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A DÉCADA DEPOIS DA PRIMAVERA

Capítulo 01

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🟡 Em breve

 

 

 

Saí da fila de espera assim que a enfermeira chamou meu nome. O elevador subiu num solavanco leve e as portas se abriram no segundo andar.

Enquanto caminhava pelo corredor, parei diante da grande janela de vidro. Lá fora, os galhos de uma árvore roçavam na parede do prédio. Meus olhos travaram em um garoto lá embaixo, dobrando a esquina. O jeito de andar, o uniforme gasto… era como olhar para uma versão minha do colegial.

Aquilo me trouxe a lembrança da minha primeira confissão. Um desastre. No fim da primavera, após a cerimônia de encerramento, eu tentei me aproximar, mas Dom nunca estava sozinho. Eu o via cercado por uma pequena multidão; todos queriam um pedaço dele, um adeus, um desejo de sorte. Naquele dia, minha coragem falhou. Por um segundo, Dom fixou os olhos nos meus. Eu sustentei o olhar, o coração martelando contra as costelas.

Mas antes que eu pudesse dizer algo, uma garota surgiu e o puxou pelo braço, levando-o embora sem hesitar. Dom ainda olhou para trás, por cima do ombro, enquanto era levado embora.

Os anos voaram. Ouvi dizer na faculdade que ele tinha ido para o exterior, e acabei seguindo minha vida até ser contratado por uma empresa de finanças. Foi lá que o reencontrei. No meu primeiro dia de estágio, descobri que o garoto do colegial agora era o CEO. Achei que ele nem lembraria de mim, mas quando aqueles olhos afetuosos me encontraram, soube que ele não tinha esquecido.

Dom era outro homem, alguém da elite, impecável. E pensar que, hoje, dividimos a mesma aliança. Entretanto, o presidente sociável e compreensivo, que trabalha com uma precisão cirúrgica no escritório, se transforma assim que a porta de casa se fecha atrás de si. Entre quatro paredes, ele é um lobo frio, um homem que eu mal reconheço sob a luz do abajur.

— Oscar? Oscar?

Uma voz masculina cortou o fio dos meus pensamentos. Olhei para trás e vi o médico com a cabeça para fora da porta, me chamando com um gesto impaciente.

Só então percebi que estava parado no meio do corredor, perdido. Lá embaixo, a esquina já estava vazia, o garoto tinha ido embora. Ajeitei a postura e caminhei até a sala. O médico sentou-se assim que entrei e fechei a porta, isolando o barulho do hospital. Ele já folheava alguns exames. Hoje, finalmente, eu teria a data da minha operação de remoção.

Tudo começou meses atrás. Eu quase nunca vinha ao hospital, mas o sangue na urina me assustou. Achei que fosse um câncer na bexiga, mas o diagnóstico veio como uma bomba: eu tinha um útero e órgãos reprodutores femininos completos. O sangue não era doença, era menstruação. Eu, um cara comum, com uma vida sexual normal, descobri que podia engravidar.

Com a orientação dos médicos, comecei os preparativos para retirar tudo. E hoje era o dia de marcar a cirurgia.

— E então, doutor, a data…

— Não poderá ser marcada ainda, Oscar — ele interrompeu, largando os exames. — Confirme novamente o que você me disse na última consulta. Precisamos de um último exame.

Respondi sobre os sintomas recentes, mas o desconforto começou a crescer conforme a expressão dele mudava, perdendo a tranquilidade profissional.

— Deite-se na maca — ele pediu.

O gel gelado se espalhou pela minha barriga. O médico deslizava o aparelho em silêncio absoluto, mas o modo como ele franzia a testa me preocupou. Quando a imagem surgiu na tela, granulada e em tons de cinza, o olhar dele se transformou. Houve um entendimento profundo no rosto dele que me fez paralisar antes mesmo dele abrir a boca.

As palavras dele pairavam no ar como um choque elétrico. Não tínhamos cogitado aquela possibilidade. No monitor, um pequeno embrião pulsava num ritmo frenético e cheio de vida. A voz do médico parecia distante enquanto eu tentava processar o que via.

Saí do hospital com a cabeça girando. Amassei a folha do exame e a joguei na primeira lata de lixo que encontrei na calçada. Uma mistura de sentimentos sufocantes subia pelo meu peito.

De repente, o toque do celular interrompeu o caos na minha mente. Era Zhang Yanmei. Atendi o aparelho e, antes que eu pudesse dizer algo, a voz dela ecoou alta e clara do outro lado da linha.

 

 

 

Betagem: Arabella

Capítulo 01
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A DÉCADA DEPOIS DA PRIMAVERA

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“Quando você confia na pessoa errada, tudo pode acontecer.”

Oscar é...

Chapters

  • Capítulo 43
  • Capítulo 42
  • Capítulo 41
  • Capítulo 40
  • Capítulo 39
  • Capítulo 38
  • Capítulo 37
  • Capítulo 36
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  • Capítulo 34
  • Capítulo 33
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