Capítulo 08
Enquanto a atmosfera tensa se intensificava, todos olhavam para Dominic e o homem, apreensivos com a possibilidade de que o ácido respingasse na mulher acidentalmente.
Finalmente, decidi me envolver na situação. Após analisar algumas informações no meu iPhone sobre o problema econômico dele e confirmar a natureza do líquido nas mãos do homem, guardei o aparelho e comecei a falar.
— Tio, o que você está segurando não é ácido sulfúrico — disse, sorrindo gentilmente enquanto me aproximava. Minha voz estava estranhamente firme e clara, como se eu estivesse afirmando um fato inegável.
Todos se viraram para mim, um homem pálido e doente, sem uma expressão forte no rosto.
— Criança, na escola ninguém te ensinou sobre ácido sulfúrico? Se você não sabe de nada, fique calado! — Uma risada maníaca e cheia de desprezo ecoou do homem gordo.
— Você se atreve a derramar isso, tio? — perguntei, dando pequenos passos em direção a ele, com um olhar condescendente. De relance, notei a mulher com lágrimas escorrendo pelo rosto.
O choque tomou conta do ambiente. Um homem como ele, capaz de tudo. No auge do desespero, ele invadiu o prédio e atacou os seguranças no caminho, embora poucos se lembrassem dele. Ele não era assim; era um bom funcionário, estava ali há anos.
Agora, questionava as palavras do homem, fazendo todos se perguntarem: “E se na garrafa realmente houvesse ácido sulfúrico? O que aconteceria se ele despejasse tudo sobre ela?” Se eu não tivesse prestado atenção nas aulas de química, estaria me perguntando a mesma coisa.
Quando olhei para os presentes, percebi que Dominic estava igualmente chocado e paralisado — algo raro e inesperado.
— Você não sabe do que sou capaz!? Como tem coragem de me questionar? Não fique no meu caminho! Posso derramar ácido em você também, e então você chorará em estado de choque! — O homem riu, finalizando suas palavras com uma ameaça.
— Mas isso nem é ácido sulfúrico. — Eu não tinha intenção de recuar. Em vez disso, estava ansioso para avançar e agarrar o frasco das mãos do homem. — Precisamos conversar, mas com você nesse estado, vejo que não será possível. — Então me pus a conversar com um funcionário da empresa, responsável pelo dinheiro do homem ensandecido. — Senhor Soares, mais cedo você me disse que cometeu um erro no setor de pagamentos, e um dos prejudicados foi este homem…
— Sim, eu disse. E você me ajudou, disse que o pagamento seria entregue hoje. Graças ao senhor Oscar, a empresa não teve problemas maiores. — O senhor Soares estava nervoso, enquanto observava ansiosamente o homem, ele não parava de mover as mãos num tique nervoso. — O senhor não precisava causar um escândalo desses: o Sr. Oscar já havia resolvido seu problema. — Soares olhou com desgosto para o homem que segurava o pescoço da mulher com força.
— Sua aberração! Você está cortejando a morte!? Vou cumprir seu desejo de morte! — O homem ficou furioso. Ninguém ousou desafiá-lo assim antes, e agora aqui estava eu, questionando-o. Ele soltou a mulher e, num instante, me empurrou para o chão.
O líquido dentro da garrafa derramou sobre mim. Gritos ecoaram pela empresa; alguns dos mais medrosos desmaiaram. Os funcionários avançaram, tentando afastá-lo, mas era tarde demais.
Assistiram enquanto o ácido espirrava sobre mim. No momento em que Dominic viu o ácido derramar, uma expressão estranha tomou conta de seu rosto, enquanto ele prendia a respiração.
Eu não o via assim há muito tempo.
Betagem:Arabella