Capítulo 10
A atmosfera na sala permanecia tensa, e estava tão silenciosa que era audível o tique-taque do relógio na parede a cada segundo.
O silêncio incômodo foi interrompido por uma mulher segurando alguns papéis.
— Chefe Dom, por favor, dê uma olhada nisso. Há um problema relacionado à filial WK no exterior que exige sua atenção — a secretária Helena abriu a porta e falou nervosamente.
— Oh, estou interrompendo algo? — Dom se levantou e foi até a porta, analisando os papéis que a mulher trouxe.
O problema na filial WK exigiu que Dominic convocasse uma reunião repentina, tendo que sugerir uma estratégia para lidar com a situação.
— Não, não está interrompendo. — Enquanto ele estava de pé verificando os papéis, eu me sentei no lugar mais próximo, sentindo minhas pernas pesadas e cansadas.
Suspirei aliviada quando o peso do meu corpo, intensificado nas minhas pernas, esvaiu-se no momento em que me sentei.
Às vezes minha barriga pesa. No início, quando via uma mulher grávida, não imaginava o quão pesadas eram suas barrigas; quanto maior, mais pesado ficava.
Sem contar as dores nas costas e na parte inferior do meu abdômen. À noite, dormir estava se tornando cada vez mais desconfortável.
Estava ficando difícil disfarçar minha barriga, já que nem todas as pessoas têm consideração ou respeito por um homem grávido.
Dominic deu mais algumas instruções para sua secretária e gesticulou para que a mulher saísse da sala.
A secretária Helena hesitou por um longo tempo, olhando entre Dominic e eu pelo canto do olho, aparentemente sem vontade de sair.
No entanto, ela finalmente saiu da sala após tanto hesitar. Helena não deveria temer tanto a aproximação entre Dominic e eu, já que ela mesma fez questão de nos separar ao ponto dele mal falar comigo.
Não muito depois, a secretária Helena retornou à sala com novos documentos.
— Por que você voltou tão rápido? Houve algum problema? — Dom franziu as sobrancelhas e caminhou até ela.
— Chefe Dom, você tem uma reunião às três da tarde, não vá esquecer! — ela se desculpou respeitosamente ao ver seu chefe se aproximando. — Você me disse para te avisar minutos antes para você se preparar… — a mulher sussurrou, sem querer olhar para ele por culpa. — Faltam apenas poucos minutos, e você ainda não almoçou. — Ela percebeu que o descontentamento de Dominic aumentava a cada minuto, e sua voz foi ficando mais suave.
A mulher estava claramente usando desculpas para nos interromper, e estava tendo sucesso em sua missão.
— Tenho consciência disso, não vou demorar — Dom declarou friamente.
Essa expressão geralmente era usada em momentos em que ele estava sem paciência, chegando ao seu limite, uma expressão que frequentemente era mostrada para mim, mas que hoje ele demonstrava para sua fatídica secretária, o que definitivamente não era um bom sinal.
— Sinto muito… — Ela se afastou, com a cabeça baixa, e saiu da sala.
— Está tudo bem, apenas continue seu trabalho — Dominic respondeu friamente.
Ele fechou a porta atrás de si, e eu ajeitei minha postura. Por um momento, deixei-me relaxar ao ponto de quase pegar no sono, principalmente depois de olhar tanto tempo para a cara daquela mulher calculista.
Descartei minha expressão preguiçosa e adotei uma mais séria e profissional quando meu marido olhou para mim com um semblante áspero, me preparando para o que viria a seguir.
Dom se aproximou de mim, seu tom de voz era ameaçador e, então, parou na minha frente.
Ele deixou seu rosto a poucos centímetros do meu, apoiando os braços nas laterais da pequena poltrona. Sua fragrância de vinho tinto ficou forte à medida que se aproximava.
— Soube que você vai para a casa da sua amiga. Se você for, vou pedir o divórcio afirmando adultério da sua parte. Não duvide! — ele me ameaçou sem remorso, olhando nos meus olhos.
Senti uma dor aguda me atingir com a ideia dele tomar minha criança. Apertei os punhos, me segurando para não dar um soco no homem parado à minha frente.
Ele parecia incomodado com a simples ideia de eu ir embora e morar com Zhang.
— Não faça isso. Ela é minha amiga, e entre ela e você, eu preferiria ter me apaixonado por ela… — Senti um nó na minha garganta; minhas palavras eram para machucar. Não deixei sua ameaça me abalar, muito menos transparecer. — Que tipo de monstro toma um filho do próprio pai?