a figura de Arael como um véu.

Cael permaneceu ajoelhado mesmo após a orbe apagar. O quarto estava novamente escuro, o silêncio agora preenchido apenas por sua respiração irregular.

Ele odiava aquele medo. Aquela submissão entranhada como uma marca antiga. Mas era tudo o que conhecia. Tudo o que aprendera a usar para sobreviver.

Mesmo assim, ao se levantar, ao voltar ao corredor e ouvir a risada distante de Nathan na sala, havia algo que resistia. Um fio tênue de vontade. Algo que nem mesmo Arael parecia conseguir controlar.

E isso, Cael não sabia como explicar. Nem a si mesmo.

Capítulo 3
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Doce Inanição

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Nathan jamais esperou encontrar o amor na forma de um íncubo. Muito menos descobrir que ele tinha um lado doce, um senso de humor duvidoso e uma tendência incorrigível a usar lingerie como forma...

Chapters

  • Vol 1
      • Capa
        Capítulo 18 Uma Tarde Na Praia
      • Capa
        Capítulo 17 Pais, esse é Meu Namorado Incubus
      • Capa
        Capítulo 16 De Onde Vim, Afinal
      • Capa
        Capítulo 15 O Presente Perfeito Para o Aniversariante
      • Capa
        Capítulo 14 Sim, Eu Sou o Namorado Dele
      • Capa
        Capítulo 13 Você Sobreviveu. Agora Vai Viver
      • Capa
        Capítulo 12 O Amor Dito Pela Primeira Vez
      • Capa
        Capítulo 11 Eu Quis Te Esquecer, Mas Só Soube Te Procurar
      • Capa
        Capítulo 10 A Primeira Vez Que Você Foi Amado
      • Capa
        Capítulo 9 Manual Paranormal de Como Reagir a um Incubus
      • Capa
        Capítulo 8 Memórias que Não Dormem
      • Capa
        Capítulo 7 Entre o Pecado e a Paz
      • Capa
        Capítulo 6 Dias de Fome, Noites de Amor
      • Capa
        Capítulo 5 Como Seduzir e Motivar um Universitário em 3 Passos
      • Capa
        Capítulo 4 Uma Versão Peluda do Meu Criador
      • Capa
        Capítulo 3 Onde Moram as Fomes Antigas
      • Capa
        Capítulo 2 Um Íncubo no Meu Sofá
      • Capa
        Capítulo 1 Me Deixe Provar um Pouco

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