Capítulo 11
— Por lei, se um divórcio for pedido nesses termos, a criança será minha. Não acho que você queira isso, certo? — ele me perguntou.
— Eu sei das leis, e é por causa delas que ainda estou com você! Essa criança é o único laço que há entre nós! — Mentira, meus sentimentos também são laços que nos unem.
Não consegui mais me controlar e acabei dando um soco nele. Ele levantou a mão, limpando o sangue dos lábios, e continuou a dizer asneiras.
— Vejo que, pela sua amiga, você é capaz de tudo, até de me agredir. — Ele deu uma risada áspera e sem humor, se afastando de mim.
— Suas palavras são piores que suas atitudes! — Minha voz fraquejou por um momento, mas logo consegui me recuperar. Não suportei mais tanta humilhação e fui até a porta. — Só para você saber, caso se interesse, o sexo do bebê é masculino. — Saí da sala e fechei a porta atrás de mim.
Vislumbrando de relance um Dom ciumento, aflito e sério, ele passou os dedos pelos cabelos negros, bagunçando os fios lisos, olhando para minhas costas e sussurrando meu nome com os lábios inchados.
Olhei para ele uma última vez, nós dois magoados um com o outro.
No momento em que estava do lado de fora, vi a secretária Helena andando de um lado para o outro em frente à porta.
Ela parou assim que me viu, passou por mim feito um furacão e invadiu a sala. Quando estava indo para o corredor, ouvi estilhaços de vidro colidirem contra a parede. Tentei ignorar ao máximo o barulho e fui para o elevador.
Tive que ficar alguns minutos esperando o elevador abrir e acabei ouvindo os funcionários fofocando.
— Ei, você percebeu? — Na sala ao lado, havia quatro funcionárias conversando e, mesmo sem querer, acabei ouvindo. — O abdômen do senhor Oscar está crescendo; eu mesma vi!
— Sim, também vi. É estranho ver um homem gestante. — O elevador não abriu, e fui obrigado a continuar ouvindo. — Mas o senhor Oscar é muito bom em cuidar das questões da empresa; ele já me ajudou muitas vezes.
— Eu acho esquisito. Porém, concordo com o que você disse; ele é muito bom no que faz.
— Eu penso parecido com você e respeito-o. — a mulher disse para as outras três. — E vocês viram como ele foi calmo e sensato hoje mais cedo? Foi admirável.
— Não tenho nenhuma opinião; aliás, não sou ninguém para julgar — a quarta voz comentou, fazendo as outras funcionárias se calarem.
Finalmente, o elevador abriu. Assim que as portas se fecharam, apertei o botão do primeiro andar. Ao meu lado, estava Anne, uma funcionária do mesmo departamento que eu.
Cumprimentei a moça, e ela fez o mesmo.
— Você quer uma carona, chefe? — Seu sorriso era gentil e amigável; entretanto, eu neguei.
Nós não somos próximos, mas conversamos bastante durante o trabalho. Ela é jovem, esperta e uma boa pessoa, só um pouco tímida.
Conversar com ela era agradável, mas logo nos separamos e seguimos para nossas casas.