Capítulo 20 – A Cabana na Montanha
TOPÁZIO:
Depois de caminharem por alguns minutos entre a neve, os dois chegaram a uma pequena cabana de madeira, escondida entre altos pinheiros.
A fumaça saía pela chaminé, e uma luz quente brilhava através da janela.
Otávio abriu a porta.
Otávio: — Entre. Aqui você estará protegido do frio.
Mateu entrou devagar.
A cabana era simples, mas muito aconchegante.
Havia uma lareira acesa, uma mesa de madeira, duas cadeiras, uma cama e algumas prateleiras com ferramentas e mantimentos.
Mateu olhou ao redor com curiosidade.
Mateu: — É um lugar bonito.
Otávio sorriu discretamente.
Otávio: — Obrigado.
Mateu tentou dar mais um passo, mas fez uma careta de dor.
Mateu: — Acho que meu tornozelo piorou…
Otávio aproximou uma cadeira.
Otávio: — Sente-se.
Mateu obedeceu.
Otávio pegou uma faixa de tecido limpa e ajoelhou-se diante dele.
Com muito cuidado, examinou o tornozelo machucado.
Otávio: — Não está quebrado.
— Mas você precisa descansar.
Enquanto falava, começou a enfaixar o tornozelo de Mateu.
Seus movimentos eram calmos e delicados.
Mateu o observava em silêncio.
Mateu: — Você sabe fazer isso muito bem.
Otávio sorriu.
Otávio: — Nas montanhas, a gente aprende um pouco de tudo.
— Se eu me machucar e não souber cuidar, ninguém vai fazer isso por mim.
Mateu abaixou os olhos.
Mateu: — Faz sentido.
Depois de terminar o curativo, Otávio levantou-se.
Mateu: — Você vive aqui?
Otávio: — Sim.
Mateu olhou novamente para a cabana.
Mateu: — Sozinho?
Otávio: — Desde que meus pais morreram.
Por um instante, o silêncio tomou conta do ambiente.
Mateu sentiu um aperto no coração.
Mateu: — Eu sinto muito.
Otávio apenas assentiu.
Otávio: — A gente aprende a conviver com a saudade.
Mateu olhou para o fogo da lareira.
Mateu: — Eu também perdi meus pais.
Otávio voltou sua atenção para ele.
Otávio: — Então… você sabe como é.
Mateu confirmou com um leve movimento de cabeça.
Mateu: — Às vezes parece que a dor nunca vai embora.
Otávio colocou mais um pedaço de lenha na lareira.
Otávio: — Ela não vai.
— Mas, com o tempo… a gente aprende a carregar essa dor.
Mateu sorriu de forma discreta.
Mateu: — Você fala como alguém bem mais velho.
Otávio deu uma pequena risada.
Otávio: — As montanhas ensinam muita coisa.
Os dois sorriram.
Pela primeira vez desde que começou sua jornada, Mateu sentiu um pouco de paz.
E Otávio percebeu que aquele jovem carregava um peso muito maior do que uma mochila nas costas.
Otávio: — Amanhã, se você quiser… eu posso ajudar a procurar seu irmão.
Mateu levantou os olhos, surpreso.
Mateu: — Você faria isso por alguém que acabou de conhecer?
Otávio sorriu.
Otávio: — Ninguém deveria enfrentar uma tempestade sozinho.
Mateu sentiu seu coração se aquecer.
Mateu: — Obrigado, Otávio.
TOPÁZIO:
Naquela pequena cabana, em meio ao inverno eterno, nascia uma amizade construída sobre confiança e compreensão.
Sem que percebessem, aquele simples encontro seria o primeiro passo para um sentimento muito maior que floresceria ao longo da jornada.
Capítulo 20 – A Cabana na Montanha
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TOPÁZIO O Rei do Gelo
Década de 1950. No reino encantado de TOPÁZIO, o príncipe Pedro nasceu com o raro poder de controlar o gelo. Após um acidente na infância, ele passa a acreditar que sua existência coloca em...