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A Década Depois Da Primavera

Capítulo 05

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Já ia dormir. Sentia-me um pouco cansado e sonolento, meus olhos pesavam e meu corpo se movia lentamente.

Estava sozinho no apartamento, frequentemente era assim. No começo, era difícil; o lugar parecia vasto e assombroso, como uma mansão abandonada. Agora já me acostumei.

Então, ouvi ruídos e parei de andar; passos rápidos se aproximavam. Tudo aconteceu tão rápido que levei um susto!

Não deu tempo de olhar para trás.

Foi como um borrão, consegui ver apenas uma silhueta. Quando abri os olhos, estava encostado na parede ao lado do meu quarto.

O empurrão não foi brusco; sua mão repousava sobre meu peitoral.

Uma fragrância invadiu meu nariz e preencheu o corredor. Conhecia aquele cheiro: era perfume de vinho tinto. Lembrei da pessoa que o usava e do dia em que usei apenas para agradá-lo; naquele dia ele comentou que, mesmo sendo vinho tinto, ainda era o mais barato.

Dominic me encarava com uma expressão descontente. Não nos víamos desde aquela noite, fazia cerca de cinco dias.

— Por que não me contou antes? — Sua mão se afastou de mim. Ele parecia diferente, talvez por ter descoberto algo que parecia impossível.

— Afaste-se —, eu sabia do que ele estava falando, suas maneiras diziam do que se tratava. Apenas não sei como ele descobriu. — Se não contei antes, foi por medo da sua reação.

Estávamos frente a frente.

— Como isso aconteceu? — Dom pronunciou cada palavra sisudamente; ele parecia insatisfeito com o que soube. — Um homem não pode engravidar. Vamos, explique-se!

— Não tive culpa, não sabia que era possível. Eu descobri assim… — compartilhei sobre minha suspeita de câncer, o exame e todas as palavras do médico. Ele ouviu atentamente.

Ele deu alguns passos para trás e se encostou na parede, enquanto eu continuei no mesmo lugar. Ele parecia interessado no que eu dizia.

Dom olhou para outros lugares enquanto eu falava, ainda assim, prestava atenção em cada palavra. Sempre mantendo sua postura de galã. Éramos realmente opostos.

Aquela conversa foi um pouco exaustiva e, ao terminar, respirei fundo; um suspiro profundo saiu dos meus lábios e meus ombros relaxaram. Eu nem percebi que estava tenso.

E então, Dominic perguntou se não tinha dito nada de propósito. Dom estava mais sério do que o normal.

— Não —, respondi e ele se divertiu às minhas custas. Não importava o que eu dissesse, Dom não me daria crédito. — Se soubesse antes, não teria engravidado! — Afirmei avidamente.

Era difícil de acreditar, mas ele não falou nenhum insulto ou algo do gênero.

Então, ele se aproximou outra vez e parou bem perto. Pude sentir a frieza de cada passo. No instante seguinte, sua voz soou firme e clara:

— Não haverá divórcio… — por um instante, ele fixou o olhar na parede atrás de mim. Não sei dizer sobre o que ele estava pensando. Após esse breve transe, continuou: — Mesmo que me custe acreditar, assumirei as despesas da criança. Mas não crie esperanças ou ilusões sobre nós.

Apesar de Dominic ser tão rude, ele ainda é muito responsável.

Com isso, Dom se despediu. Ele não lançou nem um olhar ou aceno de despedida. Naquele instante, senti-me invisível para ele. O som da porta se abrindo foi ouvido e logo depois se fechou assim que saiu para a rua. Ele não voltaria mais hoje.

Nesse meio-tempo, fiquei lá parado, estático. O pior já tinha passado e a tensão começou a se dissipar aos poucos, como as nuvens após uma tempestade. Com o tempo, o perfume dele foi desaparecendo completamente.

Decidi deixar esse pensamento de lado. Agora que tudo tinha passado, meu desejo era ir para a cama, mesmo que a sonolência não me acompanhasse como antes.

Ia retomar meu caminho para o quarto e, distraidamente olhei para o canto do corredor.

Notei um celular; era de Dominic.

Deve ter caído durante a discussão e agora vibrava com uma nova mensagem. Movido pela curiosidade, peguei o aparelho e vi de quem era. Mas não consegui ler o conteúdo devido ao bloqueio de tela.

