Capítulo 142
Avisos: flashback, tortura (não gráfica), abuso sexual implícito
Diante da cena terrível que se desenrolava diante dos meus olhos, eu simplesmente fiquei ali, paralisado e sem palavras.
As pontas dos meus dedos, que haviam esfriado, estavam tremendo.
Eu sabia disso.
Essa cena. Eu a conhecia melhor do que ninguém.
“—Seu tolo inútil!”
“Aaagh!”
“Ouça bem. Esta é a sua punição, para se livrar daquele monstro nojento dentro de você.”
“Gggh… Por favor, pare, Irmão.”
Uma quantidade terrível de sangue jorrava da pele rasgada. Uma poça de sangue se formara aos pés do garoto, tornando-se vermelho enferrujado e preto.
Os braços do garoto estavam acorrentados acima da cabeça, e cada vez que era atingido pelo chicote, ele gritava e seu corpo magro tremia.
Mesmo assim, ninguém o salvaria. Seus olhos, que perderam a luz, contavam essa tragédia.
Todos sabiam.
Não havia ninguém que não soubesse o que estava acontecendo naquela sala, uma sala tão fria que feria a pele.
“…Porque, me dê… Irmão…”
O corpo do menino era tão branco e sem sangue que era espantoso que ainda estivesse vivo.
Ele poderia ter morrido, ali, naquele porão de pedra sombrio. Mas ele não morreu, porque naquele corpo minúsculo residia uma quantidade enorme de poder mágico.
O rapaz que era chamado de ‘Irmão’ pelo menino sentia prazer em atormentar seu próprio irmão mais novo. A prova se comprimia contra suas calças, fervilhando com uma lascívia desprezível.
“É mesmo? Então você reconheceu seu erro?”
“…hã…”
“Quer ser perdoado sem reconhecer sua culpa? Como ousa dizer uma bobagem dessas?”
“Ahh”
Mais três chicotadas com o açoite espinhoso, e o menino perdeu a voz, seus olhos saltando das órbitas. Uma única linha de lágrima escorreu de seu olho vítreo.
Seu grito silencioso, é claro, não alcançou ninguém.
“Então, desculpe… Me desculpe, me desculpe, perdoe-me, por favor, me desculpe”
O que o menino estava pensando naquele momento?
Talvez só eu entendesse.
Com um estalo, quebrou. Estilhaçou-se sem cerimônia e desapareceu no vazio, mas o menino estava tão exausto que não conseguia sequer pensar no que havia perdido.
“Humph. Monstro anão. Foi assim que você conseguiu entrar nas boas graças do rei? Suponho que terei que exorcizá-lo eu mesmo, afinal.”
“…….”
Como um “protagonista” orgulhoso no palco.
Tendo jogado fora o chicote, o jovem declarou com orgulho. Então ele libertou o menino das correntes. Quando o menino caiu no chão, ele agarrou sua cabeça e disse com uma expressão extremamente desagradável.
“Entendido?”
Suportando uma dor tão terrível que nem mesmo o frio o atingia, o menino estendeu a mão em direção à virilha do homem—
“…….”
Neste mundo, havia muitos, muitos sofrimentos tristes sobre os quais não podíamos fazer nada.
Muitos de nós já enfrentamos tais infortúnios, de modo que contar nossos números tornou-se inútil.
No entanto, a dor e o ressentimento plantados em mim não podiam ser varridos com palavras como essas.
Sim, eu nunca poderia esquecer.
A humilhação recebida, o desespero infligido a mim, eu nunca poderia esquecer ou deixar para trás.
“Faz tempo.”
“……”
Um menino estava ao meu lado, que estava parado em transe.
O menino, usando uma máscara para esconder seus olhos, tinha uma corrente pendurada no pescoço, e seus braços e pernas estavam enfaixados.
“Pensei que você tivesse se esquecido de mim, Lilius.”
“…….Seria um pecado eu esquecer?”
“Hmm, eu me pergunto.”
Inclinando a cabeça, o menino deu um passo à frente. Quando ele se virou para olhar para mim, cantou de maneira infantil.
Mas aquela voz não tinha temperatura, e só ressoava com vazio.
“Você deve cumprir sua promessa.”
Promessa?
“Você se esqueceu de tudo? Mesmo as coisas que você não deve esquecer, você se esqueceu?”
O menino exalou um suspiro de pena.
“Não adianta esquecer, Lilius. É preciso ódio para te manter vivo.”
Então, o menino pareceu recuperar a compostura e me disse, assumindo uma postura de ensinamento.
Eu não conseguia dizer nada.
Como se houvesse um buraco enorme bem no meu corpo, eu não queria pensar em nada. Eu não conseguia reunir forças.
Como areia escorrendo pelos meus dedos, as cenas horríveis do passado, que se repetiam sem parar, se espalharam e desapareceram no vento. Eu assisti tudo em silêncio.
“Certo, já está na hora de ir, não é? Tchau, Lilius. Espero nos vermos novamente.”
Foi somente neste momento, quando ele acenou com a mão levemente, que o menino pareceu ter ganhado uma tonalidade.
Aa, nós nos veríamos novamente.
Porque, você e eu—
*
“—Lilius tolo. Não adianta amar alguém neste mundo transitório. No fim, tudo o que vamos provar é o desespero.”
*
No momento em que minha consciência surgiu.
Da longa distância, o menino, sozinho, disse com uma voz que parecia prestes a quebrar.
Capítulo 142
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Parenting in Full Bloom! The Former Villainous Noble Son Who Found His Love Nest
Inglês: sleepingjay (chrysanthemumgarden)
Português: @VickWaifu (Até o capítulo 13); lume_lux (do capítulo 14 ao 26)Novamente Vick_Waifu(27 em diante)
Revisão: QianCherry (Até...