Capítulo 09
O tempo parecia ter parado. Todos tinham olhares ansiosos. Seis segundos se arrastaram e quando todos despertaram do torpor, perceberam que eu estava ileso. Levantei-me, um pequeno sorriso brincando nos meus lábios, mas não disse uma palavra.
O homem ficou atônito ao me ver bem, olhando incrédulo para a garrafa em sua mão.
— Impossível! Isto é impossível! — ele exclamou, batendo o pé contra a parede com raiva. Em seguida, veio para cima de mim novamente, tentando me dar um soco. Mas alguém se aproximou e o puxou para longe, protegendo-me a tempo.
Os funcionários da empresa viram seu chefe, Dominic, me puxar para o lado antes de desferir um poderoso soco, derrubando o homem no chão. Ele rapidamente o pressionou contra o piso, segurando-o com toda a força.
— Segurança, venham aqui. Vou deixar o resto com vocês! — Dominic disse, indiferente, enquanto se levantava e massageava os pulsos. O caos tinha, pelo menos, parado temporariamente.
— Espere um momento… — fui até a mesa mais próxima e peguei um notebook, enquanto os seguranças imobilizavam o homem. Todos se voltaram para mim, para saber o que queria. — Tio, seu comportamento foi desapontador… — aproximei-me do homem, digitando rapidamente. — Aqui estão as provas de que a empresa cumpriu com as leis. Você agiu precipitadamente e agora terá que arcar com as consequências. Porém, para começar, o erro foi cometido por um funcionário da empresa, e ambos os lados terão que enfrentar as consequências.
Mostrei a tela digital para ele; ele olhou por um instante, mas não disse nada.
— Podem levá-lo… — fui até a mesa para devolver o notebook.
Minha expressão permaneceu inalterada, observando a bagunça ao meu redor. Só então notei um pequeno arranhão no meu cotovelo, resultado do empurrão do homem corpulento. Era um ferimento insignificante, nada com que me preocupar.
— Você! Venha comigo. E vocês, chamem o pessoal responsável pela limpeza para arrumar essa bagunça. — Dom olhou para mim e entrou em uma sala qualquer, já que a dele ficava no departamento principal do prédio.
Entrei e parei perto da porta.
— Então, o que aconteceu agora há pouco? — Dom afrouxou a gravata e perguntou, sentando-se no centro da sala. Sua expressão parecia mais tranquila, diferente de alguns minutos atrás.
— O que você quer dizer com “o que aconteceu”? — olhei para ele, confuso.
— Como você sabia que não era ácido sulfúrico? — ele explicou pacientemente.
— Eu adivinhei — respondi casualmente. Dominic sorriu, avaliando-me à sua frente.
— Agora você se tornou um adivinho? — o sorriso desapareceu, como um leão que aguarda sua presa, seus dedos batendo suavemente na mesa. — Não minta para mim. Como você sabia que não era ácido sulfúrico? Foi uma armação sua?
Sua voz, aparentemente casual, emanava uma intimidação que gerava uma ansiedade difícil de descrever. Talvez fosse essa presença que fazia com que todos os seus oponentes falhassem miseravelmente, desde o ensino médio até agora.
— Bem, eu sei que o ácido sulfúrico é incolor e tem uma textura semelhante ao óleo. O dele era diferente, parecia mais com água. — Seus dedos batendo na mesa chamaram minha atenção.
Seu olhar se intensificou, como se estivesse lendo até as pequenas vibrações da minha mente, analisando cada movimento da minha expressão.
— Só isso? — Dominic retrucou.
— O ácido sulfúrico concentrado é raramente usado, portanto, a poeira se acumula nas aberturas. À primeira vista, era fácil perceber que a garrafa daquele homem era usada com frequência. Talvez ele tenha pegado a garrafa errada por acidente quando estava no hospital.
— Como você sabe tudo isso?
— Bem, todos estudamos para aprender algo, estou errado? E, caso você tenha esquecido, eu estou grávido e vou com frequência ao hospital por causa do pré-natal do bebê — dessa vez, fui eu quem retruquei, olhando firme para ele.
Não era mentira; uma amiga de Zhang que trabalha no hospital já comentou isso com ela. Isso não é uma hipótese, é um fato.
Ao contrário de outras pessoas que saem para passear, minhas visitas são sempre ao hospital. Não me sinto feliz em dizer isso, mas é a verdade.
Dominic ficou em silêncio, encostou-se na cadeira e começou a pensar, batendo levemente na mesa com a ponta dos dedos de vez em quando. A atmosfera era a de um leão prestes a atacar.
Betagem:Arabella