Era uma mensagem da sua secretária. Não me contentei em saber apenas isso; fui até meu quarto, peguei meu laptop e conectei-o ao celular. O bom de ter sido um jogador compulsivo na adolescência é que adquiri algumas habilidades úteis. Mas nem sempre isso bastava, então decidi aprofundar meus conhecimentos sobre técnicas usadas por hackers.

Não sinto orgulho disso, mas só recorro a essas habilidades quando é necessário. Agora era necessário. Em poucos instantes consegui descobrir sua senha e li a mensagem; tratava-se apenas de trabalho.

No entanto, mais adiante, encontrei um conteúdo intrigante.

Li aquelas mensagens e muitas outras. Fiquei espantado, eram recentes.

Foi ela quem descobriu e informou Dom sobre o filho. Teve a ousadia de investigar e alterar os detalhes. Para eles, eu era o oportunista.

Para Helena, eu era simplesmente um homem ambicioso e indigno de confiança.

A última mensagem dizia: “Como amiga, é minha obrigação abrir seus olhos, assim como fiz há muito tempo atrás.”

Estava surpreso com a proximidade entre eles e as calúnias sobre mim. Pelo que percebi, ela não era apenas sua secretária, mas, aparentemente, sua amiga.

Todas as mensagens confirmavam isso.

Continuei e notei que ele trocava mensagens frequentemente com ela; os outros contatos eram, na maioria das vezes, de negócios e advogados.

Ele não tinha meu número, nem fez questão de tê-lo.

Apesar de tudo, o motivo da antipatia da secretaria não foi esclarecido.

Assim que saí do aplicativo de mensagens, um arquivo me chamou a atenção. Fiquei olhando para ele por um instante; a pasta era intitulada como “confidencial”.

Em um impulso, realizei uma clonagem do repositório para criar uma cópia local no meu computador, desejando descobrir seu conteúdo.

— O que você está fazendo? — Ouvindo aquela voz, meu corpo ficou paralisado, como se fosse um robô enferrujado, incapaz de se mover. — Eu perguntei o que você está fazendo?

O sangue se esvaiu do meu rosto, os lábios de Dominic se firmavam em uma linha tensa, seus cílios longos fixos em mim.

Ele estava na porta do meu quarto; eu havia esquecido de trancar-la. Além disso, tinha absoluta certeza de que ele não voltaria hoje! Mas ele voltou e está com uma presença ameaçadora!

Meu cérebro levou alguns segundos para reanimar meus membros. Como já havia clonado as conversas e o arquivo, havia deixado o celular de lado há muito tempo, então, nem tudo estava perdido.

Um silêncio pairou no ar.

Ainda não conseguia articular palavras, meus olhos tremiam, repletos de nervosismo.

O tempo parecia se arrastar, como se estivesse se divertindo com o silêncio desconfortável que se instaurava.

Ele se aproximou.

Observei atentamente cada passo que dava, sentindo uma inquietação crescer em mim.

A sombra de Dominic se projetou sobre mim. Só pensei no pior, por pouco não fechei os olhos.

A todo custo, consegui me manter no lugar.

Felizmente, ele apenas se inclinou para pegar o celular, que estava ao lado do laptop.

— Eu… encontrei no chão e o coloquei aqui. — Afastou-se, examinando o aparelho. Minha voz, que antes tremulava, agora soava mais suave ao longo da frase.

— Você não me respondeu — levantou as sobrancelhas.

— Mesmo se eu dissesse, você não acreditaria. No fim das contas, o que um leigo como eu conseguiria fazer com um aparelho bloqueado? — Tentei adotar a expressão mais impassível e indiferente que consegui, minhas pupilas cravando-se nas dele.

Independentemente de estar satisfeito ou não com a resposta, ele apenas se virou e se afastou. Saiu sem pronunciar uma palavra ou qualquer gesto. Sua saída foi tão repentina quanto sua chegada.

A resposta sobre aquele arquivo, seja o que for, não seria revelada hoje.

 

 

 

 

 

 

Betagem:Arabella

Capítulo 05
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“𝚀𝚞𝚊𝚗𝚍𝚘 𝚟𝚘𝚌ê 𝚜𝚎 𝚊𝚙𝚊𝚒𝚡𝚘𝚗𝚊 𝚙𝚎𝚕𝚊 𝚙𝚎𝚜𝚜𝚘𝚊...

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  • Capítulo 08
  • Capítulo 07
  • Capítulo 06
  • Capítulo 05
  • Capítulo 04
  • Capítulo 03
  • Capítulo 02
  • Capítulo 01

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